DEBATENDO


Oficina Pedagógica - DE S.J.Campos/SP

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(¸..´¨ (¸..` ¤ Dorothy Bluyus Rodrigues Matias - PCOP/História*
 

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DEBATER É MAIS DO QUE TROCAR IDÉIAS

OBJETIVO: Estudar o gênero debate regrado, considerando os elementos expositivos e argumentativos em sua estrutura; levar os estudantes a compreender o gênero debate com um procedimento comunicativo que exige do estudante repertório consistente e a capacidade para resolver problemas.

 

COMPETÊNCIAS E HABILIDADES: Organizar debates regrados; debater sobre temas variados; ler e discutir sobre diversos temas, posicionando-se sobre eles; construir argumentos que ajudem na defesa de um ponto de vista; construir seqüência de idéias, lançando mão de exemplos retirados do mundo concreto; avaliar o funcionamento da situação comunicativa na qual se insere o debate, levando em consideração as reações da platéia;reformular idéias, apresentando novos argumentos e exemplos; usar os conhecimentos adquiridos por meio da prática de análise lingüística.

 

ESTRATÉGIAS: Aula interativa, com a participação dialógica do aluno, com a preparação e conhecimento de conteúdos e estratégias por parte do professor; rodas de leitura; trabalhos em duplas e em grupos; uso de recursos audiovisuais; valorização do cotidiano escolar e de um aprendizado ativo centrado no fazer.

 

DEBATER SE APRENDE!

 

Professor, antes de iniciarmos esta seqüência de atividades, é importante dizer uma palavrinha sobre o estudo do gênero proposto aqui. Do mesmo modo que é preciso um longo preparo para escrever uma resenha, no debate regrado, produzido oralmente, há também procedimentos, atitudes e conteúdos que devem ser levados em conta e ensinados aos estudantes. Afinal, debater não é simplesmente trocar opiniões, mas pensar e refletir sobre um tema importante para uma determinada comunidade, em um determinado contexto social, posicionando-se sobre ele, construindo argumentos que ajudem na defesa desse posicionamento e, mais do que isso contribuam para que o interlocutor seja persuadido a crer no que está sendo dito.

Desse modo, um dos objetivos de inserir, no contexto escolar, o ensino do debate regrado como gênero textual oral é fazer com que os estudantes construam um saber sobre o gênero, reconhecendo nele sua estrutura predominantemente argumentativa. Mas há outros objetivos:

 

§         Fazer com que o estudo da oralidade seja sistematizado em diferentes situações comunicativas. Portanto, é necessário levar em consideração as exigências do contexto: não se “fala” no debate como se conversa com um amigo;

§         Propiciar ao estudante momentos de reflexão sobre os mais diversos temas, aprendendo a posicionar-se diante deles e construir argumentos sólidos para a defesa desta posição;

§         Criar novas situações de pesquisa e organização de informações que devem ser analisadas e selecionadas a fim de favorecerem o desenvolvimento do debate;

§         Identificar o debate como um procedimento comunicativo que exige do estudante repertório consistente e a capacidade para resolver problemas.

 

COMO PREPARAR UM DEBATE REGRADO

 

PASSO 1 – Peça aos estudantes que façam uma lista de temas sobre os quais gostariam de conversar ou de saber mais. Você também pode apresentar uma seqüência de temas e pedir que, por meio de votação, elejam aqueles que mais lhes interessam.

 

Sugestão:

 

1.      Nossa civilização e a degradação do meio ambiente

2.      A escassez de água em um futuro próximo

3.      A desigualdade social

4.      A copa de 2014

5.      Os padrões de beleza definidos pela mídia

 

PASSO 2 – Dividir a classe e designar um tema para grupo.

 

PASSO 3 – Definir junto com os estudantes quais os objetivos e limites da discussão a fim de evitar fugas do tema. É preciso que toda a classe entenda que o debate regrado tem uma finalidade em si: desenvolver a capacidade argumentativa de cada participante, dando-lhes condições para expressar suas opiniões de forma clara e objetiva.

 

PASSO 4 – Pedir que os estudantes, em cada grupo, definam de quem será o papel do moderador para o debate, que terá como função: apresentar o tema, definir os limites da discussão, estimular que todos falem, cada um na sua vez, retomar aspectos da discussão que vão sendo deixados de lado no decorrer da atividade e evitar fugas ou desvios temáticos.

 

Você também pode, em um primeiro debate, exercer essa função de ensinar a eles um modelo ao qual podem se apoiar quando assumirem esse papel.

 

Uma estratégia interessante para inseri-los no contexto da discussão e apresentação de modelos é assistir com eles em um debate (mesas redondas, por exemplo), transmitido em algum programa televisivo. Grave o programa e reserve um espaço na semana para passar a gravação e discutir sobre os procedimentos do debatedor.

 

PREPARANDO-SE PARA O DEBATE

 

PASSO 1 – Após ter definido com os estudantes a organização do debate, é preciso que eles se preparem para discutir. Essa etapa demanda certo tempo, uma vez que exige pesquisa sobre o tema, leitura e análise de diversos textos, seleção de idéias e argumentos, posicionamentos etc. É nesta etapa, também, que os estudantes podem assistir a filmes, a programas de tevê etc. a fim de ampliarem seu repertório sobre o assunto e ter condições para defender seu ponto de vista diante dos colegas e professor.

 

A pesquisa e estudo feito devem ser organizados em fichas que auxiliem os estudantes na seleção e escolha de argumentos. Desse modo, você pode construir com eles esse instrumento a partir dos seguintes dados:

 

 

Texto 1

Texto 2

Texto 3

Informações sobre os textos lidos pelo grupo: título, autor, fonte (retirado do livro tal, da Internet, do jornal etc.)

 

 

 

Tema e subtemas (o que dizem, como dizem, qual a opinião do autor sobre o tema)

 

 

 

Quais aspectos do texto lido ajudam o grupo a elaborar suas opiniões sobre o tema?

 

 

 

Os textos lidos apresentam um único ponto de vista sobre o tema ou pontos de vistas diversos e, por vezes, divergentes?

 

 

 

 

A mesma organização deve ser seguida para os filmes/programas televisivos a que assistirem. É importante que você acompanhe de perto esta etapa a fim de orientá-los na escolha dos melhores argumentos: como é um debate, será necessário que eles identifiquem pelo menos dois pontos de vista diferentes sobre o mesmo tema. Além, é claro, de um problema que gira em torno desse assunto. Caso contrário, não haveria necessidade de debatê-lo.

 

Por exemplo: suponhamos que um dos grupos tenha escolhido o tema “Os padrões de beleza definidos pela mídia”. Certamente caberia nesse debate parte do grupo defendendo esses padrões por acreditar que eles sejam o fio condutor para que os sujeitos tenham uma vida bem-sucedida. Outra parte teria de defender exatamente o oposto: como os padrões são definidos pela mídia, que tem por princípio incutir e vender idéias, valores, produtos, é no mínimo suspeita a crença de que esses padrões de beleza sejam “superiores” aos demais.

 

PASSO 2  - Os grupos devem definir quais integrantes farão a defesa de um ponto de vista e quais de outro. Ainda seguindo o exemplo do “padrão de beleza”, será necessário que eles se distribuam em torno das duas (ou mais) idéias divergentes, preparando-se para defendê-las. Nesse momento, os grupos se dividirão em subgrupos para realizar o debate.

 

PASSO 3 – É importante que eles tenham clareza de que a situação de debate exige:

 

a)      certa formalidade por parte dos debatedores (expressada pela escolha de vocabulário, pela correção lingüística, pela clareza de raciocínio, pela coerência entre os argumentos escolhidos;

b)      capacidade para avaliar o próprio funcionamento comunicativo dessa situação (se as escolhas de argumentos ou exemplos são adequadas para o contexto, se os interlocutores e a platéia parecem compreender o que está sendo dito, se é preciso reformular o modo de dizer a fim de tornar mais clara a idéia exposta etc.).

c)      construção de uma seqüência de idéias, lançando mão de exemplos retirados do mundo concreto dos interlocutores do debate.

 

Por tudo isso, os grupos devem ter clareza do tipo de debate que estão propondo e do contexto no qual ele se insere a fim de conduzi-lo de modo coerente e apropriado. É preciso que eles reconheçam as diferenças estruturais entre fazer um debate para aprender a debater e aprender mais sobre um determinado tema  (com a finalidade de ampliar repertório) ou organizar um debate para tomar decisões e/ou para resolver problemas envolvendo questões reais do contexto escolar etc.

 

O quadro a seguir ajuda a pensar os objetivos de cada debate e podem ser utilizados por você para orientar seus alunos.

 

TIPOS DE DEBATES

OBJETIVOS

 

 

1. De opiniões controversas

Ø      discutir crenças, valores e opiniões a fim de tornar visíveis as diferentes possibilidades de olhar para um fato/tema, ajudando a compreendê-lo.

 

 

 

2. Para tomada de decisões

Ø      utilizar os recursos argumentativos a serviço das possíveis negociações entre os debatedores seus interesses opostos. Aqui se pressupõe o encaminhamento de ações.

 

 

3. Para resolução de problemas

Ø      buscar soluções para um problema a partir do conjunto de saberes apresentados pelo grupo de debatedores. Aqui se pressupõe, como no Item 2, o encaminhamento de ações

Quadro organizado a partir das informações extraídas das referências teóricas de DOZL,J.; SCHNEUWLY, B.; PIETRO, J. “Relato da elaboração de uma seqüência: o debate público”. In: Gêneros orais e escritos na escola. Campinas, São Paulo: Mercado das Letras, 2004, p. 248.

 

PASSO 4 – Caso você ou sua escola disponha de uma filmadora, a fim de tornar esta atividade ainda mais produtiva e significativa, você pode gravar o debate realizado pelo grupo, reservando outra aula para que assistam as filmagens. O objetivo é fazer com que os estudantes reflitam sobre esse momento de aprendizagem, observando seu comportamento como debatedor/moderador, o modo como atua diante da fala do outro (ouve o que o outro tem a dizer; respeita seu momento de fala; aproveita uma colocação do outro em favor da defesa dos próprios pontos de vista); os recursos que utiliza para apresentar e defender seu ponto de vista.

 

Caderno do Professor. Língua Portuguesa: ensino fundamental 8a. série - São Paulo: SEE,2008.

 

 

Esquema

 

O esquema é o conjunto das idéias que você considera como sendo as mais importantes de um texto, expostas de forma organizada e concisa. É um recurso que pode ser utilizado tanto na leitura quanto na produção de um texto. Na leitura, podemos usá-lo para destacar as idéias que mais interessam aos nossos objetivos. E na escrita, podemos lançar mão dele para selecionar e organizar bem as nossas idéias. Fazendo o esquema de um texto podemos perceber com mais clareza suas principais informações e visualizar melhor sua forma de organização.

O texto é esquematizado de várias maneiras:

  • Desenhos
  • Tópicos e subtópicos
  • Chaves
  • Flechas

Ele pode ser um registro gráfico (bastante visual) dos pontos principais de um determinado conteúdo. Não há normas para elaboração do esquema, ele deve ser um registro útil para você, por isso, é você quem deve definir a melhor maneira de fazê-lo. Um bom esquema, porém, deve:

·        evidenciar o esqueleto do texto (ou da aula, do filme, da palestra, etc.) em questão, apresentando rapidamente a organização lógica das idéias e a relação entre elas.

·        ser o mais fiel possível ao texto, limitando-se a reproduzir e compreender o conteúdo esquematizado.

Algumas dicas úteis para um esquema, segundo Hühne (2000) são:

  • após a leitura do texto, dar títulos e subtítulos às idéias identificadas no texto, anotando-os as margens  
  • colocar estes itens no papel como uma seqüência ordenada por números (1, 1.1, 1.2, 2, etc.) para indicar suas divisões
  • utilizar símbolos para relacionar as idéias esquematizadas, como setas para indicar que uma idéia leva à outra, sinais de igual para indicar semelhança ou cruzes para indicar oposição, etc. 
  • é igualmente útil utilizar chaves ({) ou círculos para agrupar idéias semelhantes.

Não importa que códigos você usa no seu esquema, pois ele é de uso pessoal seu. O importante é que ele seja útil a você, ou seja, lhe permita recuperar rapidamente o argumento e as idéias de um texto com uma simples visualização.

 

Bibliografia

SEVERINO, Antonio Joaquim. Metodologia do trabalho científico. 21ª ed. rev. e ampl.. São Paulo: Cortez, 2000.