Carta Pecuária nº 673

postado em 18 de ago de 2017 11:44 por Carta Pecuária

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Resumo da edição atual:


 Mercado em alta 

Valores em alta no atacado e no físico. Já subiram muito ou ainda há espaço?


 Futuros puxando o físico 

Se for depender dos contratos futuros, a resposta é: ainda tem mais.


 Margem de confinamento 

A conta de engorda rápida no cocho mudou completamente nessas últimas semanas. O que fazer?



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Carta Pecuária nº 672

postado em 8 de ago de 2017 07:24 por Carta Pecuária


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Resumo da edição atual:


 Ambiente de Alta  

Depois de tanto tempo que parecia infinito o mercado dormiu de um jeito e acordou de outro. O que fazíamos antes com compra e venda de gado, com a mudança do ambiente isso mudou.


 Futuros sobem  

Mercado futuro sentiu o cheiro e se antecipou ao mercado físico. É sustentável? Mais importante que isso, como eu posso captar a coisa para me beneficiar?


 Atacado resiste  

O atacado também dá sinais que parou de cair, mas daí a subir é outra história.


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Carta Pecuária nº 670

postado em 4 de jul de 2017 13:55 por Carta Pecuária



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Resumo da edição atual:


Me lembrei de 1996.

A sensação de que o mercado desandou, que as coisas não tem mais futuro, que se perderam as esperanças? É, a coisa se parece com o que me lembro de 1996.


Papa-léguas e Coiote.

Enquanto esperamos o fundo do poço. É mais engraçado no desenho ver o coiote cair.


No que acredito.

É fácil se perder nos "e se..." do mercado. Mas me recuso a ceder a isso.

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Duas lições que aprendi sobre pecuária

postado em 21 de fev de 2017 08:52 por Carta Pecuária

Acredito que duas lições são importantes e gostaria de partilha-lhas aqui.


A primeira é a noção que a oferta de gado no geral não é contínua ao longo do tempo.


A oferta de gado se amontoa e se agrupa em alguns anos e formam o conceito de onda de oferta (ou falta dela).

O estudo desses grupos de oferta é o estudo do ciclo pecuário, que é a resposta da cria ao lucro na atividade. Mas isso é outra história. Vamos nos concentrar nas ondas.

A magnitude dessas ondas, tal qual uma onda do mar, é uma noção esclarecedora.

Quando a gente olha pra uma onda e vê ela alta, a gente na realidade está vendo a escassez do animal, ou seja, na alta nos preços do bezerro está contida a falta dele.

A gente detecta essas ondas olhando para os preços do bezerro com prazos bem longos de tempo. Quanto mais longo, melhor.

Quando a onda é de alta e os preços do bezerro subiram é porque houve falta de bezerros naquela época.

Essa falta não desaparece... ela irá permanecer e gerar uma onda de preços altos que desembocará em bois gordos nos frigoríficos eventualmente.

Essa onda não pode ser revertida, nem contida por nenhuma medida que os pecuaristas nem os frigoríficos tentem fazer.

Mas ela pode ser atenuada. Consegue-se amenizar parcialmente os efeitos dela, tal qual um guarda-chuva te protege pouco de ser molhado em uma chuva forte.

A gente está vendo isso acontecer, correto? Frigoríficos fecharam plantas e diminuíram abates. Pecuaristas modificando a velocidade de engorda. Criadores revendo seus planos de aumentar a cria.


A segunda noção é que o bezerro é a origem dessa onda.

Os preços de sua arroba, mais precisamente. Quando o bezerro está sendo negociado com uma arroba cara, o boi gordo no futuro, que nada mais é que o bezerro de hoje, irá buscar esses preços da arroba do bezerro. É a onda da escassez caminhando na cadeia pecuária.

Daí foi que cunhei a frase que "O bezerro é o teto do boi".

Existem várias maneiras de enxergar isso. A que mais tenho gostado é pegar uma engorda em que o animal é abatido com 24 meses, ou seja, pegar um bezerro de dois anos atrás e colocar a sua arroba da compra como se fosse hoje.

Observe o gráfico. Clique na imagem para expandir se quiser.






Chamo isso de "Viradas de Mercado".

Temos as viradas de baixa quando o boi gordo está acima do bezerro.

Temos as viradas de alta, quando o bezerro está acima do boi gordo.

Estamos passando por uma virada de alta dessas em 2017.

O "brabo" disso é que essas coisas tomam tempo, anos até, para se concluírem, mas elas não param.

Por exemplo, a arroba bateu 145 reais em São Paulo agora e parece que achou um piso.

Será "O" piso? Não sei.

Mas sei que quanto mais os preços do boi gordo quiserem cair, maior será a pressão para arroba do boi ir buscar a arroba do bezerro no futuro.

Abraços,

Rogério.

Quais foram os anos bons e ruins para os preços do boi gordo? - Parte 2

postado em 20 de fev de 2017 16:59 por Carta Pecuária   [ 20 de fev de 2017 17:43 atualizado‎(s)‎ ]

Um querido leitor me mandou a seguinte indagação referente ao artigo "Quais foram os anos bons e ruins para os preços do boi gordo":


Rogério,

Você não acha que esse ano de fato é bem diferente da maioria, ou todos que já vivemos, dado o tamanho da crise interna que estamos vivendo, e faz sentido preços mais comprimidos (Mercado abaixo da média dos piores anos)?

Ou você acredita mais que o mercado está sobre vendido e você acredita mais em uma recuperação?



Excelente colocação.

Deixe-me tentar expor as coisas do que vejo.

Longe de estar com a razão, por favor, a gente aqui acompanha esse tipo de sequenciamento de bons/médios/ruins há um pouco mais de vinte anos, então vai-se com o passar do tempo se formando uma ideia, fazendo conexões imprecisas na cabeça, insights... porém aos trancos e barrancos o limitado conhecimento que puxamos disso nos tem sido suficientemente para os negócios no decorrer dos anos.

Daí vou dividir com vocês o que aprendi na base da tentativa e erro analisando essas coisas.


1ª coisa -- No curto prazo temos a tal crise.


Se a 'crise' de alguma forma desemboca nos preços da arroba do boi... Se a 'variação' nos preços do boi pode ser usada para medir o tamanho de uma crise... então essa atual está sendo de fato forte.

São três anos 2015/16/17 com um desempenho nos preços dentro do ano ruins.

Está sendo a PIOR sequência de anos ruins desde o início do plano real?

Não.

Tivemos uma sequência de quatro anos, 2003/04/05/06, como recorde negativo até aqui.

Resumo: A coisa está "braba", mas até aqui já vimos coisa pior.

Isso não significa que não possa piorar, mas vamos continuar o texto.


2ª coisa -- Quanto maior a pressão para baixo, maior (em dobro) a pressão para cima.

Ocasiões em que a arroba do boi é pressionada para baixo ou fica por bastante tempo perto das médias dos 'piores anos' ou até mais baixo que isso, na sequência do ano seguinte ou até mesmo dentro do ano a gente vê uma explosão de preços para cima.

Isso se deve a três motivos.

O primeiro é a Inflação, pois a carne é um produto que acompanha o ganho médio da população.

O segundo é a Demanda. São necessários em média entre 400 e 500 mil animais sendo abatidos todos os anos A MAIS simplesmente para tentar manter o consumo estabilizado por habitante.

O terceiro são os Custos do estoque preexistente. Não influencia muito agora o boi magro ou o bezerro estar barato.

O grosso da oferta de gado gordo já foi comprada há três, dois, um ano atrás, caro leitor. Esse gado hoje que está desaguando nos currais dos frigoríficos possui um custo de produção extremamente próximo aos preços de venda praticados atualmente. Na casa dos 130/140 reais por arroba é seguro colocar esses custos.

Na história quando isso ocorreu foi sinal de mudanças de mercado.

Resumo: Quando a gente junta isso tudo, como em 2017, há pressão para baixo você gera automaticamente uma pressão maior anda para cima no decorrer do tempo.

2º semestre desse ano? 2018? Não sei. Só sei que a oportunidade que se apresenta em 2017 para "compra", seja de boi gordo pelos frigoríficos ou de boi magro, bezerro pelos invernistas não é de se jogar fora.


3ª coisa -- Aqui é importante notar que a crise está acontecendo e contida dentro dos movimentos pendulares e cíclicos da dinâmica do ciclo pecuário (ele outra vez!).

Tivemos sorte. A 'crise' pegou a pecuária na sua fase de retenção de matrizes a partir do final de 2013.

Isso é importante. Para dar um prognóstico e entender para onde andará o mercado é necessário enxergar para o que acontece com as fêmeas.

Para "derrubar" o boi, é necessário paralelamente o abate de fêmeas estar em alta.

O abate de fêmeas está em alta? Nas leituras de curto prazo sim. Porém é necessário tomar isso com uma pitada de sal e colocar isso em contexto. Nas leituras dos anos anteriores em que tivemos uma decorrência parecida na fase atual do ciclo pecuário também acontecia exatamente assim da oferta aparecer grande.

Isso é preocupante?

SIM, é preocupante porque a tendência da cria mudou. Passou de segurar o máximo possível de fêmeas nos pastos para começar a vender as fêmeas e enxugar o estoque. Quando isso ocorre, esse movimento fica ativo por muito tempo.

NÃO, não é preocupante aqui porque é necessária MUITA, mas muita oferta de fêmeas consistentemente aumentando por vários anos para mudar o transatlântico pecuário de curso.

Ele irá mudar, sim, mas como exemplo, da última vez que tivemos uma diminuição na retenção de fêmeas para inversão ao abate nos padrões do atual movimento, em 2008, a "oferta" de fêmeas demorou cinco anos, de 2008 até 2013, para refletir negativamente nos preços dos machos.

Resumo: "Quem manda no boi é a vaca".

Esse ponto é tão importante que merece uma explicação melhor.

Veja o gráfico abaixo, por gentileza.

Existe um descarte natural zootécnico de fêmeas. E existe um descarte "econômico" delas, onde a variação ano-a-ano nesse descarte influencia os preços da pecuária em função no aumento de carne de fêmeas no mercado.

Achei o número de +10% de aumento nos abates como a virada entre descarte/retenção.





Retenção (pouca oferta de fêmeas, abates < +10%) é sinal de aumento forte nos preços dos machos.

Abate (muita oferta de fêmeas, abates > +10%) é sinal de aumento suave/queda nos preços dos machos.

Hoje o abate anualizado está em -9%, então temos um longo caminho até isso impactar nos preços dos machos.

Nos períodos de abates de fêmeas a arroba do boi gordo oscilou, respectivamente, +3%, -15% e +20%.

Nos períodos de retenção de fêmeas as oscilações foram +46%, +36%, +101% e +32% (essa última, menor em relação as anteriores, aí sim, creio, impactada até aqui pela tal 'crise')
.

A pergunta que se deve fazer é: a crise continuará?

Não creio.

Já há sinais bem fortes de mudança de rumo já aqui em 2017 e também para frente, acumulando-se melhorias que impactarão no humor e na renda das pessoas aos poucos.

Esse "aos poucos" daí já estamos falando um pouco mais já 2018, nítido em 2019 e evidente em 2020, certo?

Olha só, se o Brasil estiver "bem" lá, de novo, a pecuária vai dar sorte.

Iremos estar em plena oferta de fêmeas para abate com um mercado consumidor ávido para consumi-las.

É uma boa noticia, não?

O que você acha?

Quais foram os anos bons e ruins para os preços do boi gordo?

postado em 20 de fev de 2017 02:20 por Carta Pecuária

Quer saber o quanto o boi subiu (ou caiu) no decorrer dos anos anteriores?

O jeito mais simples e prático de enxergar isso é colocar todas as variações de preço dentro do ano na base 100.

O que é base 100?

Significa que o primeiro preço do ano e de todos os anos começa sempre com 100.

Daí a gente pega a variação real e original dos preços dentro daquele ano em cima desse preço inicial.

Então... se os preços até outubro, por exemplo, subiram 20%, lá irá marcar 120.

Se os preços para maio, sei lá, caíram 10%, então a leitura é 90 nos gráficos.

Certo?

Faça isso para todas as arrobas de todos os anos desde 1994 e você terá um quadro bem interessante.

Além disso, porque pararmos aí?

Que tal classificar também cada ano em "bom" ou "ruim"?

A gente já sabe que a arroba desde 1994 para cá se valoriza ao redor de 8%...

Seremos conservadores aqui.

Um ano bom foi quando a arroba fechou pelo menos com 105, ou seja, com 5% de alta.

Se não fechou acima de 105 consideramos um ano ruim.

Você verá a junção dessas coisas na figura abaixo.

Como está se comportando 2017 frente a história?

Muito parecido com um ano ruim.... até agora, pelo menos.

Ah, sim, clique na imagem para vê-la em tamanho grande.




Quanto vale um gráfico?

postado em 16 de fev de 2017 17:35 por Carta Pecuária

Quanto vale um gráfico pecuário?

Depende do que você quer fazer com os seus animais gordos.

Vale pouco se a venda do gado é por precisão.

Tem que vender? Que seja! Não dá para esperar. Nessas horas a gente fecha os olhos e fazer acontecer. Coloca o dinheiro no bolso, paga as as contas e, se sobrar, comprar uma reposição.


Vale muito se a venda do gado é por opinião.

Se o gado é para ser negociado, se a venda quiser ser feita em um bom preço, tem horas que vale a pena esperar até conseguir um preço melhor com eles no pasto?

Bom, poucas vezes na história a resposta para isso foi "sim". Mais precisamente, apenas oito vezes nos últimos dezesseis anos....

São poucos os momentos, são raras as janelas de oportunidade. Por isso são importantes.

Quer saber? Estamos passando pela nona vez agora.

Observe o gráfico abaixo.










Quando o ágio da arroba do bezerro atingiu seus picos, em até trinta dias depois dos picos a arroba do boi gordo subiu em todas as ocasiões nos últimos dezesseis anos.

Como disse, essa é a nona vez (em verde).

Teremos a repetição do que aconteceu antes?

Ou dessa vez é diferente?

O que fazer aqui?

Esperar e pagar para ver?

Ignorar e vender?

Um pouco dos dois?

É... um pouco dos dois é  uma boa.

Carta Pecuária nº 659

postado em 9 de jan de 2017 11:22 por Carta Pecuária   [ 9 de jan de 2017 11:22 atualizado‎(s)‎ ]


https://drive.google.com/file/d/0By89o6YJo4i6Mm9yZTNWOFpLekk/view?usp=sharing



Prezado leitor,

A edição nº 659 da Carta Pecuária está disponível para leitura!

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Resumo da edição atual:


Piso nos preços do boi gordo.

Os preços do boi gordo passam agora por um teste ferrenho do seu piso recente. Esse mesmo piso foi testado mais duas vezes nos últimos doze meses e não foi rompido. O que acontecerá agora?

Mercado futuro pessimista.

Mercado futuro trabalha atualmente em média abaixo dos preços do mercado físico. Isso faz sentido? Ou é apenas uma indecisão momentânea?

Retorno aos fundamentos.

Tem algo estranho com o mercado. Vimos isso na edição passada. Na edição atual colocamos mais ingredientes nesse mistério.


Isso e muito mais na edição atual!

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Melhore sua Comercialização de Gado.

O que acontece quando o bezerro faz um pico de preço?

postado em 15 de dez de 2016 19:16 por Carta Pecuária   [ 15 de dez de 2016 19:25 atualizado‎(s)‎ ]

O bezerro fez seu pico mais recente no ano passado, caro leitor, ao redor de 1500 reais por cabeça. Valores aferidos pelo indicador Esalq/BVMF do bezerro, preços à vista.

De lá para cá a cotação desse pequeno animal não conseguiu romper esse valor. O bezerro oscila atualmente uns 300 reais abaixo disso ao redor de 1200 reais por cabeça pelo indicador Cepea.

O que isso significa? Esses picos são importantes?

São de extrema importância. Mostram um rito de passagem do mercado. Mostram "Ei, olhe até onde eu fui!"

Quando olhamos para a história dos preços esses picos se tornam ainda mais importantes e informativos.

Observe a figura abaixo.






Aqui coloco os valores corriqueiros do bezerro, ou seja, os valores nominais (em preto).

Em vermelho coloco esses mesmos valores corrigidos pela inflação.

A inflação corrige a corrosão da moeda, caro leitor. Assim a gente compara banana com banana. Compara um preço de um bezerro de 300 reais lá em 2002 e vê o que isso valeria hoje.

E parece que esse bezerro valia em valores atuais ao redor de 700 reais. Foi ali que aconteceu seu pico de 2002.

Agora chego onde queria chegar. O que acontece quando o bezerro faz um pico de preço?

Ele demorou seis anos para conseguir rompê-lo.

É sério. Não estou brincando. Repare que nas duas últimas ocasiões de picos bem definidos nos preços do bezerro, em 2002 e em 2008, o bezerro só conseguiu romper para cima o seu pico anterior depois de seis anos!

O que isso nos diz do mercado atual? O bezerro fez seu pico em 2015. Estamos há dezoito meses aproximadamente em que essa "regra" está funcionando.

2021, alguém?

Com certeza muitos dirão: "Dessa vez é diferente."

Foi o que disseram nas ocasiões anteriores também.

Não estou fazendo juízo de valor. Só demonstrando que no mercado pecuário as coisas demoram mais tempo do que a gente imagina.

Especialmente no mercado do bezerro, pois quando ele entra em uma tendência, no caso, de baixa, ele demora muito tempo para reverter o movimento. E quando ele sobe também o faz por bastante tempo.

O que fazer com uma informação dessa?

Sempre é bom saber, penso.

Agora, o que realmente fazer dentro da fazenda dependerá do seu negócio, se é cria, ciclo completo, engorda, etc.

E as decisões são antagônicas. Para quem engorda os preços estão bons para comprar bezerros.

Para o criador esses valores de 1200 reais estão perigosamente próximos do custo de produção e ruins de vender.

Mas o mercado é soberano e irá onde quer ir.

Veremos para onde. E veremos se repetirá a história.

Guia Prático da Carta Pecuária - Parte 4 de 13 - Ranking Cepea

postado em 13 de dez de 2016 12:31 por Carta Pecuária   [ 13 de dez de 2016 12:43 atualizado‎(s)‎ ]

Guia Prático da Carta Pecuária

Parte 4 de 13

"Ranking Cepea"





Nesta quarta etapa do guia continuaremos a olhar para as praças regionais, porém agora iremos inverter a ordem das coisas. Se nas Fichas Regionais (Parte 3 de 13 - Clique aqui) falamos sobre as praças e seus respectivos mercados, agora a ordem será o ranking dos mercados no Brasil. Você pode pegar as partes anteriores aqui (Parte 1 de 13) e aqui (Parte 2 de 13):

O intuito é estabelecer quem é quem. Qual a arroba mais cara hoje? Qual a mais barata?

Aonde se encontra o bezerro mais barato? Onde está o boi magro mais caro?

E assim adiante. A apresentação para os assinantes da Carta Pecuária desse documento é mostrada abaixo.






Em cada praça catalogamos nove maneiras de ver o mercado pecuário local, na ordem de leitura:


Boi Gordo R$/@
Diferencial de Base do Boi Gordo
Escala de Abate de cada região
Vaca Gorda R$/@
Desconto na arroba da Vaca pelo Boi Gordo
Boi Magro em R$ por cabeça
Taxa de Reposição do Boi Magro (Quantos bois magros se compram com a venda de um boi gordo de 19@)
Preço do Bezerro em R$ por cabeça
Taxa de Reposição do Bezerro (Quantos bezerros se compram com a venda de um boi gordo de 19@)
A forma correta de ler o documento é mostrada abaixo.









Qual a função desse documento, caro leitor? É simples. Imagine que você fosse um pecuarista no Tocantins. O que olharíamos aqui?






A primeira coisa que olharia é onde está perante o Brasil a arroba da minha região. Vejo que aqui o Tocantins se encontra no "fundão" das arrobas, próximas dos menores preços, porém ainda acima de 130 reais.

Em seguida gostaria de dar uma olhada nas escalas de abate médias do estado.






Hmm, aqui a coisa não está nada boa para o Tocantins. Repare que as escalas de abate da região hoje são as mais longas do Brasil. A leitura nos diz que a escala andou muito e hoje temos que esperar doze dias para os animais serem abatidos.

Escalas de abate longas significam oferta de gado gordo para os frigoríficos, mas também significam que os frigoríficos estão querendo ficar com escalas desse tamanho, caro leitor. Existem os dois lados da moeda aqui. De qualquer forma, a leitura não deve ser isolada. É por isso que existe a construção do raciocínio e esta é a quarta parte desse raciocínio.

Seguimos em frente para olhar o diferencial de base do Tocantins para a base, São Paulo.






Aqui a mesma coisa se repete, o diferencial de base está entre os maiores atuais. Porém, não está tão baixo assim para um estado com tanta oferta aparente de gado.






Para quem vende vacas, acima também vemos que a posição nacional de arroba de fêmea também acompanha as dos machos e se encontra entre as mais baixas do país para o Tocantins.

A seguir vamos colocar essa conta da vaca relativa à arroba do boi gordo.






Repare que a vaca no Tocantins está trabalhando com um desconto ao redor de -5% para a arroba dos machos. Não é dos menores, mas também não é dos piores. Interessante é ver Rondônia, que a arroba está até mais barata da vaca está trabalhando com um deságio bem menor.

Até aqui vimos os preços e o mercado de venda de gado. Vimos que o Tocantins não se encontra entre os melhores preços de hoje. Vimos também que é a escala de abate mais longa do país.

É importante ter em mente que essas coisas são móveis, caro leitor. Nem sempre o Tocantins está ali no final do ranking. Ao contrário, as praças possuem dinamismo. As oportunidades de negociação aparecem. Tem horas, acredite, o Tocantins sobe vertiginosamente no ranking. Essas são as janelas para a gente ficar de olho. Como elas são furtivas, ou seja, aparecem e desaparecem com muita velocidade você, que é profissional de engorda e faz seu negócio com seriedade com certeza faz seu dever de casa e sempre monitora as condições de mercado da sua região, certo?

Essa é uma pergunta retórica, não precisa responder. Mas fica aí uma forma de acompanhamento do mercado da sua região que, a meu ver, traz uma visualização do cenário pecuário nacional que você não conseguiria de outra forma.

Seguindo em frente vamos virar da venda para a compra e olhar para o boi magro e bezerro.






Acima temos o ranking dos preços do boi magro Brasil afora. Repare que nesse quesito, quanto menor, melhor, certo?

É um alívio ver o Tocantins bem baixo na tabela aqui. O seu boi magro está entre uns dos mais baratos do Brasil hoje. O mais barato é Rondônia.






Aqui a alegria durou pouco, a taxa de reposição do boi magro até que não está ruim, ao redor de 1,50 bois magros por boi gordo estamos embolados ali no centro dessa conta.

Aqui começa a análise. Repare Rondônia. É o boi magro mais barato do Brasil. Será que compensaria a gente comprar boi magro em Rondônia e enviar para o Tocantins? Lá o boi magro gira ao redor de 1.500 reais. No Tocantins, 1.700 reais. Consigo colocar esse animal lá gastando menos de 200 reais entre frete, impostos e comissão?

Não sei a resposta. Talvez enviar para o Tocantins não vale à pena. Mas será que valeria a pena enviar para Três Lagoas, MS? Lá o boi magro gira ao redor de 2.100 reais.

Entendeu o raciocínio? Aqui nesse painel abre-se o leque de possibilidades de compra de gado. Atiça a necessidade de olhar além dos 300 km de raio da fazenda. Tem saído bastante negócios de gado magro de longa distância, caro leitor. A razão é a disparidade de preços no Brasil. Acredito que essa disparidade ainda é pouco aproveitada por quem engorda gado.





Acima temos o ranking de preços de bezerros no país. O Tocantins está em vermelho. O bezerro lá atualmente encontra-se, segundo o Cepea, ao redor de 1.150 reais. É um dos bezerros mais baratos do país, perdendo apenas para o Pará e Rio Grande do Sul.






O bezerro também ocupa a região central do ranking de reposição valendo ao redor de 2,15 bezerros pela venda de um boi gordo de 19@. Aqui não tem muito o que fazer. As alternativas de compra de bezerro são do Pará, mas por uma diferença pequena e Rio Grande do Sul, que ficaria inviável enviar para o norte. Mas não está ruim. Você consegue repor por uma taxa parecida que se consegue em Dourados e no Paraná hoje.

Um resumo.

Se olhássemos para o Tocantins teríamos a fotografia do comportamento dessa praça hoje perante o resto do país. Tem horas que a praça está bem colocada, tem horas que está mal colocada. Nos mercados de "venda" como boi gordo, vaca gorda, escala de abate, desconto da vaca para o boi e diferencial de base o estado encontra-se em uma posição na parte de baixo do ranking nacional no momento. Isso significa que o mercado está com oferta na região.

Ao mesmo tempo, o momento dos preços de venda está refletindo nos preços dos mercados de "compra", no caso boi magro e bezerro. O estado está bem posicionado, seus preços estão bons para quem está querendo comprar gado no momento. Para quem está querendo vender reposição, no caso, o criador, é hora de trabalhar muito bem essa venda.

Experimente fazer essa mesma análise para a sua praça.







Na parte 5 desse guia seguiremos para um ajuste fino dessa oferta entre as praças. O intuito aqui já é caminhar para o momento de negociação.

Grande abraço,

Rogério Goulart.





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