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COROA

Coroa. Seu sentido essencial deriva do da cabeça, à qual corresponde não tanto com finalidade utilitária como o chapéu, mas estritamente emblemática. Pelo simbolismo do nível, a coroa não só se encontra na parte mais alta do corpo (e do ser humano), como também a supera, por isto simboliza, no sentido mais amplo e profundo, a própria ideia de superação. Por isto se diz de tudo o que é cumprido de modo perfeito e definitivo: "coroar um empreendimento". Assim, a coroa é o signo visível de um sucesso, de um coroamento, que passa do ato ao sujeito criador da ação. A princípio, faziam-se coroas de ramos de diversas árvores, pelo que integram, como símbolo secundário, o da espécie correspondente. Eram atributo dos deuses e também tinham sentido funerário. A coroa de metal, o diadema e a coroa de raios são também símbolos da luz e da iluminação recebida. Em alguns livros de alquimia, aparecem os espíritos dos planetas recebendo de seu rei (sol) sua coroa, quer dizer, sua luz. Essa luz não é uniforme, mas sim gradual e hierarquizada. Por isto, suas formas mostram a nobreza a que correspondem, desde o rei ao barão. O sentido afirmativo e sublimador da coroa aparece também nos livros de alquimia. Em Margarita pretiosa, os seis metais são primeiramente representados como escravos, com a cabeça descoberta, aos pés do ouro (rei), mas depois de sua transmutação levam a coroa na cabeça. Esta "transmutação" é um símbolo da evolução espiritual, cujo fator decisivo é a vitória do princípio superior sobre os instintos. Por este motivo diz Jung que a coroa radiante é o símbolo por excelência do cumprimento da mais alta finalidade evolutiva: aqueles que triunfam sobre si mesmos conseguem a coroa da vida eterna. Significações secundárias e particulares derivam das matérias e formas das coroas, algumas das quais podem afastar-se consideravelmente da forma essencial exposta. (1)

(1) CIRLOT, Juan-Eduardo. Dicionário de Símbolos. Tradução de Rubens Eduardo Ferreira Frias. São Paulo: Centauro, 2005.


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