ORIENTAÇÃO DE ESTUDOS E PESQUISA


              
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(¸..´¨ (¸..` ¤ Dorothy Bluyus Rodrigues Matias - PCOP/História*
 
DE - SÃO JOSÉ DOS CAMPOS
 

 HISTÓRIA  

AQUI TEM HISTÓRIA

CADERNO DO PROFESSOR - HISTÓRIA 2009

BIOGRAFIAS

CAMPANHAS E HISTÓRIA

CARTAS NA HISTÓRIA

CURIOSIDADES SOBRE O CALENDÁRIO

DEBATENDO

HISTÓRIA DAS COISAS

HISTÓRIA EM QUADRINHOS NA HISTÓRIA

HISTÓRIA E MUITO MAIS

ILUMINISMO

O PODER DA ARGUMENTAÇÃO

OS VALES FÉRTEIS

PASSADO REGISTRADO

PASSADO REGISTRADO 2

PERSONAGENS

REVOLUÇÃO CONSTITUCIONALISTA DE 1932

SOCIOLOGIA

SUGESTÃO DE LEITURA

TEMPO CRONOLÓGICO 

 

 

COMO ESTUDAR [1]

 

 Nereide Saviani [2]

Estudar não é apenas ler. O fato de ser ter devorado com avidez um livro - seja por achá-lo interessante, seja por se ter pressa em dar conta de seu conteúdo - não significa tê-lo estudado. Esse tipo de leitura, é, ainda, superficial. Em geral, tira-se pouco proveito de imediato e, caso não se retorne ao texto, muita coisa se perderá alguns dias após a leitura.

 

Estudar é bem diferente. Significa compreender o que se leu meditar sobre os pontos principais, reter o fundamental. Por isso, o estudo requer tempo bem maior que a simples leitura. Mas seus resultados são mais profundos e duradouros.

 

 O estudo exige várias leituras. Num primeiro momento, é importante fazer uma leitura geral, atenta, para se ter uma visão de conjunto do texto. Geralmente, essa primeira leitura suscita a necessidade de consultar o dicionário, ou  anotações de aulas/palestras, ou até mesmo outras obras que estejam ao alcance e que sejam importantes para o entendimento do texto. No entanto, não convém interromper a leitura para essa consulta, salvo nos casos em que o desconhecimento de algum termo ou fato comprometa a compreensão geral, tornando impossível ou muito difícil o prosseguimento do estudo.

 

Mas, mesmo durante a primeira leitura, é útil assinalar as passagens consideradas mais importantes e fazer anotações ( no próprio texto e às suas margens). Isto nos permite voltar com maior facilidade aos pontos principais ou nos chama a atenção para a necessidade de retomar/aprofundar idéias expressas pelo autor. É importante, então, termos sempre lápis e caderno à mão, para assinalar ou anotar palavras desconhecidas, trechos importantes, dúvidas que surgem, pontos a serem pesquisados em outra fontes, etc...

 

Num segundo momento, volta-se ao texto, agora para uma leitura mais pausada, buscando sua compreensão, parágrafo a parágrafo, localizando as idéias principais e as secundárias, tentando reconstruir o processo do pensamento do autor e captar a estrutura do texto.

 

Num terceiro momento, cuida-se da interpretação do texto, buscando explicitar os pressupostos que justifiquem a posição do autor, fazer comparações e associações das idéias contidas no texto com outras do mesmo autor e de outros autores; formar opinião e tomar posição diante das idéias o autor. Neste caso, a volta ao texto não será necessariamente um nova leitura (parágrafo a parágrafo), mas um reportar-se apenas aos trechos ainda não totalmente entendidos, ou aos que contenham idéias centrais ou aos que mais chamaram atenção.

 

Depois da interpretação  vem o quarto momento, o da problematização, que consiste no levantamento e discussão de questões explícitas e/ou implícitas no texto. Finalmente, a síntese pessoal, o quinto momento: a retomada do texto, com discussão, reflexão, crítica e tomada de posições pessoais.

 

Esses dois últimos momentos poderão ou não exigir nova(s) leitura (s) do texto como um todo (ou trechos), dependendo de como se desenvolveram os momentos anteriores e do registro que deles foi feito, e variando, também, conforme o grau de complexidade do texto.

 

Os momentos que se sucedem à primeira leitura exigem mais que as assinalações e anotações feitas no próprio texto ou às suas margens. Requerem um registro mais sistematizado, através de fichamentos, resumos, resenhas.

 

Podem-se destacar três tipos de fichamento[3]:

1. FICHAMENTO TEXTUAL - é o que capta a estrutura do texto, percorrendo a seqüência do pensamento do autor e destacando: idéias principais e secundárias; argumentos, justificações, exemplos, fatos etc., ligados às idéias principais. Traz, de forma racionalmente vizualizável - em itens e de preferência incluindo esquemas, diagramas ou quadro sinóptico - uma espécie de “radiografia” do texto.

 

2. FICHAMENTO TEMÁTICO - reúne elementos relevantes (conceitos, fatos, idéias, informações) do conteúdo de um tema ou de uma área de estudo, com título e subtítulos destacados. Consiste na transcrição de trechos de texto estudado ou no seu resumo, ou, ainda, no registro de idéias, segundo a visão do leitor. As transcrições literais devem vir entre aspas e com indicação completa da fonte (autor, título da obra, cidade, editora, data, página). As que contêm apenas uma síntese das idéias dispensam as aspas, mas exigem a indicação completa da fonte. As que trazem simplesmente idéias pessoais não exigem qualquer indicação.

 

3. FICHAMENTO BIBLIOGRÁFICO - consiste em resenha ou comentário que dê idéia do que trata a obra, sempre com indicação completa da fonte. Pode ser feito também a respeito de artigos ou capítulos isolados, a arquivado segundo o tema ou a área de estudo. O fichamento bibliográfico completa a documentação textual e temática e representa um importante auxiliar do trabalho de estudantes e professores.

 

Eis, em síntese, os passos a serem seguidos no estudo:

·     LER integralmente e com entendimento  (visão de conjunto)

·     IDENTIFICAR o tema

·     DESTACAR   as idéias principais.

·     LOCALIZAR argumentos, fundamentações, justificações, exemplos ligados às idéias principais.

·     ANOTAR dúvidas, impressões, associações, etc., despertadas pelo texto, bem como passagens que chamaram atenção.

·     FORMULAR questões cujas respostas se encontrem no texto e/ou questões por ele suscitadas.

·     RESUMIR construir um texto sucinto, que contenha as idéias mais importantes do texto estudado.

·     ESQUEMATIZAR elaborar um quadro ou sinopse que permita visualizar a estrutura, o planejamento do texto, expondo suas idéias centrais.

·     INTERPRETAR comparar/associar as idéias do autor (com as pessoais, do leitor; com outras do mesmo autor; com as de outros autores).

·     CRITICAR formar opiniões próprias a respeito das idéias do autor, fazer apreciações e juízo pessoal do texto.

 

Dependendo do tempo de que se dispõe e da familiaridade maior ou menor que se tenha com o texto ou tema, é possível deter-se em uns passos mais que em outros, ou “queimar” alguns, desde que não se perca de vista a necessidade de aprofundamento, para assimilação das idéias e adequado posicionamento pessoal. O importante é compreender todo o significado daquilo que se lê e refletir sobre o que se estuda, pois só assim é possível dele nos apropriarmos, aplicando-o de maneira viva às mais diversas situações.

 

Finalmente, alguns lembretes para a elaboração e cumprimento do plano de estudo individual:

 

1. Definir o que estudar e selecionar a bibliografia correspondente, determinando por onde começar.

2. Fazer o levantamento do tempo disponível e predeterminar um horário.

3. Cuidar para a garantia de algumas condições básicas para o estudo:

-     Concentração –  evitar ou procurar isolar os elementos de dispersão

-   disciplina e organização:

n   providenciar antecipadamente todo o material necessário (livro, caderno, lápis, dicionário etc...)

n   cumprir o horário planejado

n   fazer anotações e fichamentos

n   não deixar de ler índices, prefácios, tabelas, notas de rodapé, etc...

 

ESTUDO INDIVIDUAL, REFLEXÃO COMPARTILHADA

Sempre que se enfatiza a importância do estudo, fala-se da necessidade de “fazer cursos”. Estes, sem dúvida, ajudam a “organizar as idéias”, traçar as linhas gerais da teoria e seus temas básicos. Contribuem  para nossa formação teórica, ideológica e política, assim como palestras, seminários e outras situações de debates.

 

No entanto, nada substitui o estudo individual. Ele é indispensável à preparação e aprofundamento dos temas tratados, contribuindo para o aproveitamento dos cursos e  participação em discussões. 

 

É preciso, porém, empenhar-se para enfrentar desafios. Quando não se tem o hábito de estudo, fica-se impressionado ao pegar um livro. Pensa-se que só pode ser lido por quem freqüentou escola durante muitos anos.  No início surgem muitas dúvidas e dificuldades, mas com o prosseguimento do estudo começa-se a compreender melhor os textos e a assimilá-los. Acima de tudo é necessário ter vontade de aprender e não desistir diante dos primeiros obstáculos.

 

Daí a importância do estudo individual planejado, permanente, metódico. Que tal assumir um compromisso com o estudo? E se experimentarmos encará-lo como uma tarefa a ser cumprida com o mesmo rigor que  todas as outras? Para isto, nada melhor que estabelecer (e seguir) um plano de estudo individual. As dificuldades iniciais irão diminuir aos poucos, com paciência e dedicação.

 

Mas, convém não fechar-se em si mesmo! É melhor levar as dúvidas e dificuldades individuais para discussão no coletivo. Companheiros mais experientes ajudarão os principiantes. O plano individual terá mais resultado se conjugado a um plano coletivo. Uma boa prática é a formação de grupos de estudo, segundo o interesse por algum tema ou livro, procurando-se garantir o debate organizado, dirigido por um roteiro comum. E persistir na reflexão e no debate.

  

Cada grupo pode organizar sessões de estudo, na periodicidade considerada conveniente. Elege-se um coordenador e um secretário. Os participantes apresentam/discutem dúvidas, fazem comentários e decidem se devem voltar ao texto individualmente e realizar novas sessões. Quando necessário, solicita-se a presença de alguém que tenha mais acúmulo, para expor aspectos que facilitem a compreensão do texto e para auxiliar a dirimir dúvidas ou reorientar o estudo. 

 

É importante que o grupo estabeleça prazos para divulgação dos avanços da reflexão compartilhada. Por exemplo, apresentação de seminários, produção de artigos, monografias, resenhas etc.

 

É este o sentido do estudo programado.

  


[1] Este texto é uma composição de excertos, com algumas alterações, de “Orientações para o estudo” (publicado em anexo à apostila Introdução ao estudo do Socialismo Científico, CEPS – Centro de Estudos e Pesquisas Sociais, São Paulo, 1987, mimeogr.) e de “Estudo Individual, reflexão coletiva” (matéria publicada em A Classe Operária,   161, 9 de julho de 1998 – p. 6).

 

[2] Professora Doutora em Educação – PUC/SP. Membro da Comissão Nacional de Formação do PCdoB.

[3] Cf. SEVERINO, Antonio Joaquim. Metodologia do Trabalho Científico. São Paulo: Cortez/Autores Associados, 2000. 21ª ed.

 

QUEM SOU EU?

 

 

Eu o livro, sou uma publicação, não um periódico, sou organizado em torno de um plano coerente e reconhecível. Fisicamente, tenho miolo, onde esta localizado o texto, antecedido e sucedido por elementos estruturais definidos e com funções diversas.Minhas páginas, costuradas ou coladas, são presas numa capa flexível  ou rígida. Veja abaixo a minhas descrição:

 

CAPA: minha cobertura externa é feita de papel colado no miolo (“brochuras”), cartão, couro costurado. As áreas de impressão da capa são quatro; na primeira, em geral ilustrada e cuidada de forma especial, estão os dados principais da edição, e na última, a quarta capa, em geral há um resumo do livro ou indicações de leitura. As capas internas, em livros de literatura infantil, podem conter as informações que normalmente estão no verso da minha folha de rosto.

 

ORELHA: Parte da capa que se dobra para dentro (aba ou asa). Deve conter dados bibliográficos do autor, além de comentários sobre a obra.

 

LOMBADA: É a minha parte lateral externa, que contém o nome do autor e título da obra .

 

MIOLO: Designação dada as folhas reunidas (por costura ou cola), sem a capa, onde se localizam o corpo do trabalho, seus antecedentes e anexos.

 

FOLHA DE GUARDA: é a folha dobrada que se põe no começo e no fim do livro encadernado, unindo a capa ao miolo.

 

FALSA FOLHA DE ROSTO: é a folha que precede a folha de rosto e contém o título da obra (“olho”).

O verso da falsa folha de rosto contém: título da série, nome do diretor, número de volumes da série (quando houver), ficha catalográfica e número de catalogação, índices para catálogo sistemático.

FOLHA DE ROSTO (rosto, frontispício): é a página que contém os elementos essenciais à indicação da obra, na seguinte ordem: nome do(s) autor(es) e seu(s) título(s), quando houver, título da obra; subtítulo (quando houver); compilador(es), adaptador(es), tradutor(es), prefaciador(es), anotador(es), ilustrado(es), capista(s), quando for o caso; número da edição, quando não for a primeira; nome(s) do(s) revisor(es) e/ou atualizador(es), quando houver; local (cidade) de edição; ano de publicação.

 

O verso da folha de rosto contém: direitos autorais, indicado pelo signo Ó; título da obra original, quando for tradução; data da edição em que se baseou a tradução; relação das diversas edições e reimpressões com respectivos editores e datas; nome e endereço da editora, seguidos do número indicador do livro de acordo com a numeração normalizada para livros determinada pelo SNEL – Sindicado Nacional dos Editores de Livro ou pela Câmara do Livro; indicação do nome do país em que a obra foi impressa. Alguns livros relacionam também aí os nomes de editores e outros profissionais envolvidos na produção do livro.

 

DEDICATÓRIA: é a primeira página ímpar que se segue à página de rosto, em que o autor dedica a obra (quando houver).

 

EPÍGRAFE: é a página que se segue imediatamente à página da dedicatória (quando houver).

 

SUMÁRIO: (impropriamente chamado de índice) é a enumeração das principais divisões, seções e contribuições de uma obra, na mesma ordem em que nela sucede. Estas divisões são em geral chamadas de capítulos.

 

PREFÁCIO: palavras de esclarecimento sobre a obra, que precedem o corpo do texto e que podem ou não ser escritas pelo autor da obra. Cada edição pode ter um novo prefácio, além de manter os anteriores.

 

LISTA DE ABREVIATURAS: é a relação das abreviaturas em geral usadas numa obra para substituir nomes muitos citados no texto, acompanhados de seus referentes.

 

NOTAS: explicações ou aditamentos a alguma parte do texto. Podem localizar-se no rodapé ou pé-de-página, no final do capítulo ou no final do volume.

 

APÊNDICE OU ANEXO: é a matéria suplementar que se junta ao texto de um livro, como esclarecimento ou documentação, embora não constitua parte essencial da obra. São listas variadas, glossários, índices remissivos (onomástico ou de assunto).

 

BIBLIOGRAFIA: é a lista de referências às fontes consultadas e/ou citadas pelo autor.

 

GLOSSÁRIO: é a lista de termos específicos, usados e destacados pelo autor, acompanhados por sua definição.

 

ÍNDICE: é a lista detalhada de referência de diversas ordens, com sua localização no texto. É chamado índice remissivo pela função; quando contém apenas nomes de pessoas chama-se índice onomástico.

 

CÓLON (colofão): inscrição no fim dos livros com indicações sobre a impressão (papel, gráfica, tipologia), incluindo data de acabamento da impressão.

 

 CLASSIFICAÇÃO GERAL DE LIVROS

 

Os vários tipos de livro existentes podem ser classificados conforme sua natureza.

 

·        Livros de referência (obras de referências) ® contém informações de caráter geral, organizadas por assunto ou por ordem alfabética, e se destinam apenas a serem consultados.

·        Livros literários ® São as obras de arte em prosa e versos. Contemplam as várias modalidades do discurso artístico, como romances, contos, novelas, crônicas, poesia, teatro. Podem ainda ser consideradas nesta categoria obras de caráter geral cuja elaboração tenha cunho artístico, como, por exemplo, certos livros de sociologia, de filosofia, de história, biografias, memórias, livros de viagens e até obras jornalísticas. Algumas categorias de obras literárias são mais conhecidas por uma classificação especial, como os livros infanto-juvenis, policiais, de mistério, de ficção científica etc.

·        Livros de conhecimento específico, cientifico ou técnico ® São as obras gerais, de cunho científico ou técnico, sobre os mais variados ramos do conhecimento humano. Incluem-se aí desde os livros de arte até os de construção civil, por exemplo.

·        Livros didáticos ® São livros escritos para utilização em sala de aula. Por isso são seriados e obedecem aos currículos oficiais. Para um trabalho escolar, às vezes cabe consulta a livros de outras séries ou a livros da mesma série publicados por outra editora.

·        Livros paradidáticos ® são aqueles cujo conteúdo interessa diretamente ao ensino, sem no entanto se aterem aos programas curriculares ou à seriação escolar, como por exemplo a série.

·        Periódicos ® são publicações editadas a intervalos regulares, como jornais e revistas. Podem ser especializados ou tratar de assunto variado, veiculando matérias de diversos colaboradores.

 

TIPOS DE PERÍODICOS

 

·        Jornais

·        Revistas

 

DOCUMENTOS ® são registros escritos de fatos. Podem conter  datas e informações de caráter variado sobre pessoas, grupos, localidades, etc. Por serem registro contemporâneo do fato, a eles é atribuído o valor de verdade e autenticidade.

 

DICIONÁRIO ®   explicação dos significados das palavras. As palavras são apresentadas em ordem alfabética. Alguns dicionários são ilustrados para facilitar a assimilação dos significados das palavras. Existem também os dicionários de tradução de línguas.

 

BIBLIOGRAFIA

 

AZEVEDO, F.F. dos S. “Dicionário da língua portuguesa; idéias afins. Brasília: Coordenada/Theaurus, 1983.

 

FERREIRA, A B. de H. Novo dicionário da língua portuguesa.  1ed., Rio de Janeiro, Nova Fronteira.

 

ECO, Umberto. “Como se faz uma tese em Ciências Humanas”. Lisboa: Presença, 1977.

 

GARCIA, O. M. Comunicação em prosa moderna: aprenda a escrever aprendendo a pensar”. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vagas, 1995.