Estrada Real


Estrada Real. A estrada real significa a via direta, via reta. Está em oposição aos caminhos tortuosos. Essa expressão frequentemente usada no mundo antigo também se aplica à ascensão da alma. 

Empregado em Números (20, 22), o termo possui um sentido histórico simbólico para os seus intérpretes. Os filhos de Israel enviam um embaixador a Schar, rei de Armor, pedindo permissão para atravessar as suas terras a fim de alcançar a Terra prometida. Prometem não se afastar pelos campos e vinhas; não beberão a água do poço, andarão pela estrada real até que as terras estrangeiras sejam deixadas para trás.

A estrada real é, portanto, considerada uma estada direta, desprovida de qualquer possibilidade de desvio que provoque um atraso. A estrada real ainda será interpretada como o caminho que leva à capital do reino, lugar em que reside o rei. Fílon de Alexandria escreve: "Entremos na estrada real, nós que achamos que é preciso abandonar as coisas da terra, nessa estrada real da qual nenhum homem é senhor, somente aquele que é verdadeiramente rei... Aquele que viajar pela estrada real não sentirá fadiga até o seu encontro com o rei".

Assim, ela vai simbolicamente à Jerusalém celeste, designa o Cristo que, de acordo com as suas próprias palavras, declara: "eu sou o caminho" (João,14,6); "eu sou rei" (João, 19, 21); "eu sou o caminho, a verdade e a vida".

Esse termo passará para a Idade Média e o séc. XII através de Orígenes e de Cassiano; será aplicado à vida monástica enquanto vida contemplativa estritamente ordenada por Deus. (1)

Estrada real. Ao contrário dos caminhos tortuosos e divergentes, a estrada real é a via direta, a via reta que simboliza o aperfeiçoamento das almas atentas a sua busca interior; na Idade Média, por exemplo, era a designação usual do caminho para Deus no monacato e na meditação. (2)

(1) CHEVALIER, J. e GHEERBRANT, A. Dicionário de Símbolos (mitos, sonhos, costumes, gestos, formas, figuras, cores, números). 12. ed., Rio de Janeiro, José Olympio, 1998.

(2) LEXIKON, Herder. Dicionário de Símbolos. Trad. Erlon José Paschoal. São Paulo: Cultrix, 1997.


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