Ingestão Diária Admissível

              O estabelecimento da ingestão diária admissível (ADI) para o ciclamato de sódio não foi um processo fácil, e esta tem vindo a ser ajustada à medida que mais estudos vão sendo feitos com o edulcorante. A dificuldade em estabelecer a ADI para o ciclamato de sódio é devido à sua farmacocinética. O conhecimento rigoroso deste processo é vital na confiança do estabelecimento da ADI. 


               A biodisponibilidade do ciclamato de sódio é muito baixa em humanos, e  ele por si só não tem efeitos tóxicos. A fração que absorvida é rapidamente excretada sem sofrer modificações, e praticamente não há acumulação nos órgãos, leite e sangue. Além disso, o Ratinho, a espécie animal usada nos estudos que levaram ao estabelecimeno da ADI, é uma má escolha como animal de teste porque há diferenças na distribuição e metabolização do ciclamato de sódio a  ciclohexilamina, o metabolito que tem potencial tóxico, em relação ao que se passa no homem. Além disso, o facto de que no homem a ciclohexilamina apenas é formada pela flora bacteriana ao metabolizar o ciclamato de sódio no intestino, e que esta flora é diferente de individuo para indíviduo, e está condicionada pelo tipo de dieta, pelo conteúdo do cólon e  pela adaptação da própria flora às condições do meio envolvente, torna esta determinação bastante complexa. [17]




                                                        
         Assim, estabelecer um valor para a ingestão diária admissível para o ciclamato de sódio foi um processo bastante delicado porque apenas o resultado da metabolização por parte da flora intestinal é toxico, e diferentes pessoas metabolizam este edulcorante de forma quantitativamente muito diferente, incluindo uma percentagem bastante significativa (80%) que excretava o ciclamato sem qualquer tipo de metabolização.

        
De acordo com a JECFA (The Joint FAO/WHO Expert Committee On Food Additives) a ingestão diária admissível situa-se entre 0-11 mg/kg de peso para o ciclamato de sódio, expresso em ácido ciclamico. Em 2000, a Scientific Comimittee on Food da União Europeia decidiu avaliar novamente a dose diária admissível, baseando-se em novos estudos, tendo decidido descer o valor para 0-7 mg/kg de peso corporal [14]

[17] R J Scheuplein RJ, Shoaf S, Brown RN. Role of Pharmacokinetics in Safety Evaluation and Regulatory Considerations. Annual Review of    
       Pharmacology and Toxicology Vol. 30 (1990): 197-218