- Do Konii ao Indo-europeu

 

O Ocidente, Berço do Alfabeto e das Línguas Europeias

Todas as provas linguísticas são baseadas em inscrições existentes em lápides proto-históricas do sudoeste peninsular Ibérico. Sendo comum os eruditos (nacionais e estrangeiros), atribuírem designações diversas às estelas epigrafadas do sudoeste peninsular, como: Inscrições Turdetanas ou Tartéssicas, entre outras, assim se omite a identidade do povo que escreveu tais inscrições, os Konii. Povo que, nas estelas encontradas em Espanha, era identificado por Konti (ou Koniti, diminutivo de Konii).

O estudo da sequência evolutiva da epigrafia destas estelas dará a conhecer que a escrita (e a língua) peninsular possui raiz nativa, e não provêm de outras línguas. E esta nova acepção da paternidade da escrita conduz-nos directamente à desmontagem desse mito que atribui ao indo-europeu a procedência sobre a nossa língua. A suspeita, agora, é a de que a língua ancestral da Ibéria poderá ter estado na formação da(s) primeira(s) línguas indo-europeias.

A documentação epigráfica aqui apresentada pretende elucidar qual a origem da escrita primeva, a partir da qual se formaram outras que, viajando no tempo, chegaram até aos nossos dias e constituem as línguas actuais. E veremos, também, que a língua e a escrita Konii, chegou até aos países nórdicos.

Os denominados povos indo-europeus eram iberos, da época megalítica, que atingiram o oriente, fixando-se por toda a parte, das regiões do Cáucaso ao centro da Ásia. Foram eles os primeiros construtores de Menires e Dolmens. A origem destes megalitos é pois, ibérica.

Tendo em conta que não foi possível ainda determinar a precedência de um povo indo-europeu que ocupe o lugar de "pai da escrita", conclui-se quão frágil é a teoria do influxo cultural e civilizacional indo-europeu, resultante de uma sua acção centrífuga e expansionista. E assim se reduz tal teoria ao que é, e sempre foi, um mito. Ora, é isto mesmo que hoje em dia é já partilhado por alguns estudiosos da matéria.

Todavia, terá existido um povo primeiro, uma língua materna. Mas pelo facto dessa língua comum ter sido detectada em muitos lugares, para lá da Europa Central, não quer dizer que a sua origem fosse indo-europeia. O facto de muitos povos Ibéricos e centro-europeus se terem desagregado, e as suas civilizações desaparecido precocemente, deixou lugar ao florescimento de outros povos que vingaram mais solidamente e duradouramente no Oriente durante toda a Alta Antiguidade, e de cujas civilizações chegaram até aos nossos dias, maior quantidade de vestígios.

Apresento seguidamente a exposição de um trabalho de investigação epigráfica, referente a um vocábulo da conhecida Estela Konii de Bensafrim, descoberta nesta localidade por Estácio da Veiga e Santos Rocha. Esta exposição elucidará como um vocábulo peninsular Konii da Ibéria chegou ao indo-europeu.

Heroun (estela) do Sudoeste Peninsular Ibérico

(actual território português)

- Desenho da Estela de Bensafrim -

 

 Fotografia da Estela de Bensafrim com indicação do espaço

ocupado pelo vocábulo cujo significado se explica em seguida

 

Que traduzido é: ONAH ou ONAI, e que significa: a; o; um; uma. Para a língua Castelhana de ON se formou UN; e de ONA, UNA. Para o Português de UN, UM; e de UNA, UMA. Também no Latim, idioma proveniente do ramo linguístico peninsular, ONAI fora desvirtuado para OINO, mas todavia tivera evolução paralela para UNU e UNA, semelhante ao peninsular hispânico. Para o Francês ON; em Inglês ONE; em Irlandês AON, no Gaélico AON, e no Galego UNHA. Tendo o Galego perseverado a letra "H" em vez do "I", sendo mais original e directo do vocábulo Konii ONAH para ONHA, UNHA. Do Konii ONAH para o árabe OUÂH, o "N" passou para "U". Quando a escrita se expandiu do extremo ocidente da Europa para a Etruria pré-romana, ela incorporou influências da escrita do Médio Oriente através da Grécia antiga, tendo a própria língua grega recebido influência de ambas as partes, tanto do ocidente Europeu como do Médio Oriente. Assim, a desvirtuação da palavra peninsular ONAI, através do primitivo Latim, resulta na forma AINOS mas, derivado à influência Fenícia (por acção dos Gregos), se grafaria OINOS. Esta modificação deve-se ao facto do caractere peninsular Konii "A" (ai) ser sinónimo do Fenício "O" (aiyn). Assim, do Latim AINOS se passou a OINOS.

Os Gregos escreviam OINE, e a influência indo-europeia ainda mais desvirtuou a palavra para OIWOS. Todavia é de salientar que a letra "W", como vê dobrado "V" ou "U" é muito recente. O "W" é um pouco semelhante ao antigo caractere da letra "S". Alguns vocábulos peninsulares foram modificados pela influência dos caracteres da grafia Fenícia, quando estes comerciaram com o ocidente Ibérico e, ainda hoje podemos distinguir essa modificação em algumas línguas que eram idiomas (ramais) peninsulares, tal como o Inglês. A palavra primitiva S(A)N (filho, na língua Konii) inscrita no Heroun (Estela) de Ourique, passara a S(O)N (filho, em inglês). A língua dos Konii foi a primitiva língua peninsular, sendo o Vascone (Baskoni) um ramal desta língua, com evolução própria. A palavra peninsular SAN (filho) é pronunciada como se escreve e é a abreviatura de SANGUE. Nos tempos antigos os povos pré-romanos pronunciavam "O SANGUE DE NOSSO SANGUE"; é "SAN" (filho). E da frase Mo San, fonética (Mô San) que significa Mio (Meo = Meu (Filho)), nasceu Mô s ( Moç = Moço), e Mô sa (Moça). No castelhano (Mozo) e (Moza), sinónimos de hijo e hija. Por esta razão temos SAN, em inglês. A língua dos Etruscos, também um ramal linguístico peninsular, chamava SAN aos filhos. Este nome ainda se encontra em inscrições do povo Etrusco. Os seus tradutores julgam tratar-se de um termo que designa "Ancestral", e que a palavra "Clan" é filho. Mas, "Clan" significa "Família", em utilização como: "os clãs da Escócia". A palavra "Clan" ou "Clans" é uma alteração de Çans (Sans (filhos)), sinónimo de descendentes (Famílias). A frase Konii "Mo San" (Mô San) significa: Meu Sangue (Meu Filho) ou, também, em língua Konii: Mo Nino (Mô Nino ou Mi Nino) de onde nasceu o arcaico português "Minino" que evoluiu para Menino. No português arcaico, o sinónimo dos caracteres, " I " e " H " da palavra ONAI ou ONAH, teve uma evolução própria. Exemplo:

@Carlos Alberto B. Castelo

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