Ciência da Informação - conceito

A definição surgida nas conferências do Georgia Institute of Thecnology, EUA, realizadas em Outubro de 1961 e Abril de 1962, retomada e republicada por Harold Borko em 1968, continua válida e com forte cariz programático: É a disciplina que investiga as propriedades e o comportamento da INFORMAÇÃO, as forças que regem o fluxo informacional e os meios de processamento da informação para a optimização do acesso e uso. Está relacionada com um corpo de CONHECIMENTO que abrange a origem, colecta, organização, armazenamento, recuperação, interpretação, transmissão, transformação e utilização da informação. Isto inclui a investigação, as representações da informação tanto no sistema natural, como no artificial, o uso de códigos para uma eficiente transmissão de mensagens e o estudo dos serviços e técnicas de processamento da informação e seus sistemas de programação. Embora válida e atual, pode e deve ser melhorada e liberta de algumas contradições, como a aceitação sem crítica da natureza interdisciplinar derivada e relacionada com vários campos como a matemática, a lógica, a linguística, a psicologia, a tecnologia computacional, as operações de pesquisa, as artes gráficas, as comunicações, a biblioteconomia, a gestão e outros campos similares ou como o postulado de uma componente de ciência pura, que indaga o assunto sem ter em conta a sua aplicação, como uma componente de ciência aplicada, que desenvolve serviços e produtos.

A assunção de uma natureza interdisciplinar contradiz a necessidade patente, no início da definição, de dar contornos específicos e claros ao objecto específico de estudo.

A Ciência da Informação é uma ciência social que investiga os problemas, temas e casos relacionados com o fenómeno info-comunicacional perceptível e cognoscível através da confirmação ou não das propriedades inerentes à génese do fluxo, organização e comportamento informacionais (origem, colecta, organização, armazenamento, recuperação, interpretação, transmissão, transformação e utilização da informação).

Ela é trans e interdisciplinar, o que significa estar dotada de um corpo teórico-metodológico próprio construído, dentro do PARADIGMA EMERGENTE PÓS-CUSTODIAL, INFORMACIONAL E CIENTÍFICO, pelo contributo e simbiose da ARQUIVÍSTICA, da BIBLIOTECONOMIA/DOCUMENTAÇÃO, dos SISTEMAS DE INFORMAÇÃO e Organização e Métodos. A MUSEOLOGIA (renovada e não patrimonialista) poderá vir a integrar este núcleo. Tende a intervir fecunda e activamente no seio da interdisciplina CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO. E desenvolve, por força da natureza transversal do seu objecto científico (a Informação) à condição e vida humanas, um amplo arco de INTERDISCIPLINARIDADE que privilegia as Ciências Sociais e Humanas (História, Sociologia, Antropologia, a Psicologia Cognitiva e Social, as Ciências da Educação etc.), mas inclui também a Matemática e algumas Ciências Naturais. Tem como dispositivo metodológico geral o MÉTODO QUADRIPOLAR e o seu campo de estudo e intervenção compreende três áreas interligadas a ponto de se interpenetrarem: a GESTÃO DA INFORMAÇÃO, a ORGANIZAÇÃO E REPRESENTAÇÃO DA INFORMAÇÃO e o COMPORTAMENTO INFORMACIONAL.

Em cada uma delas ou nas suas diversas intersecções desenvolvem-se os ramos aplicacionais quer envolvendo os constructos convencionais (ARQUIVO, BIBLIOTECA, CENTRO DE DOCUMENTAÇÃO), quer a implementação e desenvolvimento de SISTEMAS INFORMÁTICOS (sistemas tecnológicos de informação) na óptica dos utilizadores/clientes em contextos orgânicos, subsumidos na teoria sistémica pelo conceito operatório de Sistema de Informação.

Fonte: Dicionário Eletrônico de Terminologia em Ciência da Informação – Ciência da Informação. [em linha]. Vitória-ES: Porto: DCI - CCEJ da UFES, SAJCC da FLUP - CETAC.Media, 2007. [consultado em: 10.02.2009]. Disponível na www: <http://www.ccje.ufes.br/dci/deltci/def.asp?cod=15>. Se preferir, consulte o link http://clinicadotexto.wordpress.com/2009/02/10/ciencia-da-informacao-conceito/


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