Resenhas e resumos

Roteiro de documentário - Introdução

postado em 20/06/2010 15:11 por Andre Barreto

Roteiro de documentário - Sérgio Puccini (Texto em anexo na página "Técnica de documentário/pesquisa).

Da pré - produção à pós – produção.

Introdução.


O roteiro de cinema é historicamente herdeiro do texto teatral. Ele foi inventado no início do século XX para facilitar o planejamento da produção e para reduzir custos, resultando, portanto, no aumento da margem de lucro da empresa produtora. Gasta-se muito menos filmando toda a cena num Set, e só então passando – se para outro Set. Antes do roteiro, o fime era filmado na ordem cronológica das cenas, o que resultava num enormte desperdício de tempo e dinheiro.

A consolidação da indústria cinematográfica se deu em torno da consolidação do filme de ficção. Os primeiros documentários eram estruturados exatamente como na ficção: Um roteiro definido na fase de pré -produção. Sabia-se o que ia acontecer com antecedência. Essa fase aconteceu entre 1920 e 1950. O estilo ficou conhecido como “documentário clássico”. A primeira quebra ou ruptura do modelo de produção apoiada no roteiro se deu na década de 1950. As novas câmeras de 16mm e a invenção do magnetofone (Que registrava o somem fita magnética em sincronia com a imagem) permitiram uma inovação na técnica de produzir um documentário. Passa -se a buscar o registro de um “real em estado bruto”. A “filmagem espontânea” passa a ser a bola da vez, na técnica documentarista.

A maior vítima dessa ruptura, claro, é o roteiro. Abole – se a obrigação de se ter um roteiro na fase de pré – produção. O texto do roteiro se desloca para o final, para a pós – produção. Será o resultado da montagem, a ser feita em cima do material filmado. A regra passa a ser jogar com o imprevisto; com o improviso. Essa novidade valoriza a habilidade do cinegrafista, daquele que vai captar as imagens em estado bruto. Essa técnica de filmar teve influencia também sobre o cinema de ficção (Jean Luc Godard/John Cassavetes).

O processo criativo e autoral , ou seja, a subjetividade do cineasta, é muito presente no filme documentário feito dessa forma. Ela terá sua manifestação máxima na sseleção, no recorte das cenas, na concepção e direção final, na hora da edição.

Poderiamos afirmar que uma diferença importante entre a produção da ficção e do documentãrio é o controle total do universo a ser representado: Quem faz ficção, com roteiro pré – estabelecido tem um controle total já de saída. O documentarista vai fazendo essa aquisição de forma gradual. O documentário vai sempre significar uma busca do que é externo a ele mesmo, para ir se apossando, se incorporando ao tema conforme o filme avança. O controle total se dá apenas na sala de montagem.

A própria atividade de roteirização é um esforo na aquisição desse controle do universo externo ao cineasta.

Roteirizar neste contexto significa recortar; selecionar; Estruturar eventos numa ordem específica, para dar um sentido específico. Colocar em ordem, dar um começo, um meio e um fim, etc.

Na fase inicial, do argumento e proposta, definem – se os personagens, as lccações ou cenários, as cenas ou sequencias, elabora-se os planos de filmagem, os enquadramentos. Ao término desse percurso,

o cineasta começa a ter uma noção mais precisa do potencial do seu projeto. Portanto, ao submeter um projeto de documentário para anãlise de um investidor, por exemplo, leva- se apenas o argumento. O roteiro anda não é necessário.

Muitos documentários são “resolvidos” na fase de pós – produção. São os chamados documentários diretos, que estamos tratando nesse texto. O roteiro é escrito para orientar a montagem. O roteiro é resultado da decupagem do material bruto da filmagem. E é ele quem vai orientar o montador. Ele dará sentido e ordem ao filme. Um bom roteirista precisa, portanto, ter boas noções de corte e edição. O fio condutor do filme será trabalhado na seleção de sequencias, ma precisão do corte, nas transições entre planos, nos efeitos gráficos, na mixagem de som e de imagem.

Por esta descrição nota-se que o processo de maturação de um roteiro de documentário pode ser bem mais longo do que o de um roteiro de ficção. Trata-se de um gênero em que o imprevisto pode ter um papel tão importante quanto o planejado. Estas características justificam a diversidade de modos de preparação e condução de um documentário. A maior variedade de reccursos à disposição acentua o caráter autoral do genero, manifestado nas escolhas do cineasta.

Guia de como elaborar um projeto para documentário

postado em 18/06/2010 11:13 por Andre Barreto

Guia de como elaborar um projeto para documentário (Texto: PDF em anexo na postagem anterior).

Resumo (Introdução à pré - produção).

Autor: Prof. Dr. Cássio Tomaim


(Considerando as três fases de produção: Pré - produção, filmagem e pós - produção).

São as seguintes as fases de pré – produção de um documentário.


  1. Pesquisa. Leitura, conversas, internet, entrevistas, outros documentários, discussões.

  2. Sinopse. Do que se trata? Sobre o que é o filme? Explicação geral em poucas palavras.

  1. Argumento. O objetivo do argumento é apresentar os principais dados pesquisados em relação ao tema proposto, e defender a ideia do filme. Tentar responder: Porque essa pesquisa feita deveria virar um filme?

  2. Proposta. Descrição mais formal de como ele será. Quais os seus objetivos? Palavras chave da proposta são: Discutir, questionar, observar, focalizar, defender. Indicar referencias. Livros, outros documentários, filmes.

  3. Descrição do objeto. Quem, quais ou o que serão os objetos sociais, os objetos de arquivo, os dados científicos, sociológicos a serem utilizados? Quem são e como se relacionam com o tema, qual sua importância?

  4. Abordagem. Procurar responder: Como o tema será tratado? De que tipo será ? Poético? Objetivo? Participativo? Observativo? Aqui há espaço para o roteirista descrever as modalidades das entrevistas, postura da câmera, possíveis intervenções do diretor, uso de “voz over” (em OFF), uso de arquivos, animações, quadros explicativos e outros possíveis recursos. É importante justificar o uso de cada elemento tendo em mente a proposta do filme.

  5. Estrutura. E preciso que o direto seja capaz de decupar mentalmente as diversas partes ou sequencias do filme. A partir da definição da abordagem, o roteirista deve ser capaz de visualizar a linha sua estrutural.

  6. Cronograma. Planejamento básico das ações referentes à produção. Agenda de produção. Definição de quando serão feitas a captações das imagens internas e externas,edição, locução, trilha sonora, etc.

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