Mercado Futuro Adverte: Não Venda Agora!

postado em 11 de out de 2012 05:51 por Carta Pecuária

É como se o mercado futuro estivesse te dizendo:

        — Hei, amigo, você precisa mesmo vender seus animais agora? Veja só meus preços. De agora até janeiro a expectativa do pessoal é de um mercado mais ou menos estável. Algo entre 96 e 98 reais é a expectativa. Veja lá. Você pode esperar mais um pouquinho? De agora adiante você ganha em esperar, entende? Sim, o animal vai engordando nos pastos. Sim, pasto, agora, volta a ser interessante. Como os custos são muito menores, é como se o mercado estivesse pagando para você segurar os bois. Veja só a continha que fiz nesses dois gráficos abaixo.




Com um pouco de paciência e mesmo levando em consideração os custos de produção, o melhor momento, para animais a pasto, fazendo as contas hoje, é vender boi — quem diria — em janeiro!

A palavra chave é HOJE. Amanhã, se o mercado mudar, a conta muda. Mas, peraí. Qual seria um valor da arroba que daí não valeria mais segurar boi gordo? Abaixo de 92 reais a arroba, caro leitor. Mas, psiu, não conta isso para os frigoríficos, não, viu?

Pergunta: "Ah, Rogério, mas que bobagem. Segurar boi gordo? Melhor é vender agora e repor!”.

Nem sempre, caro leitor. Seria fácil se as coisas fossem assim tão simples. É opção sua. Tem hora que realmente é melhor vender e repor. Tem hora que não. Agora, em minha opinião e também o que estou realmente fazendo: repor agora e vender os bois gordos depois. Deixá-los para venda em janeiro.

"Mas, peraí. Como é que vou comprar reposição sem vender o boi gordo? Não tenho o dinheiro. Não cabe na fazenda.”

Aí é o jeito que você administra suas fazendas, caro leitor. O negócio de compra e venda de boi, ou seja, o dia-a-dia da fazenda é uma coisa. O potencial zootécnico de ganho de peso é outra. Pelo potencial, sim, teria que vender agora e repor. Mas pelo negócio, ou seja, pela rentabilidade, não. São duas coisas diferentes. É como disse, o ideal é, se possível (e é possível) você repor o gado de reposição quando ele está barato e vender o boi gordo quando ele está caro. Para fazer isso é necessário ter pastos sobrando. Se couber na fazenda ou não, aí é outra história. Caber cabe. Se tiver pasto. Ainda mais agora, com o início das chuvas, pasto já começou a brotar. Já pensou em reduzir, ao invés de aumentar, o estoque médio de gado durante o ano?

Então, caro leitor, hoje o mercado futuro está sinalizando que vale mais a pena segurar o boi gordo para venda em janeiro do que vendê-lo agora. Você terá quase 10% a mais em três meses. Se sua engorda for melhor que 500 gramas / dia nesse período, a conta fica melhor ainda.

Entre Tapas e Bejios

postado em 14 de set de 2012 07:08 por Carta Pecuária   [ 14 de set de 2012 07:08 atualizado‎(s)‎ ]

Lembra aquela música da antiga dupla Leandro & Leonardo "Entre Tapas e Beijos"?

"Hoje estamos juntinhos
Amanhã nem te vejo
Separando e voltando
A gente segue andando
Entre tapas e beijos"


É o boi com a carne. Veja ao lado. É só a carne dar uma respiradinha para o boi ir atrás. Ou o contrário. A gente nunca sabe direito nessas brigas de marido e mulher quem tem a razão...

Hoje prevalece o sorriso em ambos lábios. Reina a paz. A carne está, relativamente falando, com valorização muito acima do boi. Bom para o pecuarista ficar de olho, bom para o frigorífico comprar boi.

E o consumidor? Só um sentimento meu: o varejo não vai conseguir repassar toda essa alta para os cortes na gôndola.

Se o varejo repassar TODA a alta é sinal de consumo firme. Se não repassar, é sinal de consumidor no limite. Há sinais, outros, de outros gráficos, sinais de consumo no limite do orçamento, mas nada como uma informação assim fresquinha em primeira mão validar a coisa nessas próximas semanas.


Copo meio vazio?

postado em 4 de jul de 2012 19:32 por Carta Pecuária   [ 4 de jul de 2012 19:48 atualizado‎(s)‎ ]

Tem gente que olha para um carro e acha lindo. Outros acham feio. Quem está certo? Será que depende do ângulo ou, em outras palavras, do ponto de vista do interessado?

Mercado é a mesma coisa. Dependendo de onde o cidadão olha, vê um mercado lindo ou um mercado feio. Quero dizer, quem é baixista pode de repente olhar para a arroba atualmente e dizer que é um copo meio cheio. Outros podem pensar diferente e dizer que é um copo meio vazio.

Deixe-me mostrar uma coisa que contribui para essa discussão. Pegue o último mês de preços. No nosso caso, o indicador da arroba da bolsa -- indicador Esalq/BVMF do boi à vista em São Paulo. Nesses trinta últimos dias tivemos um preço máximo -- R$ 93,12 -- e um preço mínimo -- R$ 92,39. A diferença entre o máximo e mínimo hoje é 0,8%, ou seja, abaixo de 1%, certo?

Podemos dizer com isso que o mercado variou pouco, muito pouco, diga-se de passagem, nesses últimos 30 dias. Uma variação abaixo de 1% -- entre 0% e 1% -- é, historicamente, vai por mim, extremamente baixa.

Mas qual a razão disso ser interessante? Bom, é que a diferença entre máximo e mínimo de 30 dias abaixo de 1% é algo extremamente raro de acontecer. Nas minhas contas, em safras, uma situação dessa ocorreu somente seis vezes nesses últimos dezenove anos. Reflita isso: essas seis ocasiões ambientadas na safras, o mercado achou seu fundo do poço por ali. Seis ocorrências, seis pisos. Não sei quanto à você, mas isso me dá arrepios.

Existe um quê técnico debaixo do capô aqui, e tem a ver com a redução da volatilidade nos preços... mas isso não é importante aqui. Também não é importante que esse tipo de ocorrência já ocorreu dezenove vezes desde 1994 (e não somente seis), e que 1/3 das vezes sinalizaram baixa e 2/3 alta. Muito menos importante é que, entre os 2/3 de altas, parte delas foram decorrêntes do piso da safra, como disse, em seis ocasiões.

Então, fica aí a notícia. O copo está meio cheio ou meio vazio? Sob o ponto de vista histórico, o copo está pendendo para meio vazio que para meio cheio.

Entressafra sem pimenta

postado em 2 de mai de 2012 05:25 por Carta Pecuária

Deixe-me te mostrar uma coisa curiosa. A bolsa nesta segunda-feira, dia 30 de abril, está dizendo que os preços dessa entressafra de 2012 subirão e ficarão 10% acima do menor valor (até agora) da safra, ocorridos em março-12. Dez por cento de alta é pouco historicamente, mas, hei, alta é sempre alta, e isso é bom.

Só que tem uma coisinha aqui que não fecha, caro leitor. Quando a gente olha para a safra de 2012 vê que ela está se encaixando no balaio dos anos sem muito sabor, onde a variação de preços da safra do ano anterior para a safra atual oscilaram entre -5% e +5%. Ou seja, foi uma safra sem muita emoção, com uma certa estabilidade.

Porém, e aqui é que fica apimentada a coisa, em todos os anos que a safra foi sem sabor, como essa, a entressafra foi emocionante. Observe o gráfico abaixo para dar uma conferida no menu.






O ano de 2012 está indo com uma variação de 0% da safra de 2011 para a safra atual. A entressafra, até agora, está sugerindo, como disse, uma alta de 10% sobre essa safra. Isso é pouco perante a história. E bota pouco nisso. As pessoas tendem a colocar muita fé em intenções e futurologismo. Prefiro me ater aos números. A precificação da entressafra, do jeito que está sendo colocada na mesa, tem que devolver pro cozinheiro -- está faltando pimenta nesse prato.

Carcaça bovina. Encontro de duas tendências.

postado em 16 de mar de 2012 08:39 por Carta Pecuária

Mercado atacado está em queda há bastante tempo, assim como a arroba. Mas um alinhamento de tendências de curto e longo prazo mostram uma coisa interessante. Observe o gráfico abaixo.



Observe as linhas de longo e curto prazo se encontrando entre 6,00 e 6,25. Hoje a carcaça está sendo negociada dentro desses valores.

Note que ao redor de 6,00 e 6,25 se encontram as duas retas de tendência, e ambas falam em alta. Ou seja, se o mercado quer mesmo cair, ele terá que contrariar uma tendência de alta (vacilante, errática, mas tecnicamente em alta) que está aí na praça desde 2006 (longo prazo) e desde 2011 (curto prazo).

O viés da pecuária é de acompanhamento da inflação. É por isso que os preços do boi sobem nos anos. A carne também. Estamos vendo aqui é talvez onde a carne está novamente testando essa sua convicção que vai querer subir. Claro, a inflação tem que voltar a subir, senão nada disso importa. E há analistas que respeito achando que, pelo menos no Brasil, com o país bombando, a inflação deverá ser ligeiramente maior que a prevista pelo mercado.

É esperar para ver. De qualquer forma, com essa formação, esse encontro de duas tendências de alta, nesse momento, é bom estarmos aqui para presenciar a história sendo escrita.

Quatro semanas de queda. Quem dá mais?

postado em 14 de fev de 2012 04:57 por Carta Pecuária   [ 19 de mar de 2012 05:01 atualizado‎(s)‎ ]

Essa é a quarta semana seguida de queda na arroba agora em fevereiro. 

É muito importante acompanhar quantas semanas a arroba caiu consecutivamente porque não é fácil derrubar os preços, caro leitor. Existe toda uma resistência, mesmo na safra, de derrubar os preços por várias semanas seguidas. Abaixo mostro um gráfico disso na prática. Ele mostra as quedas e altas semanais da arroba.



Repare que derrubar a arroba por mais que quatro semanas seguidas é coisa rara, tanto que só ocorreu duas vezes nesses últimos dois anos, esse gráfico mostra.

Historicamente, é mais difícil ainda. Derrubar de quatro para cinco semanas, e daí mais que isso é um trabalho complicado. Ainda mais com os custos de produção atualmente batendo no teto e ameaçando, nos preços vigentes, somente a troca de cebola de lugar, sem lucro.

Observe o gráfico da distribuição das probabilidades de semanas consecutivas em queda.



Então, o que dizer de hoje? Estamos na quarta semana seguida de queda. Pode cair mais? Claro que pode, o mercado é soberano. Pode cair para cinco semanas? Pode sim. A curva de distribuição acima mostra que sim. 

Ah... mais que isso, seis semanas, de forma seguida, sete semanas? Não conte com isso com muita facilidade.

Atacado melhorando na surdina?

postado em 25 de jan de 2012 05:33 por Carta Pecuária   [ 19 de mar de 2012 04:57 atualizado‎(s)‎ ]

Quando olhamos para a variação ano-a-ano dos preços no atacado, temos o gráfico abaixo.




Repare que em dezembro os preços chegaram a atingir a "zona de morte" do mercado, que é essa faixa entre -10% e -20% de queda do valor em relação ao ano anterior. 

A queda de 2011, por exemplo, foi que nem uma navalha e atingiu cirurgicamente uma retração de -12% em outubro. 

Historicamente ao redor e abaixo dessa faixa é difícil derrubar ainda mais o atacado. E isso ocorre independente se é safra ou entressafra, é importante notar essa irrelevância.

Com essas informações postas na mesa, isso nos traz para o mercado nos dias de hoje. Os preços atingiram um preço ruim ano passado. Irão cair mais? Com um novo salário mínimo, mais gastos do governo, mais crédito à vista para mercado imobiliário e gastos em infra estrutura?

A questão é a seguinte, e mais ampla. Hoje é pior que 2009?

O próprio gráfico diz que não. Porém, ao ver notícias e comentários sobre isso a impressão que se capta é que sim. Estranho, né?

Fica aí a reflexão.

Atacado, que puxava o boi, agora empurra.

postado em 17 de nov de 2011 08:46 por Carta Pecuária   [ 19 de mar de 2012 05:03 atualizado‎(s)‎ ]

Tem hora que é a arroba quem puxa, tem hora que é a carne. Tem hora que é a arroba quem empurra, tem hora que é a carne. Não dá para saber de antemão quem é quem nessa história, mas dá para ver na medida que vamos caminhando.

Essas últimas semanas, por exemplo, foi a carne quem puxou o boi. Na virada de outubro para novembro isso ficou bem nítido, com o atacado muito mais firme que o boi durante as semanas. Observe o gráfico abaixo.




Agora, surpresa! Parece que a carne deu uma cansada. Parou de puxar o boi. Estará empurrando? Para baixo? É o que veremos nas próximas semanas. 

Em tempo -- há a expectativa sobre a greve dos fiscais do IAGRO em Mato Grosso do Sul. A greve será no formato operação padrão. Ou seja, não cruzarão os braços, mas os serviços prestados se tornarão exaustivamente lentos... quase parando. Sem tirar o mérito do que reivindicam, não vou entrar no caso, o fato é que pode ocorrer atrasos e diminuição na oferta de carne a partir da semana que vem, carne essa que atualmente está vindo sobremaneira proveniente do MS.

É esperar e ver. 


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Oportunidade de ouro?

postado em 8 de ago de 2011 08:36 por Carta Pecuária

Existe uma relação entre o boi e o ouro. Não tão longe quanto 100 anos atrás no Brasil gado era negociado em ouro. O ouro era reserva de valor mundial até 1971, quando o governo Nixon nos EUA quebraram a conversão dólar=ouro. Ouro ainda é, na China e na Índia, por exemplo, a expressão máxima de acúmulo de riqueza pelas famílias. Quem é que não se lembra da Serra Pelada aqui no Brasil?

Com o ouro subindo nesses últimos 10 anos, veja você, acabei de chegar de uma viagem para o amazonas. Descendo o Rio Madeira desde sua fós até Humaitá o que se vê são barcaças buscando ouro no leito do rio. Lá, ouro voltou a ser febre. E que febre! Você vê nos olhos das pessoas a ganância, o ardor, o sonho de enriquecer com o metal amarelo.

No nosso mercado pecuário, a gente cota a arroba do boi em gramas de ouro e vai acompanhando. Quando a arroba vale poucas gramas de ouro, isso significa uma arroba barata. Quando vale muito, é uma arroba cara. Nos últimos anos a arroba girou entre barata = 1 grama e cara = 2 gramas.

O momento em que ela ficou mais barata foi no pior momento do ciclo pecuário anterior, ao redor de 2006. Lá a arroba do boi não valia nem uma grama de ouro. Valia 0,97 da grama.

De lá até recentemente o boi se valorizou bastante, e essa valorização foi sentida no ouro, elevando encarecendo a arroba de 0,97 gramas para 2,10 gramas no seu melhor momento.

Estou escrevendo esse preâmbulo só para chamar a atenção dos leitores para o preço da arroba do boi em gramas de ouro hoje. Hoje uma arroba vale 0,98 gramas de ouro. Ou seja, estamos re-visitando o pior preço desde 2006, e o pior preço desde o início do plano real. Definitivamente a arroba do boi está barata, não sei em reais puros, mas definitivamente em ouro! 

Observe o gráfico abaixo.

 


Em 2006 a percepção do ouro valendo ao redor de 1 grama como sendo barata resultou em bons resultados financeiros para quem apostou na alta da arroba nos anos seguintes. Lembre-se de uma coisa importante aqui: em 2006 a pecuária estava no seu pior momento de pessimismo. Apostar na alta, sequer falar em alta na arroba naquela época poderia ser taxado de maluquice.

Eis que estamos passando pela mesma coisa agora em 2011? Estaremos em outra oportunidade de ouro à vista? Novamente, aqui, falar em alta da arroba soa maluquice?

Deixo em aberto para as suas opiniões.


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Diferencial de Base SP/GO. Tem base?

postado em 3 de ago de 2011 13:16 por Carta Pecuária

Mais um exemplo de como o Brasil possui várias pecuárias. Nessa entressafra os comportamentos estaduais novamente mostram as diferentes situações nas ofertas de boi gordo no segundo semestre. 

Pegue a base de preços de Goiânia, por exemplo. Observe o gráfico abaixo.



Quanto mais pra baixo a linha, maior é o desconto que a arroba de Goiás sofre em relação a São Paulo. E quer saber? O desconto de hoje é o maior dos últimos 10 anos, como você pode ver nessa figura.

Três pontos me chamaram a atenção.  

O primeiro ocorreu lá atrás em 2005 e 2006. O diferencial de base diminuiu bastante. Em alguns momentos chegou a valer zero. Como diz os goianos: "Bão demais". Será? A razão dessa alta da arroba em relação à SP foi o surto de aftosa no Mato Grosso do Sul no mesmo período. O estado ficou fechado e os frigoríficos tiveram que se abastecer nas outras regiões. Porém, três anos depois, passado o problema no MS, a base voltou para a sua média histórica. 

Mas será que voltou mesmo para a média histórica? Voltou sim, porém parece que está querendo alargar a base nas entressafras. Talvez a oferta de bois confinados finalmente está pesando para o estado.... talvez Goiás esteja começando a sofrer as consequências do seu sucesso e de sua competência em produzir. 

Repare nos outros dois pontos marcados. O do meio foi devido à crise de 08~09 gerada pela cachoeira de bois gordos, em sua grande maioria bois confinados, resultados de liquidações de operações de fundos de investimentos e de outros atores que estavam com muitos bois comprados com o dinheiro dos outros. O terceiro ponto está ocorrendo agora em 2011. 

Repare que tanto em 2008/09 quanto agora em 2011 o diferencial de base veio bem abaixo do que seria o normal histórico. 

Razões para isso? Bom, podemos ter várias. Pode ter sido a diminuição de compradores? Pode ser concentração de frigoríficos? Talvez sim, talvez não. Se fosse concentração dos frigoríficos, então quando a arroba estava subindo uns meses atrás o diferencial de base não deveria voltar para o normal, como voltou, certo? Se fosse concentração, porque em 2010 a base não se alargou?

Talvez seja oferta de boi? A conta não é necessariamente complicada. No final da história da lei da oferta vs. procura é inescapável --- onde existe mais boi gordo sendo ofertado o cidadão vai tentar pagar mais barato mesmo. Mais bois, menor o preço.  Especialmente quando a oferta é de confinamentos --- um tipo de operação que não permite a flexibilidade da entrega. Engordou, entregou. Senão a bóia fica cara demais e o que era lucro vira prejuízo. 

Talvez a explicação cair sobre a concentração dos frigoríficos seja fácil demais. Fácil por mascarar o que realmente está ocorrendo --- Goiás é o responsável pela maior quantidade de bois confinados atualmente, no Brasil, no segundo semestre. Sob qualquer circunstância, uma oferta enorme de animais, tão concentrada e tão disponível assim não seria fácil segurar os preços.

Talvez no futuro Mato Grosso esteja passando pelo que Goiás passa agora. É esperar para ver.

Agora compare a situação de Goiás com a de Campo Grande no gráfico abaixo.





Repare o que ocorreu na aftosa. Foi o inverso do que ocorreu com Goiânia. A arroba no MS chegou a ficar abaixo da arroba de Tocantins por vários meses. Porém, depois de algum tempo, os preços voltaram para dentro da normalidade das bases históricas.

E permaneceram lá desde então. Não tem muito que dizer da arroba de Campo Grande. Perto da correria que é o "negócio boi" em Goiás, Mato Grosso do Sul possui a calma de um lar de idosos. Confinamentos existem por lá, mas com uma pressão significativamente menor da que ocorre nas terras goianas. O forte do estado são bois semi-confinados, e bois semi-confinados podem esperar para serem negociados... ou podem deixar de serem negociados e esperarem a safra, se o pecuarista quiser.

Não estou tomando partido de nenhum lado. Estou somente mostrando os fatos tais como são. Se mostro essas coisas é porque há alternativa para fugir de ser pego pelo alargamento do diferencial de base, especialmente nas regiões com bastantes animais confinados. Por exemplo, muitos pecuaristas em Goiás travaram seus animais bem antes. Eles negociaram talvez não necessariamente o preço da arroba em si, mas pelo menos agendou o abate nos frigoríficos. Alguns negociaram até os diferenciais de bases do negócio, algo ao redor de "indicador São Paulo menos uma base". Ou seja, negociou exatamente para se proteger do que o gráfico lá de cima de Goiás fez, que foi a queda do diferencial. Quem fez isso não está nem dando bola para a arroba de GO ter ficado para trás.

Pense nessas alternativas. Avalie quem fez. Procure se informar. Ligue para o pessoal que negocia boi a termo nos frigoríficos. Veja as possibilidades que a bolsa fornece para fazer seguro de preço.

Talvez agora em 2011 a coisa já esteja meio tarde, porém é um aviso e um lembrete para ver isso bem antes (maio, junho) no ano que vem.

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