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Barcelos é uma cidade portuguesa no Distrito de Braga, região Norte e subregião do Cávado, com cerca de 40.000 habitantes.

É sede de um município com 378,70 km² de área e 122 096 habitantes (2001), subdividido em 89 freguesias (é o concelho com maior número de freguesias em todo o país). O município é limitado a norte pelos municípios de Viana do Castelo e Ponte de Lima, a leste por Vila Verde e por Braga, a sueste por Vila Nova de Famalicão, a sudoeste pela Póvoa de Varzim e a oeste por Esposende.O concelho de Barcelos recebeu foral de D. Afonso Henriques em 1140.Barcelos inclui-se nos Caminhos de Santiago, e daí a "barca dos peregrinos" ou a "pequena barca" (Barc + ellus), como topónimo e sempre local de "passagem" para Terras do Alto Minho e da Galiza. "De Rates teria chegado ao burgo um galego desafortunado (ainda se chamava de peregrino), e que logo foi olhado de soslaio pelas autoridades. E o crime ocorrido há largos anos, assentava-lhe como uma luva. Fora um "crime de morte morrida", cujo assassino andaria a monte. Por isso, nada melhor que prender o "peregrino". E a sentença não se fez esperar, de nada lhe valendo teimas a contestar sua inocência.Morte na forca. Assim foi. Parecia mesmo que nem Santiago lhe valia.
Apegou-se com fé o galego ao Jacobeu. Afinal, ia ou não, em peregrinação ao túmulo do apóstolo ?
Adrede, não era ele o escopo final de uma viagem que parecia terminar ali ?
- Diabos me carreguem se o Santo não me ajudar !
Pediu ao carrasco para falar com o Juiz.
Era a sua última vontade e o frade persignou-se perante tanta heresia.
- Que vá o Galego.Banqueteava-se o Juiz com os amigos e foi a despropósito que o recebeu.
- Que não, que a sentença estava dada, que fora ele o matador de gente.
- Que não, repetiu o galego amarrado à "vieira", tão verdade que esse galo (bem tostado) e que Vossa "Incelência" vai comer, até vai cantar quando lhe ferrar a dentuça.Riu-se o Juiz, mas já não a roliça coxa do galeirós. Os convivas fizeram o mesmo !"E, neste "fantástico" Alto Minho, diz a lenda que o galo cantou mesmo !  

Barcelos é uma cidade rica de história onde podemos beber um Manancial permanente de escritos e de feitos a decifrar-se nos Velhos cartulários, nas ruas velhinhas de séculos, nos edifícios senhoriais, solares e casas de famílias, igrejas e templos, nos brasões e torres de menagem. Com Foral outorgado por D. Afonso Henriques (1140 / 1146), chamando-lhe "minha vila", é designada como "Santa Maria de Barcelos" pertencendo ao julgado do Neiva, nas inquirições de 1220 e 1226. Em 1298, e, já no tempo de D. Dinis, é condado sendo o primeiro título nobiliárquico atribuído ao Conde D. João Telo de Menezes.Mas foi D. Afonso, 8º Conde de Barcelos, filho bastardo de D. João I e genro de D. Nuno Álvares Pereira, quem mudando-se de Chaves para Barcelos, transfigurou todo o cerco urbano da vila ao construir, no início do século XV (cerca de 1412), o Paço dos Duques fazendo a ligação ao Palácio com a Ponte (de cinco arcos com talhamares de características góticas), a muralha que possuía três torres - da ponte, do vale e da menagem ou Porta Nova (hoje a única existente e onde fica o Centro de Artesanato e a Delegação de Turismo) e, a Matriz, reconstruída a partir de uma igreja românica do século XIII, com pórtico entre os dois contrafortes, com arcos de cinco arquivoltas e capitéis historiados. Da mesma época, é o Solar dos Azevedos, construção quinhentista considerada a mais monumental das casas solarengas do norte do país, na freguesia de Lamas; a Casa do Condestável, com o brasão dos Pereiras; o Solar dos Pinheiros, atribuído a Pedro Esteves - ouvidor da Casa de Bragança; o pelourinho; a casa do alferes Barcelence; o Largo do Apoio com o velho chafariz. É todo um casco histórico onde perpassa a vida de Barcelos: dos peregrinos aos frades de Vilar, de bastardos a ricos homens, de feirantes e artesãos a senhores de pendão e caldeira. Mas não só: Barcelos é capital agrícola e industrial, rainha do artesanato. O convite é agora para ir até à Franqueira, à montanha sagrada dos barcelences. Visitar o Convento do Bom Jesus da Franqueira. Depois o Castro e o Castelo de Faria, cenário do feito histórico ocorrido no tempo de D. Fernando, narrado por Fernão Lopes: "o alcaide Nuno Gonçalves preferiu ser morto às mãos dos castelhanos a deixar que seu filho, Gonçalo Nunes, entregasse aos mesmos as chaves do Castelo". E chegados ao alto, junto à Ermida da Senhora da Franqueira, ficamos maravilhados. São as cumeadas da serra do Gerês, as Terras de Bouro, as praias de riba Minho, as Terras Soajeiras, os contrafortes da Senhora da Peneda e da Senhora do Sameiro, Barcelos e as margens ridentes do Cávado.

É o Minho !
 
   
 
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