Entrevista Major Araujo

ENTREVISTA

Sejusp amplia atuação da polícia comunitária para todo o Estado em 2010


Por LIDIANA CUIABANO

Assessoria/Sejusp-MT

 

Coordenador de Polícia Comunitária da Sejusp, major PM Jonas Duarte de Araújo

O modelo de Polícia Comunitária é uma tendência mundial, partindo do pensamento de que a comunidade, em razão do aumento dos índices de violência no mundo, vem buscando segurança por meio de alternativas que integram ações entre polícia e sociedade. Estratégia organizacional que proporciona uma nova parceria entre a população e a polícia, a filosofia de Polícia Comunitária baseia-se na premissa de que tanto a polícia quanto a comunidade devem trabalhar juntas para identificar e resolver os problemas relacionados à segurança pública, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida na comunidade.

Em Mato Grosso, a Coordenadoria de Polícia Comunitária atua em três frentes: cursos de capacitação dentro da filosofia de Polícia Comunitária dos policiais, lideranças comunitárias e demais segmentos ligados à segurança pública, por meio de cursos de Promotor e Multiplicador de Polícia Comunitária, além de seminários de capacitação de lideranças comunitárias; instalação de Conselhos Comunitários de Segurança e Bases Comunitárias de Segurança e desenvolvimento de projetos sociais.

No ano de 2009, a coordenadoria instalou 76 Conselhos Comunitários de Segurança, 39 a mais do que no ano passado, sendo a maioria no interior do Estado. Capacitou 1.416 profissionais nos cursos de Promotor e Multiplicador de Polícia Comunitária e instalou mais três Bases Comunitárias de Segurança no interior do Estado.

Para 2010, a coordenadoria deverá implantar mais sete Bases Comunitárias de Segurança, sendo quatro em Cuiabá, uma de Várzea Grande, uma no município de Sinop e outra em Cáceres. A meta em 2010 é que o Conselho Comunitário de Segurança esteja presente nos 141 municípios de Mato Grosso.

Em entrevista, o coordenador de Polícia Comunitária em Mato Grosso, major PM Jonas Duarte de Araújo, fala sobre essas e outras ações da coordenadoria no Estado.

De que forma o policiamento comunitário tem contribuído para segurança pública no Estado? 

O policiamento comunitário ajuda a segurança pública em geral a partir do momento em que envolvemos a comunidade na busca para solução dos problemas. Já está mais do que provado, em termos de números e índices, que só a ação da polícia não resolve o problema. Então, quando conseguimos envolver a comunidade através do policiamento comunitário, trazemos as pessoas na discussão da segurança pública, nos ajudando na busca de soluções para o problema.

Atualmente existem 15 Bases Comunitárias de Segurança, sendo 10 em Cuiabá, duas em Várzea Grande e três no interior do Estado. Há previsão de aumento do número de bases? 

Fechamos o ano de 2009 com a implantação de mais três bases no interior do Estado, sendo uma inaugurada no início do ano no município de Tangará da Serra, e outras duas em Rondonópolis e Barra do Garças que estão prontas para serem inauguradas, além das 12 bases em Cuiabá e Várzea Grande que já existiam. Para 2010 temos a previsão de inaugurar mais cinco, sendo mais uma em Várzea Grande e quatro em Cuiabá. No interior do Estado temos a previsão de construção de uma base em Sinop e outra em Cáceres.

Qual a diferença entre Companhia de Polícia Comunitária e Base Comunitária de Segurança Pública? 

As companhias de Polícia Comunitária foram instituídas somente com o trabalho da Polícia Militar. Apenas policiais militares trabalhavam nessas companhias. E a transformação das companhias de Polícia Comunitária para Base Comunitária de Segurança envolveu os demais segmentos da segurança pública. Hoje atuam nas bases a Polícia Judiciária Civil, com o serviço de confecção de boletim de ocorrência; a Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), com a emissão de carteiras de identidade; o Corpo de Bombeiros, por meio de palestras educativas, trabalhos de prevenção e congregação com a comunidade através de projetos sociais; e a Polícia Militar, que também apoia os projetos sociais desenvolvidos nas bases, além de realizar o trabalho de policiamento ostensivo. Ainda existem companhias de Polícia Comunitária. Para o ano de 2010 a idéia é transformar quatro companhias comunitárias de Cuiabá (do Bosque da Saúde, Três Barras, Planalto e Santa Isabel) e a de Várzea Grande - no Jardim Imperial - em Base Comunitária de Segurança. Quem ganhará sairá ganhando é a comunidade, que será atendida no bairro, sem precisar se deslocar até o centro.

O Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) é uma entidade que aproxima a comunidade da Sejusp, mobilizando lideranças comunitárias na discussão de problemas locais de segurança pública. Como esse trabalho tem sido feito? 

Temos essa interação há muito tempo com a comunidade. Em termos de policiamento tradicional, tínhamos comandantes, secretários, governadores que tinham uma proximidade maior com a população, e ao longo do tempo foi melhorando essa interação. Os Conselhos Comunitários de Segurança foi a institucionalização dessa relação da comunidade com a polícia. Então, através dos Consegs é que podemos contar efetivamente com a participação da comunidade na nossa discussão da segurança pública cotidianamente.

Até final de 2010, os Consegs deverão estar presentes nos 141 municípios de Mato Grosso. O que isso representa para segurança pública? 

Essa é uma meta determinada pelo secretário de Estado de Justiça e Segurança Pública, Diógenes Curado Filho. Se temos a parceria polícia e sociedade e temos essa institucionalização da comunidade conosco através dos Consegs, porque não tínhamos o Conselho em todos os municípios? Então, temos uma meta até o primeiro semestre do ano que vem de dar posse, criar e efetivar os Consegs em todos os municípios do Estado. Conseguimos fechar o ano de 2009 com 76 conselhos, 39 a mais do que no ano passado, sendo a maioria no interior do Estado. Começaremos o ano de 2010 a formar os demais consegs dos municípios para essa mobilização, porque quando fazemos qualquer atividade de polícia comunitária temos que convidar a comunidade organizada para participar, e quando você tem um conselho, ele faz essa mobilização conosco.

Existe algum trabalho da polícia comunitária com crianças e adolescentes na prevenção da criminalidade? 

Sim. O policiamento comunitário é um policiamento preventivo. Busca evitar que o problema ocorra, que uma ocorrência venha a ser deflagrada, então para isso nós contamos com o envolvimento da comunidade, das polícias, ou seja, de todo segmento da segurança pública junto com a comunidade organizada através dos Consegs, nas bases, nas companhias de polícia comunitária, nos batalhões, nas delegacias de polícia, para fazer esse trabalho preventivo, de desenvolver atividades com as crianças que estão com tempo ocioso. Normalmente, quando a criança ou o adolescente fica sem ter o que fazer começa a pensar de forma desorganizada, aí surgem idéias de pequenos furtos. Começa furtando um chinelo na porta do vizinho, depois uma roupa no varal, aí passa para furtos maiores como de bicicleta, motos, carros, e acaba se tornando uma pessoa perigosa para sociedade. Então, para evitar que isso ocorra, os trabalhos de polícia preventiva envolvendo as crianças e adolescentes através dos projetos sociais tem surtido grande efeito. Principalmente onde existem as bases Comunitárias de Segurança, onde conseguimos congregar esses projetos dentro de um mesmo espaço. Desenvolvemos vários projetos como Timbalada, uma banda musical com latas e tambores formada por crianças; temos também o projeto Procin, da base Beira Rio, que envolve as crianças na questão de educação e esporte; o projeto Quatro Estações. Temos um grande apoio material, psicológico, pedagógico e social do programa social de Governo apoiado pela Sejusp, o Rede Cidadã. Enfim, são diversos projetos sociais no Estado, sendo alguns dentro e outros fora das bases.

O policial deve ser capacitado para atuar na filosofia de polícia comunitária. Qual a meta de cursos para 2010? 

Na verdade o policial tem que ser capacitado porque aquele policial tradicional que era acostumado a tirar serviço no plantão de 12 ou 24 horas, ia embora para casa sem nenhum compromisso com o resultado desse serviço. Agora, com o policiamento comunitário, o policial tem que entender o porquê e como se dá essa relação com a comunidade. A filosofia de polícia comunitária tem características importantes, como a parceria, onde fazemos o elo comunidade e polícia. Não adianta ser apenas parceiro, tem que ter proximidade, e por isso os policiais são capacitados para entender e conseguirem estar juntos, no mesmo espaço, com a comunidade, através dos projetos sociais e nas discussões relacionadas a segurança pública, por isso a importância dessa capacitação. Temos a previsão de 10 cursos de Promotor de Polícia Comunitária e um curso de Multiplicador de Polícia Comunitária para o próximo ano. Pelo curso de promotor o policial aprende as noções básicas da filosofia de Polícia Comunitária, o que é, onde surgiu, como está sendo aplicada e a importância. Já o curso de Multiplicador visa capacitar as pessoas para serem professores, instrutores da disciplina de Polícia Comunitária. Depois que formamos os multiplicadores fazemos uma seleção daqueles que tem mais aptidão para estarem nos ajudando nos cursos de promotor e também na área de polícia comunitária.

Fonte: http://www.casamilitar.mt.gov.br/TNX/index.php?sid=139

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