INSTITUTO DE AERONÁUTICA E ESPAÇO - IAE
CONVÊNIO 2002-2012
PROFESSOR ANGELO ANTONIO LEITHOLD, PROFESSOR ONEIDE JOSÉ PEREIRA


          O Sol, além do ciclo dos 11 anos, também propicia um ciclo dependente de sua rotação, é o ciclo dos 27 dias, cujo efeito se faz sentir na composição, temperatura, e dinâmica da atmosfera terrestre, em especial nos processos que ocorrem na mesosfera e na termosfera. O espectro solar é  bastante amplo, vindo do extremo UV ao infravermelho, a resposta da atmosfera à energia provinda do Sol, está associada intimamente à sua rotação média, cuja duração é de 27 dias e pode ser intermitente. A amplitude das variações e o seu deslocamento de fase, embora não constante é perfeitamente detectável pelas variações do ozônio que têm amplitudes máximas nas camadas entre 20-50 quilômetros e 80-110 quilômetros. Em alguns níveis, as mudanças abruptas da fase em variações do ozônio e da temperatura ocorrem e as altitudes destes níveis são também notadas. Geralmente as variações se alternam a cada 27 dias e são afetadas significativamente por uma variação atmosférica intrínseca, que muitas vezes pode ser encarada como desconhecida, o que não é, como veremos mais abaixo. Ao mesmo tempo em que há a variação do ozônio, acredita-se embora não existam estudos conclusivos ainda, que há uma variação na ionização e na magnetosfera em face à atividade solar que naturalmente oscilará em fase de acordo com a rotação do Astro Rei.

Conforme sugerido acima, as variações solares do ciclo de 27 dias modulam a atividade geomagnética durante semi-ciclos de 17 e 21 dias. Esta modulação, ou ''batimento desconhecido'', tem uma causa. Os “eventos” que podem ser mapeados indicando esta periodicidade podem ser tempestades geomagnéticas que podem iniciar, ter um aumento durante um certo período, e redução posterior, e novamente sendo incrementadas depois de um certo tempo, isso se dá devido movimento de rotação do Sol que ''modula'' as tempestades geomagnéticas formando, quando compilados dados um ''padrão'' oscilatório em intensidade. Dos números observados dos eventos e comparados de encontro àqueles esperados da coincidência, usando cálculos estatísticos é perfeitamente possível detectar as tais ''modulações misteriosas''.  Esta análise mostra que podem haver picos significativos na taxa de uma ocorrência de uma atividade de 27 dias com aumento e redução significativos da ''modulação'' pela diferença de angulação solar propiciada por sua rotação. 

Os picos de atividade solar podem ser sub-modulados em dois semi-ciclos em que a modulação solar do ciclo de atividade de 27 dias marca perfeitamente a elevação e diminuição das atividades geomagnéticas. Esta evidência sugere que há um ciclo solar em dobro em uma atividade de 27 dias, mas que ocorre uma espécie de ''batimento'' cuja variação parece ter uma razão desconhecida. Mostra-se também que a modulação pode ser marcada através de magnetômetros que demonstrarão perfeitamente a modulação de atividade solar pelo evento que causa uma anomalia nas medições.

É sabido que tanto a Lua quanto o Sol são causadores de oscilações na atmosfera superior com períodos que correspondem respectivamente aos dias solar e mês lunar, que coincidentemente são bastante próximos, o dia solar possui aproximadamente 27 dias, e o mês lunar 29 dias. 

Por assim dizer, se pode afirmar que existem induções que podem ser definidas como marés atmosféricas. Sabe-se também, que as variações são determinadas não só pelas partículas provindas do Sol, mas também da influência gravitacional, pois se pode comparar a ionosfera, como fluída, e, portanto sujeita à fenômenos de marés. Nas modulações que ocorrem no ciclo de 27 dias com oscilações temporais, existem fortes indícios de que a influência gravitacional da Lua podem gerar alterações significativas no comportamento da alta atmosfera. 

A Lua , devida sua proximidade da Terra, exerce uma atração 2,2 vezes mais forte que a atração solar, e devida gravitação, influi na atmosfera de forma bastante importante da mesma maneira que influi nos oceanos. A detecção de marés atmosféricas é bastante difícil e discutível, pois existem várias interferentes aos movimentos aéreos, embora possam ser comparados a uma massa magnetohidrodinâmica. As marés atmosféricas podem ser comparadas analogamente às marés aquáticas. Assim, pode-se afirmar que a massa ''aérea'' da Terra é atraída pela Lua, e nesta atração ocorre uma dilatação, à semelhança dos oceanos. Assim se pode fazer uma análise comparativa entre a ''maré alta'' e ''maré baixa'' a nível atmosférico e ionosférico. 

Ainda, seguindo esta analogia, se pode afirmar que o Sol também influi nesta maré, causando assim uma ''modulação'' na massa que é atraída por ambos. Isso se reflete em diferenças de altitude e concentração da matéria que está a ser atraída pela Terra. Ainda, se deve levar em conta que, conforme descrito no início deste trabalho, o Sol influi num curto espaço de 27 dias também na oscilação magnetosférica da Terra. Assim, ao formar com a Terra e a Lua um ângulo reto, o Sol e a Lua têm interferida a atração gravitacional sobre os fluídos que formam a atmosfera terrestre, diga-se incluída a magnetosfera e a ionosfera, quando encaradas como um fluídos. A grosso modo, os fluídos interagem entre si e com o campo magnetohidrodinâmico e gravitacional dos três corpos, que estão a interagir entre si. 

Assim, se a Lua e o Sol formam com a Terra um ângulo reto,  acontecem marés de menor intensidade, e quando Terra , a Lua e o Sol se alinham, a força de atração do Sol e da Lua se combinam, e causam marés mais intensas da mesma forma que ocorreria analogamente aos oceanos. 

Uma vez que o mês lunar possui em torno de 29 dias, e o dia solar em torno de 27 dias, ocorre uma modulação, ou um ''batimento'' entre o mês lunar e o dia solar. Assim, dependendo da atividade solar e do batimento que ocorre entre esta atividade e as oscilações gravitacionais e geomagnéticas, e, uma vez que o Sol na Ionosfera tem uma influência mais significativa devido vento solar, além das interferentes gravitacionais e magnetosféricas, é a sua energia e força que prevalecerá, pois a variação gravitacional, neste caso é mera coadjuvante, embora exerça influência significativa no batimento entre as oscilações. 

Uma vez que no momento em que determinada região que recebe energia solar, a atmosfera absorve radiação nas altitudes aproximadas de 100 e 200 km. Essa energia absorvida provocará o aquecimento e a ionização, assim ocorrerá uma expansão térmica, e consequentemente uma maior dilatação do lado iluminado, assim ocorrerão alguns fenômenos concomitantes como : dilatação pelo aquecimento, dilatação pela maré lunar, dilatação pela maré solar, influência do Sol sobre a Magnetosfera, que, ocasionará uma movimentação iônica, que, por sua vez gerará aquecimento, e a movimentação da massa iônica e atmosférica através de ventos termosféricos. Uma vez que a maré lunar também interferirá nos ventos termosféricos, ocorrerá uma variação na velocidade de deriva da massa aérea de alta altitude.  Assim, os campos elétricos, ventos termosféricos e campo geomagnético, interferirão no plasma ionosférico, que por sua vez, causará uma oscilação modulada na energia provinda do Sol, o que se refletirá na Ionosfera, que por sua vez interferira na refração das ondas de rádio, alterando assim a propagação na região sob a influência do ciclo de 27 dias do Sol e dos 29 dias da Lua. Portanto, devido curto espaço de tempo entre os dois ciclos, ambos se interferem mutuamente, o que ocasiona o batimento das duas oscilações.