SOS
João Paulo Saraiva Amaral da Encarnação      

                CT1-EBZ / DUKE 79 / pmr339

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     S.O.S.     

Este sinal internacional de aflição é conhecido em todo o Mundo, embora circulem diversas versões quanto ao seu significado.
A mais corrente é que esse trigrama (sigla de três caracteres reunidos) são iniciais de três palavras inglesas duma prece que os náufragos, julgando próximo o seu fim, dirigiam a Deus: save our souls (salva as nossas almas).
Embora muito romântica e sentimental, esta versão é completamente errada. A realidade é muito mais simples e trivial como explicou o comandante francês Chaupour em «Le Moniteur de la Flotte e le Journal du Matelot (réunis)», de 7 de Março de 1925, quando da adopção desse sinal para os navios.
Reproduzimos a parte do seu artigo que mais interessa ao caso:

    (...) Antes da aparição da TSF nas transacções comerciais, utilizam-se já, desde há muito, as comunicações telegráficas através dos mares por cabos submarinos, sistema que havia atingido um alto grau de aperfeiçoamento. Existiam convenções internacionais muito claras sobre a matéria e empregava-se uma série de sinais compostos de duas letras, uma das quais era sempre o "Q", que é das menos usadas na linguagem corrente. Entre esses sinais, os operadores serviam-se do CQ para alertar os operadores das estações ao longo da linha, que deviam dar atenção à mensagem que se ia passar.
    A maior parte das convenções existentes foi adoptada pela nova companhia Marconi, quando esta começou as suas operações por mar, em 1902. A chamada CQ adapta-se particularmente bem à TSF (que espalha as suas ondas em todas as direcções) e cada navio devia acusar a recepção e repeti-la pelo emissor, tal como se fazia no sistema por cabo.
    À medida que a TSF se desenvolvia no mar, deu-se conta que o CQ já não era adequado, resultanto a regra geral seguinte conhecida pelo nome de "Circular nr.57", editada pela Marconi em 7 de Janeiro de 1904:

      «Chegou ao nosso conhecimento que a chamada CQ (a todos os postos), satizfazendo casos vulgares, não exprimia suficientemente o carácter de urgência indispensável a um sinal de perigo. Por isso, a partir de 1 de Fevereiro de 1904, o sinal a usar pelos navios pedindo assistência será CQD, o qual não deve ser emitido senão por ordem do comandante do navio em perigo, ou por outros navios ou postos retransmitindo o sinal desse navio.
      «Todos os postos receptores devem estar compenetrados do carácter importante e urgente dessa chamada e fazer tudo para a passar o mais rapidamente possível.
      «O seu emprego injustificado implica graves sanções contra o prevaricador.»

    O texto original dessa famosa ordem geral faz hoje parte dos importantes arquivos da Marconi como se fosse um objecto de museu.
    Em Julho de 1908 o sinal CQD foi substituído por SOS segundo decisão da Convenção Radiotelegráfica Internacional.
    Esta mudança foi devida, sobretudo, à simplificação da combinação, pouco usual, de pontos e traços de todos os outros géneros de chamadas. No sistema Morse exprime-se pelos seguintes sinais:

      três pontos três traços três pontos (...---...)

O sinal SOS foi adoptado pois, por razões essencialmente técnicas: simplicidade de manipulação na emissão, simplicidade de leitura na recepção, impossibilidade de confusão com outros sinais em serviço.
As explicações literárias (save our souls, save our sink ...) são invenções posteriores à adopção do sinal e não correspondem à verdade. Podem no entanto servir de menmónicas.
Todavia, é certo que graças a elas SOS como sinal de pedido de socorro, saíu do uso dos técnicos e é hoje conhecido por parte importante da população do globo.