Na Grécia antiga a democracia era uma forma de governo onde os cidadãos discutiam os problemas da cidade e tinham o poder de decidir. O poder judicial, legislativo e executivo estava acessível a todos os cidadãos. Hoje em dia podemos votar de x em x anos num "emblema" que vai tomar um conjunto de decisões, sem que nós, cidadãos, possamos contribuir para o que quer que seja nessas decisões. Ou seja, escolhemos os decisores a partir de um grupo restrito mas não somos "ouvidos nem achados" no processo de tomada de decisão. É apropriado dizer que elegemos "governantes" e não meros "representantes" das nossas opiniões. É provável que os gregos, se pudessem observar o nosso sistema político, o chamassem de oligarquia e não de democracia.
Infelizmente não se vê bem como se poderia recuperar a democracia grega. O grande problema é que a maior parte das escolhas, por exemplo a nível ambiental, económico, energético, de obras públicas, etc, exigem conhecimentos especializados e, por isso, na prática, é difícil fazer uma escolha informada sobre a maioria dos tópicos que enfrenta qualquer governante de uma sociedade atual. Pela mesma razão é difícil avaliar as decisões que os "governantes" tomam. (É claro que, mesmo que fosse fácil fazer essa avaliação, iríamos avaliar um governo de forma diferente nos diferentes campos - educação, política energética e fiscal, etc - e, no final, só poderíamos pôr uma cruzinha num quadradinho ou no outro, o que também não permite exprimir nenhum juízo de valor sobre nenhuma ação governativa em particular).
Este site é um pequeno contributo na difícil, quase impossível, tarefa de tornar a informação acessível a um cidadão interessado do século XXI. Talvez, com um aumento do número de cidadãos informados, comece a fazer sentido uma participação mais direta na governação por parte de todos os cidadãos.
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