Carcinogenicidade

        A ciclohexilamina foi alvo de imensos estudos à procura de esclarecer se este metabolito tem potencial carcinogénico ou se é seguro nas doses recomendadas. Em vários de estudos apenas dois obtiveram resultados positivos, mas estes estudos não foram reprodutíveis e não foi possível confirma-los por outros investigadores. Bopp et al [21] sumariaram numa tabela os vários estudos realizados, e, tal como Ahmed et al [31] ao analisarem os diversos estudos, concluiram que a ciclohexilamina por si só não é um composto com mutagenicidade ou genotoxicidade.




        Um dos mais importantes estudos feitos com o ciclamato de sódio foi realizado por Takayama et al [32], em macacos. A 21 macacos foram administrados 100mg/kg bw (valor do NOAEL para atrofia testicular em ratinhos)  e 500 mg/kg bw de ciclamato, 5 vezes por semana, durante a vida natural dos macacos, até um máximo de 24 anos.


            Apesar de três animais apresentarem tumores, eles eram de histologia diferente  entre si (um no cólon, um no fígado e um na próstata), e ocorreram numa frequencia em que é normal acontecerem em macacos com a idade dos macacos em estudo, pelo que os autores concluiram que não havia evidência de carcinogenicidade, mesmo aplicando doses elevadas cinco vezes por semana durante mais de duas décadas. Também verificaram que não houve atrofia testicular que se co-relacionasse com os niveis de ciclohexilamina na urina dos macacos.


                                                                                                                                                                     [32]


            Atualmente, apesar da proibição do uso do ciclamato de sódio em vários países, não existem evidências de que o consumo do edulcorante aumente o risco de cancro.

         Assim demostram estudos como o que foi feito em Italia, por Cristina Bosetti et al [33], entre 1991 e 2004. A 230 pacientes a quem foram diagnosticados cancro no estomago, pancreas ou endométrio, foram estudados  os seus hábitos de consumo de vários edulcorantes, entre eles o ciclamato de sódio, em oposição a uma população controle sem patologias neoplásicas. Os resultados demonstraram que não existe um risco acrescido de desenvolver estes tipos de cancro ao consumir edulcorantes artificiais.

         Outro estudo feito em 2007, por Gallus et at [34] mais alargado a pacientes com cancros diagnosticados na cavidade oral e faringe (598 casos), esófago (307), colón (1225), reto (728), laringe (760), mama (2569), ovários (1031), próstata (1294) e renal (737), contra uma população de 7028 indivíduos atendidos no mesmo hospital sem doenças de natureza neoplásica, demonstrou que não há uma associação entre o consumo de edulcorantes artificiais e o aumento do risco de desenvolver os tipos de carcinoma mais frequentes na espécie humana. 


[21] Bopp BA, Sonders RC, Kesterson JW. Toxicological aspects of cyclamate and cyclohexylamine. 1986. Crit Rev Toxicol; 16: 213-306.

[31] Ahmed FE, Thomas DB. 1992. Assessment of the carcinogenicity of the nonnutritive sweetener cyclamate. Crit Rev Toxicol 22:81–118.

[32] Takayama S, Renwick AG, Johansson SL et al. Long-term toxicity and carcinogenicity study of cyclamate in nonhuman primates. Toxicol Sci 2000; 53: 33 – 39. 

[32] http://www.allovertours.com/nl/bestemmingen/af/afrika-indische-oceaan/ug/oeganda/90/kibale-forest-national-park-en-semliki/297/kibale-forest-national-park-primate-lodge-kibale/ [acedido em 26/05/2012]

[33] Bosetti C, Gallus S, Talamini R,  Montella M, Franceschi S, Negri E, Vecchia C.  Artificial Sweeteners and the Risk of Gastric, Pancreatic, and Endometrial Cancers in Italy, 2009. Cancer Epidemiol Biomarkers Prev 2009;18(8)

[34] Gallus S, Scotti L, Negri E, Talamini R, Franceschi S, Montella M,  Giacosa,  Dal Maso L & La Vecchia C. Artificial sweeteners and cancer risk in a network of case–control studies. 2007.   Annals of Oncology. 18: 40–44