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E

JOSÉ DE ALENCAR

Escritor: 1829 - 1877

Edmar Bernardes DaSilva

José de Alencar

UM DOS MAIORES ESCRITORES ROMÂNTICOS DO BRASIL E QUIÇÁ DA LÍNGUA PORTUGUESA

QUANDO TUDO ACONTECEU...

1829: No dia primeiro de Maio nasce José de Alencar em Mecejana, Ceará, Brasil. - 1830: A família Alencar muda-se para o Rio de Janeiro. - 1846: José de Alencar matricula-se na Faculdade de Direito do Rio de Janeiro. - 1847: Esboça Os Contrabandistas, seu primeiro romance. - 1854: No Correio Mercantil, assina o folhetim Ao Correr da Pena; apaixona-se por Chiquinha Nogueira. - 1856: No Diário do Rio de Janeiro, com o folhetim Cinco Minutos, e logo a seguir com A Viuvinha, estreia-se como romancista; polêmica a propósito do livro A Confederação dos Tamoios, de Gonçalves de Magalhães. - 1857: Publica o romance O Guarani. Estreia-se como autor teatral com a peça Verso e Reverso. - 1860: É encenado o seu drama Mãe. - 1861: É publicado o seu romance Lucíola. - 1864: Casa-se com Georgina Cochrane. - 1865: Publica o romance Iracema. - 1869: O Imperador D. Pedro II recusa-se a indicar José de Alencar para o Senado. - 1870: Baseando-se no romance de José de Alencar, o compositor Carlos Gomes apresenta a ópera O Guarani no Scala de Milão. - De 1870 a 1877 José de Alencar publica os livros Guerra dos Mascates, Til, O Tronco do Ipê, Sonhos D'Ouro, O Gaúcho, A Pata da Gazela, Senhora.- 1873: Polêmica de Alencar com Joaquim Nabuco. - 1876: Buscando tratamento para a sua tuberculose, Alencar vende tudo o que tem e com Georgina e os seus filhos viaja para a Europa. - 1877: Tuberculoso, a 12 de Dezembro, no Rio de Janeiro, morre José de Alencar.

 


O GUARANI

O índio Péri

 

O Guarani (1857) no meu ponto de vista é a obra prima de José de Alencar pois nos dá uma idéia histórica e poética dos primeiros passos do nosso imenso Brasil. O autor nos mostra o nascimento da hoje internacional Metrópole do Rio de Janeiro, mas também nos joga dentro do emaranhado de emoções envolvendo os indígenas, a família de colonizadores portugueses e a vida inicial na colônia lusa.

Carlos Gomes (1836-1896), o maior compositor clássico do Brasil e quiçá do mundo lusófono, baseando-se na obra de Alencar, em 1870 criou a ópera O Guarani, que por sinal se tornou famosa na Europa, e foi apresentada em vários teatros europeus.

Recentemente o teatro de Sofia na Bulgária mostrou uma montagem da ópera na qual Plácido Domingo fazia o papel do índio Peri. No mesmo ano a ópera foi mostrada em Nova Iorque no Metropolitan Opera House, também com Plácido no papel central.

Seria uma maravilha se uma rede de televisão brasileira juntamente com a televisão portuguesa produzisse uma série baseada no livro O Guarani usando atores brasileiros e portugueses.

 


DO CEARÁ PARA O BRASIL

Em Mecejana, Ceará, Brasil, a casa em que nasceu José de Alencar.

 

José Martiniano de Alencar nasce no dia primeiro de maio de 1829, na localidade de Mecejana no Ceará, filho do senhor José Martiniano de Alencar (deputado pela província do Ceará). É o fruto de uma união ilícita e particular do pai com a prima Ana Josefina de Alencar. Nos anos de criança e adolescente, é tratado dentro da família pelo apelido de Cazuza. Mais tarde, adulto, ficará conhecido nacionalmente como José de Alencar, um dos maiores escritores românticos do Brasil e quiçá da língua portuguesa.

 


DE FORTALEZA PARA A CAPITAL FEDERAL

Avenida Beira-Mar, Botafogo, Rio de Janeiro.

 

O pai de José de Alencar assume o cargo de senador do Rio de Janeiro em 1830, obrigando a família a se mudar para a capital federal.

Na escola de Direito, onde mais tarde será matriculado, tudo é discutido: Política, Arte, Filosofia, Direito e, sobretudo, Literatura. É a fase alta do Romantismo, novo estilo artístico e literário importado da França. O autor lê principalmente os grandes romancistas franceses da época.

O jovem cearense não se adapta às rodas boêmias, moda absorvida pelos romancistas da época, muitos deles seus amigos.

Terminado o período preparatório, Alencar matricula-se na Faculdade de Direito em 1846. Com os seus dezessete anos incompletos, o jovem já ostenta uma barba cerrada que jamais será raspada. Com ela, a seriedade de seu rosto torna-se ainda mais evidente.

 


DESPONTA O ESCRITOR E JORNALISTA

 

 

 

Aos dezoito anos Alencar esboça o seu primeiro romance - Os Contrabandistas. Segundo depoimento do próprio escritor, um dos inúmeros hóspedes que freqüentam sua casa, usa as folhas manuscritas para acender charutos.

Um dos números do jornal Correio Mercantil de setembro de 1854 traz uma seção nova de folhetim - Ao Correr da Pena - assinada por José de Alencar, que estreia como jornalista. O folhetim, moda na época, é uma mistura de jornalismo e Literatura: narrativas leves, tratando de acontecimentos sociais, artísticos, políticos, enfim, coisas do cotidiano da vida e da cidade.

Alencar, aos vinte e cinco anos, obtém um sucesso imediato no jornal onde trabalharam anteriormente o mestre Machado de Assis e Joaquim Manuel de Macedo. Sucesso rápido, porém de curta duração. Tendo o jornal proibido um de seus artigos, o escritor decepcionado desliga-se de sua função.

Depois da decepção o escritor começa uma nova empreitada no Diário do Rio de Janeiro, no passado um jornal bastante influente, que passa naquele momento por uma séria crise financeira. Alencar e alguns amigos resolvem comprar o jornal e tentar ressuscitá-lo, investindo dinheiro e muito trabalho.

 


ROMANCES RETRATANDO A VIDA NA CORTE

 

 

 

No Diário do Rio de Janeiro acontece sua estreia como romancista: em 1856 sai em folhetins, o romance Cinco Minutos. Ao final de alguns meses, completada a publicação, juntam-se os capítulos num só volume que é oferecido como brinde aos assinantes do jornal.

Com Cinco Minutos e, logo em seguida, A Viuvinha, Alencar inaugura uma série de obras em que busca retratar (e questionar) a forma de vida na Corte.

Lucíola, finalmente, resume toda a questão de uma sociedade que transforma amor, casamento e relações humanas em mercadoria: o assunto do romance, a prostituição, obviamente mostra a degradação que o dinheiro pode levar o ser humano a fazer.

Entre Cinco Minutos (1856) e Senhora (1875), decorrem quase vinte anos e muitas situações polêmicas, entretanto ocorreram.

 


UM DRAMATURGO POLÊMICO E DECEPCIONADO

A Censura corta trechos de uma peça de Alencar. Entretanto, o que está a acontecer no resto do mundo? Consulta a Tábua Cronológica.

 

Alencar estreia como autor de teatro em 1857, com a peça Verso e Reverso, na qual focaliza o Rio de Janeiro de sua época. Alencar fica furioso, acusando a Censura de cortar sua obra pelo simples fato de ser ''... produção de um autor brasileiro...'' Mas a reação mais concreta virá quatro anos mais tarde, por intermédio do romance em que o autor retoma a mesma temática: Lucíola.

Imensamente decepcionado com os acontecimentos, Alencar declara que vai abandonar a Literatura para dedicar-se exclusivamente ao Direito. É claro que isso não acontece, escreve ainda o drama Mãe; o mesmo é levado ao palco em 1860, ano em que morre seu pai. Para o teatro, produz ainda a opereta A Noite de São João e a peça O Jesuíta.

O debate em torno de As Asas de Um Anjo não é a primeira nem será a última polêmica enfrentada pelo autor. De todas, a que mais interessa para a Literatura é anterior ao caso com a Censura e relaciona-se ao aproveitamento da cultura Indígena como tema literário. Segundo os estudiosos, é este o primeiro debate literário realmente brasileiro.

 


FARPAS POLÍTICAS ENTRE ALENCAR E D. PEDRO II E O NASCIMENTO DA LITERATURA NACIONAL

D. Pedro II, caricatura de Rafael Bordalo Pinheiro.

 

Quando resolve assumir o Diário do Rio de Janeiro, Alencar pensa também num veículo de comunicação que lhe permita expressar livremente suas idéias. É nesse jornal que trava sua primeira polêmica literária e política. Nela, o escritor confronta-se indiretamente com o imperador D. Pedro II.

Seja qual for o motivo, essa polêmica tem interesse fundamental. De fato, nessa época discute-se o que será o verdadeiro nacionalismo na Literatura Brasileira, que até então tinha sofrido grande influência da Literatura Portuguesa.

Alencar considera a cultura indígena como um assunto primordial que, na mão de um escritor inteligente, poderá tornar-se a marca registrada da autêntica Literatura Nacional. Note-se: na mão de um escritor hábil e inteligente...

 


POLÍTICO REVOLTADO, ESCRITOR CONSAGRADO

 

O veto do imperador impulsiona Alencar para a produção literária. Escreve mais e mais romances, crônicas, teatro: Guerra dos Mascates, Til, O Tronco do Ipê, Sonhos D'Ouro, O Gaúcho, A Pata da Gazela, Senhora, livros publicados entre 1870 e 1877. Muitas polêmicas envolvem José de Alencar, polêmicas em que ele critica e polêmicas em que é criticado por suas idéias políticas e opiniões literárias. Com relação à literatura, duas delas ficam famosas: a primeira, em 1856, em torno do livro A Confederação dos Tamoios, de Gonçalves de Magalhães. Alencar se manifesta duramente contra o indianismo do poeta. A segunda, em 1873, em debate com Joaquim Nabuco no jornal O Globo, na qual defende o fato de o público revelar-se desinteressado pelo escritor nacional. Falecido em 1877, José de Alencar deixa como legado uma obra de extraordinária importância e, principalmente, a realização de um projeto que sempre acalentou: o abrasileiramento da literatura brasileira.

 


IRACEMA

 

Abrasileirar a Literatura Brasileira é o intuito de José de Alencar. Iracema, um de seus romances mais populares (1865), é um exemplo profundo dessa ansiosa mudança desejada pelo autor. A odisséia da musa Tupiniquim combina um perfeito encontro do colonizador português com os nativos da terra. Iracema é uma bela virgem tabajara e esta tribo é amiga dos franceses na luta contra os portugueses que tem como aliados os índios pitiguaras. Porém Martim, o guerreiro português, nas suas investidas dentro da mata descobre Iracema, e ambos são dominados pela paixão.

"Iracema", óleo de Antônio Parreiras, Museu de Arte de São Paulo.

José de Alencar assim nos conta o primeiro encontro entre a musa Tupiniquim e seu príncipe lusitano:

Além, muito além daquela serra, que ainda azula no horizonte, nasceu Iracema.

Iracema, a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna e mais longos que seu talhe de palmeira.

O favo da jati não era doce como seu sorriso; nem a baunilha recendia no bosque como seu hálito perfumado.

Mais rápida que a ema selvagem, a morena virgem corria o sertão e as matas do Ipu, onde campeava sua guerreira tribo, da grande nação tabajara. O pé grácil e nu, mal roçando, alisava apenas a verde pelúcia que vestia a terra com as primeiras águas.

Um dia, ao pino do sol, ela repousava em um claro da floresta. Banhava-lhe o corpo a sombra da oiticica, mais fresca do que o orvalho da noite. Os ramos da acácia silvestre esparziam flores sobre os úmidos cabelos. Escondidos na folhagem os pássaros ameigavam o canto.

Iracema saiu do banho; o aljôfar d'água ainda a roreja, como à doce mangaba que corou em manhã de chuva. Enquanto repousa, empluma das penas do gará as flechas de seu arco, e concerta com o sabiá da mata, pousado no galho próximo, o canto agreste.

A graciosa ará, sua companheira e amiga, brinca junto dela. Às vezes sobe aos ramos da árvore e de lá chama a virgem pelo nome; outras remexe o uru de palha matizada, onde traz a selvagem seus perfumes, os alvos fios do crautá, as agulhas da juçara com que tece a renda, e as tintas de que matiza o algodão.

Rumor suspeito quebra a doce harmonia da sesta. Ergue a virgem os olhos, que o sol não deslumbra; sua vista perturba-se.

Diante dela e todo a contemplá-la, está um guerreiro estranho, se é guerreiro e não algum mau espírito da floresta. Tem nas faces o branco das areias que bordam o mar; nos olhos o azul triste das águas profundas. Ignotas armas e tecidos ignotos cobrem-lhe o corpo.”

De Iracema, dirá Machado de Assis no Diário do Rio de Janeiro:

"Tal é o livro do Sr. José de Alencar, fruto do estudo e da meditação, escrito com sentimento e consciência… Há de viver este livro, tem em si as forças que resistem ao tempo, e dão plena fiança do futuro… Espera-se dele outros poemas em prosa. Poema lhe chamamos a este, sem curar de saber se é antes uma lenda, se um romance: o futuro chamar-lhe-á obra-prima”.

 


O ROMANCISTA E SUAS PAIXÕES AVASSALADORAS
José de Alencar casa com Georgina Cochrane. Entretanto, o que está a acontecer no resto do mundo? Consulta a Tábua Cronológica.  

Aos vinte e cinco anos, Alencar apaixona-se pela jovem Chiquinha Nogueira da Gama, herdeira de uma das grandes riquezas da época. No entanto o interesse da moça é outro: um rapaz carioca também vindo da burguesia. Desprezado pela moça, custa muito ao altivo Alencar recuperar-se do orgulho ferido. Somente aos trinta e cinco anos ele irá sentir o sabor, de fato, da plenitude amorosa que tão bem soube criar para o final de muitos dos seus romances. Desta vez sua paixão é correspondida, o namoro e matrimônio são rápidos. A moça é Georgina Cochrane, filha de um rico inglês. Conheceram-se no bairro da Tijuca, para onde o escritor se retirara para se recuperar de uma das crises de tuberculose que teve na época. Casam-se em 20 de junho de 1864.

 


INDIANISMO, URBANISMO, REGIONALISMO E ROMANCES HISTÓRICOS

 

Alencar não se limita aos aspectos documentais como autor. Na verdade o que vale de fato em suas obras é, sobretudo, o poder criativo e a capacidade de construir narrativas muito bem estruturadas. Os personagens são heróis regionais puros, sensíveis, honestos, educados, muito parecidos com os heróis de seus romances indianistas. Mudavam as feições, mudava a roupagem, mudava o cenário. Porém, na invenção de todos esses personagens, Alencar busca o mesmo objetivo: chegar a um retrato do homem totalmente brasileiro.

Não cessa por aí a busca do escritor: servindo-se de fatos e lendas de nossa história, Alencar inventará ainda os chamados romances históricos.

No romance Guerra dos Mascates, personagens fictícios escondem alguns políticos da época e até o próprio imperador. As Minas de Prata é uma espécie de modelo de romance histórico tal como esse tipo de romance é imaginado pelos ficcionistas de então. A ação passa-se no século XVIII, uma época marcada pelo espírito aventureiro. É considerado seu melhor romance histórico.

Com as narrativas históricas, Alencar cria o mapa do Brasil que desejara desenhar, fazendo aquilo que sabe fazer: a verdadeira Literatura.

Nos trabalhos de Alencar há quatro tipos de romances: indianista, urbano, regionalista e histórico. Evidentemente, essa classificação é muito esquemática, pois cada um de seus romances apresenta muitos aspectos que merecem ser analisados separadamente: é fundamental, por exemplo, o perfil psicológico de personagens como o herói de O Gaúcho, ou ainda do personagem central de O Sertanejo. Por isso, a classificação acima se prende ao aspecto mais importante (mas não único) de cada um dos romances.

 


PASSAGEM PELA EUROPA

 

No ano de 1876, Alencar vende tudo o que tem e vai com Georgina e os seus filhos para a Europa, buscando tratamento para sua saúde precária. Tinha programado uma estada de dois anos. Durante oito meses visita a Inglaterra, a França e Portugal. Seu estado de saúde se agrava e, mais cedo do que pensava, retorna ao Brasil.

 


RETORNO AO BRASIL

 

Apesar dos pesares, ainda sobra tempo para atacar D. Pedro II. Alencar publica alguns números do semanário O Protesto durante os meses de janeiro, fevereiro e março de 1877. Nesse jornal, o escritor deixa vazar todo o seu velho ressentimento contra o imperador, que não o havia indicado para o Senado em 1869.

 


MORRE NOSSO GRANDE ROMANCISTA

"Teatro José de Alencar", em Fortaleza do Ceará.

 

O escritor já com a saúde um tanto abalada, morre no Rio de Janeiro, no dia 12 de dezembro de 1877. Alencar além de ser o nosso maior romancista e um dos maiores do mundo lusófono, foi também a base do que podemos chamar hoje: Literatura Brasileira.

 

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Edição do dia 29/03/2011

29/03/2011 21h05 - Atualizado em 29/03/2011 21h05

Morre José Alencar aos 79 anos

Ele lutava contra um câncer no abdômen diagnosticado em 2006, o último de uma série de tumores que começaram a surgir há 14 anos. Alencar enfrentou cirurgias e tratamentos longos e doloridos.


Morreu, nesta terça-feira (29), em São Paulo, aos 79 anos, o ex-vice-presidente da República, José Alencar. Ele tinha sido internado no início da tarde de segunda no Hospital Sírio-Libanês

Pela manhã, um boletim médico já dava a dimensão da gravidade do estado de saúde de José Alencar. Ele tinha uma oclusão, obstrução no intestino, e uma peritonite, que é a inflamação da membrana que reveste o abdômen, provocada por uma perfuração no intestino.

Todos esses problemas agudos sofridos pelo ex-vice-presidente eram consequência de um câncer no abdômen diagnosticado em 2006, o último de uma série de tumores que começaram a surgir há 14 anos. Ele enfrentou cirurgias e tratamentos longos e doloridos.

Nesta terça-feira, a preocupação da equipe médica era apenas minimizar o sofrimento de José Alencar. “Não tem mais condições de tratamento cirúrgico. Nós estamos dando a ele todas as medidas de suporte para ele não sofrer”, declarou o médico Raul Cutait.

Às 14h30, o médico já não tinha esperanças: “Conforme vocês viram no boletim, o presidente está em uma fase... Se preparando para descansar”, disse.

Nesta última internação, na segunda, sentindo muitas dores, José Alencar foi direto para a UTI. Passou as últimas horas sedado.

Uma nota curta, o médico anunciou que Alencar morreu as 14h41, em decorrência do câncer e da falência de múltiplos órgãos.


Getty Images

Amr Mussa, secretário geral da Liga Árabe durante a reunião deste sábado no Egito

CAIRO (O REPÓRTER) - Na reunião de emergência convocada na capital do Egito, pela Liga Árabe, os embaixadores desses países decidiram confrontar com o decidido pela União Africana dias atrás e solicitar ao Conselho de Segurança da ONU que intervenha no conflito líbio, impondo uma área de exclusão aérea com o objetivo de proteger o povo desse país. 

À decisão se opuseram a Síria e a Argélia que foram acusados de apoiar o regime do Muammar Khadafi. 

Yusef Ahmed, delegado sírio que participou da reunião justificou a posição do seu país dizendo que "qualquer decisão que tome a Liga deve levar em conta o absoluto rechaço árabe a qualquer intervenção militar estrangeira na Líbia, pois viola a soberania e independência do país".  

Por outro lado, a União Europeia recebeu com beneplácito a decisão dos países árabes. A Europa considera fundamental contar com o apoio desses países para que uma eventual operação militar na Líbia não seja vista como uma intervenção ocidental como aconteceu na Guerra do Golfo. Os europeus já anunciaram o corte das relações diplomáticas com o governo de Trípoli e reconhecima o Conselho Nacional, localizado na cidade de Benghazi como único representante para as negociações.

Japão: 1800 mortos estimados

Numa cidade, cerca de dez mil pessoas estão incomunicáveis, temendo-se que possam estar mortas

Sábado, 12 de março de 2011 - 12h10       Última atualização, 12/03/2011 - 12h16

Terremoto deixa ao menos 637 mortos e 10.653 desaparecidos no Japão

Foto: Yomiuri Shimbun/AFP Zoom Prefeitura não consegue entrar em contato com 10 mil moradores em Minamisanriku

Prefeitura não consegue entrar em contato com 10 mil moradores em Minamisanriku

Da Redação, com AFP

mundo@eband.com.br

O número de mortos no terremoto de magnitude 8,9 chegou a 637 no Japão, de acordo com a polícia.

Segundo autoridades, há 10.653 desaparecidos, sendo 10 mil apenas na cidade portuária de Minamisanriku, uma das atingidas por um tsunami de grandes proporções. Isso representa mais da metade da população da cidade de 17 mil habitantes. A prefeitura da província de Miyagi busca informações sobre os moradores.

Segundo a agência de notícias Kyodo, há 3,4 mil edifícios destruídos no país por conta de tragédia, que ainda causou 200 incêndios.

O primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, deslocou 50 mil militares, 190 aviões e 15 navios para os trabalhos de resgate nas províncias afetadas.

Redator: Roberto Saraiva

     

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12.03.2011 | 20h15

Japão enfrenta problema em segundo reator de usina nuclear

  DAS AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

A Agência de Segurança de Energia Nuclear do Japão anunciou neste sábado que outro reator da usina de Fukushima --que já sofreu uma explosão-- está apresentando problemas em razão do terremoto que atingiu o país ontem.

De acordo com as informações, o sistema de resfriamento do reator 3 também parou de funcionar, o mesmo problema que causou a primeira explosão na usina. Agora, segundo uma autoridade da agência, a instalação terá que assegurar o suprimento de água para esfriar o reator.

Nesta madrugada, uma explosão destruiu o teto da instalação do reator 1, levantando temores sobre uma possível liberação de radiação na área. Apesar disso, o governo afirmou, mais tarde, que a explosão não afetou o núcleo do reator e que apenas uma pequena quantidade desses materias foi liberada.

Segundo a autoridade, há uma possibilidade de que pelo menos nove pessoas tenham sido expostar à radiação, de acordo com informações dos governos municipais e outras fontes.

A comissão reguladora nuclear dos Estados Unidos (NRC) anunciou, neste sábado, o envio de dois especialistas ao Japão, após a explosão.

"Temos alguns dos melhores especialistas neste campo trabalhando para a NRC e estamos prontos para ajudar em qualquer coisa", disse o presidente da comissão, Gregory Jaczko, em comunicado no qual anunciou o envio dos técnicos.

A NRC --agência que regula as usinas nucleares de uso comercial-- disse que os técnicos são especialistas em reatores nucleares de água fervente.

O governo do Japão afirmou nesta tarde que o nível de radiação emitido pela instação parece ter diminuído após a explosão, que produziu uma nuvem de fumaça branca. Mas o perigo foi grande o suficiente para que as autoridades jogassem água do mar no reator para evitar um desastre e ainda tirassem 140 mil pessoas da área.

A explosão destruiu o prédio que abrigava o reator, mas não o reator em si, o que evitou um desastre maior. "Eles estão trabalhando desesperadamente para encontrar uma solução para esfriar o núcleo do reator", afirmou Mark Hibbs, do Programa de Política Nuclear do Carnegie Endowment for International Peace.

A AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) confirmou a informação de que o reator não havia sido danificado, desmentindo especulações de que um acidente mais grave como o da central ucraniana de Tchernobil, pudesse ocorrer.

Para limitar o dano ao núcleo do reator, por causa do terremoto e posterior tsunami ocorrido no litoral japonês, a Tepco propôs que água do mar seja misturada com boro para ser injetada no recipiente primário de contenção, segundo o comunicado divulgado pela AIEA em Viena.

A AIEA acrescentou que esta medida foi aprovada pela Nisa (Agência de Segurança Nuclear e Industrial) e que o processo de injeção começou às 20h20 no horário local (8h20 de Brasília).

ESCALA

O acidente em uma central nuclear na cidade de Fukushima, no Japão, após o forte terremoto que atingiu o país na sexta-feira, foi classificado como de nível 4 na Escala Internacional de Sucessos Nucleares, que vai de 0 a 7. A classificação é a terceira mais alta já concedida, ficando atrás apenas do acidente em Three Mile Island, nos Estados Unidos, em 1979 (nível 5) e de Tchernobil, em 1986 (grau 7).

A classificação 4 qualifica acidentes "com consequências de alcance local", segundo documentos da AIEA (Agência internacional de Energia Atômica). Em 1999, o Japão havia registrado um acidente com a mesma classificação.

O termo anomalia é utilizado para o nível 1 e, incidente, para os níveis 2 e 3. O nível 4 é o pior até o momento no Japão, de acordo com a Agência japonesa de Segurança Nuclear e Industrial.

O reator Daiichi 1, ao norte da capital Tóquio, começou a vazar radiação depois que o terremoto de magnitude 8,9 causou um tsunami, prontamente levantando temores de um derretimento nuclear. O sistema de resfriação do reator nuclear falhou após os tremores, causando uma explosão que rompeu o telhado da usina.

As autoridades afirmam que os níveis de radiação em Fukushima estavam elevados antes da explosão. Em determinado momento, a usina estava liberando a cada hora a quantidade de radiação uma pessoa normalmente absorve do ambiente em um ano.

MORTOS

O país lida com a ameaça nuclear enquanto tenta determinar o alcance dos danos do terremoto, o mais poderoso de que se tem registro em território japonês, e do tsunami que devastou a região nordeste. O número oficial de mortos é de 686, mas o governo diz que a estatística pode ultrapassar 1.000.

O Japão mobilizou 50 mil soldados e outros socorristas, neste sábado, para trabalhar na ajuda aos sobreviventes. Foi mobilizado nas operações o conjunto das Forças Armadas japonesas, que desde a véspera já participa das operações com 300 aviões, 20 navios e destróieres e 25 caças de reconhecimento mobilizados para a costa leste do arquipélago, onde mais de 1.800 pessoas morreram ou estão desaparecidas.

Também chegavam ao Japão equipes internacionais, algumas das quais participaram recententemente das buscas por sobreviventes nas ruínas do terremoto de 22 de fevereiro em Christchurch, Nova Zelândia.
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