Casa no Grainho

A Casa no Grainho é uma página na Internet onde se descreve o projeto de construção de uma moradia unifamiliar.

O projeto iniciou-se com a compra, em 2006, de um lote para construção na freguesia de Várzea, concelho de Santarém.

Desde o início foram incluídos nos pressupostos da casa princípios de construção sustentável e pretendeu-se uma elevada eficiência energética, que contribuíram ao desenho da casa concebida pela arquiteta Aline Delgado, no início de 2008.



Figura 1 - visualização da fachada Sul

Conforme a Memória Descritiva (MD) do projeto, "A ideia conceptual que se apresenta para esta moradia, baseia-se num desenho simples paralelipipedico. A orientação dos vãos é predominantemente a Sul, eliminando qualquer vão a Norte, optimizando a construção no que se refere ao seu comportamento térmico. Existem pequenos vãos a Nascente e Poente para proporcionar a entrada de luz natural e facilitar a ventilação. E ainda uma claraboia de cobertura, para, igualmente, permitir a entrada de luz natural e ventilação."
A MD prossegue com "No interior existe um espaço vazio de duplo pé direito que interrelaciona estes dois pisos. É sobre este vazio que existe a clarabóia. Na cobertura estão localizados paineis solares térmicos, para aquecimento de águas sanitárias de acordo com o RCCTE e painéis fotovoltaicos, pois o cliente pretende aderir à microgeração. A moradia será revestiva em aglomerado de cortiça negra e rebocada e pintada a branco.
A caixilharia escolhida é de alumínio, com ruptura de ponte térmica em cinza escuro, tal como os estores exteriores ao nível do primeiro piso.
"

No desenho destaca-se a fachada virada para o Sul, com o objetivo de aproveitar a energia solar passiva, nomeadamente no inverno. As grandes portadas viradas para o jardim, localizado na metade sul do terreno, irão permitir uma relação direta e uma boa convivência entre os espaços interiores e exteriores ao longo do ano.

Tendo sido iniciado em abril, o process
o de licenciamento desenrolou-se ao longo do ano 2008. A licença de construção foi emitida no dia 31 de dezembro.

Equipa do Projeto

Donos da obra: Henk Feith e Paula Soares, Santarém
Arquitetura: Aline Delgado, Ecotectura, Lisboa
Entidade executante: Casas do Oeste, Mafra
Direção da Obra: Pedro Silva, Almeirim
Coordenadora da Segurança: Susana Branco, EuroPGS
Empresa fornecedora e instaladora sistema de micro-geração: RightNow
Fornecedor de cortiça para isolamento da casa: Amorim Isolamento S.A (Ver também ficha técnica anexa em baixo)
Fornecedor revestimento exterior: Fassalusa



Início de construção

Após conclusão do caderno de encargos e a subsequente contratação do construtor, a construção iniciou-se no dia 2 de fevereiro.

A primeira quinzena passou com a terraplanagem, remoção das oliveiras existentes (que foram aproveitadas para projetos de jardinagem em outros locais), vedação da estalagem, abertura do espaço para a cave, cofragens e armação da estrutura e o enchimento com betão.

O objetivo da cave é a sua capacidade de armazenamento de alimentos sem necessidade de recorrer a equipamentos de refrigeração e como local para montar os equipamentos de aquecimento e águas quentes sanitárias, entre outros.


Aqui a cave ainda em cofragens, com o espaço para a futura escada já à vista.

Mini-ecoponto

E como não podia deixar de haver uma pequena atenção aos resíduos, um mini-ecoponto no estaleiro.
     


Após alguma resistência inicial por parte dos trabalhadores, já verificou-se a utilização correta do ecoponto.

Conclusão da primeira fase

Após 6 semanas a obra concluiu a primeira fase com o enchimento da última laje e o muro circundante à laje:


Alvanaria

Após a conclusão da estutura, as paredes em tijolo foram rapidamente levantadas e a casa começou a ganhar forma:

Fachada Sul:      
 
                         
Na fachada Sul caracteriza-se pelos vão em vidro que permitirão a entrada de luz natural. A fachada Norte é totalmente fechada em tijolo, com o objetivo de reduzir as perdas de calor no inverno.

Fachada Norte:



Segurança em obra

A segurança em obra, da responsabilidade da EuroPGS, inclui ações de formação na frente de trabalho:



Luz natural

A clarabóia foi concebida para permitir a entrada de luz natural de forma moderada. Assim, está coberta na parte superior, deixando a luz natural entrar nas aberturas laterais, em maior quantidade no inverno quando o sol está mais baixo, e menor quantidade no verão:



Também a fachada sul está protegida contra insolação direta no verão, através da pala, que cria uma zona ensombramento nos vãos (foto tirada no dia 3 de maio, às 17:30):


Instalação painéis solares

Prévio ao isolamento da placa superior com cortiça, foram criados os suportes para os painéis solares:

Águas pluviais

O projeto prevê o aproveitamento das águas pluviais através do seu armazenamento numa cisterna subterrânea com capacidade de 10 mil litros. Na cobertura estão construídas 4 saídas das águas pluviais. Na foto em baixo vê-se a saída de uma delas, para posterior ligação à cisterna:



Fornecimento cortiça para isolamento

No dia 16 de junho foi entregue no estaleiro as placas de cortiça negro (ver anexo 1 para mais detalhes). Foram no total 114 fardos de 5 placas de 60 mm de espessura (285 m2) e 32 fardos de 8 placas de 40 mm de espessura (128m2), num total de 22,2 m3.

A cortiça irá será ser aplicada na semana de 22 a 26 de junho, com apoio da empresa Fassalusa, utilizando o sistema "capote" (ver anexo 2, nomeademente p.10  para mais informação).


Solstício de verão no Grainho

O solstício ocorreu no dia 21 de junho, motivo pelo qual foi tirada uma fotografia da fachada sul, no momento em que o sol atinge o ápice. A foto foi tirada às 13:31 (hora do verão) e mostra o efeito do ensombramento do vão das portadas:


Aplicação da cortiça

No dia 22 de junho iniciou-se a aplicação da cortiça como isolante em sistema capote, com o apoio técnico da Fassalusa. As placas de cortiça são coladas diretamente ao tijolo com cimento cola:


Ao fim do primeiro dia, a primeira parede (a norte) já estava coberta:


Após colagem, as placas ainda são fixadas com buchas plásticas de 11 cm, garantindo a sua fixação à parede. Após fixação das placas com as buchas, é colada uma tela de ligação para a massa de reboco:


Após ter sido rebocada, a parede se apresenta assim:


O isolamento de cortiça acompanha os vãos das janelas. Na imagem é visível a caixa de estores também isolada:


Isolamento da cobertura

O isolamento na cobertura inclui a clara-bóia, das vigas para a colocação dos painéis solares (já pintadas de branco) e do muro envolvente (ainda sem cortiça colocada):

Depois da colocação da cortiça de 40 mm de espessura, ela é coberta com uma camada de betonilha:

 

Piso radiante a base de água

Uma das opções energéticas da casa foi o aquecimento com base num piso radiante à base de água. A água é aquecida através dos painéis solares térmicos, permitindo o aproveitamento da energia solar ao longo do dia para aquecer durante o dia sem necessidade de energia fóssil a não ser a eletricidade necessária para a bomba que faz circular a água no sistema. Tendo a casa bem isolada termicamente, a perde de de calor durante a noite é muito reduzida. A casa manterá a sua temperatura ao longo do dia e noite praticamente constante e aquecida a casa ao longo do inverno.

O piso radiante é aplicado sobre a betonilha base do chão, estando isolado por baixo:


O sistema de tubos é de seguido coberto por betonilha, sobre o qual é aplicada a tijoleira cerámica, que foi escolhida por causa da sua elevada condutabilidade de energia térmica quando comparado por exemplo com madeira.

A betonilha aplicada:



Cortiça aplicada

No início de julho a casa já se encontra totalmente revestida de cortiça. Com o objetivo de cobrir todas as pontes térmicas na casa foram precisos mais 100 m2 de placas de cortiça, elevando o total para 180 m2 de cortiça de 40mm e 330m2 de cortiça de 60mm, num total de 27m3.

 A aplicação da cortiça despertou o interesse do programa Biosfera da RTP, e esperamos em breve uma pequena peça sobre a casa nesse programa televisivo.

Cisterna subterrânea para as águas pluviais

Conforme previsto no projeto, a casa vai captar as águas pluviais e armazená-la numa cisterna subterrânea. Essa água servirá usos como a rega do jardim, lavagem do exterior, viaturas etc.

No dia 22 de julho chegou a cisterna, que tem uma capacidade de 10 mil litros.


Após abertura do local, a cisterna é colocada:



De todos os investimentos em equipamentos que promovem a sustentabilidade do uso dos recursos, a cisterna será o que menor retorno financeiro tem, devido ao baixo custo da água canalizada. A casa poderá captar um máximo de 100 mil litros por ano (137 m2 x 750 mm/ano). Um aproveitamento de 50 mil litros desta água proporciona um redução de custos no consumo de água de 50 m3, que, nos custos atuais da água canalizada, poderá corresponder a 100€/ano. Para um investimento total de 4 mil euros (equipamento + colocação + bomba de água), o período de retorno será de 40 anos (sem contabilizar juros...). No entanto, há quem diga que o preço de água vai subir bastante no futuro mais ou menos próximo.

 







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henkpaula@sapo.pt,
11/06/2009, 05:43
Ċ
henkpaula@sapo.pt,
21/06/2009, 06:19
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