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Pulso firme e sensibilidade na Polícia

Entrevista de Domingo

Matéria publicada em 22/05/11
Brenda Benites de Castro Dias
Pulso firme e sensibilidade na Polícia
Filha e neta de militares, essa policial determinada já comandou um grupo de 200 homens no 32º Batalhão da PM quando tinha apenas 23 anos
Jamile Santana
Da Reportagem Local
Jorge Moraes

O Comando de Policiamento de Área Metropolitano 12 (CPA/M-12) comemora, na próxima quarta-feira, seu aniversário de cinco anos de criação. Amanhã, policiais militares serão homenageados por se destacarem em suas funções. Toda a festa está sendo organizada pela tenente Brenda Benites de Castro Dias, chefe da Seção de Assuntos Civis, mais precisamente Relações Públicas e Imprensa, além de administração e Recursos Humanos no CPA/M-12. Brenda dá um toque de feminilidade às tarefas militares. Nem com uma arma na mão ou com a farda sisuda, Brenda deixa de ser delicada. A escolha pela carreira, inclusive, está no sangue. Ela é filha e neta de militares. Seu pai, o coronel Luiz de Castro Júnior, diretor da Polícia Comunitária e Direitos Humanos da Polícia Militar (DPCDH), lhe ensinou as primeiras lições sobre a PM. 
No ensino médio, ela já fazia coque no cabelo para imitar as mulheres militares. Formada em Direito pela Academia de Polícia Militar do Barro Branco, Brenda já atuou nas ruas e, com pulso firme, comandou, aos 23 anos, um grupo de 200 policiais do 32º Batalhão da PM, que, na época, atendia, além de Suzano, as cidades de Poá e Ferraz de Vasconcelos. Atualmente, é responsável pelo Setor de Relações Públicas, lidando diretamente com a Imprensa local. Brenda é a primeira a ocupar o cargo, desenvolvido especialmente para ela durante o exercício do coronel Milton Sussumo Nomura, ex- comandante do CPA/M-12. Mãe, mulher e policial exemplares, Brenda se sente realizada.

Mogi News: Você é filha e neta de militares. Quanto isso pesou na escolha de sua carreira?
Brenda Benites de Castro Dias: O exemplo dentro de casa influencia sim, mas a carreira militar ou você gosta ou não gosta, não tem meio termo, porque é uma profissão de risco. Eu ia muito ao quartel com o meu pai quando era criança e ficava encantada. Meu pai trabalhou por 22 anos aqui na região, até se tornar coronel e assumir o DPCDH, em São Paulo. Tenho um irmão e alguns tios que também são militares. Mas ser militar era uma vontade que eu tinha desde sempre. Lembro-me que, no colegial, eu ficava na frente do espelho fazendo coque no cabelo, igual ao das mulheres militares. Quando terminei o ensino médio, fiz cursinho para prestar vestibular da Fuvest para conseguir entrar na Academia da Polícia Militar do Barro Branco. 

MN: Quais são as lembranças que você tem sobre essa influência militar do seu pai?
Brenda:
 Lembro-me de muita coisa: do meu pai chegando de uniforme todo cheio de lama, porque teve de entrar no meio do mato atrás de bandido; de ele chegando sujo de sangue, depois de uma ocorrência de resistência seguida de morte; entre outras ocorrências. Algumas ele não contava para nós, porque éramos crianças, mas o diálogo em casa sempre foi muito aberto. O meu pai nunca precisou esconder uma arma. Ele conversava e explicava que trabalhava com a arma e ela ficava lá, no lugar dela. Nós nunca mexemos.


MN: Seu pai sempre apoiou sua entrada na PM?
Brenda:
 No começo, ele não queria que eu fosse policial. Ele dizia que eu tinha opções, queria que eu fosse juíza ou algo assim. Hoje, ele tem muito orgulho. Mas quando eu passei na academia, por exemplo, eu tinha classificação para entrar em Direito pela Faculdade Largo São Francisco, na Universidade de São Paulo (USP). 

MN: Como foi a preparação para entrar na academia?
Brenda:
 Quando terminei o ensino médio, eu não tinha base para a prova, então, fiz cursinho. Quando os exames ficaram mais próximos, um amigo da minha família, que também era militar formado em Educação Física, me ajudou, porque eu tinha dificuldade na corrida, uma das provas de avaliação física da polícia. Eu tinha 20 anos e fazia um treinamento bem exaustivo. 

MN: A academia funciona em sistema de semi-internato. Como é lidar com isto?
Brenda:
 O Curso de Formação de Oficiais dura quatro anos. Nos dois primeiros, ficamos em regime de internato. Uma vez por semana, somos liberados para fazer as compras pessoais e, na sexta-feira, podemos ir para casa, tendo de voltar no domingo à noite. É bem restrito, mas aprendemos a ter disciplina e o ensino é bem eficiente. Na nossa grade horária, temos 90% das aulas de uma faculdade de Direito. Quando saí, cursei mais um ano e peguei meu diploma na área. Temos aulas de Militarismo, Patrulha, Procedimentos Operacionais, Tiro, Educação Física, Ética, Língua Portuguesa, Inglês e Informática.


MN: Na época, a participação das mulheres na PM era grande?
Brenda: 
Na minha turma, por exemplo, éramos em 156 alunos. Apenas 16 eram mulheres. A proporção ainda era discrepante.


MN: Em que áreas dentro da PM já atuou?
Brenda: 
Durante a academia, eu participei da equipe de tiro. Mas eu já atuei no policiamento em Suzano, antes de receber o convite do coronel Milton Sussumo Nomura, que na época era o comandante do CPA/M-12, para vir para cá. E foi bom, porque eu acabei engravidando e aqui tenho como conciliar melhor a minha vida pessoal com a profissional. Mas já comandei um pelotão com 200 homens no 32º Batalhão de Suzano, que na época também atendia Poá e Ferraz. Alguns deles tinham idade para ser meu pai e o dobro da minha idade em anos de experiência na polícia. Mas não tive dificuldades quanto a isso. Nem por ser mulher, nem por ter apenas 23 anos na época. 

MN: Como ser mulher interfere no trabalho de policial nas ruas?
Brenda:
 A mulher tem uma sensibilidade que o homem não tem. Quando é uma ocorrência de agressão à mulher, por exemplo, a policial feminina sabe dar um apoio à vida totalmente diferente de um policial masculino. Temos este instinto de mãe, então, em certas ocasiões, isso facilita as coisas. Mas temos de ser firmes também e sempre nos respeitam.


MN: É possível manter a vaidade durante as ocorrências?
Brenda:
 Aqui no quartel, é muito difícil ver uma policial feminina sem batom. Não dá para ficar durante todo o tempo de trabalho nas ruas linda, perfumada, maquiada, mas, hoje, a policial feminina tem um perfil diferente. Antigamente, as militares não eram tão femininas como agora. Mas acho importante mostrar esse lado, porque a mulher se cuida, mas também tem firmeza e competência no trabalho.


MN: Em que projetos você está trabalhando agora no CPA/M-12?
Brenda: 
Nos próximos meses, vamos inscrever crianças de 5 a 15 anos para a formação da Banda Mirim da PM. Elas vão ter aulas e acompanhar a banda da PM nos eventos.

Fonte: http://www.moginews.com.br/materias/?ided=1207&idedito=38&idmat=93619

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