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Causalidade, prevenção, transmissão e informações gerais sobre tétano

Jonathan Raphael Bertassi da Silva

"O capitão de um grande navio esmagou o dedo indicador de sua mão direita com a âncora. Sete dias depois apareceu uma secreção fétida, depois problemas com a língua, queixava-se de que não podia falar adequadamente. Foi diagnosticado tétano. Suas mandíbulas ficaram presas, os dentes travados e depois os sintomas se estenderam para o pescoço. No terceiro dia apareceram opistótonos acompanhados de sudorese. Seis dias após o diagnóstico ele morreu." Hipócrates (460-375 A.C.)

Este site nasceu como resultado de trabalho acadêmico concebido para a disciplina Noções de Epidemiologia, ministrada para a ênfase em saúde no curso Ciências da Informação e da Documentação no Departamento de Medicina Social da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP/USP). Mais detalhes sobre essa ênfase podem ser obtidos aqui. A proposta do trabalho era a construção de uma página eletrônica com base na ferramenta Google Sites sobre uma determinada doença, a ser escolhida pelo discente, de uma lista pré-estabelecida.

Resolvi trabalhar com tétano por duas razões. Primeiro, porque já ouvi falar sobre os sintomas assombrosos da doença, em particular o trismo e os espasmos violentos – o que me levou à curiosidade pelo modus operandi desses efeitos, investigando como a bactéria Clostridium tetani pode levar o paciente a tal estado. Segundo, por acreditar que uma enfermidade como o tétano, supostamente de baixa incidência no Brasil (mas, conforme percebi durante a elaboração do site, com alta taxa de letalidade), é subestimada.

Tive uma suspeita – confirmada nesta seção – de ser o tétano uma enfermidade que traz em seu bojo o reflexo das desigualdades sociais vigentes em nosso País, as quais vão além do setor da saúde, mas estão marcadas principalmente no trabalho da atenção básica, com as inevitáveis prioridades que ela define para uma doença imunoprevenível cuja erradicação está relacionada, sobretudo, com a educação em saúde dos potenciais pacientes e a cobertura vacinal.

Durante a edificação desta página, elaborada desde maio até o início de junho de 2009, percebi que o material bibliográficoneonatal e acidental em idosos. A seguir, listo um mapa das seções da página – batizada como InfoTétano – para guiar o internauta pelos conteúdos apresentados. Todas as páginas possuem, no rodapé, um link para retornar à esta, de modo que o usuário possa voltar ao guia de seções sempre que julgar necessário. levantado me estimulava a ultrapassar as investigações sugeridas no roteiro básico indicado para o trabalho. Daí a criação de seções específicas sobre a doença, que julguei relevantes, como aquelas sobre tétano.

Dados Históricos: Traça um breve histórico do tétano, desde os registros de Hipócrates e o mistério que encobria a doença em épocas remotas até a descoberta da vacina antitetânica e o (relativo) controle do tétano que se sucedeu. Destaca também o papel do pediatra Augusto Gomes de Mattos no combate ao tétano neonatal no Brasil.

Causalidade: Define a bactéria Clostridium tetani e causas do tétano.

Formas Clínicas: O tétano é classificado tem diferentes manifestações clínicas, definidas segundo gravidade e período de incubação da doença. Esta seção descreve tais manifestações.

Sintomas: Aponta os sintomas causados pela toxina tetânica, como o riso sardônico, o trismo e os espamos musculares.

Transmissão: Descreve como e por quais meios o tétano é transmitido aos pacientes, especificando transmissão de tétano acidental e neonatal. No caso do primeiro, há também um trecho dedicado à desmentir a transmissão pela ferrugem de pregos, mito popularmente difundido.

Prevenção: Indica a importância da cobertura vacinal e do necessário preparo dos profissionais da saúde para evitar que o tétano se alastre, sobretudo em regiões desfavorecidas ao acesso de atenção básica.

Tratamento: Expõe procedimentos para higienização da ferida e minimização dos sintomas causados pela toxina da Clostridium tetani.

Desigualdades do Tétano: Enumera disparidades existentes em diferentes regiões (no Brasil e no mundo), ocupações e outros fatores que desvendam o reflexo das desigualdades sociais nos índices de prevalência do tétano.

Tétano Neonatal: Como mal típico de países subdesenvolvidos, nos quais os instrumentos e profissionais específicos para exercício correto de obstetrícia não estão acessíveis à todos, julguei que uma seção específica para o tétano neonatal seria conveniente.

Tétano em Idosos: Em contraponto com a tentativa sistemática de reduzir os índices de tétano neonatal através da cobertura vacinal focada em gestantes e crianças, a ocorrência do tétano acidental em idosos deve ser considerada, sob o risco de gestores em saúde ignorarem as revoluções ocasionadas pela transição demográfica que, gradualmente, acontece no Brasil.

Incidência e Prevalência: Mostra dados sobre a incidência e prevalência de tétano no Brasil, no estado de São Paulo e no município de Ribeirão Preto.

Menções Culturais: Alguns sintomas do tétano, principalmente o riso sardônico, foram inscritos em manifestações culturais de diversas artes, da música ao cinema. Nesta seção, indico algumas obras que fazem alusão ao tétano ou ao riso sardônico, de forma mais ou menos direta.

Classificações: O tétano recebeu diferentes classificações em sistemas com desígnio de codificar a doença. Aqui estão listados alguns exemplos.

Glossário: Apresenta termos médicos empregados no conteúdo de todo o site e seus respectivos significados.

Bibliografia: Organizada em ordem alfabética, conforme normas da ABNT, exibe a lista do material consultado para elaboração da página, com link de acesso direto aos trabalhos.

Vídeos: Sugere vídeos do YouTube e do Google Vídeos que possuem informações relativas ao tétano, em vários idiomas. Por limites do Google Sites, a seção foi dividida nas partes um, dois e três.

Por fim, registro meus agradecimentos a Edmar Aparecido Marciano, meu colega de classe responsável pela página do Mal de Chagas, cujas dicas para elaboração do glossário e indicação de vídeos (algo que ele próprio também aplicou na sua página) foram utilizadas no InfoTétano.

dados históricos

Etimologicamente, a palavra tétano é originária do verbo grego teínein, que significa esticar, distender. Já em latim, o lexema tetanus quer dizer rigidez de um membro contração espasmódica de um músculo do corpo. Essas descrições revelam, ou ao menos antecipam, os sintomas de contração muscular (sobretudo no pescoço e tronco) causada pela bactéria Clostridium tetani, responsável pela doença. Na pintura abaixo, realizada por Sir Charles Bell em 1809, temos um exemplo conhecido exemplo ilustrativo desses sintomas.
Por séculos a fio o tétano permaneceu de difícil diagnóstico, pois não era possível detectar a causa, encoberta em mistério até o século XIX. Quem primeiro registrou um caso de tétano foi Hipócrates, cujas descrições clínicas da doença são conhecidas (ver, por exemplo, a epígrafe na página principal deste site). Tido por muitos como o pai da medicina, Hipócrates atuou no século V a.C. na Grécia, já reconhecendo a gravidade do tétano, com suas hipercontrações violentas, alegando que “todo espasmo que se segue a um ferimento é mortal”.
A etiologia (ou causa) da doença só foi descoberta pelos italianos Giorgio Rattone e Antonio Carle, em 1884, através de experimentos em coelhos. Um ano depois, Nicoleir reproduziu e confirmou as pesquisas de Carle e Rattone, indo além ao observar a presença do bacilo também na terra. Mais tarde, em 1889, Tizzoni e Catani isolaram o C. tetani em cultivo puro. No mesmo ano, o descobrimento da toxina tetânica por Knud Faber foi considerado crucial para o desenvolvimento da vacina. Em 1892, Behring e Kitasato encontraram um método de imunização eficaz com base na toxina envelhecida. A primeira imunização passiva do tétano ocorreu durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918). O método de Behring e Kitasato foi, em 1925, aperfeiçoado por Ramom e Descombey, através da ação do formol que pôde gerar a anatoxina.

Concebido para produzir a antitoxina da difteria, o soro sanguíneo do cavalo Jim (acima), revelou-se contaminado pelo C. tetani, ocasionando em diversas mortes entre 1901 e 1902. Fonte: Wikipédia (verbete em espanhol)

Por muitas anos o antídoto foi feito com injeção da toxina em cavalos, obtendo daí um soro rico em anticorpos propício a ser aplicado em pacientes com tétano. Esse processo, no entanto, causava reações imunitárias contra os anticorpos do cavalo, num problema conhecido por doença do soro. Em decorrência, uma pessoa só podia receber o antídoto só uma vez durante toda a vida, dado que a segunda aplicação do soro com anticorpo do cavalo pode causar reação fatal do sistema imunológico, caso seja aplicada a segunda dose da injeção. Com o advento da vacina o tétano se tornou menos comum. Contudo, a doença permanece freqüente em países subdesenvolvidos, como os africanos. No mundo todo, ocorrem cerca de um milhão de casos anualmente (PINHEIRO, 2008).

Tétano no Brasil: Gomes de Mattos e o enfoque pré-natal
Em países desenvolvidos, há muitas décadas o tétano é uma doença toxi-infeciosa que encontra-se em fase de declínio. Com trinta anos de idade, o trabalho de Iizuka et al (1979) apontou, no entanto, para a diferença desse quadro no Brasil e em outros países tropicais em desenvolvimento, nos quais o tétano era um problema de saúde pública, à época com taxa média de mortalidade de 12 para 100 mil habitantes (contra 5 para 100 mil em países desenvolvidos).

Augusto Gomes de Mattos revolucionou na imunização do tétano em gestantes através de pesquisas experimentais com cobaias
Fonte: Murahovschi, 2008



Segundo Iizuka et al (idem), os indivíduos com mais anticorpos circulantes são os que provavelmente foram vacinados nos primeiros anos de vida, muito embora com o passar dos anos o paciente nem sempre consiga precisar seu histórico de vacinação anterior. Sendo assim, infere-se que a vacina nos primeiros dias de vida é imprescindível para a prevenção do tétano no Brasil, acarretando num controle eficaz sobre a doença caso o tratamento ocorra já nos primeiros meses das crianças.

A conjuntura, cabe ressaltar, nem sempre foi essa. Como as populações mais afetadas pelo tétano eram, via de regra, as de baixa renda, o interesse em pesquisar métodos preventivos sobre a doença era pífio. Foi o pediatra Augusto Gomes de Mattos (1899-1978), através de pesquisas experimentais conclusivas realizadas em cobais, quem rompeu com esse histórico de negligência, ao estudar a infecção por ferida umbilical – conhecida popularmente como ­mal de sete dias. Como solução, Mattos apontou a imunização ativa das gestantes com Anatoxina Tetânica, o que lhe valeu o Prêmio Nestlé de 1953. Para o pediatra, a criança já deveria nascer protegida contra o tétano, independente do tratamento do cordão umbilical (MURAHOVSCHI, 2008).
A inspiração para Mattos, de acordo com MURAHOVSCHI (op. cit.), veio de uma sugestão da OMS (Organização Mundial de Saúde), a qual dizia, na série Rapports Techniques (1950): “nas regiões com freqüência elevada de tétano em recém-nascidos, convém estudar a possibilidade da prevenção pela vacinação das mulheres grávidas”. O resultado foi uma das pesquisas mais bem elaboradas da história da Pediatria. Mattos só não foi internacionalmente reconhecido pelo método porque publicou sua investigação em português.

Como não havia apoio ou patrocínio, as condições de operação da pesquisa eram muito difíceis. As gestantes eram atendidas por Mattos em sua Clínica Infantil do Ipiranga, que sequer tinha maternidade na época (levando as gestantes ao encaminhamento para o Hospital São Paulo). Nas palavras do pediatra, “Só existe um recurso de resultados imediatos: a vacinação da gestante com a anatoxina tetânica, com a vantagem de proteger a mulher contra o tétano acidental e o obstétrico” (apud MURAHOVSCHI, 2008). O trabalho de Gomes de Mattos terá influência na medicina preventiva voltada à puericultura, algo que sem dúvidas tem inúmeras vantagens para coibir a doença, mas, em contrapartida, tira o foco de pacientes em idade avançada, tal como verificamos na seção Tétano em Idosos.

causalidade

O tétano é uma doença infecciosa grave, não contagiosa, causada pela neurotoxina produzida por uma bactéria gram-positiva e anaeróbica – a Clostridium tetani – encontrada geralmente no solo na forma de esporos. Por meio de lesões da pele, a bactéria penetra no organismo e causa rigidez generalizada (especialmente nos músculos do rosto, coluna vertebral, pescoço, abdômen e extremidades), ocasionada pela toxina tetanospamina, bem como espasmos musculares intensos e intermitentes.

Como doença imunoprevenível, a prevenção é possível através de medicação adequada, mas o tétano é fatal em regiões de baixa assistência médica e limitada cobertura vacinal. O nível de mortalidade é maior nos recém nascidos e pessoas idosas, permanecendo como problema grave de saúde pública na maioria dos países me desenvolvimento.

O bacilo de Clostridium tetani é particularmente encontrado no solo utilizado para agricultura – daí a vulnerabilidade da população que habita a zona rural. Solos tratados com adubo animal são especialmente propensos à manifestação do C. tetani. Fezes e intestinos de animais (sobretudo herbívoros) como cavalos e galinhas também contém o bacilo. Quando se encontra em condições propícias, o bacilo vive algum tempo como saprófito, multiplicando-se no próprio solo. A C. tetani é encontrada em praticamente qualquer ambiente, mas se desenvolve apenas naqueles ricos em oxigênio (CANAL, 2006).

Para PINHEIRO (2008), o bacilo te um “truque” evolutivo. Em ambientes hostis, assume a forma defensiva de esporos, hibernando. Só quando o paciente tem lesão na pele é que esses esporos invadem os tecidos internos e alcançam locais com baixa presença de oxigênio, retornando à forma ativa. Então, estão livres para produzir a tetanospanina, responsável pelos sintomas do tétano.

formas clínicas

Com a entrada da Clostridium tetani no ferimento, a bactéria produz duas toxinas – a tetanolisina e a tetanospamina – que se espalham pelo resto do corpo. Enquanto a primeira não desempenha papel importante no desenvolvimento da doença, a segunda causa as manifestações clínicas, com os sintomas característicos. O período de incubação a doença varia entre 3 e 21 dias, mas pode chegar a um mês. Existem quatro formas clínicas principais do tétano (DISCOVERY, [s.d.]), definidas segundo gravidade, origem e extensão do processo. São elas:
Tétano local: é definido pelo enrijecimento dos músculos próximos à ferida contaminada. Os sintomas duram semanas ou até meses, mas desaparecem depois sem deixar seqüelas;
Tétano cefálico: sua porta de entrada é a face ou a boca. Possui período de incubação muito curto, de um a dois dias. Resulta em dificuldade para engolir e paralisia dos músculos faciais e dos olhos;
Tétano generalizado: é o mais comum e também o mais grave dos tipos de tétano. Resulta em espasmos e rigidez muscular, que ocorrem espontaneamente ou por estímulos variados, como luz, frio, barulho, tato, etc. Pode leva à asfixia pela imobilidade dos músculos respiratórios. A cura depende da gravidade da doença e da resposta ao tratamento;
Tétano neonatal: tipo de curta incubação, cuja porta de entrada é o umbigo. Os detalhes sobre essa forma clínica estão descritos na seção Tétano Neonatal.

sintomas

Logo no início do desenvolvimento da doença, o paciente com tétano sente dificuldade em abrir a boca e engolir. Em seguida, aparecem irritabilidade, cefaléia, febre e deformidades no aspecto do rosto. A contaminação da ferida por esporos leva à multiplicação de bacilos no local. A C. tetani não invade outros órgãos, ficando próxima à ferida. É neste local que as bactérias vão disseminar as toxinas responsáveis pela doença.

Sabe-se que o período de incubação é variável entre 3 e 21 dias, mas o mais comum é durar 8 dias. Para recém-nascidos, esse período vai de 4 até 14 dias, sendo 7 o mais freqüente. Geralmente, quanto mais a ferida que serviu como porta de entrada para o bacilo do tétano estiver distante do sistema nervoso, maior é o período de incubação. Este período é inversamente proporcional ao risco de morte, ou seja, quanto menor o tempo de incubação maiores as chances de óbito.

Os espasmos musculares ocasionados pelo tétano são provocados por pequenos impulsos, como barulhos e luzes, mas duram por períodos longos. O primeiro indício de tétano é o trismus (em inglês, conhecido também por lockjaw), caracterizado pela contração dos músculos da mandíbula, impossibilitando o paciente de abrir a boca. Em seguida, o pescoço se enrijece, depois as costas, há dificuldade de engolir e rigidez no abdômen. Outros sinais característicos do tétano são o riso sardônico (risus sardonicus) e a posição de opistótomo, que consiste no arqueamento do corpo com a cabeça curvada para trás, como ilustrado na tela de Sir Charles Bell (vista em nossos Dados Históricos).

Paciente com riso sardônico

Fonte: Google Imagens

À essa altura, o paciente está lúcido e sem febre. Os espasmos e a rigidez por eles acarretada se estendem de cima para baixo no organismo. Não obstante, a temperatura do corpo sobre de 2 a 4°C, há diaforese e taquicardia. Enquanto os espasmos duram três ou quatro semanas tortuosas, a recuperação total às vezes demora meses. Quase um terço dos casos é fatal, sobretudo por asfixia provocada por espasmos seguidos do diafragma. Óbitos geralmente ocorrem em pacientes idosos. Além disso, o tétano pode também ocasionar espasmos da laringe, de músculos secundários usados para respiração, hiperatividade do sistema nervoso e fratura de ossos devido aos espasmos violentos. Entre as formas clínicas da enfermidade, a local é incomum, a cefálica é rara e a generalizada (e mais grave de todas) responde por 80% dos casos.


transmissão

Uma vez que a bactéria Clostridium tetani é encontrada em fezes de animais depositadas na terra ou na areia, a infecção pode acontecer pela entrada dos esporos por meio de qualquer ferimento da pele em contato com o solo. Outras portas de entrada possíveis para a C. tetani são queimaduras e tecidos necrosados. Além disso, há o conhecido risco por ferimentos em objetos contaminados. Neste caso, a higiene se faz necessária para que a bactéria não se desenvolva e atinja o sistema nervoso, o que pode ser letal. No caso de contaminação através de ferimentos, a doença é especificada como tétano acidental; já a transmissão da doença por via do cordão umbilical gera o tétano neonatal. Por essa classificação, a transmissão se dá conforme listamos abaixo:
Tétano acidental: decorrente de acidentes, esse tipo de transmissão se dá por contaminação de ferimentos às vezes muito pequenos, por esporos da C. tetani encontrados tanto em poeira e esterco no solo quanto em superfície de objetos, principalmente metálicos. Ao contaminar ferimentos em condições que lhe são propícias para desenvolvimento, como sujeira e tecidos mortos, o bacilo pode se multiplicar e produzir a tetanospasmina, que será então disseminada no sistema nervoso;
Tétano neonatal: se nunca foram vacinadas, as gestantes não apenas ficam desprotegidas como também não passam anticorpos para o feto, culminando no risco de tétano neonatal para crianças recém-natas (até 28 dias de idade). Também conhecido como “mal dos sete dias”, este tipo de tétano ocorre com a contaminação por esporos do C. tetani no cordão umbilical, o que pode ocorrer durante a secção do mesmo se forem utilizados instrumentos não esterilizados, ou ainda pela mobilização de substâncias contaminadas (teia de aranha, pó de café, etc) para elaborar o curativo do coto umbilical. Em nosso site, temos uma seção dedicada exclusivamente ao tétano neonatal.

Por não ser contagioso, o tétano é uma doença infecciosa que não é transmitida de um indivíduo para outro. Se a pessoa for imune e tiver níveis suficientes de anticorpos protetores, a enfermidade não produz sintomas. Tais anticorpos são obtidos somente por meio da vacina antitetânica, dado que a neurotoxina da doença só atua em quantidade extremamente reduzida, portanto causa apenas a moléstia, mas não possibilita a produção da imunidade.

Quando há condições anaeróbicas, caso dos ferimentos, os esporos germinam para a forma vegetativa da bactéria, produzindo então as toxinas conhecidas por tetanolisina – de ação ainda desconhecida – e a tetanospasmina, que é a neurotoxina disseminada através do sistema circulatório (sanguíneo e linfático), acarretando os sintomas. A tetanospasmina é muito potente e a dose, letal para seres humanos, é muito diminuta.

O mito da transmissão por ferrugem

Conceito que virou verdade absoluta para o senso comum, o mito da transmissão de tétano pela ferrugem de pregos é desmentido por PINHEIRO (2008). Segundo consta no texto do autor, o fato do prego estar enferrujado não muda o risco que o objeto tem de passar a C. tetani para o paciente de tétano acidental. Na verdade, a perfuração por prego é mais ameaçadora porque inocula as bactérias mais profundamente, onde a quantidade de oxigênio presente é menor, favorecendo a bactéria. Portanto a presença de ferrugem não altera as possibilidades de contaminação por perfuração de pregos.

Fonte: Google Imagens

Aliás, o prego não é um causador tão privilegiado do tétano quanto se imagina. Qualquer objeto que perfure a pele é potencial inoculador da Clostridium tetani – e o memso pode ocorrer com mordidas de animais, queimaduras, uso de dorgas endovenosas e até lesão pro arma de fogo (PINHEIRO, 2008). Certos fatores, como co-infecção por outras bactérias e isquemia no sítio da lesão, podem favorecer o desenvolvimento da enfermidade.

Em análise sobre a ocorrência de tétano na população geriátrica, PAGLIUCA, FEITOZA e FEIJAO (2001) detectaram que os ferimentos podem ocorrer em ambientes domésticos, em “local possivelmente livre de riscos e de sujidades, bem diferente daquele associado pelo imaginário coletivo como passível de conter o causador da doença.”. O imaginário do ambiente anti-higiênico como transmissor exclusivo do tétano, portanto, pode tornar as pessoas menos cuidadosas com os ferimentos originados no lar, a partir da suposição que os procedimentos assépticos são menos requeridos em situações desse tipo.

prevenção

Por não ser possível suprimir os esporos da Clostridium tetani no ambiente, é necessário que a população esteja corretamente vacinada. A vacina é o principal meio de prevenir o tétano, sendo administrada em crianças de até cinco anos e depois prossegue com a dupla viral. No caso da dupla viral, a vacina deve ser reforçada a cada dez anos, como manda a rotina.
Lembramos, por sinal, que a vacina não é o único meio de prevenção ao tétano, até porque boa parte das pessoas nem sabe se recebeu ou não a vacina antitetânica, isto é, não sabe informar se o esquema vacinal está completo. Boa parte dos indivíduos adultos nunca foi vacinada. Quando há ferimentos de maior risco, se o indivíduo não estiver imunizado adequadamente, precisa-se aplicar soro ou uma imunoglobulina específica. Ainda, segundo PAGLIUCA, FEITOZA e FEIJAO (2001), a C. tetani é uma bactéria anaeróbica, portanto não sobrevive na presença de oxigênio; logo, a higienização do local deve ser feita com uso de água oxigenada. Em caso de rafia a ser realizada no ferimento, só poderá ser realizada após a limpeza completa do local.
Entre os cuidados com os ferimentos, destacamos que devem ser lavado com água e sabão, retirando ocasionais corpos estranhos, como poeira e estilhaços de madeira – isso vale, inclusive, pra quem está com a vacina em dia. Para efetivar esses cuidados, a população deve ser ensinada sobre a higienização de ferimentos sujos, mordidas de animais, fraturas expostas e até queimaduras, pois todos esses meios são potenciais portas de entrada para a C. tetani. Acreditamos, uma vez que a integralidade é princípio doutrinário do SUS e a “saúde é dever do Estado e direito de todos” (como reza nossa Carta Magna), que o uso de programas como o Saúde da Família podem se prestar à essa função de educar a população, sobretudo a rural, mais propensa ao tétano (tal como observamos na seção Desigualdades do Tétano).

Além da prevenção dirigida ao paciente, é interessante também melhorar o preparo dos profissionais de saúde, justamente para ampliar as possibilidades de prevenção endereçadas aos potenciais pacientes. Para VIEIRA, OLIVEIRA e LEFEVRE (2006), os usuários dos serviços de saúde devem ser abordados de forma gentil, com atenção e através de linguagem clara, compreensível em todos os momentos do atendimento. De acordo com os mesmos autores, em pesquisa sobre o tétano neonatal, é adequado conhecer as representações (subjetivas e objetivas) das gestantes sobre esse tipo de tétano para percorrer as representações que podem fornecer subsídios para auxiliar na prevenção da doença.


Contra tétano, vacine-se!


Embora os sintomas do tétano sejam apavorantes e a bactéria responsável pela moléstia encontre-se em praticamente qualquer ambiente na forma de esporos, a vacina para o tétano existe e, no Brasil, faz parte do calendário básico de vacinação. Aplicadas três doses da vacina tríplice (a qual previne, além do tétano, coqueluche e difteria), a imunização é realizada – mas a vacina dupla (para tétano e difteria) deve ser aplicada novamente de dez em dez anos, dado que os níveis de anticorpos vão se minimizando conforme o passar do tempo. A vacina pode ser aplicada em gestantes e não contém a bactéria viva. Em caso de lesão, indivíduos que tomaram a vacina há mais de cinco anos precisam de nova aplicação, para reforço.

A vacina antitetânica, conforme relata a tese de VIEIRA (2005, p.21), foi produzida pela primeira vez em 1923, aperfeiçoada várias vezes no tocante ao método empregado para depurar a toxina e o aumento da capacidade antigênica pelo acréscimo de novos adjuvantes, como sais de alumínio. Foram obtidos resultados muito bons com a combinação do toxóide tetânico com outros antígenos, sobretudo o diftérico e o pertussis.

Em informações coletadas no Wikipédia, notamos que a vacina com o toxóide tetânico foi amplamente utilizada durante a Segunda Guerra Mundial e está disponível nos Centos Municipais de Saúde para pessoas de todas as idades. Pelo esquema básico de vacinação, nota-se que o lactante com dois meses deve receber a vacina, depois tomar outra vez a vacina aos quatro meses, ambas a doses junto com a imunização para coqueluche, difteria e infecções pelo Haemophilus influenzae. Nova dose da vacina tetravalente (DTP + Hib) é aplicada aos seis meses. O reforço ocorre ainda entre os quatro e seis meses de idade. Vale ressaltar que, à despeito dos benefícios da vacina anti-tetânica, algumas fontes são contrárias à aplicação em mulheres em idade fértil, sob a curiosa (e, desconfiamos, infundada) acusação de esterilizá-las, conforme ilustra a imagem abaixo:

Ainda conforme o esquema, nos maiores de sete anos é recomendado o intervalo de um a dois meses entre primeira e segunda dose da vacina, e intervalo de seis meses a um ano para aplicação da terceira dose. Já o intervalo mínimo, para assegurar títulos elevados de anticorpos, é de um mês. No caso de ter iniciado o esquema, mas interrompido em alguma época, o importante é completar o ciclo até a terceira dose, independente do tempo que transcorreu desde a última aplicação.

Em ocorrências de indivíduos sem o esquema completo, o tipo de ferimento pode carecer de imunização passiva, além da vacina, o que é feito com a imunoglobulina antitetânica, de origem humana. Já o soro antitetânico, produzido nos cavalos, só deve ser empregado na indisponibilidade dessa imunoglobulina, dadas as probabilidades de reações alérgicas nos pacientes às proteínas de origem animal.

tratamento

Para realização do tratamento de tétano, se faz mister a internação do paciente, a qual dura de três a quinze semanas. Uma vez no hospital, o enfermo deve receber imunoglobulina, ou, quando esta não for disponível, o soro antitetânico, assim como antibiótico venoso e limpeza cirúrgica do ferimento. Prefere-se à vacina ao soro porque o segundo pode causar reações alérgicas. São objetivos do tratamento:
Neutralização da toxina, por meio de uma antitoxina específica;
Limpeza cirúrgica da ferida;
Repouso em local sereno, a fim de atenuar espasmos musculares;
Administração de antibióticos.

Quando tratado, o paciente deve ser internado preferencialmente em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), sendo vigiado constantemente. A ferida precisa ser limpa cirurgicamente, através de fármacos como água oxigenada, no fito de eliminar a condição de anaerobiose. Entre os fármacos miorrelaxantes administrados, se recomenda o curare, por aplicação venosa. O uso de penicilina e metronidazol podem eliminar a Clostridium tetani, contudo não demonstram efeito contra o agente tóxico produzido pela mesma. Pode ser necessário mobilizar próteses respiratórias, dependendo da gravidade das manifestações no paciente.

Sobre a antitoxina, é recomendado uso da gamaglobulina humana antitetânica, para ser administrada por via intramuscular. Embora não modifique as manifestações clínicas que já se fazem presentes, essa substância neutraliza a toxina circulante. Para reduzir a produção de toxinas da C. tetani, utiliza-se também antibióticos como a penicilina G, administrado, geralmente, ao longo de dez dias.

Como o período de internação é prolongado, os custos do tratamento de um paciente com tétano são consideravelmente altos, podendo equivaler ao custo de dezenas de milhares de doses da vacina. Sabe-se que a letalidade do tétano depende muito de fatores como acesso aos serviços de saúde e disponibilidade de recursos terapêuticos, portanto sai muito menos oneroso aos sistemas de saúde (como o SUS, no caso do Brasil) investir na prevenção da doença.

Para tanto, deve-se não apenas considerar as desigualdades entre regiões ricas e pobres, mas também os ambientes e segmentos da sociedade mais propícios à prevalência de tétano: zonas rurais e pessoas idosas, portanto, carecem de vigilância mais cuidadosa – o que, a nosso ver, requer investimentos estatais que destaquem essas populações mais expostas, garantindo, assim, o princípio da equidade do SUS, cujo escopo é justamente garantir o atendimento de populações que vinham sendo sistematicamente renegadas no atendimento sanitário.

desigualdades do tétano

À despeito da redução de sua incidência, mesmo nos países industrializados o tétano continua marcando presença em populações que continuam suscetíveis. Tal vulnerabilidade não é distribuída com homogeneidade, uma vez que há gradiente etário (a suscetibilidade aumenta junto com a idade) e social (ocorre mais entre as pessoas com menos recursos financeiros). Como doença cuja prevenção é calcada na estrutura e organização dos sistemas de saúde, a incidência e prevalência do tétano não deixa de ser um reflexo de desigualdades sociais – as quais, por sinal, extrapolam o setor da saúde.

Nos países ricos, a incidência de tétano é quase exclusiva em pacientes idosos com mais de 60 anos. Mais do que uma elevada prevalência de títulos protetores de anticorpos, a ocorrência minimizada de tétano em tais países se deve mais à qualidade da assistência médica prestada. Segundo LIMA et al (1998), pesquisas demonstram que na população dos EUA, apesar da elevada cobertura vacinal, pessoas com dificuldades de acesso aos serviços de saúde permanecem suscetíveis à doença. Já em Portugal, a vacina anti-tetânica é administrada há muito tempo, com esquema vacinal universal e gratuito pelo Programa Nacional de Vacinação (PNV) operante desde 1963, com boa acessibilidade à população (CASTRO, 2004).

Desigualdades do tétano no mundo (escala vai do amarelo claro, em regiões com menor incidência, até o vermelho escuro, nas que possuem maior número de casos) Fonte: Wikipédia (verbete em inglês)

No Brasil, as últimas décadas testemunharam uma significativa melhoria na cobertura vacinal, no entanto uma parcela das crianças continua sem vacinação, até mesmo em locais com serviços de saúde amplamente disponíveis. De acordo com SILVA (1999), existiram muitos esforços para avaliar a não-vacinação da população infantil no Brasil e no mundo. Rastreou-se, como riscos para não-vacinação: Baixa renda; Residência em área rural; Extremos de idade materna;
Maior número de filhos; Baixa escolaridade materna; Maior número de moradores no domicílio; Residência há menos de 1 ano na área; Falta de conhecimento acerca das doenças preveníveis por imunização; Dificuldades de transporte; Conflitos trabalhistas motivados pela perda de dias de trabalho para o cuidado dos filhos; Ausência de seguro-saúde; Presença de doença na criança.

Dentre os itens acima, chama a atenção a residência em área rural como fator de risco. Uma vez que a integralidade é um dos princípios doutrinários do SUS, nota-se que a prevenção de áreas de risco (no caso, a zona rural) se faz basilar para o controle de uma doença de prevenção relativamente simples como o tétano. Na tabela abaixo, extraída de um artigo com mais de vinte anos (MENEGHEL, 1988), percebe-se alta incidência de tétano em profissionais de agropecuária e a ocorrência neonatal. Enquanto esta vem sendo de interesse de diversos trabalhos de pesquisa no meio acadêmico (ver, em nossa bibliografia, MATTOS, 2008; MIRANDA, 1995; MURAHOVSCHI, 2008; VIEIRA, 2005), a prevalência de tétano em profissionais da agrpopecuária não foi lembrado com o devido cuidado, pois é novamente citado como fator de risco no trabalho de SILVA, que data de 1999.

A ocorrência de tétano também é díspar por gênero. Para MIELI e ALDRIGHI (2006), “Entre janeiro de 2001 e julho de 2004, enquanto que para o sexo masculino, com o aumento dos decênios, houve redução no total de internações devidas ao tétano, para o feminino aumentou.”. Para o mesmo autor, a freqüência da doença é mais notada na região Nordeste, seguida de Sudeste e Sul. Além disso, há a questão polêmica da vulnerabilidade de idosos (apenas 15,73% protegidos em 2002), como tratamos na seção Tétano em Idosos, em detrimento da prevenção bem sucedida do tétano neonatal.

tétano neonatal

Na maioria dos países subdesenvolvidos, inclusive na América Latina, o tétano neonatal ainda é considerado problema grave de saúde pública, respondendo por alto índice de mortalidade infantil. Segundo observamos na seção Desigualdades, o tétano é doença característica de indivíduos pertencentes às classes socioeconômicas menos favorecidas.
No caso específico do tétano neonatal, a prevalência nos países emergentes tem a ver com a falta de acesso aos serviços obstétricos, aos cuidados pré-natais e partos realizados em domicílio, sem local e instrumentos adequados. Além da cobertura vacinal nem sempre envolver todas as gestantes, o parto muitas vezes é marcado pelo descaso da higiene e dos materiais empregados, pois as parteiras enfatizam os cuidados com o recém-nascido esquecendo-se de si mesmas.

A porta de entrada do tétano neonatal é, via de regra, o umbigo. O período de incubação da doença é curto. Primeiro, observa-se que o bebê tem dificuldades ou é incapaz de sugar. Em seguida, ocorrem a rigidez e espasmos generalizados dos músculos, podendo causar parada respiratória. Só a partir da quarta semana os espasmos diminuem. Enquanto os braços do bebê se flexionam junto ao tórax, de punhos cerrados, os membros inferiores continuam estendidos. Os lábios se contraem e os olhos permanecem fechados (figura abaixo). Para MURAHOVSCHI (2008), o diagnóstico do tétano neonatal é puramente clínico, com manifestações súbitas dos sintomas, expostos a partir do terceiro dia (mais freqüentemente do sexto ao oitavo) deu origem ao popular nome da enfermidade: mal dos sete dias.

Conforme VIEIRA, OLIVEIRA e LEFEVRE (2006), a ocorrência do tétano neonatal no Brasil é uma contradição, pois outras doenças imunopreveníveis como a varíola e a poliomielite foram controladas. Os autores alegam que nosso país observou uma taxa de declínio dessa forma clínica da doença a partir de 1983, mas as taxas de letalidade – de 50% a 80% – continuam preocupantes. Em trabalho de 1995, MIRANDA et al. Indicam de somente 49% das crianças com um ano estavam imunizadas em 1991 no Brasil, constatando ainda alto nível de mães sem informações sobre o esquema vacinal.

Para reverter esse quadro, o Brasil precisa aumentar esforços com a finalidade de praticar as ações de controle que a OMS (Organização Mundial de Saúde). A campanha contra a doença em países pobres tem apoio marcado da UNICEF (The United Nations Children’s Fund), contanto com apoio de celebridades hollywoodianas, como mostram nossos vídeos. MURAHOVSCHI (op. cit.) alega que a elevada ocorrência da enfermidade no mundo – que mata 180 mil bebês por ano – se concentra na África sub-saariana e no sul da Ásia. Embora essa variação do tétano não afete tanto o Brasil atualmente, foi um problema sério em território nacional até os anos setenta, sobretudo na zona rural e na periferia da área urbana.

A partir de estudo realizado em Minas Gerais, VIEIRA, OLIVEIRA e LEFEVRE (2006) notaram a diminuição da incidência de tétano neonatal naquele Estado (para detalhes sobre o Estado de São Paulo, consulte a seção Incidência e Prevalência). Com tudo, a ocorrência de tétano, de 1.85 por 100 mil habitantes em 1998, era muito superior à taxa do país (0.4). Nos casos estudados pelos autores, notou-se predomínio de partos em áreas rurais e partos em domicílio, por pessoas sem qualificação em obstetrícia, além de três quartos das mães não terem freqüentado o pré-natal.

tétano em idosos

A transição demográfica da população em países emergentes como o nosso tem colocado em xeque as medidas sanitárias prevalentes até então. Com o envelhecimento da população, o enfoque da medicina pediátrica passa a dividir espaço com o crescente público idoso que carece de assistência. Tendo em vista essa mudança, as pesquisas epidemiológicas precisam somar empenhos no combate às doenças que afligem a terceira idade, em suas especificidades. Com o tétano não é diferente.

Recentemente, o programa de cobertura vacinal do tétano tem favorecido a imunização do tétano neonatal, beneficiando mulheres em idade fértil, de modo a proteger os descendentes. Para PAGLIUCA, FEITOZA e FEIJAO (2001), os informes epidemiológicos do SUS em 1998 mostram 66 casos de tétano neonatal no Brasil, contra 434 de tétano acidental, “comprovando os acertos do programa de vacinação dirigidos à criança, mas deixando evidente, por outro lado, a baixa cobertura vacinal ao adulto e, em particular, podemos inferir, o idoso já que este não é sequer considerado grupo de risco ocupacional”. Da mesma forma que o idoso, a população masculina também fica mais exposta ao C. tetani, pois o programa de vacinação se interessa mais em prevenir gestantes. O mesmo vale, contudo, para a mulher idosa, que já saiu do período reprodutivo. Nos últimos anos o Ministério da Saúde vem tentando reverter esse quadro, enfatizando a campanha de vacinação do público idoso (figura).

Ainda segundo PAGLIUCA, FEITOZA e FEIJAO (op. cit), quando algum grupo não é atingido integralmente na prevenção de doenças, pode-se gerar um problema sério nas políticas de saúde – as quais definem a prioridade estratégica de determinadas faixas etárias na cobertura vacinal, ocasionando riscos que os gestores correm ao beneficiarem mais certas pessoas em detrimento de outras. Foi assim com a vacina antitetânica, que historicamente marginalizou o homem adulto e o idoso de ambos os sexos.
Dito isso, é possível inferir que a pessoa idosa está duplamente vulnerável ao tétano acidental. Primeiro, pela já referida negligência nas prioridades vacinais. Segundo, pela resposta imunológica deficitária característica do envelhecimento, com queda da capacidade psicomotora, percepção sensorial do espaço comprometida (o idoso sente o ambiente diminuído) levando o idoso à predisposição aos acidentes, domésticos inclusive, que o expõe à transmissão do tétano. Atividades antes desempenhadas com habilidade pelo indivíduo na fase adulta podem vir a se constituir em situações de risco quando a pessoa atinge a terceira idade.
No trabalho de MOARES e PEDROSO (2000), notamos que, embora o tétano neonatal acarrete, de fato, o maior coeficiente de mortalidade ao longo dos anos oitenta, a diminuição desse coeficiente é drástica em 1991, enquanto se mantém estável ao longo da mesma década entre os idosos (gráfico).









Coeficiente de tétano neonatal caiu muito nos anos 80, ao contrário da mortalidade em idosos


Fonte: Moraes e Pedroso

Outro problema constatado por MOARES e PEDROSO (op. cit.) é a ausência ou até o desconhecimento do direito à Carteira de Vacinação por parte dos idosos. Com isso, a responsabilidade do profissional de saúde que atende o idoso é maior, levando à inclusão desses pacientes num grupo de risco sob a tutela do profissional, que deve garantir bem-estar futuro dos idosos. Em geral, os sistemas de informação para tétano neonatal têm se mostrado eficazes, diferente dos sistemas lacunares para informar sobre o tétano acidental. Nesse sentido, políticas de vigilância da saúde precisam cunhar medidas preventivas e educativas como estratégias para edificar um modelo que dê conta da situação do país em transição demográfica, de modo a não marginalizar os usuários idosos nos sistemas de informação em saúde.

incidência e prevalência

No Brasil, segundo GOUVEIA (2009, p.54), “o coeficiente de incidência [de tétano] por 100.000 habitantes caiu de 1,8 na década de 1980 para 0,32 em 2000, talvez pela maior eficiência das campanhas de vacinação principalmente em menores e gestantes”. A partir desse quadro, percebe-se a importância da prevenção do tétano e das campanhas de atenção básica para que nosso país se aproxime dos índices de países desenvolvidos, que quase erradicaram a doença. Os números citados por GOUVEIA (op. cit.), no entanto, podem enganar sobre a gravidade da doença. Segundo o próprio autor, o avanço na queda da incidência não reflete na diminuição da letalidade, a qual continua em 30%; ou seja, um terço dos casos de tétano no Brasil terminam em óbito.
Se a distribuição da Clostridium tetani se faz presente em todos os locais do mundo, o risco de transmissão do tétano é universal em qualquer país para pessoas não imunizadas. Como reflexo da cobertura vacinal, principalmente infantil, MARTINS e CASTIÑEIRAS (2006) observaram a redução de prevalência do tétano em território brasileiro. Para os autores, tal como exposto nas tabelas abaixo, A Secretaria da Vigilância em Saúde detectou índices decrescentes em todas as regiões do país para os tétanos acidental e neonatal.



Fonte: Martins e Castiñeiras (2006)



Fonte: Martins e Castiñeiras (2006)

Ambas as tabelas, apesar de revelarem um total decrescente, apontam para as desigualdades regionais. Por ser uma doença de fácil prevenção, a incidência de tétano neonatal somente nas regiões Norte e Nordeste no ano de 2005 é possível sinal de falta de acesso à cobertura vacinal daquelas populações. O risco é maior quando o parto é feito em casa e em áreas rurais. No caso do tétano acidental, MARTINS e CASTIÑEIRAS (op. cit.) indicam que o ferimento que a doença pode ocorrer sem lesão aparente entre 10% e 20% dos casos, tornando a vacinação indispensável independente da ocorrência de ferimentos visíveis.
Excetuando-se o tétano neonatal, o DATASUS rastreou os seguintes indicadores:




Fonte: DATASUS

Percebemos algumas discrepâncias entre os dados acima e os das tabelas de MARTINS e CASTIÑEIRAS (2006): no ano de 2002, por exemplo, a primeira tabela (de tétano acidental) e a tabela acima apontam para um total de 637 e 598, respectivamente. Já a diferença entre os números de 1999 considera um maior número de ocorrências para a tabela do DATASUS. Em contrapartida, os dados de 1996 são exatamente os mesmos nas duas tabelas. Nota-se, assim, que os dados coletados em diferentes fontes podem se contradizer, afetando a credibilidade dos sistemas de informação em saúde.

Um indicador zerado, como os que vimos para determinadas regiões em 2005 na segunda tabela, pode levar à uma conclusão equivocada da erradicação do tétano neonatal se os dados não forem confiáveis, o que levará os gestores de saúde à investir esforços em outros fatores, “baixando a guarda” para a prevenção obtida, por exemplo, na vacina tetravalente. Como possível solução para esse impasse, visto que o tétano é uma enfermidade prevenível e de internação muito custosa (como indicamos na seção Tratamento), pode ser relevante um maior investimento no Sistema de Informação da Atenção Básica (SIAB, implantado em 1998), de modo a assegurar tanto a confiabilidade dos dados coletados quanto a detecção da incidência e prevalência de tétano em regiões de baixo acesso à assistência sanitária. Com isso, a atenção básica e as operações censitárias do SUS tem muito a ganhar trabalhando em conjunto, pois o investimento para recolhimento de índices confiáveis, acreditamos, pode fortalecer o SIAB como um todo, visto que é um sistema novo e pode não ter o “chamariz” censitário de outros sistemas como o SIH (Sistema de Informações Hospitalares).
No tocante ao Estado de São Paulo, o mapa abaixo, retirado de GUIMARÃES (2005), evidencia a distribuição da incidência de tétano por diretorias regionais de saúde em nossa unidade federal:

Incidência de tétano acidental no Estado de São Paulo. Fonte: Guimarães (2005)

A autora também destaca a desigualdade existente na distribuição dos casos de tétano acidental em São Paulo por sexo:

 



Homens representam mais de três quartos dos infectados por tétano acidental em São Paulo. Fonte: Guimarães (2005)


Finalmente, no município de Ribeirão Preto, segundo os Cadernos de informação de saúde do Ministério da Saúde, a cobertura vacinal para a vacina tetravalente foi de 89% em 2007, com 96% das crianças com esquema vacinal em dia. Vale lembrar, contudo, que nem 30% da população ribeirão-pretana é coberta pelos programas PACS e Saúde da Família (PSF), o que nos leva a conclusão que muitas áreas podem estar, talvez, fora do alcance da atenção básica, principalmente na zona rural. Apesar disso, notamos o controle do tétano no município, conforme números da Secretaria da Saúde de Ribeirão Preto. No quadro abaixo, para efeito de comparação, enumeramos a incidência de tétano, sem ocorrências no município, e as da dengue e tuberculose:

Doença

Nº de casos registrados em Ribeirão Preto

 

2001

2003

2005

Tétano

0

0

0

Dengue

3193

799

503

Tuberculose

176

192

112

Fonte: Divisão de Vigilância Epidemiológica – Ribeirão Preto

A página eletrônica da Secretaria ainda traz recomendações sobre a profilaxia do tétano, a qual depende do tipo de ferimento e da história de imunização prévia do paciente: 

História de imunização
contra o tétano

Ferimento limpo e superficial

Outros ferimentos

Vacina

Imunização
passiva

Vacina

Imunização
passiva

Incerta ou menos de três doses

 

Não

Sim

Sim

Três doses ou mais

 

 

 

 

Última dose há menos de cinco anos 

Não

Não

Não

Não

Última dose entre cinco e dez anos

Não

Não

Sim

Não

Última dose há mais de dez anos

Sim

Não

Sim

Não

Fonte: Secretaria Municipal da Saúde de Ribeirão Preto

classificações

Consultamos como o tétano é alocado em sistemas de classificação diversos. Como tais sistemas geralmente são hierárquicos, vale conhecer as classes às quais o tétno está subordinado, revelando em que níveis a doença se encaixa para fins de indexação. nessas classificações Abaixo, listamos alguns exemplos:

Classificação no DeCS:

DOENÇAS
Infecções Bacterianas e Micoses
Infecções Bacterianas
Infecções por Bactérias Gram-Positivas
Infecções por Actinomycetales +
Infecções por Bacillaceae +
Infecções por Bifidobacteriales
Infecções por Clostridium
Botulismo
Enterocolite Pseudomembranosa
Enterotoxemia
Gangrena Gasosa
Tétano
Descritor Inglês: Tetanus
Descritor Espanhol: Tétanos
Descritor Português: Tétano
Categoria: C01.252.410.222.864
Definição Português: Uma doença causada pela tetanospasmina, uma toxina proteica potente produzida pelo CLOSTRIDIUM TETANI. O tétano ocorre freqüentemente após um ferimento agudo, tal como uma ferida por perfuração ou por laceração. O tétano generalizado, a forma mais comum, é caracterizado por contrações musculares tetânicas e hiperreflexia. O tétano localizado apresenta-se como uma condição atenuada com manisfestações restritas dos músculos próximos ao ferimento. Ele pode progredir para a forma generalizada.

Identificador Único: D013742

Classificação na CID 10 (Classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde):
Capítulo I: Algumas doenças infecciosas e parasitárias
A30-A94: Outras doenças bacterianas
A33: Tétano do recém-nascido [neonatal]
A34: Tétano obstétrico
A35: Outros tipos de tétano

Classificação na CODAR (Codificação de Desastres, Ameaças e Riscos):
Parte III: Desastres Humanos de Natureza Biológica: CODAR – HB.G/CODAR 23
Capítulo V: Desastres humanos relacionados com doenças transmitidas por outros ou por mais de um mecanismo de transmissão: CODAR – HB.G/CODAR 23.5
Título III: Tétano: CODAR – HB.GTE/23.503

glossário

Termos consultados no Dicionário Boasaúde, no PDAMED e no Dicionário Médico.
Anaeróbico: 1 - Organismo que vive sem oxigênio livre. 2 - Processo metabólico que ocorre na ausência de oxigênio molecular.
Anatoxina: Toxina tratada pelo formol ou outras substâncias, que perde sua capacidade toxigênica, mas conserva sua imunogenicidade. Os toxóides são usados para induzir imunidade ativa e específica contra doenças.
Antibiótico: Substância produzida por várias espécies de microrganismos, capaz de impedir o crescimento de outros microrganismos ou destruí-los.
Anticorpo: Proteína circulante liberada pelos linfócitos em reação à presença no organismo de uma substância estranha (antígeno).
Antigênico: Capaz de causar a produção de um anticorpo.
Asfixia: Suspensão da respiração; anóxia; sufocação.
Bactéria: Organismo unicelular, capaz de auto-reproduzir-se. Existem diferentes tipos de bactérias, classificadas segundo suas características de crescimento (aeróbicas ou anaeróbicas, etc.), sua capacidade de absorver corantes especiais (Gram positivas, Gram negativas), segundo sua forma (bacilos, cocos, espiroquetas, etc.). Algumas produzem infecções no ser humano, que podem ser bastante graves.
Bactéria gram positiva: Bactéria que, quando submetida à teste de identificação cora-se em roxo pelo corante fucsina, o chamado corante de Gram (descobridor do método).
Cefaléia: Dor originada das estruturas do crânio. Segundo suas características e sua origem podem ser classificadas em enxaqueca, cefaléia tensional, etc. Dor de cabeça.
Clostridium tetani: Causa do tétano em humanos e animais domésticos. É um habitante comum dos intestinos humanos e de cavalos, assim como do solo. Dois componentes formam sua potente atividade de exotoxina: uma neurotoxina e uma toxina hemolítica.
Clostridium: Gênero de bactérias gram-positivas com ou sem motilidade da família Bacillidae. Muitas espécies foram identificadas, algumas das quais são patogênicas. Ocorrem na água, solo e trato intestinal de humanos e animais inferiores.
Cobertura vacinal: Indicador que expressa a proporção da população-alvo que foi vacinada, medindo a capacidade de alcance das metas estabelecidas conforme a estratégia de vacinação. Para se obter a cobertura vacinal são necessárias as seguintes informações: população-alvo, número de vacinados por idade, doses e área geográfica. A cobertura pode ser avaliada pelo método administrativo, analisando as informações obtidas no sistema de registro dos serviços de saúde e pelo método estatístico, que consiste em inquéritos ou levantamentos de campo, realizados através de entrevistas em uma adequada amostra de domicílios.
Coqueluche: Infecção bacteriana das vias aéreas caracterizada por tosse repetitiva de som metálico. Pode também ser denominada tosse ferina, tosse convulsa ou tosse comprida, e é produzida por um microorganismo chamado Bordetella pertussis.
Curare: Extratos vegetais de várias espécies, entre elas Strychnos toxifera, S. castelnaei, S. crevauxii, e Chondodendron tomentosum, que produzem paralisia dos músculos esqueléticos e se usam complementarmente com a anestesia geral. Estes extratos são tóxicos e deve usar-se com a administração de respiração artificial.
Diaforese: Transpiração ou perspiração profusa.
Difteria: Doença infecto-contagiosa que afeta as vias respiratórias superiores, caracterizada pela produção de uma falsa membrana na garganta como resultado da ação de uma toxina bacteriana. Este microorganismo e denominado Corinebacterium difteriae, e é capaz de produzir doença neurológica e cardíaca também.Atualmente, esta disponivel uma vacina eficiente (a tríplice ou DPT) para esta doença, que tem tornado-se rara.
DPT: Vacina tríplice bacteriana, contra Difteria, Coqueluche e Tétano, utilizada para prevenir estas doenças.
Espasmo: Contração súbita e involuntária de um músculo ou grupo muscular. Este pode situar-se em qualquer região do organismo e produzir diferentes alterações.
Esporos: Elementos reprodutivos de organismos inferiores, como protozoários, fungos e plantas criptógamas.
Fármaco: Do gr. phármakon, medicamento (farmacodinâmica).
Ferida: Lesão produzida por instrumento cortante, projétil ou por choque; úlcera; chaga.
Gamaglobulina: Grupo de globulinas existentes no soro sangüíneo, verificáveis pela análise eletroforética e ricas de anticorpos protetores. Mais aumentadas no nascimento, baixam rapidamente nas primeiras semanas de vida. Sua carência, muitas vezes familial, torna o indivíduo muito sensível às infecções bacterianas.
Globulina: Fração protéica do sangue, insolúvel em água ou álcool, solúvel em certos sais e que contém anticorpos imunizantes; se distinguem três tipos: alfa, beta e gama, separadas por eletroforese; a primeira contém enzimas e hormônios, a segunda anticorpos de grupos sangüíneos, e a gamaglobulina contém os anticorpos imunizantes, as imunoglobulinas.
Imunização: Processo mediante o qual se adquire, de forma natural ou artificial, a capacidade de defender-se perante uma determinada agressão bacteriana, viral ou parasitaria. O exemplo mais comum de imunização e a vacinação contra diversas doenças (sarampo, coqueluche, gripe, etc.).
Imunoglobulina: Toda globulina plasmática dotada de propriedades imunitárias e que tem uma função de anticorpo no organismo.
Imunologia: Ramo da medicina que estuda o sistema imunológico. É um ramo científico muito interligado com Hematologia. Efetivamente, é no sangue que se situam os glóbulos brancos que são o elemento chave deste sistema, bem como os anticorpos por eles produzidos. Estuda também os mecanismos fisiológicos utilizados pelos seres vivos na defesa da invasão de microorganismos.
Imunológico: Relativo à imunologia.
Incidência, coeficiente de: Número de casos de uma doença por unidade de população, dentro de um intervalo de tempo definido.
Incubação: Período de tempo que vai da ocasião em que o indivíduo contrai um determinado microrganismo e o aparecimento dos sintomas da doença por ele provocada; manutenção por algum tempo de crianças, que nasceram prematuramente, em temperatura igual ou aproximada à do organismo materno.
Infecção: Entrada e desenvolvimento no organismo de microrganismos patogênicos capazes de provocar determinada doença. A doença infecciosa pode ser causada por bactérias, fungos, protozoários e vírus.
Inoculação: Introdução voluntária ou acidental, através de uma pequena ferida da pele ou da mucosa, de um agente capaz de produzir doença ou de melhorar a condição do paciente.
Intramuscular: Que se encontra ou se efetua no interior de um músculo.
Lesão: Alteração patológica de qualquer órgão ou tecido; alteração na estrutura ou na atividade funcional de um órgão ou tecido, determinada por doença ou traumatismo.
Letalidade: Mortalidade; conjunto de óbitos.
Mal de sete dias: Ver Tétano do recém-nascido.
Metronidazol: Um antiprotozoário utilizado em amebíase, tricomoníase, giardíase e como treponemicida em animais de criação. Foi também proposto como sensibilizador de radiação em células em hipóxia.
Miorrelaxante: Produto farmacológico com função de reduzir contratura muscular.
Necrosado: Que está acometido de necrose.
Necrose: Conjunto de processos irreversíveis através dos quais se produz a degeneração celular seguida de morte da célula.
Neonatal: Relativo ao recém-nascido. O período neonatal compreende do nascimento até o vigésimo oitavo dia de vida.
Neurotóxico: Substância química com ação lesiva sobre o sistema nervoso.
Opistótomo: Estado no qual a cabeça e os membros inferiores estão recurvados para trás, enquanto o tronco se arca anteriormente, por um espasmo tetânico dos músculos dorsais.
Penicilina G: Um derivado da penicilina comumente utilizado na forma de sais de sódio ou potássio, no tratamento de uma variedade de infecções. É eficaz contra a maioria das bactérias gram-positivas e contra os cocci gram-negativos. É utilizado também como convulsivante experimental devido às suas ações sobre a transmissão sináptica GABAérgica.
Pré-natal: Controles programados da evolução da gestação, com fins de promover um crescimento fetal apropriado, com preservação da saúde materna.
Prevalência: Qualidade de que prevalece; número de casos de determinada doença existente em certa zona, em determinado tempo.
Rafia: Do grego raphé, sutura.
Rigidez muscular: Contração muscular mantida, involuntária e contínua que é freqüentemente uma manifestação de Doenças dos Gânglios da Base. Quando um músculo afetado é estirado passivamente, o grau de resistência permanece constante independentemente da velocidade que o músculo é estendido. Essa característica ajuda a distinção entre rigidez e eslasticidade muscular.
Riso sardônico: Riso convulsivo, por contração involuntária dos músculos da face.
Saprófito: Bactéria que destrói as substâncias em decomposição, também chamada de bactéria de putrefação.
Soro: Qualquer líquido de características cristalinas e incolor.
Soro antitetânico: Soro usado para o tratamento do tétano, obtido de cavalos hiperimunizados.
Taquicardia: Aumento da freqüência cardíaca. Pode ser devido a causas fisiológicas (durante o exercício físico ou gravidez) ou por diversas doenças como sepse, hipertireoidismo e anemia. Pode ser assintomática ou provocar palpitações.
Tecido: Conjunto de células de um organismo que têm a mesma função e que apresentam a mesma diferenciação morfológica.
Tétano: Toxinfecção produzida por uma bactéria chamada Clostridium tetani. Esta, ao infectar uma ferida cutanea, produz uma toxina (tetanospasmina) altamente nociva para o sistema nervoso que produz espasmos e paralisia dos nervos afetados. Pode ser fatal. Existe vacina contra o tétano (antitetânica) que deve ser tomada sempre que acontecer um traumatismo em que se suspeita da contaminação por esta bactéria. Se a contaminação for confirmada, ou se a pessoa nunca recebeu uma dose da vacina anteriormente, pode ser necessário administrar anticorpos exógenos (de soro de cavalo) contra esta toxina.
Tétano do recém-nascido: Tétano resultante de infecção da ferida umbilical; mal-de-sete-dias (popular).
Toxina: Substância produzida por bactérias que perturba determinadas funções orgânicas.
Toxóide: Toxina, cuja toxicidade foi destruída, mas que ainda é antigênica e proporciona imunidade ativa.
Trismo: Contração espasmódica do músculo masseter resultando no fechamento forçoso da mandíbula.
Vacina: Tratamento a base de bactérias, vírus vivos atenuados ou seus produtos celulares, que tem o objetivo de produzir uma imunização ativa no organismo para uma determinada infecção.
Vulnerável: Suscetível de ser ferido ou lesado.

bibliografia