O Futuro do Planeta está na Nossa Mão - Palestra

Palestra "O Futuro do Planeta está na Nossa Mão" com a participação de 3 oradores:

QUERCUS; Departamento do Ambiente da Câmara Municipal; Junta de Freguesia.
Por confirmar a presença de um representante do projecto "LimparPortugal"

Data: 10 de Dezembro, ás 21:30
Entrada Livre

Vamos LimparPortugal
in http://www.ccdr.pt/content/view/924/71/

Realizou-se na Casa do Povo a palestra intitulada "O Futuro do Planeta está na Nossa Mão". Contou com quatro oradores, o que possibilitou uma abordagem muito completa, do global ao local, ou seja, da Terra aos Ribeirenses.

A palestra iniciou com a intervenção de Ana Costa, representante da QUERCUS, com o Aquecimento Global as suas causas e consequências para o Planeta, por exemplo, as catástrofes naturais, cada vez mais frequentes, que o aumento médio da temperatura desencadeará e o imenso número de refugiados ambientais, e para Portugal, os Verões cada vez mais quentes e secos e os Invernos mais rigorosos.
Gestos tão simples como apagar as luzes quando não são necessárias, utilizar a politica do 3R´s (Reduzir, Reutilizar, Reciclar), preferir produtos nacionais aos estrangeiros (devido às grandes distancias que os produtos percorrem para chegar até nós), reduzem consideravelmente a emissão de gases com efeito estufa.
Seguiu-se a intervenção de Ana Silva, do Centro de Estudos do Ambiente da Câmara Municipal de Famalicão, que apresentou as valências da Câmara no âmbito ambiental, entre outras coisas falou dos ecopontos disponíveis por todo concelho, da central de compostagem que recebe todo o lixo indiferenciado que é transformado em fertilizante e do serviço de recolha gratuita de electrodomésticos ou móveis velhos.
A representante da junta de freguesia, Ivone Lima, utilizou o mote da palestra "nós não herdamos a Terra dos Nossos Pais, pedimo-la emprestada aos nossos filhos" para salientar a importância do esforço que a junta de freguesia e as escolas de Ribeirão fazem para a promoção das preocupações ambientais junto dos ribeirenses, congratulou a Casa do Povo pelas iniciativas que tem vindo a promover e o seu importante contributo para a sociedade. Por último, interveio Francisco Mouro, coordenador nacional do projecto Limpar Portugal, este projecto tem como objectivo limpar as lixeiras ilegais existentes nas florestas de Portugal num só dia, o dia 20 de Março de 2010. Não é uma ideia original, isto já foi feito na Estónia em 2008 e foi um sucesso, em 5 horas 50 mil voluntários limparam as florestas de todo país. Em Portugal já são 20 mil os voluntários inscritos mas esperam-se mais de 100 mil. Cada concelho tem uma coordenação que é responsável pelo planeamento, e que faz desde o reconhecimento das lixeiras, para saber o  local exacto e o nº de voluntários e meios necessários para a sua limpeza, até ao contacto com entidades publicas e privadas para obter doações de bens e serviços que possam contribuir para alcançar o objectivo do projecto (não são aceites doações em dinheiro). Ribeirão tem vastas zonas lixeiras uma bem conhecida é no Moinho do Vento, os ribeirenses não podem ficar de fora deste projecto de âmbito nacional, vamos Limpar Portugal, fazendo a nossa parte, Limpar Ribeirão. Inscreve-te como voluntário em limparportugal.ning.com. Mais informações em www.limparportugal.org ou em www.casadopovoderibeirao.pt.vu

“Nós não herdámos a terra dos nossos antepassados, pedimos emprestada aos nossos filhos" (proverbio Índio)



Álbum de Fotografias da Palestra



O filme de abertura da Cimeira de Copenhaga COP15: Please help the world
(Por favor ajudem o Mundo)



Editorial in "O Publico" 5/12/2009

56 jornais em 44 países dão o passo inédito de falar a uma só voz através de um editorial comum [sobre Copenhaga]. Fazemo-lo porque a Humanidade enfrenta uma terrível emergência.

Se não nos juntarmos para tomar uma acção decisiva, as alterações climáticas irão devastar o nosso planeta, e juntamente com ele a nossa prosperidade e a nossa segurança. Desde há uma geração que os perigos têm vindo a tornar-se evidentes. Agora, os factos já começaram a falar por si próprios: 11 dos últimos 14 anos foram os mais quentes desde que existem registos, a camada de gelo árctico está a derreter-se, e os elevados preços do petróleo e dos alimentos no ano passado permitiram-nos ter uma antevisão de futuras catástrofes.

Nas publicações científicas, a questão já não é se a culpa é dos seres humanos, mas sim quão pouco tempo ainda nos sobra para conseguirmos limitar os danos.

Mas, mesmo assim, até agora a resposta a nível mundial tem sido frouxa e sem grande convicção.

As alterações climáticas estão a ocorrer desde há séculos, têm consequências que durarão para sempre, e as nossas perspectivas de as limitarmos serão determinadas nas próximas duas semanas. Exortamos os representantes dos 192 países reunidos em Copenhaga a não hesitarem, a não caírem em disputas, a não se acusarem mutuamente, mas sim a resgatarem uma oportunidade do maior fracasso político das últimas décadas. Não deverá ser uma luta entre os países ricos e os países pobres, ou entre o Oriente e o Ocidente. O clima afecta-nos a todos, e deve ser solucionado por todos.

A ciência é complexa mas os factos são claros. O mundo precisa de dar passos em direcção a limitar o aumento de temperatura a apenas dois graus centígrados, um objectivo que exigirá que as emissões de gases a nível global alcancem o seu máximo e comecem a diminuir durante os próximos cinco a dez anos. Um aumento superior, na casa dos três ou quatro graus centígrados – a subida mais pequena que podemos realisticamente esperar se ficarmos pela inacção –, secaria os continentes, transformando terra arável em desertos. Metade de todas as espécies animais extinguir-se-ia, muitos milhões de pessoas ficariam desalojadas, nações inteiras afundar-se-iam no mar. A polémica sobre os e-mails de investigadores britânicos, sugerindo que eles terão tentado suprimir dados incómodos, tem agitado o ambiente mas não causou mossa na pilha de provas em que estas previsões se baseiam.

Poucos acreditam que Copenhaga ainda consiga produzir um acordo completamente definido – progressos efectivos em direcção a um tal acordo apenas se poderiam iniciar com a chegada do Presidente Barack Obama à Casa Branca e a inversão de anos de obstrução por parte dos Estados Unidos. Mesmo hoje, o mundo vê-se à mercê da política interna norte-americana, pois o Presidente não se pode comprometer com as acções necessárias até o Congresso fazer o mesmo.

Mas os políticos presentes em Copenhaga podem, e devem, chegar a um acordo sobre os elementos essenciais de uma solução justa e eficaz e, ainda mais importante, um calendário claro para a transformar num tratado. O encontro das Nações Unidas sobre alterações climáticas do próximo mês de Junho em Bona (Alemanha) deverá ser a data-limite. Segundo um dos negociadores: “Podemos ir a prolongamento, mas não nos podemos dar ao luxo de uma repetição do jogo.”

No centro do acordo deverá constar um arranjo entre os países ricos e os países em desenvolvimento, determinando como serão divididos os encargos da luta contra as alterações climáticas – e como iremos partilhar um recurso novo e precioso: os milhões de milhões de toneladas de gases de carbono que podemos emitir antes que o mercúrio dos termómetros alcance níveis perigosos.

As nações ricas gostam de fazer notar a verdade aritmética de que não poderá haver solução até que gigantes em desenvolvimento como a China tomem medidas mais radicais do que têm feito até agora. Mas os países ricos são responsáveis pela maioria dos gases de carbono acumulados na atmosfera – três quartos de todo o dióxido de carbono emitido desde 1850. São eles que agora devem dar o exemplo, e cada país desenvolvido deve comprometer-se com cortes maiores, que dentro de uma década reduzirão as suas emissões para substancialmente menos que o seu nível de 1990.

Os países em desenvolvimento podem argumentar que não foram eles que criaram a maior parte do problema, e também que as regiões mais pobres do globo serão as mais duramente atingidas. Mas vão cada vez mais contribuir para o aquecimento, e por isso devem comprometer-se com as suas próprias medidas significativas e quantificáveis. Apesar de ambos não terem chegado tão longe quanto alguns esperavam, os recentes compromissos de objectivos de emissões de gases dos maiores poluidores do mundo – os Estados Unidos e a China – constituíram passos importantes na direcção certa.

A justiça social exige que os países industrializados ponham a mão mais fundo nos seus bolsos e garantam verbas para ajudar os países mais pobres a adaptarem-se às mudanças climáticas, e tecnologias limpas que lhes permitam crescer a nível económico sem com isso aumentarem as suas emissões. A arquitectura de um futuro tratado deve também ser definida – com um rigoroso acompanhamento multilateral, compensações justas pela protecção de florestas, e uma aceitável taxa de “emissões exportadas”, de modo que o peso possa ser partilhado mais equitativamente entre os que produzem produtos poluentes e os que os consomem. E a equidade requer também que a carga colocada sobre determinados países desenvolvidos tenha em conta a sua capacidade para a suportar: por exemplo, novos membros da União Europeia, muitas vezes mais pobres do que a “Velha Europa”, não devem sofrer mais do que os seus parceiros mais ricos.

A transformação será dispendiosa, mas muito menos do que a conta que se pagou para salvar o sistema financeiro internacional – e ainda muito mais barata do que as consequências de não fazer nada.

Muitos de nós, particularmente nos países desenvolvidos, teremos que alterar os nossos estilos de vida. A época dos voos de avião que custam menos do que a viagem de táxi para o aeroporto está a chegar ao fim. Teremos que comprar, comer e viajar de forma mais inteligente. Teremos que pagar mais pela nossa energia, e usar menos dessa mesma energia.

Mas a mudança para uma sociedade com reduzidas emissões de gases de carbono alberga a perspectiva de mais oportunidades do que sacrifícios. Alguns países já reconheceram que aceitar as transformações pode trazer crescimento, empregos e melhor qualidade de vida. Os fluxos de capitais contam a sua própria história: em 2008, pela primeira vez foi investido mais dinheiro em formas de energia renováveis do que para produzir electricidade de combustíveis fósseis.

Abandonar o nosso “vício de carbono” dentro de poucas décadas irá exigir um feito de engenharia e inovação que iguale qualquer outro da nossa História. Mas se a viagem de um homem à Lua ou a cisão do átomo nasceram do conflito e da competição, a “corrida do carbono” que se aproxima deverá ser norteada por um esforço de colaboração, de forma a alcançarmos a salvação colectiva.

Superar as mudanças climáticas exigirá o triunfo do optimismo sobre o pessimismo, da visão a longo prazo sobre as vistas curtas, daquilo a que Abraham Lincoln chamou “os melhores anjos da nossa natureza”.

É dentro desse espírito que 56 jornais de todo o mundo se uniram sob este editorial. Se nós, com tão diferentes perspectivas nacionais e políticas, conseguimos concordar sobre o que deve ser feito, então certamente os nossos líderes também o conseguirão.

Os políticos em Copenhaga têm o poder de moldar a opinião da História sobre esta geração: uma geração que encontrou um desafio e esteve à altura dele, ou uma geração tão estúpida que viu a calamidade a chegar, mas não fez nada para a evitar. Imploramos-lhes que façam a escolha certa.