História de algumas receitas

Pastéis de Feijão

      Nos finais do século XIX, vivia na Vila de Torres Vedras uma ilustre senhora, D. Joaquina Rodrigues, que possuía uma receita de uns deliciosos pastéis, com que brindava os seus familiares e amigos.

     D. Maria aprendeu muito bem a confecção do doce e passou a fabricar os pastelinhos por encomenda, sendo ela a primeira pessoa a comercializá-los.

     No entanto, a receita também foi divulgada entre os familiares de D. Joaquina e, assim, uma parente de nome Maria Adelaide Rodrigues da Silva, também aprendeu a arte de fabricar os pastéis de feijão.

     A gentil Maria, casou entretanto com o Sr. Álvaro de Fontes Simões, que decidiu explorar comercialmente os doces. Assim, nasceram os pastéis de feijão da marca “Maria Adelaide Rodrigues da Silva”, que alcançaram um estrondoso sucesso que se estendeu para muito além da região de Torres Vedras.Posteriormente, as pastelarias da terra começaram a dar fabrico próprio aos famosos pastéis, segundo receitas da sua autoria, mas sempre com a amêndoa e o feijão por base.

     Por volta de 1940, um filho do Sr. Álvaro Simões, Virgílio Simões, montou uma fábrica especificamente destinada ao fabrico dos pastéis. Assim nasciam os muito conhecidos pastéis “Coroa”. Em meados do século, os pasteis de feijão tinham-se adoptado como o doce de Torres Vedras e o processo de certificação deste doce está a dar os primeiros passos.

 Queijadas de Sintra

A receita terá nascido no Convento da Penha Longa, em Linhó, pela mão de frei João da Anunciação, o ecónomo da cozinha durante 60 anos. Essa receita é um pouco diferente da de hoje, pois naquela época ainda não se conhecia a canela e o açúcar. Mas um homem chamado Francisco das Neves, achou que se podia adoçar as queijadas, a partir do mel.

Então em 1756, uma senhora de Ranholas, chamada Maria Sapa, industrializou o fabrico caseiro, deste doce tradicional.

Sintra era um óptimo lugar para a industrialização das queijadas, pois havia muita criação de gado.

 

Pastéis de Belém

    No inicio do Século XIX, em Belém, próximo do Mosteiro dos Jerónimos, funcionava uma refinação de cana-de-açúcar associada a um pequeno local de comércio variado. Com a Revolução Liberal de 1820, foram encerrados os 1834 conventos de Portugal, expulsando o clero e os seus trabalhadores. Para sobreviver, alguém do Mosteiro começou a vender nessa loja uns pastéis doces, que se tornaram conhecidos por “Pastéis de Belém”. Nesta altura, a zona de Belém ficava longe da cidade de Lisboa e o percurso era assegurado por barcos a vapor. Mas a  Em 1837, iniciou-se o fabrico dos “Pastéis de Belém”, em instalações próximas da refinação, segundo a antiga “receita secreta”, trazida do Esta receita mantém-se igual até hoje e é, exclusivamente, conhecida pelos mestres pasteleiros que os fabricam artesanalmente na “Oficina do Segredo”

 

Pampilhos

Este é um doce ribatejano muito popular, a sua forma e nome prestam homenagem aos campinos da região, que para conduzir o gado utilizam uma vara comprida a que chamam, exactamente, de pampilho.

 

Pastéis de Tentugal

  A história da antiga vila de Tentúgal, hoje pertencente ao concelho de Montemor-o-Velho, confunde-se com a história da doçaria conventual, cuja fama persistiu no tempo devido, em parte, aos Pastéis de Tentúgal.  Reza a história que os afamados doces terão surgido por causa da bondade natalícia de uma freira carmelita que, em finais do século XVI, presenteando os meninos da terra com iguarias, resolveu experimentar rechear a massa muito fina com doce de ovos. Estes requintados presentes eram, igualmente, oferecidos a bem feitores do Convento das Carmelitas, assim como estes indivíduos da alta sociedade portuguesa, o doce recebia os maiores elogios. Inicialmente designados “Pastéis do Convento”, começaram a ser produzidos no seu exterior mas com as reformas de Joaquim António de Aguiar, em 1834, puseram fim às congregações religiosas e, decisivamente, após a laicização da sociedade, com a implantação da República em 1910. Fora das instalações conventuais os Pastéis de Tentúgal popularizaram-se, passando a ser consumidos pelos diferentes estratos sociais, chegando a ser recheados com frutas, doces ou preparados de carne. Nos dias de hoje o mais vulgar é o recheio com doce de ovos, adoptando uma forma alongada, que lhe confere também a designação de Palito, ao invés da outrora forma em meia-lua. O recheio dos Pastéis de Tentúgal que apresentam a forma de meia-lua, para além do doce de ovos, inclui amêndoa. Este doce também é conhecido por Pastel Pobre.

 Arroz Doce

Desde o século VI a.C. que há registos de arroz cozido em leite com açúcar. A chegada da cana-de-açúcar da Índia ao Médio Oriente, onde já se cultivava o arroz, marca a origem desta especialidade que perdurou até aos nossos dias. É possível imaginar que, muito antes, estes alimentos coexistiam na Índia e que, inclusivamente na Ásia, substituído o leite de origem animal pelo leite de coco, este doce era saboreado desde os tempos mais remotos. Posteriormente, a fama do arroz doce espalhou-se rapidamente por toda a Europa e a cor dourada que o melaço lhe conferia passou ao branco característico, já no século XIII, quando se começou a utilizar açúcar refinado. O século XVIII marca o momento do baptismo desta sobremesa, que revela todo o seu encanto em todos os livros de receitas europeus. Durante os últimos vinte e seis séculos, o arroz cozido em leite com açúcar conservou praticamente intacta a sua essência original. A sobremesa de arroz doce em Portugal reflecte esse desejo de manter vivas as doces tradições ancestrais. Servi-lo em qualquer acontecimento digno de celebração, significa venerar um costume antigo e honrar os dias festivos. As inúmeras referências revelam esta aliança do arroz doce e determinadas datas do calendário. Sirva de exemplo o Natal que, nas aldeias e cidades portuguesas, é muito acarinhado nas suas tradições, convertendo a gastronomia no eixo central sobre o qual gira a celebração. Deste modo, e antes de se ir à popular Missa do Galo, não falta o prato de arroz doce e os doces conventuais que são com frequência servidos após um vistoso bacalhau cozido. Outro momento em que o arroz doce aparece é em muitas bodas portuguesas. Trata-se não só da sobremesa principal da ocasião, como é típico a família dos noivos oferecer arroz doce aos seus convidados uns dias antes da cerimónia. Actualmente, subsiste o mito de que a quantidade de arroz doce com que se recebe os convidados é proporcional ao grau de parentesco. Desde o aroma que lhe é oferecido pela canela, passando pelo toque subtil que a casca de limão lhe dá, e terminando na porosidade que o ovo lhe confere, o arroz doce português admite, na sua preparação, pequenas variantes que permitem personalizá-lo e torná-lo único em cada mesa.

Brisas de Lis

A origem das Brisas é bastante antiga, tendo começado a ser confeccionadas no antigo convento de Santana, já demolido, onde as freiras se dedicavam ao fabrico desta iguaria. O segredo da receita, ao que consta, foi passado por uma freira a uma senhora que frequentava as cerimónias realizadas no tal convento. Inicialmente tinham o nome de beijinhos, mas como naquela época não ficava bem pedir um beijinho a uma senhora, mudaram o nome para Brisas de Lis.

 

Cornucópias

     Uma cornucópia é um vaso que possui uma forma de corno e no seu interior está repleto de frutos e flores, o que, antigamente, queria simbolizar a fartura, a abundância. Posteriormente, sabe-se que o doce Cornucópia foi inventado pelas freiras, ou seja, é um dos muitos doces conventuais existentes, todavia não existe uma história que possa comprovar que existe um elo de ligação entre o doce e a antiguidade, todavia pensa-se que, efectividade, há esse elo de ligação, pois o doce tem essa mesma forma e é recheado, não com frutos e flores, mas sim com um creme.

 

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