Vulcanismo

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Geologia 11º

Exercícios

Resumos

Powerpoint

 

 

 

O vulcanismo é uma manifestação do geodinamismo interno, constituindo o mecanismo central da evolução do planeta.

Os vulcões oferecem um espectáculo por vezes trágico, mas deslumbrante e com interesse para o conhecimento do interior do nosso planeta.

As ilhas do arquipélago dos Açores são de origem vulcânica e constituem verdadeiros "laboratórios" para as Ciências da Terra, atraindo muito dos principais investigadores mundiais em diferentes áreas do conhecimento.

Estas ilhas emergem da chamada plataforma dos Açores, uma estrutura elevada em relação aos fundos marinhos circundantes. A grande actividade sísmica e vulcânica dos Açores relaciona-se com o contexto geológico em que se localizam.

A vulcanologia é a área do conhecimento geológico que estuda os fenómenos vulcânicos.

Os contributos fornecidos por essa área têm sido fundamentais para a elaboração de modelos de estrutura interna da Terra, sobretudo no que diz respeito à composição e à dinâmica da litosfera.

Conceitos Básicos

Um vulcão

é, na maior parte das vezes, uma estrutura de forma cónica - cone vulcânico, que possui uma depressão na parte central, a cratera, que se prolonga para o interior da Terra por meio de um canal, a chaminé vulcânica. Esta permite a ascensão do magma contido nas câmaras magmáticas que estão rodeadas por rochas sujeitas a enormes pressões, as rochas encaixantes.

O magma,

material rochoso fundido e rico em gases, contido na câmara magmática, constitui a bolsada magmática. Para além do cone principal, podem existir cones mais pequenos designados por cones adventícios ou secundários, na extremidade dos quais abrem as chaminés vulcânicas adventícias ou secundárias. Estas constituem canais mais pequenos que partem da chaminé principal, pelos quais ocorre ascensão de magma.

 

As erupções vulcânicas deste tipo, confinadas fundamentalmente a um cone vulcânico, configuram um tipo de vulcanismo designado por vulcanismo central.

Erupção dos Capelinhos (Faial - Açores)

A expulsão dos materiais vulcânicos pode ocorrer, igualmente, através de extensas fracturas ou fendas existentes na superfície terrestre, designando-se o conjunto de fenómenos associados a essa expulsão por vulcanismo fissural.

O esvaziamento da câmara magmática subjacente ao cone pode conduzir ao abatimento do aparelho vulcânico, originando uma depressão designada por caldeira. Frequentemente, nestas formações ocorre acumulação de água, originando lagoas.

 

Quando o magma armazenado nas câmaras magmáticas ascende à superfície terrestre, diz-se que ocorre uma erupção vulcânica.

A desgaseificação, ou perda de voláteis, do magma tem como consequência o aparecimento de lavas, cuja consolidação dá origem às rochas vulcânicas. 

 

É a este conjunto de manifestações que está associado ao conceito de vulcanismo activo.

Tipos de actividade vulcânica

As erupções vulcânicas variam de acordo com o tipo de magma, sua temperatura e sua composição química. Com base nestas características, podem considerar-se basicamente três tipos de actividade vulcânica:

  • Explosiva - Os fenómenos vulcânicos de natureza explosiva estão associados a lavas muito viscosas, com origem em magmas ácidos (ricos em sílica e em gases). Dada a sua viscosidade, estas lavas não formam escoadas e solidificam na cratera, formando as agulhas (acumulações de lava com formas alongadas e pontiagudas que consolidaram no interior da chaminé) e os domos ou cúpulas (acumulações de lava consolidada na cratera com formas arredondadas). As erupções são muito violentas, devido à acumulação de gases, e acompanhadas por grandes explosões, com a emissão de piroclastos e a formação de nuvens ardentes (nuvens de gases e poeiras incandescentes).
  • Efusiva - Os fenómenos vulcânicos de natureza efusiva estão associados a lavas muito fluidas, com origem em magmas básicos (pobres em sílica e com poucos gases). Dada a sua fluidez, a emissão destas lavas é rápida, formando-se grandes escoadas que podem percorrer centenas de quilómetros com uma velocidade variável.
  • Mista - Na actividade vulcânica de tipo misto ocorrem períodos efusivos e explosivos, isto é, períodos calmos com formação de escoadas e períodos com explosões violentas com libertação de piroclastos e gases.

Na tabela seguinte estão resumidas as principais características dos diferentes tipos de erupções vulcânicas.

Note-se que quanto maior é a percentagem de sílica, maior é a viscosidade (menor fluidez) dos magmas e das lavas respectivas, mais baixa é a sua temperatura e menor é a tendência para formar escoadas de lavas. Em termos de localização, diz-se que é um magma que pode ter origem mais superficial.

Localização das fontes magmáticas 

 

Pelo contrário, quanto menor for a percentagem de sílica de uma lava, menor é a sua viscosidade (maior fluidez), mais alta é a sua temperatura e maior é a tendência para formar escoadas de lava. A presença de gases no magma afecta também o tipo de erupção.

Produtos da actividade vulcânica

Podem considerar-se três tipos de produtos da actividade vulcânica: os gases, os piroclastos e as lavas.

Os gases mais frequentes são o vapor de água, o dióxido de carbono e óxidos de azoto e de enxofre.

Os piroclastos são fragmentos de rochas vulcânicas resultantes de lavas anteriormente consolidadas ou de lavas consolidadas logo após a sua emissão e apresentam dimensões variadas, pelo que tomam designações diferentes, desde as cinzas, com dimensões inferiores a
2 mm, passando pelo lapilli
ou bagacina, de dimensão intermédia, até às bombas e blocos, com dimensões de 32 mm a 1 metro.

Ao consolidar, a lava pode originar formações típicas, consoante o seu tipo.

Quando as lavas são fluidas, a sua consolidação ocorre rapidamente à superfície, sempre que a velocidade de fluxo diminui.

Lavas pahoehoe, muito fluidas e lavas aa menos viscosas

Forma-se, assim, uma fina camada superficial, debaixo da qual existe lava que continua a fluir, provocando o enrugamento da superfície. As lavas assim solidificadas adquirem então o aspecto de cordas sobrepostas, denominando-se, por isso, lavas encordoadas ou pahoehoe
. Por sua vez, a consolidação de lavas menos fluidas origina formações irregulares, com aspecto áspero e poroso, designadas por lavas escoriáceas ou aa
. Devido à escorrência de lavas para o oceano ou a erupções submarinas, o arrefecimento da superfície da lava em contacto com a água é muito rápido, formando-se nessas massas uma carapaça sólida que é quebrada pela lava liquefeita que assim escapa para o exterior.

A repetição deste processo origina as chamadas lavas em almofada ou pillow lava.

Pillow lava ou lavas em almofada. Oman (Arábia Saudita)

 

Vulcanismo residual

Após uma erupção, um vulcão pode manifestar-se durante muito tempo por meio de emanações gasosas ou líquidas, a que damos a designação de

manifestações secundárias de vulcanismo
ou vulcanismo residual.

Como exemplo dessas manifestações podemos citar:

  • fontes termais
- emanações de água, vapor de água e dióxido de carbono a elevadas temperaturas. Depois de aquecidas em profundidade, estas águas voltam à superfície a elevadas temperaturas. As fontes termais dos Açores, S. Pedro do Sul, entre outras, resultam deste tipo de águas.
  • géiseres
  • - jactos intermitentes e periódicos de água e vapor de água, a elevadas temperaturas, típicos de algumas regiões vulcânicas. A água expelida tem origem nas camadas freáticas, que se localizam próximo da bolsada magmática. Depois de aquecidas, forma-se vapor de água, que ascende à superfície através das fendas das rochas encaixantes. 
  • fumarolas - emanações gasosas exaladas pelas fissuras das rochas, situadas próximo de vulcões activos. De acordo com a natureza dos gases exalados, podem ser denominadas: sulfataras, se os gases que predominam são ricos em enxofre, e mofetas, se o principal gás presente for o dióxido de carbono.
  • Géiseres. Islândia

    Géiseres. Calama, Chile

     

    Energia geotérmica

     

    Geotermismo - A Terra é uma gigantesca máquina térmica. A principal fonte de energia térmica interna é desintegração de elementos radiactivos que se encontram nas rochas. O urânio, o tório e o potássio são os três elementos radiactivos mais importantes, que, embora existam em pequenas concentrações, tendo em conta os enormes volumes de rochas; implicadas, produzem quantidades importantes de energia. Além da energia considerada, existe ainda no interior da Terra energia térmica remanescente da formação do planeta.

    Determinações feitas em minas e em sondagens mostram que a temperatura

    terrestre aumenta com a profundidade.

    Denomina-se gradiente geotérmico a quantificação da variação da temperatura com a profundidade, ou seja, o aumento da temperatura por quilómetro de profundidade.

    Para as profundidades em que tem sido possível fazer determinações directas, verifica-se que, em regra, a temperatura aumenta cerca de 30 °C por quilómetro, ou seja, por cada 33 a 34 metros de profundidade a temperatura aumenta 1 °C.

    O número de metros que é necessário aprofundar para que a temperatura aumente 1 °C denomina-se grau geotérmico.

    Para zonas inacessíveis, a determinação da temperatura é feita através de cálculos indirectos.

    O calor interno da Terra é o motor da actividade do nosso planeta e vai-se libertando continuamente através da sua superfície. A dissipação de calor é permanente e denomina-se fluxo térmico, que é avaliado pela quantidade de energia térmica libertada por unidade de superfície e por unidade de tempo.

    O fluxo térmico tem um valor muito superior ao somatório das energias de todos os processos sísmicos, vulcânicos e tectónicos da Terra. Na generalidade, porém, não nos apercebemos dessa libertação do calor interno devido à baixa condutividade térmica da crusta terrestre, que determina uma dissipação extremamente lenta.

    Os dados geofísicos, em conjunto, fornecem verdadeiras "ecografias" do interior da Terra, permitindo elaborar modelos sobre a sua estrutura e provável composição.

    Os Açores, pela sua localização, constituem um local privilegiado para investigações sobre geotermismo, vulcanismo, sismologia e tectónica, dada a acessibilidade e a frequência destes fenómenos nestas ilhas.

    Um recurso geológico que pode ser utilizado como fonte de energia limpa é a energia geotérmica. As zonas de elevado gradiente geotérmico, como é o caso das zonas vulcânicas, são muito importantes para o aproveitamento da energia geotérmica.

    Este aproveitamento implica a existência de um fluido, normalmente a água, que transporta o calor do interior da Terra para a superfície.

    A água pode resultar da infiltração ou ser injectada no sistema geotérmico por intermédio de poços.

     

    A temperatura da água pode ser da ordem dos 150 °C ou inferior. Em Portugal continental, as temperaturas são relativamente baixas e relacionam-se com grandes acidentes tectónicos.

    Considera-se água termal toda a água de origem subterrânea que tem uma temperatura superior em, pelo menos, 4°C à temperatura atmosférica média da região. No continente, as águas termais nunca excedem os 80 °C, sendo frequente valores compreendidos entre os 20 °C e os 4O °C.

    Central Geotérmica Hellisheidi (Cave's moor)  - Islândia. 

     Central Geotérmica em Hellisheidi (Reykjavík - Islândia)

     

    Mais recentemente, o aproveitamento deste tipo de energia tem vindo a ser utilizado para outros fins além da terapia balnear. Assim, têm sido realizados projectos experimentais em estufas e em piscicultura.

     

    Nos Açores faz-se o aproveitamento da energia geotérmica de vapor de água a alta temperatura. Este aproveitamento geotérmico foi iniciado em 1980, nas proximidades da cidade de Ribeira Grande - São Miguel, com a construção da central geotérmica da Ribeira Grande. Uma vez quê a temperatura do fluido geotérmico muito elevada, o calor libertado pode ser aproveitado para a produção de energia eléctrica.

    A energia geotérmica cobre apenas 1% das necessidades do planeta.

    O aproveitamento de recursos geotérmicos apresenta múltiplas vantagens, uma vez que são pouco poluentes e, desde que utilizados de uma forma equilibrada, são recursos energéticos renováveis.

     

    Vulcões e tectónica de placas

    Os principais alinhamentos de vulcões estão normalmente associados aos limites de placas tectónicas, coincidindo com regiões de intensa actividade sísmica.

    Atendendo à sua relação com as placas tectónicas, as zonas vulcânicas podem classificar-se como:

    Zonas de vulcanismo de subdução

    Estas zonas coincidem com regiões de convergência de placas tectónicas. Aí verifica-se o mergulho ou subdução de uma placa sob outra, originando-se condições de temperatura e pressão que favorecem o aparecimento de câmaras magmáticas relativamente pouco profundas.

    Zona de subdução

    Os vulcões associados a estas zonas, que correspondem a cerca de 80% dos vulcões activos, possuem uma natureza explosiva.

    Vulcanismo andesitico e Explosivo

     

    Os alinhamentos mais significativos associados a este tipo de vulcanismo são o Anel de Fogo do Pacífico, que abrange todos os vulcões situados ao longo das margens do Pacífico e que engloba os vulcões da costa oeste americana, nomeadamente os vulcões do Alasca e dos Andes e também os do Japão e das Filipinas, e a Cintura do Mediterrâneo, que abrange, para além dos vulcões da região mediterrânica, os vul-cões do oceano Índico e da Indonésia.

    Zonas de vulcanismo de vale de rifte

    Estes vulcões, associados a zonas de rifte nas cristas médio-oceânicas, são geralmente do tipo efusivo. Estão relacionados com a produção de enormes quantidades de magma basáltico que acaba por formar os fundos oceânicos, podendo, em alguns casos, formar cones que emergem acima do nível d0 mar,
    origi-nando ilhas vulcânicas, como é o caso dos vulcões da Islândia, Açores, Canárias e Cabo Verde ou das ilhas vulcânicas no interior do Pacífico.

    Vulcanismo em zona de rifte

     

    Zonas de vulcanismo intraplacas

     

    Os vulcões situados no interior das placas litosféricas, mais raros que os anteriores, são provavelmente o resultado da ascensão de colunas de material lávico de regiões do manto (plumas térmicas) que provocam o sobreaquecimento de zonas localizadas por baixo da litosfera (hot spots)
    sobre as quais as placas se deslocam. O facto de as placas se deslocarem sobre esses pontos origina, ao longo do tempo, vulcões, que após a sua extinção ficam alinhados na direcção do movimento das mesmas. Pensa-se que as ilhas do arquipélago do Havai tiveram esta origem, encontrando-se neste momento a ilha do Havai sobre um desses em pontos quentes. Os vulcões associados a estas zonas possuem, em regra, uma natureza efusiva.

    Mauna Kea (Havai) - Cone de escórias

     

     

     

    Vulcanismo em Portugal

    Em Portugal continental não há fenómenos de vulcanismo activo, mas existem vestígios de vulcanismo, por exemplo, na Estremadura, no Alentejo e no Algarve, sendo as águas termais as principais manifestações de vulcanismo secundário aí existentes. A ilha da Madeira, apesar de ter sido originada por fenómenos de vulcanismo, não apresenta qualquer vestígio de actividade vulcânica actual.

     

    Cabeço de Montachique - Loures/Mafra. Dijunção Prismática em Basaltos. Escoada de Lava.

     

    O arquipélago dos Açores é uma zona propícia à actividade vulcânica, sobretudo as ilhas do grupo central e oriental, por se localizarem ao longo de um plano de falha. Para além de episódios recentes de vulcanismo activo (erupção dos Capelinhos - ilha do Faial, em 1957), é possível observar nessas ilhas sinais de actividade vulcânica passada, como as caldeiras

    - estruturas circulares que resultaram do abatimento da parte central dos vulcões, ou sinais de vulcanismo residual, como as fumarolas.

    Lagoa do Fogo- S. Miguel (Açores. Pt)

     

    Em regiões vulcânicas é possível proceder ao aproveitamento da energia geotérmica associada ao calor libertado do interior da Terra. Os fenómenos de vulcanismo secundário, nomeadamente as nascentes termais e fumarolas, são fontes que proporcionam o acesso a esta forma de energia natural e a sua transformação em energia eléctrica, levada a cabo em centrais geotérmicas.

     

     

    O estudo dos fenómenos vulcânicos actuais conjugado com o conhecimento de formações geológicas de natureza vulcânica tem ajudado a deduzir as condições e os processos de evolução da superfície terrestre. A localização e correlação de extensos mantos basálticos em diferentes zonas continentais, resultado da ocorrência de enormes derrames de lava ao longo dos tempos geológicos, pode, por exemplo, esclarecer aspectos dinâmicos da tectónica de placas. Da mesma forma, alguns casos de extinção em massa verificados no passado podem ser explicados como resultado de alterações climáticas provocadas por erupções vulcânicas.

     

    Minimização de riscos vulcânicos

    O conjunto de fenómenos associados ao vulcanismo activo provoca, frequentemente, perdas e danos que em alguns casos podem assumir proporções catastróficas. A definição dos diferentes níveis de risco associada às diferentes regiões vulcânicas prende-se, necessariamente, com o tipo de vulcanismo característico dessas regiões, que condiciona quer os mecanismos de previsão, quer as medidas de prevenção a adoptar. Atendendo aos factores de risco mais frequentes, podem considerar-se, para além da necessária informação e educação das populações, as seguintes medidas de prevenção:

    Etna - Itália

    Escoada de Lava. Etna. Itália 

     

    Magmatismo

    As rochas magmáticas ou ígneas são as que resultam da solidificação ou cristalização de material em fusão. Este material - magma - é uma mistura complexa de materiais fundidos, de composição essencialmente silicatada e com uma componente gasosa variável, ocorrendo em locais em que a temperatura atinge valores compreendidos entre os 800 °C e os 1500

    °C.

    Apesar da grande diversidade de rochas magmáticas, os magmas que as originam podem ser enquadrados em três tipos, definidos em função do seu teor em sílica:

    1. magmas com elevado teor de sílica (superior a 65%), muito viscosos e que cristalizam, praticamente na sua totalidade, no interior da crusta terrestre, originando rochas como o granito; caso esse arrefecimento ocorra à superfície, originam-se rochas como o riólito;
    2. magmas com baixo teor em sílica (inferior a, fluidos, oriundos do manto superior e que atravessam a crusta com muita facilidade; por esta razão, 95% das rochas originadas a partir de erupções vulcânicas correspondem ao basalto; no caso destes magmas arrefecerem em profundidade, originam o gabro; • magmas com composição intermédia (teor em sílica variável entre 50% e 65%). Quando o seu arrefecimento se verifica à superfície, originam rochas como o andesito; em profundidade, o seu arrefecimento dá origem a rochas como o diorito.

     

    • Série descontínua
    - Corresponde a minerais ferromagnesianos (ricos em Fe e Mg) cuja estrutura cristalina difere ao longo da sequência de cristalização. Nesta série, a olivina é o primeiro mineral a cristalizar, ao qual se segue a piroxena, a anfíbola e, por fim, a biotite.
  •  Série contínua
  • - Corresponde a minerais do grupo das plagióclases que mantêm a mesma estrutura cristalina ao longo da sequência de cristalização. Nesta série, o balanço entre o cálcio e o sódio, constituintes das plagióclases, vai-se alterando ao longo da sequência, formando-se, em primeiro lugar, uma plagióclase cálcica e, por último, uma plagióclase sódica.

    No final formam-se feldspatos potássicos, a moscovite e o quartzo, que não pertencem a nenhuma das séries anteriores.

    Esta parte final tem importância na formação de fluidos (recursos geológicos e metamorfismo)

    Neste processo de cristalização fraccionada, uma parte dos minerais formados a altas temperaturas reage com o magma remanescente, transformando-se noutros minerais. Por exemplo, os minerais de olivina que não se diferenciam do magma residual reagem com ele formando cristais de piroxena. Esta, uma vez formada, pode reagir também com o magma residual, originando a anfíbola, e assim sucessivamente. Este fenómeno acontece também na série contínua.

     

    Rochas magmáticas

    As rochas magmáticas podem classificar-se em plutónicas e vulcânicas, atendendo à profundidade a que consolidam os magmas que lhes dão origem.

    As rochas plutónicas, como o granito, o gabro ou o diorito, resultam da consolidação lenta do magma em profundidade, enquanto as rochas vulcânicas, como o basalto, o riólito ou o andesito, resultam da consolidação do material magmático à superfície ou muito próximo dela.

    A natureza dos magmas e as diferentes condições de consolidação das rochas influenciam as características que apresentam, nomeadamente a cor, a textura e a composição química e mineralógica.

    Textura

    A textura de uma rocha corresponde ao seu aspecto e traduz quer o grau de cristalização, quer a disposição, forma e dimensões relativas dos minerais que a constituem.

    A textura das rochas depende, essencialmente, do modo como ocorreu o arrefecimento do magma que está na sua origem. Enquanto um arrefecimento rápido, associado à formação das rochas vulcânicas, origina rochas vítreas, onde não ocorreu cristalização, ou rochas com cristais muito pouco desenvolvidos, um arrefecimento mais lento, associado à formação das rochas plutónicas, favorece a formação de rochas totalmente cristalizadas com bom desenvolvimento dos minerais que a constituem.

    Basicamente, podem considerar-se três tipos de textura nas rochas magmáticas, cuja descrição se apresenta na tabela.

    Cor

    A cor da rocha está relacionada com a abundância relativa dos diferentes minerais que a constituem. Uma vez que os diferentes minerais se desenvolvem em diferentes condições, o estudo desta característica revela-se da maior importância, porque permite a associação da rocha a um ambiente de formação específico.

    Minerais como o quartzo ou os feldspatos potássicos, onde predominam a sílica e o alumínio, apresentam uma coloração clara, enquanto minerais como a biotite ou a olivina, com elevado teor de ferro e magnésio, apresentam uma coloração escura. A maior ou menor abundância destes minerais nas rochas determina a sua cor mais ou menos clara, que podem assim classificar-se como:

    • rochas leucocratas

    (ex.: granito e riólito), se apresentam cor clara, devido à predominância de minerais claros;

    • rochas melanocratas

    (ex.: basalto e gabro), se apresentam cor escura, devido à predominância de minerais escuros;

    • rochas mesocratas

    (ex.: diorito e andesito), se apresentam cor intermédia sem predominância de qualquer um dos diferentes tipos de minerais.

     

    Composição química e mineralógica

    A caracterização das rochas quanto à sua composição química depende, obviamente, dos minerais que as constituem, ou seja, da sua composição mineralógica. Essa caracterização é feita, sobretudo, atendendo à percentagem de sílica existente nas rochas. Uma vez que os minerais ricos em sílica, como o quartzo, são claros, é possível associar a cada composição-tipo uma cor específica.

     

    Paiju Peak (Paquistão). Maciço Granítico

     "Penedo da Meadinha" - Gêres. Portugal

    Igreja Matriz de Ponta Delgada, Açores é dedicada à invocação de São Sebastião, padroeiro da cidade. Encontra-se construída no local onde até meados dos século XVI, houve uma ermida com a mesma invocação. Construção em Basalto.

    Escoada de lava basáltica. Etna - Itália

    O magmatismo encontra-se associado com o metamorfismo

    Metamorfismo de contacto

    Neste tipo de metamorfismo, de carácter muito localizado, os factores determinantes são o calor e a circulação de fluidos. O metamorfismo de contacto ocorre junto de formações magmáticas que se introduziram nas rochas preexistentes (intrusões magmáticas). Em virtude do aumento de temperatura e da circulação de fluidos, as rochas adjacentes às intrusões começam a ser metamorfizadas ao longo de uma zona envolvente designada por auréola de metamorfismo. A extensão desta zona depende da susceptibilidade da rocha metamorfizada, bem como da dimensão e temperatura da intrusão.

    As rochas conhecidas como corneanas resultam da alteração das rochas encaixantes, que estão em contacto directo com o magma da intrusão. Os quartzitos e o mármore são exemplos de outras rochas formadas sob influência do calor das intrusões, respectivamente, a partir da recristalização de arenitos e calcário. São rochas sem foliação, uma vez que este tipo de metamorfismo está associado a baixos valores de tensão.

    A temperatura é um dos principais factores de metamorfismo, juntamente com a pressão. O aumento da temperatura vai provocar uma maior agitação dos átomos constituintes dos minerais, o que facilita as reacções químicas entre si.

    Quanto maior a agitação das partículas menos viscoso é o material, e por isso mais fácil é a reacção entre si, o que leva à formação de novos minerais. Estes minerais apresentam, por este motivo, uma temperatura típica de metamorfização e a sua presença numa rocha revela-nos as condições de temperatura no momento em que esta se formou.

    As fontes de calor
    que permitem a ocorrência destas alterações são o calor interno da Terra (com origem no calor remanescente da formação da Terra e no decaimento dos minerais radioactivos), o calor fornecido pelas intrusões magmáticas e o calor produzido pelas fricções dos movimentos orogénicos (tectónica de Placas).

    A maior ou menor temperatura, assim como a sua maior ou menor área de actuação, têm efeitos diferentes na rocha original. No caso de o calor ter origem numa intrusão magmática, também o tipo e a temperatura do magma, o volume e forma da intrusão magmática, assim como a velocidade de cristalização, são factores que condicionam a temperatura da rocha encaixante. A composição da rocha encaixante é outro factor a ter em conta pois, dependendo da sua composição mineralógica, o efeito da temperatura será diferente.

    Tipos de metamorfismo

    O metamorfismo, é um processo geológico no qual intervêm vários factores simultaneamente, embora uns com maior importância do que outros.

    É com base na intensidade de actuação destes factores de metamorfismo que se considera a existência de vários tipos de metamorfismo: o metamorfismo de contacto ou metamorfismo térmico, e o metamorfismo regional.

    Metamorfismo de Contacto - A intrusão de rocha magmática (martelo) provocou uma auréloa de metamorfismo na rocha encaixante (calcário). Praia Grande do Guincho (Pt).

    O metamorfismo de contacto surge devido à ocorrência de uma intrusão magmática

    que, pela sua elevada temperatura, vai provocar alterações nas rochas encaixantes, principalmente na textura e na composição químico-mineralógica.

    O factor de metamorfismo presente neste tipo de metamorfismo é, pois, a temperatura

    , tendo esse aumento de temperatura origem no calor proveniente da intrusão magmática. Quanto maior for a intrusão magmática e mais elevada for a sua temperatura, maior será o efeito por ela provocado nas rochas encaixantes, assim como maior será a espessura de rochas alteradas. A faixa de rochas encaixantes que sofre modificações, originando deste modo rochas metamórficas, constitui a auréola de metamorfismo. Estas auréolas de metamorfismo são concêntricas em relação à intrusão magmática, pois quanto mais afastado se está da intrusão, mais baixa é a temperatura, logo mais baixo é o grau de metamorfismo.

    A espessura das auréolas de metamorfismo depende da dimensão da intrusão magmática, directamente relacionada com a temperatura que possui, e da susceptibilidade da rocha encaixante às alterações.

    Como cada auréola de metamorfismo representa um determinado grau de metamorfismo, os minerais que aí estão presentes caracterizam essas condições de metamorfismo, ou seja, são minerais tipomorfos ou indicadores
    .

    Os principais minerais indicadores de uma sequência pelítica são, segundo uma ordem crescente de metamorfismo:

    Clorite —>Biotite —>Granada/Almandina —>Estaurolite —> Distena —>Silimanite

    Os minerais tipomorfos presentes em cada zona dependem não só das condições de metamorfismo, mas também da composição mineralógica da rocha que está a ser metamorfizada.

    Como as elevadas temperaturas favorecem as reacções químicas, neste tipo de metamorfismo formam-se novos minerais e desaparecem minerais antigos, ocorrendo recristalização de outros. Conclui-se, então, que no metamorfismo de contacto se pode falar em duas formas de metamorfismo, o exometamorfismo e o endometamorfismo. Como o nome indica, o exometamorfismo corresponde às alterações externas (exo = fora), ou seja, à formação da auréola de metamorfismo, enquanto que o endometamorfismo (endo = dentro) corresponde às alterações do magma intrusivo devido à assimilação das rochas encaixantes, que deste modo o alteram química e mineralogicamente.

    O efeito da pressão praticamente não se faz sentir neste tipo de metamorfismo, o que implica que as rochas formadas nestas condições não apresentem foliação.