Curso Yai


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Produção Colaborativa e Compartilhamento de Materiais Didáticos em Formato Digital



Novidades
(blog do Curso Yai, onde são colocadas notícias relacionadas com o curso)

Atividades Programadas
(divisão aproximada por tarefas)

Cronograma
(organização das atividades por semana)

Referências e Recursos Complementares
(outros sítios (sites) e programas relacionados com a produção de conteúdos para a Internet)





Objetivos

  • Construção coletiva de conhecimento, através do desenvolvimento colaborativo e interdisciplinar de materiais didáticos interrelacionados, apoiada em tecnologias de informação e comunicação
  • Aquisição de habilidades técnicas necessárias para a produção colaborativa de tais conteúdos em formato digital
  • Publicação, organização e compartilhamento na Internet de materiais liberados por licenças de uso flexíveis, escolhidas pelos seus autores, bem como o estabelecimento de associações entre conteúdos através de um ambiente de compartilhamento Yai (http://www.yainet.org)
  • Adequação de tais conteúdos a contextos de uso específicos



Ementa

  • Estratégias de busca na Internet
  • Produção de conteúdos em formato digital
  • Publicação na Internet
  • Edição colaborativa de textos
  • Introdução ao direito autoral
  • Compartilhamento e organização de conteúdos no ambiente Yai (http://www.yainet.org)
  • Projeto colaborativo de conteúdo interdisciplinar



Questões Operacionais

As atividades programadas do curso são decompostas em tarefas e têm como fio condutor um projeto conjunto a ser desenvolvido, de forma colaborativa. O processo de construção de conhecimento será coletivo. Isto não significa que todas as atividades serão desenvolvidas em grupo. Em alguns momentos, tarefas serão realizadas individualmente e, em outros, em grupo ou por todos os participantes da disciplina. É preciso que cada um detenha alguns conhecimentos relevantes prévios para poder atuar efetivamente em atividades de construção coletiva de conhecimento. Experiências prévias e conhecimentos adquiridos fora do grupo são ingredientes importantes para a socialização e a troca de informações relevantes para a resolução do problema abordado pelo grupo. É preciso que cada um possua “moedas de troca” (no caso específico, conhecimentos “especializados”) para todos saírem beneficiados das atividades desenvolvidas em grupo. Enquanto, em momentos coletivos, a interação ocorre entre alunos, em momentos individuais, ela ocorre entre um aluno particular e recursos educacionais como livros, vídeos e páginas na Internet.

O foco da ação pedagógica, portanto, será colocado no grupo, no coletivo, e não no instrutor ou no aluno de forma isolada. Grande parte das responsabilidades sobre a condução do processo de aprendizagem será atribuída gradualmente ao grupo e uma outra menor ao aluno, individualmente. Os instrutores atuarão como facilitadores em tal processo. Além de gerenciar as atividades propostas, tanto o grupo como o aluno precisam refletir e avaliar o processo de aquisição de conhecimento: que conhecimentos já são detidos por membros do grupo e quais faltam para atingir um determinado objetivo?, as estratégias adotadas para a aquisição de novos conhecimentos foram eficientes ou não?, por quê?, como distribuir as tarefas para atingir mais rapidamente o objetivo perseguido?, ... Um resultado importante, portanto, é a aquisição de habilidades para gerir o próprio processo de construção de conhecimento de forma individual e coletiva e tanto o entendimento como o domínio do processo como um todo serão componentes importantes na mensuração do aproveitamento do aluno na disciplina.

A questão tecnológica é, assim, acidental e as habilidades técnicas adquiridas representam apenas um subproduto da disciplina e não o seu objetivo principal. As tecnologias serão utilizadas na medida em que alguns de seus recursos se façam necessários. Não é necessário que o aluno se torne um especialista nas ferramentas empregadas, mas que ele saiba resolver satisfatoriamente problemas com os quais for se defrontar ao longo das atividades a serem desenvolvidas. Em caso de dúvidas quanto ao uso das ferramentas de software, o auxílio mútuo se dará através de um fórum eletrônico de discussão. Os conhecimentos e descobertas específicas de uns serão socializadas com outros para acelerar o processo de construção coletiva de conhecimento. As demais informações necessárias serão buscadas pelos próprios alunos, preferencialmente, mas não exclusivamente, na Internet. A proposta da disciplina é, portanto, aberta. As experiências, produções e conhecimentos prévios serão valorizados e materiais externos podem e devem ser utilizados se considerados pertinentes pelos participantes dos processos de aprendizagem percorridos por alunos e grupos. Os materiais úteis para o desenvolvimento do projeto conjunto não se restringem, portanto, só àqueles providos pelos instrutores.

Cada aluno e cada grupo é responsável pela condução autônoma de suas atividades e pela auto-avaliação dos trabalhos realizados de forma individual e coletiva, respectivamente, e pela avaliação das atividades e da atuação de cada um de seus membros, pela elaboração de estratégias de trabalho e pela solução inovadora a ser encontrada para o projeto conjunto. Caberá a cada aluno contribuir, de forma efetiva, para o esforço do seu grupo (o sucesso individual depende fortemente do sucesso do grupo e, por esta razão, não deve ser estimulada nenhuma competição entre os alunos) bem como para a condução harmoniosa dos trabalhos e para o processo coletivo de aprendizagem. O registro de informações sobre as atividades desenvolvidas por cada aluno e cada grupo bem como as relativas a avaliações e reflexões deverá ser efetuado em um “diário pessoal” e um “diário de grupo”, respectivamente.

Em termos de atividades, o foco da disciplina estará voltado primordialmente para o trabalho autônomo e a gestão dos grupos. O funcionamento bem entrosado de cada grupo será fundamental para a obtenção de resultados de impacto e qualidade. Uma postura mais individualista, portanto, prejudicará não só o grupo, mas o próprio aluno com dificuldades ou falta de intenção de compartilhar e contribuir para algo maior, visto que a aprendizagem solitária é mais pobre e menos efetiva do que aquela que ocorre de forma coletiva.

Diversas discussões no âmbito de cada grupo se farão necessárias. Será preciso socializar achados, levantar lacunas em termos de conhecimento e hipóteses, avaliar o progresso do grupo, distribuir tarefas individuais a serem realizadas até a próxima discussão, ... Para melhor gerir as discussões de um grupo de trabalho, é sugerido que três de seus membros desempenhem papéis destacados em tais discussões, que poderão ser trocados periodicamente e em um sistema de rodízio para que cada um dos participantes de um particular grupo possa ter a oportunidade de exercer tais papéis de forma alternada e de acordo com uma ordem acordada pelo próprio grupo e, assim, adquirir algumas habilidades de gestão de trabalhos colaborativos:

  • O líder estabelece a pauta de atividades e o tempo a ser dedicado a cada item da pauta em comum acordo com o grupo; ele monitora o tempo a ser dedicado a cada item da pauta; ele aponta comportamentos que possam prejudicar o bom andamento das atividades; ele conduz o processo de auto-avaliação do grupo; ele levanta, junto ao grupo, a avaliação coletiva do líder, do moderador e do secretário ao final de sua “gestão”; ele avalia o desempenho individual de cada membro da equipe, de acordo com a sua percepção, antes de passar a liderança para o próximo. Todas as avaliações devem vir acompanhadas sempre das devidas justificativas e registradas no diário do grupo pela pessoa que desempenha o papel de secretário.

  • O moderador é o animador das discussões. Em cada grupo existem geralmente aqueles que se manifestam mais, aqueles que gostam de impor os seus pontos de vista e não conseguem apreciar as contribuições dos demais, aqueles que se envolvem menos ou se distraem com outras coisas, ... Para que o trabalho seja produtivo e executado de forma coletiva, o moderador encoraja a participação de todos; ele se certifica que todos consigam expressar livremente as suas opiniões (é preciso evitar que alguém monopolize a discussão ou que se esquive dela) e que elas sejam “ouvidas” e entendidas pelos outros; ele solicita a participação de membros mais retraídos; ele corrige o rumo das discussões quando este se desvia do objetivo acordado; ele deve saber lidar com “silêncios” (momentos de reflexão), quando apropriado; ele coloca para o grupo perguntas provocadoras (o que ...?, por que ...?, como ...? quem já ...?, etc.) para manter o fluxo da discussão, para estimular todos a reavivar e usar seus conhecimentos prévios e pô-los em ação ou para concluir um raciocínio incompleto; ele suscita divergências de opinião para animar a discussão; ele sintetiza, de tempos em tempos, a posição do grupo de acordo com a evolução das discussões e confirma o seu entendimento junto ao grupo; ele dá uma estrutura à discussão; ele assegura que o trabalho realizado pelo grupo seja realmente coletivo.

  • O secretário deve manter atualizado o “diário de grupo”. Ele registra, em tal diário, o desenrolar das discussões e das atividades do grupo, o entendimento coletivo das questões trabalhadas e as avaliações individuais dos membros pelo líder do grupo. Ele também anexa ao “diário de grupo” ou nele referencia os artefatos (textos, diagramas, modelos conceituais, ... em formato digital) produzidos e aprovados coletivamente pelo grupo.

As atividades de grupo devem seguir, via de regra, as seguintes etapas:

  1. Identificação de indícios e pistas bem como esclarecimento de termos e de dados do enunciado da questão a ser trabalhada
    Após uma leitura individual atenta do enunciado, cada participante destaca os pontos (indícios, pistas, "dicas") que considera relevantes para o seu entendimento. Também é preciso identificar conceitos, idéias e dados importantes contidos no enunciado. Ainda não deve ser feita uma análise em maior profundidade da questão a ser resolvida. O grupo consolida uma lista de tais pontos de forma consensual. A seguir, o grupo, de forma coletiva, explicita o seu entendimento de cada ponto relacionado na lista a dim inventariar o que cada um de seus membros já sabe e em que grau sobre os pontos considerados importantes que possam ser compartilhados com os demais. Os termos importantes são clarificados e registrados em um glossário, os dados pertinentes ao desenvolvimento do projeto são levantados e todas as questões não totalmente entendidas são enumeradas. Como resultado desta etapa têm-se: o enunciado original com os termos importantes identificados; uma lista de termos menos conhecidos a serem definidos e explicados; uma lista de conceitos, idéias e dados importantes; e uma lista de questões não completamente compreendidas. Os termos menos conhecidos e os relacionados com conceitos importantes devem ser incorporados a um glossário mantido coletivamente.

  2. Reformulação do enunciado
    O grupo reescreve o enunciado, de forma sintética e nos seus próprios termos, conforme entendido coletivamente. Entender uma questão mais complexa e reformulá-la requer muita discussão e investigação. O objetivo é entender mais profundamente o problema proposto e elaborar ricas imagens mentais que contemplem condições particulares, restrições e critérios de aceitação de uma solução aceitável. Uma boa discussão deve se calcar em opiniões respaldadas por argumentos ("dado ..., então é possível concluir ...") ou evidências (como testemunhos de autoridades na questão em discussão, dados, estatísticas, fatos, ...). É preciso evitar expressões como: "eu acho...", "na minha opinião ...", "para mim ...", "eu sei que ...", pois tais expressões deslocam o foco da discussão das idéias expressas para a pessoa que as apresenta. As discussões degeneram para embates pessoais ao invés de evoluir para uma contraposição e apuração salutar de idéias. Em discussões, muitas opiniões conflitantes são, em geral, apresentadas. É importante avaliar a solidez dos argumentos e contra-argumentos e ficar atento aos pontos fracos das evidências apresentadas para desenvolver um bom espírito crítico e tomar decisões mais acertadas. O resultado é uma reformulação sintética do problema.

  3. Análise do problema e levantamento de suposições
    Durante intensa discussão, o grupo não só levanta o maior número possível de suposições (hipóteses) no tempo reservado para esta atividade, sem contudo se preocupar ainda com a solidez das mesmas, mas também outros elementos que possam contribuir para a resolução do problema a ser tratado (ou parte dele). Para tal levantamento, é importante não esquecer as pistas veladas ou aquilo que não foi dito por ser de senso comum (a "leitura das entrelinhas"). Conceitos relevantes devem ser explicitados. O que é essencial e o que é apenas desejável ou meramente interessante? Relações existentes entre tais suposições e/ou conceitos são representadas e destacadas em um “mapa conceitual” através de setas com rótulos como "causa-efeito", "depende de", "aumenta", "diminui", “consiste em”, ... O grupo, para não se perder nos detalhes, organiza, prioriza, classifica e reagrupa as suposições formuladas.

  4. Levantamento de questões a serem exploradas e de novas competências a serem adquiridas (formulação dos objetivos de aprendizagem)
    Após efetuado o inventário dos conhecimentos já detidos por membros do próprio grupo e relevantes para a resolução do problema proposto, devem ser levantadas as questões a serem exploradas em maior profundidade, derivadas das suposições (hipóteses de trabalho) elaboradas pelo grupo e de assuntos sobre os quais ainda não se tenha muita clareza. Tais questões representam os conhecimentos a serem adquiridos para resolver o problema trabalhado pelo grupo ou parte dele. Um plano de estudos é formulado de acordo com as prioridades estabelecidas pelo grupo e condicionado ao tempo e aos recursos disponíveis. As atividades envolvidas são: revisar, em conjunto, o inventário de conhecimentos já adquiridos e experiências prévias úteis para avançar no entendimento do problema; vislumbrar possíveis pistas para abordar o problema e, entre as apontadas, escolher as que parecem ser as mais promissoras; justificar tais escolhas; e identificar os novos conhecimentos requeridos para tratar o problema a ser resolvido.

  5. Distribuição de tarefas exploratórias
    De forma conjunta, o grupo define um plano de trabalho coletivo e um individual para cada um de seus membros, distribui as tarefas de exploração e aprofundamento de conhecimentos a serem executadas individualmente até a próxima discussão conjunta e se engaja nos preparativos de tais atividades. É preciso determinar quem fará o que e quando, quem se "especializa" em que subproblema e com que objetivo. O resultado é uma lista de objetivos de aprendizagem, uma lista de recursos a consultar (livros, conteúdos na Rede, especialistas a que o grupo porventura tenha acesso, ...) e uma relação de tarefas a serem realizadas pelo grupo como um todo e por cada um de seus membros.

  6. Engajamento em explorações pessoais (atividade individual)
    Após uma sessão de discussão conjunta, cada um, de acordo com os planos de trabalho estabelecidos, faz os levantamentos e a sistematização de informações requeridas pelas tarefas a ele atribuídas. A aprendizagem pessoal é desenvolvida de forma autônoma e com eventual assistência de terceiros. Esta etapa exige uma auto-disciplina maior. É preciso administrar o tempo a ser dedicado ao estudo individual face a outras atividades e compromissos, inventariar fontes de informação, discriminar as mais relevantes bem como desenvolver e aplicar as estratégias de estudo mais adequadas. Com relação ao trabalho individual, é importante que cada um esteja consciente de sua dupla responsabilidade em relação a si mesmo e em relação aos demais membros do grupo, que dependem dos resultados de seu trabalho pessoal. Para cumprir adequadamente a sua missão, cada um, de forma individual, precisa: executar, da melhor forma possível, as tarefas que lhe foram atribuídas; aplicar os conceitos estudados aos subproblemas alocados para avaliar a sua pertinência ou não; levantar para cada subproblema sob análise diferentes alternativas de estratégias de solução e escolher uma - aquela considerada a mais apropriada com as devidas justificativas; e retomar o problema em análise pelo grupo para verificar e realizar o que mais se faz necessário. Os resultados dessa etapa são: uma lista de possíveis alternativas que possam contribuir para a solução do problema e as justificativas para as escolhas feitas; elementos (fragmentos de texto, diagramas, tabelas, desenhos, ...) que possam contribuir para o avanço da resolução do problema proposto; registros no “diário pessoal” referentes tanto a reflexões sobre a etapa do processo de aprendizagem que acaba de ser cumprida como à auto-avaliação de desempenho individual; e melhorias que possam ser introduzidas no próprio processo de aprendizagem.

  7. Socialização e discussão dos achados e de conhecimentos prévios
    Os diversos membros do grupo relatam os seus achados ou conhecimentos prévios relevantes para a resolução do problema proposto. O grupo verifica a compreensão coletiva dos conceitos apresentados ao confrontar diferentes pontos de vista e a compreensões individuais bem como discute e avalia os impactos dos conhecimentos já socializados sobre o estágio em que se encontra a resolução do problema.

  8. Aplicação dos conhecimentos prévios e novos à resolução do problema tratado pelo grupo
    O grupo deve utilizar os conhecimentos já socializados para tentar levar a resolução parcial do problema tratado a um novo patamar mais próximo de uma solução satisfatória. Os resultados são diversos artefatos que documentam os avanços na resolução do problema bem como as decisões coletivas do grupo.

  9. Generalização dos conhecimentos utilizados para uma família de situações (conceitualmente) similares
    O ser humano generaliza e constrói estruturas de conhecimento com base nas suas experiências prévias. Portanto, uma aprendizagem eficaz requer, também, um processo de generalização de resultados e conclusões para desenvolver a capacidade de transferir, de forma eficaz, conhecimentos para novas situações; isto é, é preciso ir um pouco além da mera resolução do problema trabalhado pelo grupo e dos resultados obtidos e refletir um pouco mais sobre as abordagens adotadas com o intuito de se conscientizar melhor de questões importantes, do ponto de vista conceitual e do processo de resolução de problemas, que eventualmente possam ser aplicados de forma mais ampla. O foco, portanto, está no aprofundamento do entendimento. A fim de melhorar a fixação dos conhecimentos recém adquiridos, o grupo se engaja, então, na identificação de novas situações para as quais técnicas, habilidades e conceitos utilizados no processo de resolução do problema tratado também se aplicam e podem ser transpostos. Ao se aperceber claramente da aplicabilidade mais geral de conhecimentos adquiridos, mais facilmente eles serão recordados em novas situações em que também são aplicáveis e para as quais possam ser adaptados.

  10. Auto-avaliação dos trabalhos desenvolvidos (auto-avaliação formativa)
    Para assegurar uma boa progressão do trabalho e uma evolução satisfatória do processo de aprendizagem percorrido, tanto em nível individual como coletivo, bem como para melhorar as suas habilidades de resolução de problemas complexos, o grupo avalia em que grau os objetivos de aprendizagem estabelecidos foram atingidos nos prazos acordados bem como identifica os pontos a serem ainda mais aprofundados e as questões ainda em suspenso. É preciso verificar se ocorreu a aquisição, por todos, do conjunto de conceitos, técnicas e outros elementos relevantes para a resolução do problema proposto. Também é preciso assegurar que a produção final seja de fato coletiva e colaborativa e, caso necessário, redefinir as responsabilidades de cada um. As estratégias e os cronogramas são revistos em função dos achados já obtidos, o estágio em que se encontra o projeto conjunto e o tempo ainda disponível para a sua conclusão. Também são avaliadas: a eficácia das estratégias até então adotadas; o desempenho do grupo como um todo (reflexão sobre o que deu certo e o que não funcionou de acordo com o esperado); os desempenhos do líder, do secretário e do moderador conforme percebidos pelo grupo; e a quantidade e a qualidade das contribuições individuais de cada um de seus membros aferidas pelo líder do grupo. A critério do líder, do secretário e do moderador, eles também podem fazer a auto-avaliação de seu desempenho para contrapô-la à avaliação do grupo. Uma outra forma de avaliação é a avaliação cruzada. Nesta modalidade, cada um avalia a si mesmo bem como todos os demais integrantes do grupo. As discrepâncias entre avaliações referentes a uma mesma pessoa são discutidas em uma sessão conjunta para determinar e acordar mudanças de atitudes e de rumos dos trabalhos. As avaliações visam a melhoria do processo de aprendizagem e devem destacar os pontos a melhorar. Assim, a cada avaliação é preciso identificar em que partes de tal processo melhorias podem ser introduzidas.

Caso não resolvido satisfatoriamente o problema após esta etapa, o grupo retorna à etapa 2.

As estratégias de aprendizagem necessárias, em maior ou menor grau, ao longo das diferentes etapas delineadas acima, são: seleção de conhecimentos, reativação de conhecimentos anteriores, elaboração de conhecimentos, organização de conhecimentos, planejamento, gestão de recursos, avaliação de recursos, integração de conhecimentos e gestão do processo de aprendizagem.

Cada grupo deve manter o seu “diário de grupo” em que deverão ser registradas: a forma de organização e de funcionamento do grupo; as atividades realizadas coletivamente; os cronogramas acordados e suas revisões; as estratégias adotadas e os ajustes que porventura se fizeram necessários; as decisões coletivas; as avaliações de desempenho do grupo feitas a cada sessão conjunta; e um registro do desempenho de cada integrante do grupo aferido pelo líder do grupo antes do término de seu período de liderança. Em tal diário devem ser referenciados ou constarem como anexos todos os artefatos produzidos (documentos, diagramas, ...) e as suas revisões. O “diário de grupo” bem como os artefatos produzidos devem ser mantidos no ambiente de edição colaborativa.

Cabe a cada aluno manter um “diário pessoal” em que ele registra: os seus planos de aprendizagem elaborados com o intuito de tentar atender as atribuições a ele alocadas nas sessões conjuntas, as atividades que desenvolveu de forma individual e a realização ou não de seus objetivos de aprendizagem, as reflexões sobre o seu trabalho, as dificuldades que encontrou, os destaques das principais contribuições para o seu grupo, as suas atuações no grupo e a sua auto-avaliação. O “diário pessoal”, a ser mantido também no ambiente de edição colaborativa, pode referenciar artefatos produzidos pelo próprio aluno que não foram referenciados no “diário de grupo” mantido pelo grupo do qual faz parte.

Os objetivos do processo de desenvolvimento do projeto conjunto proposto não devem, portanto, restringir-se a uma mera busca de uma solução ou ao uso de conhecimentos prévios apenas, mas deverão estar voltados, principalmente, à aquisição de novos conhecimentos, competências, habilidades, atitudes e comportamentos. O projeto conjunto proposto pode ser encarado como um desafio, mas a sua resolução nada mais é do que um pretexto para aprender. Algumas das habilidades e competências a serem adquiridas ou aprimoradas são: a organização do trabalho em grupo e individual, a gestão de tempo, a comunicação eficaz, a capacidade de avaliar e mitigar riscos, a capacidade de fazer escolhas fundamentadas, o respeito aos outros, mesmo àqueles com opinião contrária, e a capacidade de criticar e pôr em cheque de idéias recebidas ou expressas por terceiros.

Uma característica importante do processo adotado é o trabalho em grupo. Ele, entre outras coisas, ajuda na preparação e organização do trabalho pessoal, ele cria um clima favorável ao estudo individual, ele ajuda cada membro do grupo a avaliar, depurar e validar os seus próprios conhecimentos, ele estimula a criatividade, ele permite ir mais longe do que seria possível de forma individual já que a carga de trabalho pode ser distribuída, ele desenvolve o senso crítico ao suscitar a confrontação de diferentes pontos de vista, ele desenvolve aptidões de comunicação e ele aumenta o senso de responsabilidade. Para tal, contudo, é preciso organizar e gerenciar corretamente todas as etapas do trabalho a ser realizado. O sucesso de um grupo depende, em grande parte, da sua capacidade de tirar proveito de todas as inteligências presentes no grupo bem como de atitudes profissionais e habilidades de comunicação de cada um de seus membros. Algumas de tais habilidades são: a capacidade de “ouvir” e respeitar a opinião dos outros; a capacidade de se comunicar, de forma clara e precisa, com o demais; a capacidade de reconhecer os seus limites, aceitar positivamente críticas e rever as suas posições; a capacidade de apresentar e discutir o seu ponto de vista de maneira positiva; a capacidade de fazer críticas de forma construtiva; e a capacidade de ser flexível o suficiente em uma situação de conflito a fim de que uma posição de compromisso possa ser alcançada.


Desenvolvimento das Atividades Programadas

As atividades programadas são descritas, em nível mais abstrato, para dar uma estrutura mínima ao desenvolvimento pretendido para o curso. As atividades se decompõem em tarefas a serem executas individualmente, em grupo ou por todos. É feita a distinção entre dois tipos de grupo: grupos organizados pelos instrutores (grupos de estudo) e grupos criados pelos próprios alunos via um processo de negociação (grupos de trabalho). As tarefas iniciais são bem mais direcionadas pelos instrutores do que as últimas. Durante a realização do curso, a responsabilidade pelo planejamento de tarefas e pela condução das atividades é gradualmente transferida aos alunos. Os detalhes sobre o que e como fazer vão ficando cada vez mais “rarefeitos”. Pretende-se, com esta abordagem, que as habilidade de planejamento e a execução de atividades didáticas sejam exercitadas mais e mais pelos próprios alunos, no decorrer do curso, com o intuito de se cristalizar e formar uma “comunidade de aprendizagem” autônoma. Um maior apoio será dado, inicialmente, nas atividades de apropriação das tecnologias de informação e comunicação relevantes para o curso como um todo. O curso tem três fases distintas. A primeira se estende da atividades 01 à 09 e visa a aquisição das habilidades técnicas necessárias para o bom andamento do curso bem como a formação de um espírito de colaboração e de comunidade. Para se ter sucesso no curso é preciso colaborar ao invés de competir. A segunda fase cobre as atividades 10 a 13 e elas representam atividades de preparação para o projeto global a ser elaborado na terceira fase correspondente às atividades 14 a 20. Em uma primeira etapa da terceira fase (atividades programadas de 14 a 18), o desenvolvimento envolve grupos criados pelos próprios alunos através de um processo de negociação denominados grupos de trabalho e, ao final, será feita uma avaliação geral (atividades 19 e 20). O diário pessoal deve ser iniciado na atividade 03, o do grupo de estudo na atividade 06 e o diário do grupo de trabalho na atividade 12. Os diários devem ser concluídos na atividade programada 19.


Avaliação

As atividades serão desenvolvidas tanto de forma individual como em grupo. Para cada atividade programada é estimado um tempo necessário para a sua execução. A equivalência estimada de tempo para as atividades programadas é de 116 horas de ensino presencial para cobrir os mesmos tópicos bem como 4 horas para a avaliação presencial (avaliação somativa efetuada pelos instrutores - atividade programada 20), em um local e monitorado por um supervisor, ambos indicados pelo Professor Responsável pelo curso. O aluno deve demonstrar a sua participação em cada atividade programada através dos artefatos produzidos conforme especificados junto à descrição de cada atividade bem como através de um “diário pessoal” em que registra o que fez individualmente e em grupo, as suas contribuições, as suas reflexões sobre o processo de aprendizagem e a sua auto-avaliação formativa. Cada grupo de trabalho formado pelos próprios alunos através de um processo de negociação também deve manter o seu “diário de grupo” com registros sobre as atividades desenvolvidas coletivamente, os artefatos produzidos de forma conjunta, as estratégias de resolução de problema adotadas, reflexões sobre o processo colaborativo de aprendizagem e uma auto-avaliação formativa do grupo de trabalho e de seus membros feita pelos pares. Todas as atividades programadas devem executadas pelo aluno. O aproveitamento no curso será computado da seguinte forma: (3I+1E+5G+1P)/10, onde I representa a nota obtida nas atividades individuais, E a nota atribuída à atuação do grupo de estudo, G a nota nas atividades de grupo de trabalho e P a nota obtida na prova presencial. Para ser aprovado, o aproveitamento deve ser maior ou igual a 7,0. O nota I é resultante da aferição da qualidade do “diário pessoal” e, analogamente, a nota E e G do “diário do grupo de estudo” e do “diário do grupo de trabalho”, respectivamente. Os artefatos serão considerados apenas como indicadores de trabalhos realizados e da qualidade destes trabalhos. Os pesos maiores na aferição das notas I, E e G serão dados ao processo de aprendizagem percorrido e à capacidade de gestão de tal processo.

 

 

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