SOTA Summits on the Air

INTRODUÇÂO

Escrevo este texto com base nas ideias de John, G4YSS e na minha curta experiência como activador. O texto base pode ser visto aqui. A primeira motivação para escrever acerca disto foi o convite realizado pela ARLC para realizar uma palestra acerca deste tema.
O programa SOTA teve inicio a 2 Março de 2002 é em parte similar ao IOTA.
Uma activação ou a caça de referencias (ou qualquer outra actividade no radioamadorismo) depende essencialmente de 3 aspectos: Equipamento, localização e habilidade. No SOTA a Localização tem restrições, só temos de nos preocupar na maneira de lá chegar ou então com os pontos que queremos obter. Resta o desafio de melhorar o equipamento e a nossa habilidade.
De notar que o SOTA é um programa de prémios e de pontos, não um clube ou uma sociedade; como tal não se pode ser “membro” do SOTA mas antes podemos é participar no programa SOTA.
O hábito de operar /P a partir da localização privilegiada dos picos é antigo, mas quantas vezes mesmo se só para escapar ao quotidiano o fizemos e não tivemos resposta de ninguém? O programa SOTA  resolve isso criando um programa de pontos, um esquema de prémios para motivar os participantes garantindo resposta à nossa chamada.
Assim como para o radioamadorismo, há muitas variações da forma como se faz uma activação SOTA, que pode ser tão fácil ou difícil conforme se queira. Esta diversidade permite a participação de pessoas de todas as idades e competências, do montanhista/expedicionário ao colega com problemas de mobilidade.

REGRAS

Os pré requisitos para esta actividade é o entusiasmo, uma licença de radioamador e gosto pelo ar livre.
Existem algumas regras simples que tem de ser seguidas para que a activação seja válida:
  • É necessário legitimar o acesso por estradas ou trilhos com os proprietários dos mesmos se for caso disso;
  • A operação a partir de veículos não é permitida e o método para o acesso final ao pico tem de ser feito com força motriz humana (Caminhando, pedalando por exemplo);
  • Tem de ser usada uma fonte de energia portátil, qualquer tipo de gerador que use combustíveis fosseis não é permitido. Todo o material tem de poder ser transportado pelo activador.
  • Pelo menos 4 QSO's tem de ser feitos para se poder reclamar os pontos da activação. Tem de se trocar indicativos, report e referencia SOTA. QSO's através de repetidor não contam. QSO's com outros no mesmo pico também não.
  • Os pontos da activação apenas podem ser reclamados pelo titular do indicativo. É necessário enviar o Log (internet) para reclamar os pontos.
  • Só se pode reclamar cada referencia 1 vez em cada ano civil, não implica que não se active o mesmo pico várias vezes.
  • Todas os modos e bandas são permitidos, desde que se esteja de acordo com a nossa licença.
ESTATÍSTICAS

Desde Abril de 2011 que existem referencias SOTA em Portugal. Portugal tem no momento 164 activações após 3 anos. Dá uma média de 4,7 Activações por mês, quase 5 por mês arredondando. É um êxito razoável. Haverá algum programa implementado em Portugal em média com tantas actividades por mês?

Activações SOTA até Março 2014




A vermelho o numero de pontos disponíveis em cada uma das regiões  e a amarelo o numero de picos de cada uma das regiões, analisando estes dois podemos deduzir se uma região é muito acidentada ou não e o grau de dificuldade, basta olhar para a diferença, quanto maior a diferença mais acidentado. Isto pode nos ajudar a escolher o nosso pico ou a zona alvo para a activação de acordo com as nossas possibilidades ou objectivos. Por exemplo a zona com mais pontos disponíveis é Trás-os-montes e Alto Douro com 48 referencias.
A azul a distribuição de activações nos últimos 2 anos.

PONTOS

Os pontos atribuídos são apenas um complemento devido à natural natureza competitiva do próprio radioamadorismo.
A cada pico é atribuído um numero de pontos de 1 a 10, em alguns locais há bónus sazonais de 3 pontos. Só se pode reclamar pontos do mesmo pico uma vez em cada ano civil, não implica no entanto que não se active o pico quantas vezes se queira.
Os certificados são atribuídos para 100, 250, 500 e 1000 pontos de activador. Para quem chegar aos 1000 pontos  há um troféu. Para quem não parar por ai há troféus para os 2500 e 5000 pontos.
Na activação também se pode fazer caça (S2S) os pontos de contactos S2S podem ser reclamados como caçador.

ENCONTRE O SEU NÍVEL

Iniciar-se no SOTA é como comprar um fato. O alfaiate tira as medidas e produz uma peça, nas sessões seguintes fazem-se os ajustes. No final o fato assenta como uma luva.
Todos passamos por curvas de aprendizagem, principalmente se tivermos pouca experiência em caminhadas e em operação em /P.
Muitos activadores iniciam-se com o objectivo do “mountain goat award”, mas isto é difícil de conseguir se tivermos problemas físicos, vivermos longe de picos ou se não tivermos muito tempo disponível. É preciso ajustar os nossos objectivos à nossa realidade.
O importante é apreciar o desafio, o ar livre e a “pica” dos caçadores em trabalharem a nossa estação portátil. Ou simplesmente apreciar a performance do nosso equipamento QRP feito em casa.
Lá em cima instale-se da forma mais confortável possível, leve uma lona ou um abrigo ou aproveite as infra-estruturas que estejam acessíveis e se possam usar. Instale-se de forma não obstrutiva para outros e seja discreto e use “headphones”. Para quem passa naquele local somos embaixadores do radioamadorismo, explique aos curiosos o que está a fazer, seja simpático e dê o seu melhor. O tempo que passamos a explicar o que estamos a fazer é sem dúvida tempo bem passado, mas mãos à obra que há paisagem para apreciar, ar puro para respirar e QSO's para se fazer.
Uma boa ideia é criar uns panfletos simples para distribuir quando somos abordados, existe um exemplo no site do SOTA.

O QUE LEVAR?

Por ordem do numero de QSO's registados no SOTA Database os modos mais populares são por ordem decrescente CW, SSB, FM, DATA.
As bandas mais usadas por ordem de popularidade decrescente são 40 Metros, 2 Metros, 20 Metros, 30 Metros, 60 Metros, 70 CM etc.
De acordo com as regras e o espírito do SOTA, os equipamentos usados devem de ser transportados pelo próprio e serem alimentados por baterias, alem disso pelo menos o ultimo troço de acesso ao pico deve de ser feito a pé e a operação a partir de veículos é proibida. Devem por isso de ser escolhidos por serem leves e de grande autonomia para que a bateria não pese. Estas restrições (que só são positivas), pois estimulam o engenho e um modo de estar mais “verde”.
Normalmente a escolha de equipamentos assenta no QRP.
Certifique-se que tem o equipamento para a caminhada a que se propõem.
O equipamento mais simples para fazer uma activação é o portátil de VHF, depois talvez seja o VHF SSB e uma pequena direccional.
Na realidade portuguesa um pais que ainda não solidificou este movimento e por isso ainda não massificou a procura de QSO's SOTA, os modos e as frequências mais usadas são as “assistidas pela ionosfera” ou seja DX nos 20 m e 30 m (já que só se tem feito activações diurnas).  As desvantagens de transportar e montar equipamento de HF Monte acima é certamente recompensado com a cobertura de pelo menos 1 ou mais continentes, numa altura em que o movimento se expande para os EUA isto é óptimo Devemos no entanto ter em atenção de não ocupar o nosso saco apenas com a nossa estação e esquecer alguns essenciais de conforto e segurança. Por isso a operação é quase sempre em QRP.
Os tipos de baterias mais comuns são as de Hidreto Metálico e litium. De qualquer modo muita gente ainda usa as baterias de chumbo seladas (7 AH para os equipamentos de 100W). Aqui será sempre uma solução de compromisso entre preço peso e capacidade. O 4SQRP tem um prático calculador de baterias para QRP

LÁ EM CIMA

A instalação de antenas nem sempre é compatível com o nosso conforto, sempre que necessário devemos invocar a regra da área correspondente a 25 da vertical do pico para nos instalarmos da melhor forma.
Devido às óbvias restrições de peso de peso e potencia o CW , com a sua fiabilidade em condições marginais, é muito usado. Muitos activadores e caçadores treinaram do zero o CW, e gozam agora de logs cheios de contactos e de uma nova competência tornada em vantagem.
No pico por vezes temos de procurar um local sem QRM, mais uma vez podemos recorrer à regra dos 25 m. O uso de uma Delta Loop ou de uma antena direccional quando sabemos que há instalações de telecomunicações como é comum nos picos portugueses nas regiões mais populadas.
Desfrutem da oportunidade de operar num local remoto sem QRM, sem ruídos AC PLC ou birdies de PSU's. É como ver a via Láctea no céu num local sem poluição luminosa.
Se a activação for anunciada haverá sempre um pequeno Pile up se a propagação o permitir no caso do HF. Depois de algumas activações haverá “clientes certos”.
Cumpra horários e anuncie as suas actividades com antecedência.
Um bom local para apreciar as fotos de activações de outros colegas é aqui no SOTA Flickr Group. As fotos das minhas activações podem ser vistas aqui.

Não consegui 4 QSO's... e agora?

A única consequência de não se conseguir 4 QSO's é a de não se poder reclamar os pontos daquela activação, devemos colocar no SOTADatabase os que eventualmente fizermos, os caçadores que fizeram os QSO's pode reclamar os pontos na mesma, se voltarmos a este pico mais tarde (mesmo durante o ano civil) e conseguirmos mais de 4 QSO's podemos reclamar os pontos na mesma.

RELAÇÃO ACTIVADOR CAÇADOR

Não há obrigação de haver registo mutuo de QSO's para reclamar pontos, todavia é uma forma de agradecer àqueles que em condições marginais se esforçaram para fazer QSO connosco e assim com reforço positivo damos continuidade ao SOTA.
O "self spoting", dada a natureza marginal do QRP, é tolerado. Há várias formas de o fazer: por SMS APRS online no SOTAWatch. Actualmente o RBN também está a funcionar.
A escolha de frequências é pessoal e pode inclusivamente limitada pela antena ou pelo equipamento. Anda normalmente à volta de +2 KHz acima das frequências QRP. Nada como consultar os spots e as alertas e agir por imitação.
O critério de escolha assenta normalmente na redução de QRM. Ainda que por vezes os próprios "pile ups" façam QRM nas frequências QRP normalmente diluem-se numa hora ou menos, ou porque não há mais procura ou porque o activador por qualquer razão fez QRT (bateria, chuva, vento que derrubou a antena....)
Por vezes os caçadores tem tendência a usarem um pouco mais de potencia para furar pile up, lembrem-se que a maioria dos activadores usa equipamentos QRP que não tem AGC ou são muito lentos pois derivam do áudio.


Em baixo têm disponível para download a apresentação deste tema com os slides e os slides comentados com notas para que estiver interessado em divulgar estas actividades.
 

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SOTA Summits on the Air em Portugês by Pedro Correia CT7AEZ is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial 4.0 Internacional License.
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Pedro Correia,
19/02/2013, 10:10
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