OSTEOPATIA‎ > ‎

Capsulite Adesiva

 
 Capsulite adesiva do ombro, também chamada de “ombro congelado”, é uma condição geralmente muito dolorosa e com uma severa perda de movimento do ombro. Pode seguir-se a uma lesão/traumatismo, ou pode surgir gradualmente, sem causa aparente.

Este artigo irá ajudá-lo a compreender

• o que provoca o ombro congelado
• que testes e exames irá o seu médico realizar para chegar ao diagnóstico
• como poderá recuperar o uso do seu ombro.

Qual a parte do ombro  afectada?
O ombro é composto por três ossos: a escápula (omoplata), o úmero (osso do braço), e a clavícula. A cápsula articular é um saco estanque que envolve o conjunto articular. As paredes da cápsula articular são compostos de ligamentos. Os Ligamentos são estruturas fibrosas que ligam os ossos. A cápsula articular tem uma estrutura flexível permitindo grande amplitudes de movimento.
No ombro congelado, a inflamação na articulação faz com que as estruturas anexas fiquem coladas. Isto limita seriamente a capacidade do ombro para se mover, e faz com que o ombro pareça “congelado”.

Causas

Por que é que o meu ombro está “congelado”?
A causa do ombro congelado é em grande parte um mistério. Uma teoria é que possa ser causado por uma reacção autoimune. Numa reacção autoimune, o sistema de defesa do organismo, que normalmente o proteje da infecção, erradamente começa a atacar os tecidos do corpo. Isto provoca uma intensa reacção inflamatória local.
Ninguém sabe porque é que isso ocorre tão repentinamente. O Ombro congelado pode começar após uma lesão do ombro, fractura, ou cirurgia. Também se pode iniciar quando o ombro não está sendo usado normalmente. Isso pode acontecer após uma fractura do punho, quando o braço é mantido imobilizado por várias semanas. Por alguma razão, imobilizar uma articulação após uma lesão, aparentemente, para accionar uma resposta auto-imune nalgumas pessoas.
O Ombro congelado é também conhecido por ocorrer após a cirurgia não relacionada com o ombro, ou mesmo depois de recuperar de um ataque cardíaco.

Outros problemas como uma bursite ou tendinite do ombro podem acabar causando um ombro congelado. Os médicos teorizam que a doença subjacente pode causar inflamação crônica e dor que o fazem utilizar menos o ombro.

Sintomas

Quais são os sintomas do ombro congelado?
Os sintomas do ombro congelado são principalmente dor no ombro e uma muito reduzida amplitude de movimento na articulação.

Quando tenta mover o ombro (ou alguém por si) nos vários planos do movimento (flexão, extensão, abdução e rotações) chega um ponto onde o movimento simplesmente pára, como se estivesse bloqueado. Este ponto, geralmente desperta dor. O ombro também pode ser muito doloroso durante a noite.

A dor e limitação funcional do ombro pode tornar muito difícil a realização de actividades regulares como vestir-se, pentear-se ou chegar a uma prateleira.

Diagnóstico

Que testes irá o meu médico executar?
O diagnóstico do ombro congelado é geralmente efectuado com base na sua história clínica e exame físico. Uma teste chave que ajuda a diferenciar um ombro congelado de uma rotura dos tendões da coifa dos rotadores é o facto de nesta o doente não conseguir mover o braço sózinho a partir de determinada ampliitude mas com ajuda de terceiro o movimento é possível. No ombro congelado existe um bloqueio ao movimento que não pode ser vencido nem com ajuda de terceiros.
Raios-X simples do ombro geralmente não são úteis. Um artograma pode evidenciar uma cápsula articular pouco distendida devido á fibrose. O artograma consiste na injecção intra-articular de corante e na realização de Rx’s sequências depois. No ombro congelado, muito pouco corante pode ser injectado no ombro, porque a cápsula articular está rígida, tornando-a mais pequena que o normal. Os raios-X irão mostrar muito pouco corante na articulação.
Dependendo do movimento que é capaz de executar, o seu médico poderá solicitar-lhe a realização de outros exames para afastar outras condições como a rotura dos tendões da coifa. Provavelmente, o mais comum é a Ressonância Nuclear Magnética (RNM). Uma ressonância magnética é um exame que utiliza ondas magnéticas para criar imagens em fatias com muito boa definição para os tecidos moles do ombro.

 

A ressonância magnética demonstra tendões e outros tecidos moles, assim como os ossos.

 

Ressonância Magnética colorida para ilustrar os tecidos moles.

Tratamento

Que opções de tratamento estão disponíveis?

Tratamento Não Cirúrgico

O tratamento do ombro congelado pode ser frustrante e lento. A maior parte dos casos acabam por melhorar, mas o processo pode demorar meses. O objectivo do seu tratamento inicial é diminuir a inflamação e aumentar as amplitudes de movimento do ombro. O seu médico provavelmente irá recomendar medicações anti-inflamatórias e fisioterapia.

Os tratamentos de fisioterapia e/ou terapia ocupacional são uma parte fundamental para o ajudar a recuperar o movimento e a função do seu ombro. Os tratamentos são direccionados para conseguir que os músculos, tendões e cápsula relaxem. A utilização de calor e agentes fibrinolíticos (ultra-sons, Laser), massagens, estiramentos da cápsula e músculos são pilares fundamentais do tratamento. Podem-lhe ser dadas indicações para fazer exercícios em casa como complemento do tratamento. Pode precisar de realizar tratamentos durante três a quatro meses antes de atingir um nível satisfatório de função do ombro.

O seu médico pode também recomendar uma injeção de cortisona e um anestésico de acção prolongada, semelhante à lidocaína, para manter a inflamação e dor sob controlo. A Cortisona é um esteróide que é muito eficaz na redução da inflamação. O controlo da dor e da inflamação permite ao terapêuta trabalhar mais eficazmente para romper as aderências.

Cirurgia

Manipulação sob anestesia

Se os progressos na recuperação forem lentos, o seu médico pode recomendar a manipulação do ombro sob anestesia. Isto significa que você é anestesiado com anestesia geral e em seguida, o cirurgião manipula o ombro. A acção da manipulação alonga a cápsula articular do ombro e rompe o tecido cicatricial. Pode haver necessidade de repetir este procedimento mais de uma vez.

Este procedimento tem riscos. Existe uma hipótese muito pequena do alongamento poder ferir os nervos do plexo braquial, a rede de nervos que comandam o movimento do braço e um risco de fractura do úmero (o osso do braço), principalmente em pessoas que apresentam osteoporose (ossos frágeis).

 

Libertação Artroscópica

Quando se torna claro que a fisioterapia e a manipulação sob anestesia não melhoraram o movimento do ombro, a libertação artroscópica pode ser necessária. Este procedimento é normalmente feito usando uma anestesia. O cirurgião usa um artroscópio para ver o interior do ombro. Um artroscópio é um tubo fino e flexível com uma câmera acoplada. Ela permite que o cirurgião veja o interior da articulação num écran.

Durante o procedimento, o cirurgião corta tecido cicatricial, o ligamento por cima do ombro (ligamento coracoumeral) e uma pequena porção da cápsula articular. Se o movimento do ombro não é recuperado ou se o cirurgião é incapaz de completar a cirurgia utilizando o artroscópio, pode ser necessário abrir o ombro exigindo uma maior incisão permitindo assim ao cirurgião trabalhar com mais facilidade.

No final do procedimento, o cirurgião manipula o ombro suavemente para ganhar mais movimento. Um medicamento esteróide pode ser injectado no ombro, no final do processo.

A Osteopatia tem muito para oferecer na melhoria desta sintomatologia tão complexa. O tratamento clínico osteopático aborda a patologia de uma forma holística, actuando nos vários sistemas que indirecta ou directamente estão envolvidos. A recuperação dos pacientes pode em alguns casos ser diminuída para 3 ou 6 meses e para isso o clínico Osteopata utiliza uma série de técnicas manuais que podem permitir uma recuperação mais rápida que a convencional. Porém, deixo a ressalva que a recuperação é muito subjectiva, podendo ser frustrante tanto para o paciente como para o Osteopata.
-
O tratamento engloba:
1-mobilizações articulares (grau I, II, II) e tracções axiais inferiores da GH, acrómio-clavicular, esterno-clavicular, permitindo informações neurológicas através dos mecanoreceptores, activando o gate-control, retorno venoso/ linfático e quebra de aderências.
2- Técnicas de descompressão do desfiladeiro torácico pela sua relevância vascular e neurológica, promovendo um aumento da actividade neurovascular.
3- Técnicas de tecidos moles para toda a região periférica (trapézio, subescapular, infraescapular, pequeno peitoral etc.).
4-Mobização vertebral cervical, pela sua importância neurológica (Plexo Braquial).
5- Técnicas Viscerais (SNA).
6- Técnicas de “Muscle Energy”.
7- Exercícios Passivos, Activos/Assistidos, Activos (na fase de “Descongelamento”)
 
 

Exercícios de reabilitação para ombro congelado:

Os exercícios a seguir são apenas um guia de tratamento básico, por isso o paciente deve fazer a reabilitação acompanhado de um fisioterapeuta, para que o programa seja personalizado.

A fisioterapia conta com muitas técnicas e aparelhos para atingir os objetivos, como: analgesia, fortalecimento muscular, manutenção ou ganho da amplitude de movimento de uma articulação, etc, e por isso, o tratamento não deve ser feito sem a supervisão de um profissional.

- Fase I: 

1 – Exercícios Com Bastão:

A – Flexão de Ombro:

Ficar em pé e segurar o bastão com ambas as mãos.

Alongar os braços levantando-os sobre a cabeça.

Manter os cotovelos estendidos. Manter por 5 segundos e retornar à posição inicial.

Repetir 10 vezes.

B – Abdução e Adução de ombro:

Ficar em pé e segurar o bastão com as duas mãos.

Apoiar o bastão sobre as coxas.

Mantendo os ombros retos, usar o braço não lesionado para empurrar o lesionado para fora, para o lado e para cima o mais alto possível.

Manter por 5 segundos e retornar à posição inicial.

Repetir 10 vezes.

 

C – Extensão de ombro:

Em pé, segurando o bastão com ambas as mãos atrás das costas, levar o bastão em sentido contrário às costas.

Sem dobrar os cotovelos afaste-o das costas.

Manter a posição final por 5 segundos, relaxar e retornar à posição inicial.

Repetir 10 vezes.

D – Rotação interna:

Em pé, segurar o bastão com ambas as mãos atrás das costas.

Levantar e abaixar o bastão dobrando os cotovelos.

Manter a posição com os cotovelos dobrados por 5 segundos e retornar à posição inicial.

Repetir 10 vezes.

E – Rotação externa:

Deitar sobre as costas, segurar o bastão com ambas as mãos e as palmas para cima.

A parte superior do braço deve ficar apoiada no solo, os cotovelos também apoiados no solo de ambos os lados, dobrados em um ângulo de 90º.

Com o braço bom empurrar o lesionado para longe do corpo mantendo o cotovelo do lado lesionado apoiado no solo lado do corpo.

Manter por 5 segundos.

Retornar à posição inicial.

Repetir 10 vezes

 

2 – Amplitude do Movimento Escapular: 

Em pé, Levar os ombros para cima, comprimir as escápulas, uma de encontro à outra.

Depois, empurrá-las para baixo como se estivesse colocando as mãos nos bolsos de trás da calça.

Manter por 5 segundos, relaxar e repetir 10 vezes

 

3 – Flexão Ativa do Ombro: 

Com os braços pendendo para baixo ao lado do corpo, manter o cotovelo reto e levantar o braço acima da cabeça o mais alto que puder alcançar.

Manter a posição final por 5 segundos.

Repetir 10 vezes e fazer 3 séries

 

4 – “Serrote”: 

Apoiar o joelho e a mão do mesmo lado sobre a cama, deixando o outro pé no chão e a outra mão livre.

Flexionar o cotovelo do braço que está livre, como se fosse levar o cotovelo ao teto, a mão deve sempre ficar apontando para o chão.

Voltar à posição inicial.

Fazer 3 séries de 10 repetições