Ponto de Equilibrio Contábil, Financeiro e Gerencial

INTRODUÇÃO

 

            Este trabalho tem como objetivo mostrar os diferentes pontos de equilíbrio dentro de uma organização.  Na atual conjuntura do mercado, a busca pela competitividade é um fator chave para o sucesso de qualquer empresa. Por isso, identificar e desenvolver ferramentas gerenciais eficazes é muito importante para que as organizações alcancem a sustentabilidade e possam atender às crescentes exigências do mercado.

 

 

Em meio a esse ambiente é que surge a necessidade de adoção de um correto ponto de equilíbrio para a análise da organização, pois o grau de relação entre diversas variáveis - como o preço de venda, custos fixos e variáveis, margens de contribuição, etc. - possibilita aos gestores assumirem premissas que os auxiliarão no processo de tomada de decisão de curto prazo. Devido as suas características e objetivos, o ponto de equilíbrio é considerado uma das mais importantes ferramentas de gestão da atualidade.     

Poucas organizações sabem quais as quantidades mínimas de produtos a serem produzidos ou vendidos para que obtenham resultados positivos, e isto ocorre porque muitas não enxergam o ponto de equilíbrio como uma técnica muito útil, de fácil aplicabilidade e outros até mesmo por desconhecê-lo.
O ponto de equilíbrio é o volume em que as receitas totais igualam-se aos custos totais de um mesmo período considerado.
No ponto de equilíbrio, a empresa consegue absorver todos os seus custos fixos e variáveis até aquele ponto. A partir desse nível, o empreendedor começa a gerar lucro, abaixo desse nível a empresa opera com prejuízos.

MARTINS (2003) faz a seguinte ilustração:

 

         
 Figura 01 - Ponto de Equilíbrio

 Fonte: MARTINS (2003)

 

 

O Ponto de Equilíbrio pode ser desmembrado em pelo menos três formulas utilizadas de

acordo com o objetivo:

 

- PEC = Ponto de equilíbrio Contábil (com depreciações)

- PEE = Ponto de equilíbrio Econômico (com lucro desejado já incluído no cálculo)

- PEF = Ponto de equilíbrio Financeiro (sem depreciações)

 

Segundo MARTINS (2003) o Ponto de Equilíbrio também pode ser obtido em moeda

(Receita Necessária) ou em quantidade produzida. Pode-se calcular o Ponto de Equilíbrio de

um produto apenas ou agregando vários produtos:
 
 
 
   Quadro 17: Formula Ponto de Equilíbrio com vários produtos

    Fonte: MARTINS (2003, p. 261-264)

 

 

Legenda Ponto de Equilíbrio:

 

CVunit = Custo variável unitário

DVunit = Despesas variáveis unitárias

PVUnit = Preço de Venda Unitário

MCUnit = Margem de Contribuição Unitária = [PVUnit – (CVunit + DVunit)]

Gvtot = Gastos Variáveis Totais

RV = Receita de Vendas

q = quantidade; $, em reais

PEC = Ponto de equilíbrio Contábil (com depreciações)

PEE = Ponto de equilíbrio Econômico (com lucro desejado)

PEF = Ponto de equilíbrio Financeiro (sem depreciações)

 

O ponto de equilíbrio contábil ou operacional é o mais comum e tradicional para análises, onde, conforme o explicado anteriormente, o valor das receitas iguala-se ao das despesas. É o quociente simples da divisão dos valores dos custos e despesas fixas pela margem de contribuição unitária. Nesse aspecto, não haveria lucro e nem prejuízo contábil. Outrossim, alguns especialistas ressaltam que esse aspecto já estaria ultrapassado pelo fato de não considerar plenamente os interesses dos gestores, embora seja bastante utilizado para auxilio na tomada de decisão de caráter mais urgente, quando a decisão de acertar com algum cliente possa proporcionar um elevado potencial gerador de receitas e lucros no futuro .

O ponto de equilíbrio econômico é aquele que leva em consideração as despesas e as receitas financeiras, acrescidas do saldo da correção monetária, isto é, quando a soma das margens de contribuição totalizar um valor que, ao se deduzir os custos e despesas fixas, for suficiente para remunerar o capital próprio da empresa a uma taxa satisfatória aos acionistas e compatível com mercado. Seu valor se dá através do calculo da soma dos custos e despesas fixas com o valor de um lucro mínimo estipulado que atenda às exigências dos proprietários no período e o resultado dividido pela margem de contribuição. Constata-se que a utilização do ponto de equilíbrio econômico tem como objetivo principal gerar informações aos investidores sobre o retorno do capital investido, ou seja, quanto deveria a empresa vender para recuperar o investimento, conforme rentabilidade desejada. O ponto de equilíbrio econômico possibilita também conhecer o lucro que a empresa procura almejar.

Santos (2000, p.176) descreve que o ponto de equilíbrio econômico (PEE) é aquele em que as receitas totais são iguais aos custos totais acrescidos de um lucro mínimo de retorno do capital

investido.

 

Já o ponto de equilíbrio financeiro leva em consideração valores intrínsecos aos custos e despesas fixas totais e que são apropriados sem o respectivo desembolso, como é o caso da depreciação, por exemplo. Dessa forma, o cálculo levaria em conta a diferença dos custos fixos e despesas fixas totais com os valores sem desembolso de numerário, dividida pela margem de contribuição unitária. Esse aspecto é considerado o mais completo para uma análise detalhada.  

Martins (2000, p.278) descreve que dentro dos custos e despesas fixos registrados no período podem também estar incluídos custos e despesas que não representam saída de caixa, como é o caso da depreciação. Neste caso, os custos e despesas identificados como não desembolsáveis, isto é, que não representam saída de caixa devem ser excluídos para se determinar o ponto de equilíbrio financeiro.



 

  


CONCLUSÃO

 

Concluímos que, a observação do ponto de equilíbrio permite de forma eficiente e simplificada identificar onde ocorreram descontroles, variações positivas e/ou negativas nos diversos itens que compõe o mesmo, bem como possibilita uma avaliação e planejamento de ajustes necessários para corrigi-las em tempo hábil de se recuperar os resultados negativos e melhorar aqueles almejados em períodos futuros.




 


REFERÊNCIAS

 

CREPALDI, Silvio Crepaldi, Contabilidade Gerencial, Ed. Atlas, São Paulo, 1999.

MARQUES, Wagner Luiz. Contabilidade Gerencial a Necessidade das Empresas. Gráfica e Editora Bacon Ltda. Cianorte. 2004.

MARTINS, Eliseu. Contabilidade de Custos. São Paulo: Atlas, 2000.

SANTOS, Joel J. Análise de custos. São Paulo: Atlas, 2000.

 

 

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