FOGO

Fogo. A maior parte dos aspectos do simbolismo do fogo está resumida na doutrina hindu, que lhe confere fundamental importância.

O fogo é o símbolo divino essencial do Masdeísmo.

O Buda substitui o fogo sacrificial do hinduísmo pelo fogo interior, que é, ao mesmo tempo, conhecimento penetrante, iluminação e destruição do invólucro.

O aspecto destruidor do fogo implica também, evidentemente, um lado negativo; e o domínio do fogo é igualmente uma função diabólica. A propósito da forja, deve-se observar que seu fogo é a um só tempo celeste e subterrâneo, instrumento de demiurgo e de demônio. A queda de nível é representada por Lúcifer, portador da luz celeste, no momento em que é precipitado nas chamas do inferno: fogo que queima sem consumir, embora exclua para sempre a possibilidade de regeneração (AVAS, BHAB, COOH, GOVM, HERS, SAIR)

O fogo, na qualidade de elemento que queima e consome, é também símbolo de purificação e de regenerescência. Reencontra-se, pois, o aspecto positivo da destruição: nova inversão do símbolo. Todavia, a água é também purificadora e regeneradora. Mas o fogo distingue-se da água porquanto ele simboliza a purificação pela compreensão, até a mais espiritual de suas formas, pela luz e pela verdade; ao passo que a água simboliza a purificação do desejo, até a mais sublime de suas formas — a bondade. (1)

Fogo. O elemento que parece ter vida, porque consome, aquece e ilumina, mas também pode causar dor e morte, é simbolicamente ambivalente. Muitas vezes é símbolo sagrado da lareira (cf. as Virgens vestais protetoras do fogo na antiga Roma), e simboliza também o Espírito Santo que, na forma de línguas de fogo, inspirou os apóstolos durante a primeira festa de Pentecostes. Acender o fogo no início do novo ano era um ato sagrado importante no antigo México. Por outro lado, tem o aspecto negativo do fogo do inferno, do incêndio aniquilador e da destruição que vem do fogo do céu, isto é, do raio, assim como do fogo vulcânico que vem do interior da Terra. (2)

Fogo. É considerado por muitos povos como algo sagrado, purificador e regenerador; seu poder de destruição é interpretado geralmente como meio para o renascimento em uma esfera  mais elevada. Na Bíblia, encontram-se diversas imagens simbolizando Deus ou o divino, por meio do fogo: o Apocalipse menciona rodas de fogo, animais que cospem fogo etc.; no Antigo Testamento, Deus aparece, por exemplo, como coluna de fogo ou em uma sarça ardente. O fogo relaciona-se frequentemente com: o Sol, luz, o raio, a cor vermelha, o sangue e o coração. Ao contrário da água, à qual se atribui muitas vezes sua origem de dentro da terra, considera-se quase sempre que o fogo tenha vindo do céu. Os mitos de diversos povos falam de um roubo do fogo interpretado geralmente como sacrilégio. A filosofia natural grega via no fogo a origem de todo ser ou um dos elementos. Mas, ao mesmo tempo, o fogo também está estreitamente ligado ao complexo de significados simbólicos da destruição, da guerra, do Mal, do diabólico, do Inferno ou da ira de Deus. (3)

(1) CHEVALIER, J. e GHEERBRANT, A. Dicionário de Símbolos (mitos, sonhos, costumes, gestos, formas, figuras, cores, números). 12. ed., Rio de Janeiro, José Olympio, 1998.

(2) BIEDERMANN, Hans. Dicionário Ilustrado de Símbolos. Tradução de Glória Paschoal de Camargo. São Paulo: Melhoramentos, 1993.

(3) LEXIKON, Herder. Dicionário de Símbolos. Trad. Erlon José Paschoal. São Paulo: Cultrix, 1997.

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