C- Moçambique na atualidade - Em pé de guerra outra vez (Jun. 2012 / Jun. 2016).




Moçambique em pé de guerra, é o que resumirei em poucas linhas e muitos elos (links) remissivosjá que pelo Brasil o mutismo da imprensa sobre esta pauta parece indicar que o tema é, por aqui, destinado a cegos, surdos e mudos, pois África - em que pese o exotismo que exerce algum apelo por cá -,  é pobreprimitiva e remota, estereótipos reducionistas prevalecentes. Por isso as atenções massificadas dos habitantes das terras brasis mais se voltam, geopolítica e ludicamente, não sem deslumbramento e pasmo pela  eficiência institucional e ordem social, para o eldorado do continente americano, sobretudo para os cenários do poder que emana de Washington, os recreios da Disney e o consumismo grato às pechinchas de Nova Iorque.

A irmandade lusófona é algo sublime mas, está visto, enreda-se na percepção do abstrato,  do inerme e, ao que parece, das formalidades enfatuadas e homenagens estéreis ou do burocratismo maçante e até maningue chato. 

A lusofonia, como causa agregadora de identidades e aglutinadora de solidariedade, mundo afora,  parece mais fazer sentido para os utópicos e alguns poucos que na academia se originam ou ali se assentam. Menos bissextos que estes são os que nela reparam quando se apresenta como oportunidade e alternativa vantajosa para aliciar mercados de cooperação, de investimento e consumo, quase sempre permissivos  e  propositalmente   vulneráveis, pela apetência de lucros fáceis pelo jabaculé: as comissões, de polpudos  saguates, para saciar a venalidade voraz. Isto para além, claro está, dos que se desdobram, com o pires na mão, a pretexto de angariarem recursos para as nobres causas nacionais e as mazelas sociais expostas com crueza e ênfase, locupletando-se, não raro, da maior parte deles, em filantropia a proveito próprio.
Recomenda-se a leitura do arquivo abaixo anexado - Negócios brasileiros em África -, que revela como as grandes empreiteiras e multinacionais do Brasil angariam obras e negócios em Moçambique e em outros países do continente africano.



"A história começa primeiro como tragédia, depois se repete como farsa"
K.Marx

Na paradisíaca mas longínqua costa oriental de África, o Índico continua a lamber as feridas ainda abertas em Moçambique, desde as duas guerras  (ya maputukesiya dhoropaque no século XX dilaceraram aquele país, mormente a civil que se seguiu à desastrada descolonização, apressada e sovieticamente monocórdia, conduzida por Portugal na sequência do Abril  de 1974 .

Pois foi no que ali deu a outorga dos destinos da nova nação a um só grupo político-militar, a Frelimo, então submisso e alinhado - como a seu modo chegou a ser Portugal -, à União Soviéticaum confronto armado - fratricida, sanguinário e dissipador de preciosos e escassos recursos econômicos e financeiros -, no enfrentamento da Renamo -  outro grupo político-militar -, deixando um rastro lancinante e purulento de 1 milhão de cadáveres,  machambas de minas terrestres, que ainda hoje mutilam e matam muita gente,  e uma multidão de refugiados e párias, que até o presente - embora já tivesse sido pior em passado recente - modelam a realidade de carência e infortúnio das populações moçambicanas.   (Não  deixe de ler o documento "Descolonização e o 25 de Abril",  acostado ao tópico "Jornalismo em tempos arestosos: Moçambique e Portugal").

Após 16 anos, a guerra civil moçambicana teve o seu termo em 1992, pelo Acordo Geral de Paz assinado em Roma por Joaquim  Chissano (Frelimo) e Afonso Dhlakama (Renamo), com a mediação da Igreja Católica, a qual chegou a ser nacionalizada, reduzida que foi à obediência e submissão extremada ao fundamentalismo dos dogmas marxistas-leninistas naqueles tempos impostos pela Frelimo em Moçambique.

Com a derrocada da União Soviética, em 1991, novos modelos de governança se impunham aos Estados Nacionais que antes se assentavam numa ou noutra trincheira dos dois blocos imanentes ao período da Guerra Fria: a democracia, nos moldes ocidentais, passou a ser adotada, após isso e para alguns na amarra, como padrão. E esta concebe-se, por um de seus vieses, pela representação popular através de múltiplos partidos políticos, que, por vezes, se coligam e alternam na condução dos destinos dos respectivos países.

Moçambique e a então exaurida Frelimo, qual hidra sobrevivente, de muitos artifícios e múltiplas faces, alinharam-se aos novos ventos e paradigmas. Contudo, só em parte, já que alternância de poder não é coisa por lá bem vista e muito menos quista.No mais, o modelo de democracia pluripartidária, com precariedades e adaptações idiossincráticas, na aparência fática é o sistema que ali vige. Não obstante, a Frelimo detém, desde a independência - Julho de 1975 -, o controle absoluto das rédeas do poder central, ajustando, desde sempre, as regras e os resultados dos pleitos eleitorais -, que depois passaram a realizar-se rotineiramente, para se manter a fachada democrática -, às suas conveniências de manutenção do poder.

A gota de água que transbordou os novos confrontos em Moçambique, entre a Frelimo e a Renamo, ameaçando a eclosão de outra guerra civil generalizada, foi a das eleições autárquicas  de 2013. A Renamo recusou-se a participar delas, denunciando a farsa e as fraudes renitentes urdidas pela Frelimo. E Afonso Dhlakama, líder da Renamo, começou a ser caçado como proscrito, sendo atacado em suas terras pelas forças governamentais de Moçambique, ao que passou a responder com incursões de guerrilha em territórios nos quais suas milícias mantêm presença . Por isso há quem defenda, nos quadros da Frelimo, a sua eliminação física, tal como ocorreu em Angola com Jonas  Savimbi, em 22 de fevereiro  de 2002 . A lógica cosa nostra, de eliminação de rivais, é prática recorrente a que, desde há muito, lançam mão os líderes jurássicos da Frelimo - os documentos abaixo anexados põem isto às claras -,designadamente Sérgio  Vieira, useiro e vezeiro nessa práxis, que agora advoga aplicar-se a Dhlakama, com a aprovação de Armando  Emílio  Gebuza e sua entourage, para o deleite especulativo dos dislates de alguns outros mais.
Recomenda-se a leitura, em documento abaixo anexado, da entrevista concedida, ao jornal Savana, pelo general  Mariano de Araújo Matsinhe - que chefiou, depois de Sérgio Vieira, o SNASP, Serviço Nacional de Segurança Popular, a polícia política moçambicana criada por Machel -, onde afirma que "na Frelimo era norma fuzilar".
Neste entremeio, desmandos, atrocidades e ataques de guerrilha vitimam as populações moçambicanas,  os estrangeiros lá residentes,  levando total insegurança às rodovias e ferrovias, como vem ocorrendo em Nampula, ao norte, em Sofala, ao centro, e noutras regiões onde  a Frelimo e  a  Renamo  se confrontam, enquanto em Maputo, a capital, prosseguem as arrastadas conversações para se  alcançar cessar-fogo, menos por vontade própria e mais para se atender o big  boss, contando-se, para tanto, com a presença de  observadores   internacionais,   muitos   embates   e  impasses   bipolares  de negação da alteridade.

Não promete ser de bonança o futuro de Moçambique, diante do acirramento dos confrontos militares protagonizados pela Frelimo (veja também o comunicado da Renamo, de 5 de março de 2014, abaixo anexado). Acrescem-se a este quadro belicoso as dissensões políticas açuladas pelo nome indicado, pelo governo moçambicano, para candidato da situação às próximas eleições presidenciais de 15 de outubro de 2014 -  Filipe Jacinto Nyusi, o último ministro da Defesa -, em substituição de  Armando Gebuza, com o objetivo de perpetuar a estiolada Frelimo no poder, que ocupa há 39 anos ininterruptos. A Renamo, por seu lado, insiste no nome de Dhlakama como candidato à presidência da República de Moçambique, tendo já se recenseado.  E completa-se a lista a esta corrida eleitoral com outro participante: Daviz Simangodissidente da Renamo, líder do MDM, filho de um dos muitos mártires do barbarismo e da maquiavélica autofagia da Frelimo, Uria Simango.   


Adendo
Estes e outros deploráveis exemplos que nos dão as ególatras lideranças moçambicanas, não são singulares no espaço lusófono, onde sobram modelos de malversação do sistema democrático, que agudizam as crises políticas, econômicas e sociais que o afetam atualmente.
Não é diferente o que ocorre em Portugal que teve, com o caso Sócrates e a Operação Marquês, a ponta revelada desse iceberg. 
No Brasil borbotam, amiúde, escândalos deste jaez, competindo os desfalques ao erário, em volume, com as águas amazônicas na época das chuvas.
Nisso pródigos têm sido os governos do Partido dos Trabalhadores (PT). Já no 1º mandato de Lula, em 2005, ocorreu o Mensalão do PT  (coletiva de imprensa do denunciante aqui). O seu desfecho, em 2014, levou para trás das grades muitos ex-dirigentes do partido no governo, embora, estranhamente, os autores intelectuais e mandantes políticos - havendo  entre eles quem não fosse investigado, indiciado e escapasse impune... -, tivessem tido penas menores que seus co-autores na execução dos delitos e fossem, depois, precocemente indultados.
No governo Dilma Roussef, que sucedeu Lula, mas representa o mesmo partido no poder, crispa-se a situação política, se bruma a social e desmorona rapidamente a econômica,  por conta da Operação Lava Jato (oitivas judiciais aqui, aquiaqui, aqui, aqui, aquiaqui  e  repercussão internacional aqui). Paralelamente transcorre a Operação Zelotes,

que investiga esquemas de corrupção que envolve órgão do Ministério da Fazenda brasileiro, responsável por julgar os recursos administrativos de autuações contra empresas e pessoas físicas , por sonegação fiscal e previdenciária. 

Nos demais países lusófonos os dados abaixo compilados,  da Transparência Internacional, revelam-nos a corrupção como endemia ou metástase que corrói as estruturas dessas nações. Diante de tudo isto, a contraposto, cabe transcrever o que disse José Mujica  (El Pepe)presidente do Uruguai, líder sul-americano que desponta por sua postura de austeridade, audácia, humanismo e visão de vanguarda do mundo, em recente entrevista concedida ao jornal O Globo (aqui): "(...) As repúblicas não vieram ao mundo para estabelecer novas cortes: nasceram para dizer que todos somos iguais. E entre os iguais estão os governantes. Têm uma responsabilidade implícita, e penso que devem viver de forma bastante similar à maioria do seu povo. Têm de tentar representar a maioria desse povo e não devem deixar os resquícios de feudalismo e monarquia dentro da república. Na república, ninguém é mais que ninguém, começando pelo governante. Por faltar esta visão, muitíssima gente, especialmente os jovens, não crê na política. A política não pode ser máfia e tem limitações. Se os cidadãos não creem na ética da política, também não vão perdoar os erros humanos que inevitavelmente estamos fadados a cometer (...)".

Os líderes moçambicanos bem que podiam também espelhar-se (já é tempo!) nos exemplos legados por Nelson  Mandela, que extraiu preciosas lições de suas provações, das de seu povo e das nações  circundantes,  tendo a lucidez, bem como a coragem política e a grandeza moral, de não repetir na  África  do Sul os mesmos erros de rancor, de opressão, de impostura, de oportunismo às canhas e cobiça atávica - assurgentes e há muito institucionalizados na quase totalidade dos estados vizinhos ao seu país, em que pese os desvios e a contaminação também atualmente constatados na RSA, sob a liderança de Jacob Zuma (aqui)-, balizado nos princípios éticos do humanismo africano Ubuntu: sou o que sou que nós somos.

Consulte os nomes das fortunas moçambicanas com empresas offshore listadas pelo Panamá Papers (aqui). Dentre eles consta o de Martina Joaquin Chissano, filha do ex-presidente Joaquim Alberto Chissano, que governou Moçambique de 1986 a 2005, sucedendo Samora  Moisés Machel.  

Recomenda-se a leitura de artigo do África Monitor, abaixo anexado, sobre "Negócios e Política em Moçambique", e o papel que nesta teia oligarca têm Guebuza, Chissano e Graça Machel.

RANKING DA CORRUPÇÃO NOS PAÍSES DO QUADRANTE LUSÓFONO

Índice de percepção da corrupção institucionalizada em 2009

 POSIÇÃO

(Rank)

PAÍS / TERRITÓRIO

PONTOS

(Score)

LIVRE DE CORRUPÇÃO

10 PONTOS

35ª

PORTUGAL

5.8

43ª

MACAU

5.3

46ª

CABO VERDE

5.1

75ª

BRASIL

3.7

111ª

SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE

2.8

130ª

MOÇAMBIQUE

2.5

146ª

TIMOR LESTE

2.2

162ª

ANGOLA / GUINÉ-BISSAU

1.9

180ª

TOMADO PELA CORRUPÇÃO

0 PONTOS

(Critério: quanto maior o nº de pontos menor a percepção de corrupção)

Fonte: Transparency Internacional

 

 

RANKING DA CORRUPÇÃO NOS PAÍSES DO QUADRANTE LUSÓFONO

Índice de percepção da corrupção institucionalizada em 2015

POSIÇÃO

(Rank)

PAÍS / TERRITÓRIO

PONTOS

(Score)

LIVRE DE CORRUPÇÃO

100 PONTOS

28ª

PORTUGAL

63

40ª

CABO VERDE

55

66ª

SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE

42

76ª

BRASIL

38

112ª

MOÇAMBIQUE

31

123ª

TIMOR LESTE

28

158ª

GUINÉ-BISSAU

17

163ª

ANGOLA

15

168ª

TOMADO PELA CORRUPÇÃO

0 PONTOS

(Critério: quanto maior o nº de pontos menor a percepção de corrupção)

Fonte: Transparency Internacional


Os territórios de Goa, Damão e Diu, sob a administração de Portugal até 1961, têm  a sua avaliação incorporada à da ÍNDIA (Posição 76ª/168 e Pontos 38). Macau, por seu lado, que esteve sob a administração de Portugal até 1999,  tem, a partir de então, a sua avaliação subordinada à da CHINA (Posição 83ª/168 e Pontos 37).


Moçambique é o país lusófono que tem o pior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), segundo o relatório de 2015 do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento
(PNUD) - Posição 180ª/188 IDH 0,416 -  (Vide arquivo abaixo anexado Moçambique - PNUD 2015).
Relatório do Desenvolvimento Humano de 2015 (aqui).

(Carlos Alberto Didier - 24/02/2014 e atualizações até 26/06/2016).


Mocambique em pe de guerra



Notas e clipping noticioso de Carlos Didier:
(1) No  texto  as  palavras  destacadas  - de cor diversa do corpo de texto e sublinhadas -, remetem a fontes elucidativas, para respaldo e complemento informativo. Para a estas se ter acesso basta clicar sobre a palavra que uma nova janela se abrirá com seu conteúdo explanador. Em prol do humor, que muitas vezes permeia até as tragédias, destaque-se o burlesco para se mitigar o fardo do abatimento que se apodera de quem as vivencia ou assiste. É por isso que recomendo que se veja o vídeo do link associado à palavra boss, que foi acima grafada, atentando-se às imagens de seu início.
(2) O meu kanimambo João  Cabritahistoriador e escritor, por sua extrema gentileza de me municiar de notícias e informações sobre o que se passa atualmente em Moçambique.
Acompanhe o noticiário diário de Moçambique do canal televisivo STV, através do canal YouTube de Fernando Gil
(3) Para além dos desenhos que compulsivamente rabisco, a música e a poesia - sobretudo as dos outros, já que para estas últimas me faltam destreza e talento consistente -,  permitem-me expressar sentimentos genuínos, mesmo correndo o risco de resvalar pelo pueril cafona e o meloso da pieguice. Mas que importa quando há sinceridade?
De Costa Neto, cantor e compositor moçambicano, abaixo registro o refrão da melodia encapsulada no vídeo adiante inserido. Convido a quem me leia a ouvi-la e comigo fazer coro votivo por Moçambique - (Aku rhula kutave kona, lita yandza tiko leli) -,  que uma vez mais se esgarça pelos grotescos apegos venais e pelas sanguinárias ambições de poder de umas dúzias de donconsigliere caporegime, que de novo se engalfinham. Vale aqui remeter à estrutura hierárquica da  cosa nostra, a máfia italiana, já que foi em Roma, em 4 de outubro de 1992, que a  Frelimo e a Renamo  se beijaram nas faces, fazendo mútuas juras de paz. E embora esta não lhes seja conveniente aos propósitos atuais, pelos ecos que de lá se fazem ouvir é por paz, progresso e ausência de aferrado déficit democrático - pela não efetivação de uma verdadeira alternância pacífica de poder -, que anseia a nação moçambicana, ao invés de outra guerra fratricida.
(...)
Ainda verei o sol nascer
Ainda verei o céu se abrir
Só por ti, oh terra amada,
Iluminando nossas vidas.”
(...)

Ainda verei o Sol nascer... (Costa Neto)


4) O Moçambique edênico mostrado na televisão brasileira - veja o vídeo a seguir -, sem referências às anomias e aos conflitos armados que o abalam presentemente, para além da  , que até se permite e ousa abater à bala, à luz do dia, na via pública e a poucos metros de delegacia policial, membro do poder judiciário -    , juiz de instrução criminal do Tribunal Judicial -
, na capital do país, no bairro Malhangalene (aqui
).

Mocambique na TV brasileira


Idêntico foi o fim, a 3 de março de 2015, do Professor Catedrático de Direito Constitucional, da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), Gilles Cistac, franco-moçambicano assassinado, também à luz do dia e a tiros, no conhecido bairro Polana, na avenida Eduardo Mondlane, em Maputo (aqui e aqui), por haver defendido tese, cara ao maior partido da oposição, Renamo, sobre a viabilidade jurídico-constitucional de criação de províncias autônomas (aqui, aqui e aqui), o que contraria os interesses hegemônicos da FRELIMO, partido no poder há mais de 40 anos. Passado um ano da data do assassinato de Gilles Cistac, sem que nada haja sido esclarecido pela polícia moçambicana, ao menos a biblioteca da universidade a que se dedicou passa a levar o seu nome, em homenagem à sua memória (aqui).

Gilles Cistac fuzilado em Maputo


(5) O consenso para se por termo aos confrontos entre a Frelimo e a Renamo foi, enfim, anunciado no passado dia 5 de agosto do corrente ano, conforme noticiado pelo "Verdade" 
(aqui
). A ele seguiu-se norma legal para anistiar os que se envolveram nos confrontos que tiveram início em junho de 2012, aprovada pelo parlamento moçambicano em 13 de agosto de 2014
 
(aqui
). A assinatura deste pacto de paz, por representantes de segundo escalão daqueles dois partidos, teve lugar no dia 24 de agosto 
 2014 
(aqui
)
, já que não foi possível demover-se Afonso Dhlakama, líder da Renamo,
 a sair de seu refúgio na Gorongosa para se deslocar até à capital moçambicana e ali subscrever o referido acordo, sob a alegação de saber que sua vida corria riscos se assim procedesse e por temer que algo pudesse ser tramado como ocorreu com o seu porta-voz António Muchanga 
(aqui
)
Entretanto, 
Dhlakama voltou a público, no dia 26 de agosto, para denunciar que as forças militares da Frelimo dão ensejo ao recrudescimento da tensão militar no centro de Moçambique, dois dias após se firmarem os termos do cessar fogo 
(aqui
). Enquanto isso, o papel desempenhado por Gebuza, líder da Frelimo e presidente de Moçambique, é analisado por Vitor Igreja, docente da Queensland University da Austrália, como responsável por "uma governação que somente serviu para fomentar a discriminação, a exclusão social, da Renamo e de outros autores políticos da oposição ..." 
(aqui
)
.
Como na maioria dos palcos políticos o contorcionismo, a imprevisibilidade e as posições de ontem raramente guardam coerência com as de amanhã, assim também Guebuza e 
Dhlakama anunciaram que vão encontrar-se no próximo dia 5 de setembro de 2014, na capital moçambicana, para finalmente homologarem o acordo de paz entre a Frelimo e a Renamo  
(aqui
 
aqui
). 
A chegada de Dhlakama a Maputo e a recepção popular de que foi alvo é objeto de reportagem do Canalmoz, de 5 de setembro de 2014, abaixo anexada sob o título; "Dhlakama Regessa a Maputo". As assinaturas de Guebuza e Dhlakama que ratificam o acordo de paz entre a Renamo e Frelimo decorreu em ato testemunhado por muitos representantes de governos estrangeiros e de diplomatas credenciados em Moçambique 
(aqui
).

Campanhas das presidenciais de 2014


Dhlakama, lider da Renamo, sai de seu esconderijo na Gorongosa


Assinatura do Acordo de Paz por Dhlakama e Guebuza


Dhlakama discorre sobre o Acordo de Paz em Chimoio



As campanhas de Nyusi, Dhlakama e Simango


6) Passadas as eleições presidenciais em Moçambique, com a vitória proclamada pela FRELIMO - Filipe Nyusi -, mas contestada pela Renamo, a prometida paz passou a não mais interessar ao partido que ali detém o poder há 40 anos.
Depois de atentados à vida da figura mais proeminente da oposição moçambicana, Afonso Dhlakama, do cerco e invasão de sua residência pela PRM, Polícia da República de Moçambique  - vide foto ao lado do Gen. José Weng San, vice-comandante daquela força policial -,  logo após as eleições presidenciais também se  atentou contra a vida do secretário-geral da Renamo, Manuel Bissopo.
Somando-se a tudo isto a ameaça da oposição de assumir a governança política e administrativa das províncias do centro e do norte, a partir de março de 2016, fica evidente  o fracasso dos esforços para se estabelecer a paz em Moçambique, o que é explicado pelo Prof. Lourenço Rosário - veja-se acima a informação do Bosses Blog que arrola os atuais magnatas de Moçambique -,  mediador do derribado Acordo, entre a  FRELIMO e a Renamo, alcançado pouco antes das eleições gerais de 2014  (vide aqui e vídeo abaixo).

Os motivos do fracasso do Acordo de Paz entre a Frelimo e a Renamo


7) Entretanto, o governo norte-americano e a União Europeia  se insurgem e condenam, com veemência,  os últimos atentados da FRELIMO contra representantes da oposição naquele país.

Estados Unidos manifestam "profunda preocupação" com ataque contra secretário-geral da Renamo

MANUEL_BISSOPO1Os Estados Unidos manifestaram hoje "profunda preocupação" com o ataque a tiro contra o secretário-geral da Renamo, Manuel Bissopo, na quarta-feira no centro de Moçambique, e esperam que os responsáveis pelo "crime hediondo" sejam levados à justiça.
"A Embaixada dos Estados Unidos da América em Maputo manifesta a sua profunda preocupação e condena veementemente o ataque a tiro contra o senhor Manuel Bissopo, secretário-geral do maior partido da oposição em Moçambique, no passado dia 20 de janeiro, e deseja as suas rápidas melhoras", declara um comunicado da representação norte-americana enviado à agência Lusa. 
A embaixada, prossegue o comunicado, "aguarda que as autoridades moçambicanas conduzam uma investigação exaustiva e transparente e assegurem que os responsáveis por este crime hediondo compareçam perante a justiça". 
A representação diplomática dos Estados Unidos condena "os assassinatos e perseguições recentemente reportados a representantes de vários níveis de autoridades locais e políticas", endereçando as suas condolências aos familiares das vítimas. 
A União Europeia (UE) pediu igualmente na sexta-feira o apuramento da responsabilidade pela "tendência de violência" e está a acompanhar de perto a situação em Moçambique, disse à Lusa um porta-voz da UE.


"Este ataque confirma a tendência de violência que afeta a vida política moçambicana e os atores políticos", afirmou o porta-voz da UE, acrescentando que Bruxelas "apela para uma investigação rápida e a clarificação de responsabilidades sobre o ataque a Manuel Bissopo e outros que aconteceram recentemente".
O secretário-geral da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), Manuel Bissopo, foi baleado por desconhecidos quando conduzia o seu carro na cidade da Beira, tendo o seu segurança morrido no local.
Segundo António Muchanga, porta-voz da Renamo, Bissopo, entretanto transferido de uma clínica privada na Beira para a África do Sul, continuava hoje internado mas apresentava significativas melhoras.
Na sexta-feira, o comandante-geral da Polícia da República de Moçambique (PRM), Jorge Khálau, disse em conferência de imprensa que já foi criada uma comissão de inquérito para investigar o ataque contra o secretário-geral da Renamo, lamentando o incidente e condenando os seus autores.
O presidente da Renamo, Afonso Dhlakama, responsabilizou por seu lado na sexta-feira a Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo) pelo ataque a tiro contra Bissopo, acusando o partido no poder de fomentar "terrorismo de Estado".
A Frelimo lamentou na quinta-feira o incidente, no qual não vê motivações políticas, e insistiu na urgência do desarmamento da maior força política de oposição.
Moçambique vive uma situação de incerteza política há vários meses e o líder da Renamo ameaça tomar o poder em seis províncias do norte e centro do país, onde o movimento reivindica vitória nas eleições gerais de 2014.
Afonso Dhlakama não é visto em público desde 09 de outubro, quando a sua residência na Beira foi invadida pela polícia, que desarmou e deteve, por algumas horas, a sua guarda, no terceiro incidente em menos de um mês envolvendo a comitiva do líder da oposição.
Nas últimas semanas, Governo e Renamo têm-se acusado mutuamente de raptos e assassínios dos seus membros. 
A Renamo pediu recentemente a mediação do Presidente sul-africano, Jacob Zuma, e da Igreja Católica para o diálogo com o Governo, que se encontra bloqueado há vários meses.
O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, tem reiterado a sua disponibilidade para se avistar com o líder da Renamo, mas Afonso Dhlakama considera que não há mais nada a conversar depois de a Frelimo ter chumbado a revisão pontual da Constituição para acomodar as novas regiões administrativas reivindicadas pela oposição e que só retomará o diálogo após a tomada de poder no centro e norte do país.
HB/EYAC (AYAC/PMA) // JMR
Lusa – 25.01.2016

8) Nesse meio-tempo, enquanto a FRELIMO e a Renamo trocam acusações sobre a responsabilidade pelo clima de guerra que se vivencia em Moçambique (aqui e aqui),    é em caterva que as populações de Tete - província moçambicana onde a Vale, multinacional brasileira, explora carvão, em Moatize, e onde, por isso, muitos são os brasileiros ali residentes -, se refugiam no Malawi perseguidas pelas tropas de Nyusi, desde o final de 2015 (vide abaixo os arquivos anexados Refugiados Moçambicanos no Malawi e também aqui e aqui).
É neste cenário de turbulência política ateada pela FRELIMO, o partido há 40 anos no poder, que o conflito armado volta a recrudescer no território central de Moçambique (aqui , aqui e aqui), e Afonso Dhlakama reaparece em Satungira, Gorongosa, província de Sofala, para declarar que eventuais encontros entre a Renamo e a FRELIMO, para se alcançar a paz, só serão factíveis com a mediação da Igreja Católica e de Jacob Zuma, presidente da África do Sul, o que é reafirmado na entrevista publicada pelo jornal "O País", no dia 15 de fevereiro de 2016 (vide arquivo abaixo anexado: Dhlakama entrevistado pelo O Pais).  

(9) 1 de Março de 2016 – “A presidência da Renamo (Resistência Nacional Moçambicana) reitera a sua disponibilidade para negociar com o Governo da Frelimo (Frente de Libertação de Moçambique) uma solução definitiva para a atual crise político-militar, que já provocou milhares de refugiados”, é o que se lê em comunicado hoje divulgado pelo maior partido de oposição de Moçambique.

O mesmo prossegue dizendo que Afonso Dhlakama: "reafirma que o processo de implantação da governação da Renamo é irreversível e será implementado ainda este mês de março", acrescentando que pretende fazê-lo "de forma pacífica e em resposta aos apelos populares".

Denuncia-se, no mesmo comunicado da Renamo, a existência de "uma movimentação de grandes contingentes das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) e de armamento pesado do sul para o centro e norte do país". E também se alude “à presença de instrutores militares norte-coreanos para formação das tropas governamentais”.

Veja o informe da Lusa, agência de notícias portuguesa, em arquivo abaixo anexado (Renamo – Irreversível governação de províncias moçambicanas).


(10) 5 de Março de 2016 - Enquanto Filipe Nyusi, presidente de Moçambique,  mobiliza velhos quadros do seu partido - Jacinto Veloso, homem de muitos negócios, político, general da Frelimo na reserva, com assento no Conselho Nacional de Defesa e Segurança, ex-ministro e chefe do SNASP, a polícia política de Machel e antigo oficial desertor da Força Aérea Portuguesa (veja os arquivos anexados Negócios de Jacinto Veloso) -, para se organizar o encontro com Afonso Dhlakama, líder da Renamo (aqui), as estradas moçambicanas continuam sendo alvo de guerrilheiros.

Noticiou-se outro ataque a um ônibus de passageiros hoje, no Barué, Província de Manica, do que resultou 1 (um) morto e 9 (nove) feridos (aqui).  ,


(11) 7 de Março de 2016 -  Líder da Renamo condiciona diálogo com PR moçambicano à presença de mediadores

O líder da Renamo, Afonso Dhlakama, condicionou hoje a retomada do diálogo com o Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, à aceitação de um grupo de mediadores constituído pelo Governo sul-africano, Igreja Católica e União Europeia.
Na resposta por escrito à carta-convite endereçada pelo Presidente moçambicano na sexta-feira, o líder da Renamo (Resistência Nacional Moçambicana) concorda com o reatamento do diálogo, mas, "como forma de evitar os acontecimentos do passado", sujeita as conversações a pontos prévios, nomeadamente a mediação daquelas entidades.
"A Renamo propõe que o Governo aceite publicamente a credenciação destes mediadores, como forma de mostrar ao povo moçambicano e ao mundo em geral o seu compromisso com a paz e reconciliação nacional", declara o maior partido de oposição, na carta, com data de hoje, assinada pelo chefe de gabinete de Dhlakama.
Na missiva, a Renamo lembra que já tinha proposto o envolvimento daquelas instituições e "cujas respostas foram favoráveis", acrescentando que só indicará a sua equipa de preparação para um encontro com o chefe de Estado "uma vez aceite a credenciação dos propostos mediadores".
O Presidente moçambicano dirigiu na sexta-feira um convite ao líder da Renamo para a retomada do diálogo e pediu ao maior partido de oposição "máxima urgência" na designação dos seus representantes para preparar um encontro ao mais alto nível. 
(...) A carta, segundo a nota da Presidência, decorre da reunião, a 24 de fevereiro, do Conselho Nacional de Defesa e Segurança, que determinou a continuação dos esforços do chefe de Estado (...). Do seu lado, Filipe Nyusi designou Jacinto Veloso (veja os arquivos anexados Negócios de Jacinto Veloso), membro do Conselho Nacional de Defesa e Segurança, Maria Benvinda Levi, conselheira do Presidente da República, e Alves Muteque, quadro da Presidência, para a preparação do encontro com Dhlakama.
Na resposta, a Renamo saúda a iniciativa do Conselho Nacional de Defesa e Segurança e, "como protagonista do diálogo, ora temporariamente interrompido, concorda que este seja retomado, com vista a encontrar os melhores caminhos para restaurar a paz e prosseguir com o desenvolvimento nacional".
Para justificar a necessidade da mediação da África do Sul, Igreja Católica e União Europeia, a Renamo invoca acontecimentos do passado recente, "que se caraterizaram em encontros ao mais alto nível sem agenda própria, aperto de mão sem verdadeiro sentido de reconciliação e conversas sem registo".
O maior partido de oposição menciona ainda "falta de seriedade" do Governo no cumprimento dos acordos alcançados nas sessões de diálogo de longo-prazo no Centro de Conferências Joaquim Chissano, em Maputo.
A instabilidade em Moçambique tem vindo a deteriorar-se, com acusações mútuas de ataques armados, raptos e assassínios de dirigentes políticos.
Nas últimas semanas, foram registados ataques a colunas de veículos civis escoltadas pelos militares atribuídos à Renamo, em dois troços da principal estrada do país, na província de Sofala, centro do país. 
Nyusi e Dhlakama avistaram-se duas vezes no início de 2015, mas o diálogo entre Governo e Renamo está bloqueado há vários meses, levando o líder da oposição a ameaçar tomar o poder nas seis províncias onde reclama vitória nas últimas eleições gerais. HB/PMA // VM - Lusa . 07.06.2016


(12) 10 de Março de 2016 - Entretanto, em Moçambique, enquanto decorrem modorrentas as tratativas para a paz, o noticiário irradiado do território central daquele país continua a repercutir, lacônico e impotente, o quotidiano de violência das populações, por ação das forças governamentais da FRELIMO (aquiaqui e aqui).


(13) 11 de Março de 2016 - Os jornais moçambicanos "Savana" e "@ Verdade", nas suas edições de hoje, publicam entrevista com um agente da Polícia da República de Moçambique (PRM), segundo o qual "há esquadrões de morte para abater opositores". Este agente teria atuado em Chimoio com a missão de abater o líder da Renamo, Afonso Dhlakama. Veja aqui ou em arquivo abaixo anexado (Há esquadrões de morte para abater opositores). 


(14) 23 de Março de 2016 -  Moçambique na rota do Isis: Salah Abdeslam terá vivido em Maputo antes dos ataques a Paris, de Novembro de 2015.

Em uma batida policial, em 18 de Março de 2016, Salah Abdeslam, um dos cérebros dos ataques a Paris, de 13 de Novembro de 2015, que então resultaram em 130 mortos (aqui), foi preso no bairro de Molenbeek de Bruxelas, na Bélgica. Dias  depois ataques terroristas (22/03) abalaram a capital belga, deixando um saldo de 34 mortos e 270 feridos, dentre os quais 4 (quatro) brasileiros segundo o Itamaraty (aqui e aqui). Na captura Abdeslam sofreu um ferimento na perna. As forças de segurança belgas e francesas já o interrogaram sobre as atividades terroristas do Estado Islâmico na Europa (aqui).

Salah Abdeslam  em Maputo

As informações sobre pessoas suspeitas de atividades e ligações terroristas em Moçambique, que a seguir se repercutem, foram colhidas junto a fonte confiável e bem colocada na comunidade diplomática de Maputo, capital daquele país lusófono.

Abdeslam e 4 (quatro) amigos, todos do sexo masculino e bem apessoados, viveram em um apartamento que fica no edifício onde se localiza o conhecido café-bar “Dolce Vita” (aqui), na Avenida Julius Nyerere, 822, em Maputo, frente ao Alto Comissariado Sul-Africano, até Junho/Julho de 2015. O grupo era diariamente visto no “Dolce Vita”, reduto frequentado pela juventude descolada moçambicana, bebendo chá-verde e usando permanentemente os seus laptops.
O grupo deixou de ser visto em Moçambique a partir de Junho/Julho de 2015. Dois membros do grupo teriam deixado Maputo seguindo, via aérea para a Europa, por Joanesburgo, África do Sul. Outros dois terão seguido para o continente europeu via Nairóbi, capital do Quénia.

Segundo a mesma fonte a captura de três moçambicanos de origem  asiática pelas autoridades de fronteira sul-africanas - ocorrida em 26 dezembro de 2015, no posto fronteiriço de Lebombo, província de Mpumalanga -, surpreendidos na posse de grandes quantidades de dinheiro - 4,9 milhões de dólares americanos, 2,2 milhões de euros e 20 mil randes -, guarda relação com as atividades desses grupos radicais (aqui).

Ainda de acordo com esta fonte são crescentes as atividades de tais grupos na África Austral. Os mesmos estão usando os países desta região de África como refúgio seguro e para o planejamento, a coordenação e o apoio de suas atividades terroristas. A falta de um policiamento eficiente, a constatação de monitoramento precário pelos serviços de inteligência e as fronteiras desguarnecidas de segurança efetiva, contribuirão para este estado de coisas (Informe originado de Moçambique).


(15) 25 de Março de 2016 - Ecos da Lava-Jato brasileira em Moçambique.

O combate à corrupção está fora das prioridades do governo de Filipe Nyusi, informa o “@ Verdade” (aqui), repercutindo Adriano Nuvunga, diretor do Centro de Integridade Pública (CIP), que é taxativo ao afirmar que "o governo desistiu, de forma não declarada”, de enfrentar o problema.

Por isso ecoam na Assembleia da República (AR) de Moçambique os resultados da Operação Lava-Jato desencadeada no Brasil, sendo citada por Fernando Bismarque, deputado e porta-voz da bancada do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), como modelo e paradigma de combate à corrupção, alastrada, nutrida e amparada pela Frelimo, o partido há mais de 40 anos no poder.

Com a palavra o deputado: "A propósito da EMATUM, queríamos chamar atenção ao nosso povo que o actual Governo juntamente com a Procuradoria Geral da República (PGR), no lugar de empreender uma operação LAVA-ATUM e levar a justiça os obreiros deste rombo ao povo moçambicano, preferem renegociar juros já por si especulativos, por juros criminosos típicos dos agiotas internacionais. É que não se percebe como é que um país como o nosso propõe-se a pagar juros na ordem de 10,5%. Mais grave ainda é adiar a resolução de um problema para 2023. Uma clara irresponsabilidade que devia merecer um veemente repúdio desta câmara. Enquanto o governo defende criminosos e a PGR finge que não vê, no Brasil assistimos a um verdadeiro cerco a corrupção e seus agentes, com a operação LAVA JACTO. Foram presos e condenados executivos de empresas que mantêm relações empresariais com a elite política e empresarial ligada ao Governo de Moçambique".  (Discurso difundido por José de Matos in O PAÍS DA VERDADE [Facebook], assim como pelo jornal CANALMOZ, edição de 23/03/2016).


(16) 29 de Março de 2016 - "Provocação de Nyusi", acusa comunicado da Renamo.

A residência da família de Afonso Dhlakama no bairro da Sommerschield, na capital de Moçambique, Maputo, e a sede da Renamo na mesma cidade, foram alvo, no dia 27 p.p., de uma incursão de militares e policiais fortemente armados, das Forças de Defesa e Segurança (FDS) e da Polícia da República de Moçambique (PRM), informa o jornal “@Verdade” na sua edição do dia 29 de Março.

Aterrorizados, os familiares do líder do maior partido da oposição moçambicana viram serem levados da residência de Dhlakama um computador e 285.500 meticais - cerca de USD $5.527,00 -, que se destinariam às necessidade de manutenção da família e empregados. Para além disso, foram também levadas 22 (vinte e duas) AK-47 - armas que estariam na posse daquele dirigente político desde os tempos do Acordo Geral da Paz de 1992 -, enquanto eram detidos dois paramilitares da Renamo.

Qualificada de “provocação de Filipe Nyusi” - o presidente de Moçambique -, em comunicado da Renamo, a incursão ora feita no domicílio de Dhlakama, em Maputo, lembra aquela outra que teve por alvo, em 9 de Outubro de 2015, a residência do líder oposicionista na cidade da Beira (aqui).

Registre-se que a incursão ao domicílio de Dhlakama e à sede nacional da Renamo em Maputo, verificaram-se sem o preenchimento do requisito básico de mandado de busca e apreensão judicial. O porta-voz do Comando Geral da PRM, Inácio Dina, justificou, com singeleza, o abuso de autoridade assumido pelo descumprimento de norma constitucional elementar: "A Polícia tem o mandado da legitimidade, no quadro das suas funções, de garantir a ordem, segurança e tranquilidade públicas" (aqui).

Anote-se, por fim, que não houve mais qualquer notícia acerca das tratativas para o encontro destinado a selar a paz entre Nyusi e Dhlakama, que é o mesmo que dizer: entre a Frelimo e a Renamo.

(17) 06 de Maio de 2016 - Cadáveres insepultos descobertos em mata por jornalistas estrangeiros em Moçambique.

No momento em que Moçambique recebe a visita do Presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Souza, a Imprensa, local e internacional, noticía a descoberta, em 28 de Abril p.p., de cadáveres insepultos e vala comum com mais de cem corpos, em mata localizada na Gorongosa, região central daquele país africano.

Rebelo de Souza, presidente português, decerto estará informado deste fato e não me surpreenderia o seu horror diante de demonstração de tamanha selvajaria, considerando até que, na juventude, viveu e estudou em Lourenço Marques, hoje Maputo, no Liceu Salazar, nos idos 1968/69, quando já demonstrava ser dotado de inteligência brilhante e formação profundamente humanista.

O massacre da população civil é imputado às Forças de Defesa e Segurança (FDS) de Moçambique, sob o comando da Frelimo, partido no governo há mais de 40 anos.

A violência de que é vítima a população por parte das forças militares de Moçambique, tem sido responsável pelo número cada vez maior de refugiados daquele país em território do Malawi, país vizinho que já acolhe mais de 10 mil moçambicanos, pelo que informa Agência das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).   

Afastado que estou de aqui repercutir sobre a situação de Moçambique, instado por razões de ordem profissional prementes e também por me dedicar atualmente à cobertura dos acontecimentos relativos à situação política brasileira, não poderia deixar passar, no entanto, estas notícias, sobre a barbárie do terrorismo de Estado praticado pela Frelimo contra populações indefesas, sem menção e registro.

Com efeito, desde 1º de Maio p.p. a Imprensa moçambicana vem informando sobre estes fatos, como o fez “@Verdade” em edição daquela data e que a seguir se repercute:

“Pelo menos 15 corpos estão visíveis, espalhados ao abandono na região da Gorongosa, perto de uma vala comum denunciada à agência Lusa por camponeses, numa zona fortemente vigiada por militares das Forças de Defesa e Segurança, testemunhou a Lusa no local. A presença dos militares não permite o acesso à vala comum onde, segundo camponeses, se encontram mais de cem corpos, mas são visíveis dezena e meia de cadáveres nas imediações, espalhados pelo mato e alguns deles despidos.

Dos 15 corpos encontrados por um pequeno grupo de jornalistas no local, quatro foram largados numa pequena savana, a cerca de 200 metros do cruzamento de Macossa para o interior, e os outros foram deixados debaixo de uma ponte próxima da Estrada Nacional 1 (EN1), a principal estrada de Moçambique.

O local onde foram depositados estes corpos fica a seguir à ponte sobre o rio Muare, no sentido Gorongosa-Caia, e onde se tem feito, ainda que de forma tímida, extração ilegal de ouro.

Os cadáveres são de mulheres e homens jovens, uns deixados recentemente no lugar e outros sem roupas, entre a presença de abutres. As autoridades locais desmentiram a existência da vala comum, denunciada à Lusa por camponeses na quinta-feira”. Saiba mais aquiassim como pelo Foreign Policy – FP: Mozambique’s Invisible Civil War. Informe-se também pelo  jornal “Savana”, cuja edição de 06 de Maio de 2016, com vênia, abaixo se anexa.


(18) 19 de Maio de 2016 -  Comunicado da Liga Moçambicana dos Direitos Humanos

Do comunicado da Liga Moçambicana dos Direitos Humanos (LMDH), que abaixo se anexa, há a destacar o seguinte:

1) - A guerra civil está instalada em Moçambique desde 2013, segundo a Liga Moçambicana dos Direitos Humanos (LMDH), que ainda dá notícia de 83 execuções sumárias ocorridas nas últimas semanas nas províncias de Manica, Sofala, Tete e Zambézia, com valas comuns e corpos espalhados pelo mato, o que explica o aumento de refugiados que buscam a segurança no território do Malawi e configuram flagrante violação dos Direitos Humanos, com repercussões elencadas nos Crimes Contra e Humanidade e nos Crimes de Guerra. Afora isso, registra a constatação da existência de esquadrões da morte para eliminar os opositores do regime opressor instalado há 41 anos em Moçambique pela Frelimo, assim como a invasão e a sistemática destruição das sedes dos partidos políticos da oposição, que se somam à proibição de manifestações políticas contrárias ao governo.

2) - O caos instalado no âmbito econômico: A sociedade moçambicana, segundo a LMDH, foi surpreendida com a notícia de endividamentos públicos colossais e insustentáveis, a todos deliberadamente ocultados, inclusive aos credores e parceiros internacionais, contraídos no governo de Armando Guebuza e acobertados pelo seu sucessor Filipe Nyusi, através de empresas públicas então inexistentes, para o desenvolvimento de projetos considerados estratégicos, sem que fossem seguidos os preceitos legais e muito menos respeitadas as instituições democráticas e soberanas do país, em ato de manifesta prepotência, de autocracia e de desprezo pelas leis, já que ignorou e não observou os preceitos constitucionais no tocante à Lei Orçamental e sem a devida chancela da Assembleia da República, o parlamento moçambicano.

Leia na íntegra o abaixo anexado Comunicado da Liga Moçambicana dos Direitos Humanos


(19) Entenda a questão dos empréstimos contraídos à sorrelfa pelo governo da Frelimo

Segundo um relatório de 11 de Maio p.p. do Standard Bank, Moçambique é o país mais endividado da África sub-saariana, com uma dívida que já poderá ser superior a 100% do PIB, o que é considerado insustentável.

Incorporam esta dívida empréstimos vultuosos contraídos às ocultas pelo governo da Frelimo de Armando Gebuza (2005 a 2015) e acobertados por seu sucessor Filipe Nyusi (15 Janeiro 2015), sem autorização do parlamento moçambicano e ludibriando credores – o suíço Credit Suisse e o russo VTB Bank – assim como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI), dentre outros parceiros internacionais: os chamados doadores europeus e o governo norte-americano.

As empresas moçambicanas envolvidas são a Empresa Moçambicana de Atum (Ematum) - 850 milhões de dólares -, a Proindicus - 622 milhões de dólares -,  e a Moçambique Assets Management (MAM) - 535 milhões de dólares.

A Proíndicus foi criada em 2012 para agir como autoridade nacional responsável pela proteção de infra-estruturas nacionais estratégicas, incluindo a Zona Económica Exclusiva, que abrange todo o litoral moçambicano.

A Ematum, a empresa moçambicana de atum,  foi constituída em 2013. Tem como acionistas o Instituto de Gestão das Participações do Estado (IGEPE), a Empresa Moçambicana de Pesca (EMOPESCA) e a Gestão de Investimentos Participações e Serviços (GIPS).

A Moçambique Assets Management (MAM) foi criada para operar instalações navais, nomeadamente um estaleiro em Pemba, ao norte, e outro em Maputo, ao sul, com a finalidade de prestar serviços às embarcações do governo, da EMATUM e da Proíndicus.

Por maior que seja a estranheza que possa causar ver a polícia política, como instituição, participar com quotas societárias, de capital em montante expressivo, em empreendimentos econômicos, para a FRELIMO não há limite no campo da inovação. Assim é que a empresa Gestão de Investimentos, Participações e Serviços (GIPS), tem a participação dos Serviços Sociais do Serviço de Informação e Segurança do Estado (SISE), sucessora do Serviço Nacional de Segurança Popular (SNASP), a polícia política criada por Samora Machel e Jacinto Veloso (1975 a 1991), em 98% do seu capital social; a Empresa Moçambicana de Atum (EMATUM) - que também é participada pela GIPS em 33% -, tem 1% e a percentagem restante pertence a Proindicus - outra empresa participada pela GIPS em 50% do seu capital social.

Adriano Maleiane, ministro da Economia e Finanças de Moçambique, em 15 de Abril negava a existência dos empréstimos ocultos da Frelimo, o que foi agora obrigado a reconhecer, deslocando-se e prestando contas tardias do que foi escamoteado ao parlamento moçambicano (aqui)

Fato é que Maleiane está agora às voltas com a negociação da reestruturação da dívida da Moçambique Assets Management (MAM), empresa beneficiada com créditos garantidos pelo Estado moçambicano à revelia das contas públicas, “porque ainda não tem receitas suficientes para pagar" 178 milhões de dólares (158 milhões de euros), valor da primeira prestação que vence a 23 de Maio f.p. .

O FMI cancelou uma missão prevista para se deslocar a Moçambique, devido às revelações dos empréstimos escondidos contraídos pelo governo da Frelimo e suspendeu toda a ajuda no pagamento de parcelas para atender qualquer empréstimo contraído pelas autoridades moçambicanas, até o deslinde do estelionato tentado.

Depois do trambique descoberto, com as torneiras fechadas dos habituais doadores do ocidente, o presidente de Moçambique, Filipe Nyusi, foi para a China, de pires na mão, para se encontrar com Xi Jinping e firmar o Acordo de Parceria Estratégica Global, através do qual a "China está pronta para aprofundar e ampliar a cooperação amigável e recíproca com Moçambique em diversas áreas no âmbito dos 10 principais planos para a cooperação China-África, para melhor beneficiar os povos dos dois países", segundo as palavras do líder chinês.

Sobre a "cooperação China-África" - e o slogan A China e a África são bons irmãos e Pequim respeita todos os povos -, não há como não fazer referência à publicidade racista da empresa chinesa Shanghai Leishang Cosmetics, proprietária da marca Qiaobi de detergentes, que depois de veiculada, diante das reações que ensejou, desculpou-se nos seguintes termos: "Expressamos nossas sinceras desculpas e esperamos sinceramente que os muitos usuários da Internet e da mídia não enxerguem muita coisa nisso". Veja o vídeo abaixo.

Propaganda chinesa em clima de "cooperação China-África" 


(20) - 21 de Maio de 2016 - As intermináveis negociações de paz entre a Frelimo e a Renamo

Depois de anunciado em 5 de março - por Filipe Nyusi, o presidente moçambicano -, o ingresso do veterano Jacinto Veloso (veja os arquivos anexados Negócios de Jacinto Veloso) como o principal interlocutor da Frelimo para se alcançar a paz com a Renamo, o que repercutiu de Moçambique foi: o genocídio promovido pelas Forças de Defesa e Segurança moçambicanas contra a população civil e, como consequência, milhares de cidadãos engrossando, cada vez mais, o número de refugiados que buscam segurança no território do vizinho Malawi; os ataques dos guerrilheiros de Dlhakama contra postos avançados das tropas do governo e viaturas que circulam pelas rodovias (aqui), deixando um rasto de cadáveres e prejuízos para uma economia débil, quase totalmente dependente de doadores internacionais.

Estando Afonso Dlhakama ainda escondido em parte incerta, parece, contudo, que se vão retomar os encontros abandonados. O líder da Renamo acaba de indicar os três nomes para representar o maior partido de oposição (aqui), embora não pareça ter tido êxito na sua pretensão de conseguir a mediação da África do Sul, da Igreja Católica ou da União Europeia, para solucionar a crise político-militar de Moçambique (aqui).

O povo de Moçambique pede a intercessão dos ancestres e clama por paz


(21) – 24 de Maio de 2016 – MAIS UMA VÍTIMA DOS ESQUADRÕES DA MORTE DA FRELIMO. Segundo o ‘@ Verdade’ “José Jaime Macuane, professor universitário e comentador político do canal televisivo STV, foi raptado segunda-feira (23/05) nas proximidades da sua residência, no bairro da Coop, na capital moçambicana, e baleado nas duas pernas por desconhecidos, no distrito de Marracuene - que dista cerca de 28 km de Maputo -, que tinham a missão de “lhe pôr coxo”. A Polícia da República de Moçambique (PRM), e o Governo do partido Frelimo, sempre célere a esclarecer ataques atribuídos “a homens armados da Renamo”, ainda não se pronunciaram sobre mais este atentado. Este modus operandi é similar ao revelado ao SAVANA e ao @Verdade por um agente das Forças Especiais da PRM que é membro de um esquadrão de elite que, entre outras actividades, tem eliminado alvos previamente identificados pelos Comandantes”. José Jaime Macuane é professor na Universidade Eduardo Mondlane, em Maputo, e comentador do programa “Pontos de Vista”, transmitido aos domingos pela televisão STV. Escreve e comenta sobre sociedade civil, governação, corrupção e outros temas. Associado da empresa de consultoria MAP, centrada na área de gestão pública, governação e desenvolvimento, tem como um dos clientes o governo moçambicano. É doutorado pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro, da Universidade Cândido Mendes, e autor de vários artigos científicos e do livro “Governos Locais em Moçambique: desafios de Capacitação Institucional”, em co-autoria com Bernhard Weimer (2003). Colaborou também com a cientista-política portuguesa, Marina Costa Lobo, num livro sobre o semipresidencialismo nos países lusófonos. Leia a notícia na íntegra (aqui), a análise do fato feita no canal televisivo onde se apresentava Macuane (aqui),  e o documento abaixo anexado: “Há esquadrões da morte para abater opositores”.

(22) - O FMI SUSPENDEU A AJUDA A MOÇAMBIQUE POR CAUSA DA CORRUPÇÃO DAS AUTORIDADES DO PAÍS. Christine Lagarde,  diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), afirmou, ao participar no programa da BBC Woman's Hour (24/05), que a suspensão do financiamento a Moçambique ficou a dever-se aos sinais evidentes de corrupção escondida por parte das autoridades do país: "Quando vemos um país sob um programa do FMI, em que há dinheiro da comunidade internacional envolvido, que não cumpre o seu compromisso de divulgação financeira, que está a esconder claramente a corrupção, nós suspendemos o programa. Fizemos isso muito recentemente com Moçambique", disse Lagarde referindo-se aos USD $1,4 bilhões, montante estimado da dívida escondida pelo governo da FRELIMO.

(23) – 27 de Maio de 2016 - ARMANDO GUEBUZA É QUESTIONADO E ENFRENTADO POR UM DOS FUNDADORES DA FRELIMO: JORGE REBELO.

Em entrevista ao jornal ‘Savana’, em sua edição de 27 de Maio, “Jorge Rebelo, um dos fundadores da Frelimo, onde foi o temido secretário do Trabalho  Ideológico nos tempos de Samora Machel, lamenta o facto de o país ter sido levado para a sarjeta por um líder consagrado como visionário.

“Como foi possível que um camarada, que deu provas de nacionalismo e patriotismo, a certa altura se deixe dominar pela ganância e desgrace o seu país e o seu povo? Estes apetites já existiam nele quando se engajou na luta, ou surgiram mais tarde?

Não sei a resposta. Mas em certa medida nós próprios somos responsáveis, por não termos reagido quando começámos a detectar esses comportamentos”.

Foi nestes termos, sem se referir directamente ao nome de Armando Guebuza, antigo chefe de Estado, que o veterano da luta de libertação nacional manifestou a sua preocupação com o actual rumo que o país está a tomar. Mas mais adiante, Rebelo colocou o dedo na ferida quando questionado se uma eventual responsabilização criminal a Guebuza e elementos do seu governo, que tiveram um papel central nas dívidas ocultas, não provocaria rupturas na Frelimo. “É previsível que provoque ruptura, porque Guebuza tem muitos apoiantes nos vários níveis da governação, que ele colocou lá e que beneficiavam da ligação com ele. Creio que é  por isso que o governo actual insiste em assumir a responsabilidade pelos desmandos do  governo de Guebuza, e recusa responsabilizá-lo. A minha opinião é: se a ruptura acontecer, que venha. Preparemo-nos para enfrentá-la”. Leia o documento abaixo anexado: “Savana – Jorge Rebelo versus Guebuza”.


(24) - AFONSO DHLAKAMA ACUSA GOVERNO DA FRELIMO DE AGIR DE MÁ FÉ

Em entrevista à ‘Deutsche Welle”, empresa de comunicação alemã, “o líder da RENAMO diz que não compreende o apertar do cerco militar à sua pessoa quando negociadores do governo moçambicano e os representantes do maior partido da oposição preparam um encontro para breve entre Nyusi e Dhlakama”.

Na mesma entrevista Afonso Dhlakama “acusa o governo da FRELIMO de agir de má fé, argumentando que o cerco do exército governamental à sua pessoa está cada vez mais apertado”, assim confirmando “as informações de movimentações militares na região centro de Moçambique, reduto do maior partido da oposição”.

Leia entrevista em documento abaixo anexado – “Afonso Dhlakama fala à DW” – ou acesse o texto e o áudio aqui.


(25) – 29 de Maio de 2016 – AINDA O CASO JOSÉ JAIME MACUANE PELO ‘PONTOS DE VISTA’. O programa ‘Pontos de Vista’, do canal televisivo STV, no primeiro domingo que se seguiu ao atentado que sofreu no passado dia 23/05 o acadêmico e comentarista José Jaime Macuane - registro noticioso (21) -, analisa e colhe manifestações de solidariedade e resistência de cidadãos moçambicanos.

Quanto à referência que se faz no vídeo ao assassinato de Gilles Cistac e de membro do judiciário moçambicano, remete-se à anotação noticiosa do item (04) acima.

O programa ‘Pontos de vista’ dedicado a José Jaime Macuane


(26) – 30 de Maio de 2016 – A CAMBALEANTE ECONOMIA MOÇAMBICANA SOB A BATUTA FALIMENTAR DA FRELIMO.

A análise da atual conjuntura econômica de Moçambique feita pelo Instituto de Estudos Sociais e Econômicos, em artigo de autoria de Carlos Castel‑Branco e Fernanda Massarongo, com a colaboração de Rosimina Ali, Oksana Mandlate, Nelsa Massingue e Carlos Muianga, publicado sob o título de Introdução à problemática da dívida pública: contextualização e questões imediatas (2016), em IDeIAS Nº85, desvela e disseca o quadro de desagregação da economia naquelas margens do Índico.

“A crise económica, que se começou a revelar brutalmente com a explosão (crise de dívida) e implosão (retirada do investimento, desaceleração do crescimento económico e aumento do desemprego) da bolha económica (crescimento económico com base especulativa), combinada com a “descoberta” da dívida pública ilegal, contraída ou avalizada pelo governo moçambicano, entre 2013 e 2014, despoletou um amplo debate público em contraste com o silêncio que, até então, dominava o governo, o parlamento, as organizações internacionais e a maior parte dos analistas nacionais. A crença que a negação dos factos e o “assassinato do carácter” dos “críticos” era a “solução” para os problemas foi substituída por uma azáfama de desculpas, justificações, acusações, incredulidade, vergonha, desânimo, medidas punitivas por parte dos doadores, e tentativas de reafirmar a validade das opções económicas que conduziram à situação actual. Com esta série de seis IDeIAS sobre a dívida pública, que este inicia, vamos tentar esclarecer (tanto quanto os dados disponíveis o permitam) e situar a problemática da dívida pública no contexto mais geral da crítica da economia política de Moçambique. Este IDeIAS é, simultaneamente, uma introdução e uma conclusão a esta análise, contextualizando o que será discutido em mais detalhe nos IDeIAS que se seguem e discutindo questões imediatas que a crise actual levanta (...)”. Leia o artigo na íntegra aqui.

Leia IDeIAS_Nº86: A dívida secreta moçambicana: Impacto sobre a estrutura da dívida e consequências económicas (2016).

Leia IDeIAS_Nº87: Rebatendo mitos do debate sobre a Dívida Pública em Moçambique.

Leia IDeIAS_Nº88: Cenários, opções dilemas de política face à ruptura da bolha económica.

Leia IDeIAS_Nº89: Crónica de uma crise anunciada: dívida pública no contexto da economia extractiva.

Veja ainda como os custos da corrupção em Moçambique corroeram 4% do Produto interno Bruto (PIB) - correspondente a USD 4,9 bilhões -, de 2002 a 2014, segundo os dados do Centro de Integridade Pública (CIP), instituto moçambicano, e as instituições norueguesas Chr. Michelsen Institute (CMI) e U4 - Anti-Corruption Resource Centre, no arquivo abaixo anexado: “Os custos da corrupção em Moçambique”.


(27) – RECORDAR É VIVER... OU COMO SE DIZ EM MACUA: OSUWELA SA KHALAI T´OSUWELA AS NANANO THO (CONHECER O PASSADO É TAMBÉM AVALIAR O PRESENTE)... 

Diante do depauperamento e razia da economia moçambicana, veja-se a matéria publicada pelo jornal “@Verdade” que fala de como era a situação no passado, antes da independência de Moçambique: “O nosso país que hoje importa até repolho já foi, antes da independência, uma das mais pujantes economias de África produzindo não só comida para o consumo interno mas também para a exportação, (...) nós não comprávamos farinha milho de fora (...) arroz nós comíamos da província da Zambézia (...) nunca comprávamos laranja da África do Sul (...) éramos o segundo país produtor de copra no mundo”, afirma o professor João José Uthui em entrevista (...)”. 

“Em 1968, 69 e 70, Moçambique era a nona economia de África, depois dos Países do Magreb, Nigéria, Angola, África do Sul e do Zimbabwe. Alguns miúdos quando digo hoje que a manta que você usam nós já fabricamos, dizem este velho conta sempre anedotas, mas é a verdade. Já produzimos mantas iguais a estas que estamos a ir buscar na África do Sul com o algodão produzido em Nampula. Tínhamos mantas de todas as qualidades, desde mantas para o chão, mantas para militares, para uso em hotéis e até para exportação para Europa. Tínhamos três fábricas de cobertores”, declara Uthui que se escusa de falar nas fábricas de castanha de cajú “porque a amêndoa saía já com o rótulo daqui”.

Ainda relacionada à produção do algodão o nosso entrevistado refere que o país produzia vestuário a partir de tecidos produzidos localmente. “Tínhamos a Riopele, a Texlom, a Soveste, a Texmanta em Mocuba, a Fafezal na Zambézia todos estes eram produtores de tecidos, quer de cordas de sisal de linho, de teia de aranha e de algodão”. “Por isso é que João Ferreira dos Santos dava dinheiro a todos os camponeses para comprarem os insumos, que ele vendia, lavrava a terra e dizia o teu campo é este mas não vende a mais ninguém, isto é para eu comprar e daí tinham o arroz, a farinha e o caril garantido durante todo o ano porque sabiam que daquela machamba produziam algodão, e era monocultura. O que é que aconteceu de errado, depois da independência? Não vou aqui falar sobre isso”, acrescenta João José Uthui que é Conselheiro da organização não governamental Grupo Moçambicano da Dívida.

Sobre a produção de comida Uthui recorda-se que “(...) nós não comprávamos farinha de milho de fora, a única farinha que vinha de fora era o trigo para fazer o pão. Havia farinha de primeira, segunda e terceira. O arroz nós comíamos de Musselo Novo, na província da Zambézia. Lopes e Irmãos tinham a fábrica de descasque de arroz em Mucubela na Maganja da Costa, era uma das fábricas. João Ferreira dos Santos em Gaza tinha a fábrica SorGaza, no Xai-Xai. Tínhamos em Angoche três fábricas de descasque de arroz, trabalhavam com arroz produzido aqui”.

Além disso, “Cardiga, que era o dono de gado em Changalane tinha animais que comiam sêmea da fábrica de arroz, produzia carne, depois a pele era usada na fábrica de curtumes aqui. Os nossos sapateiros não íam comprar pele na África do Sul para fazer sapato, e tínhamos também a fábrica (de sapatos) aqui. As lojas de sapatos compravam calçados às fabricas daqui para vender aos moçambicanos” diz Uthui referindo que desconhecem estes factos quem nasceu depois de 1975.

Ademais, de acordo com o professor universitário, Moçambique nunca comprava laranja da África do Sul. “Se for a Manjacaze existe um zona chamada Laranjeira, aquele nome surgiu exactamente porque se produzia laranjas. Não vou falar de Manica ou do Niassa, só aqui do Sul. E as pessoas dali faziam a vida à custa da laranja que se produzia ali, então imagina quanta laranja se produzia”.

“Sabe que nós éramos o segundo país produtor de copra no mundo? E produzíamos sabão, nós nunca comprávamos o sabão fora porque tínhamos aqui à custa da nossa copra, onde foi?”, aponta João Uthui que questionado sobre o que aconteceu depois da independência para que tudo isso se perdesse sugere ao jornalista “explorar para saber o que é que aconteceu para não termos isto tudo (...)”.

Leia na íntegra a matéria do “@Verdade” aqui ou no blogue ekekhayiyowani aqui.


(28) – 31 de Maio de 2016 - A FRELIMO CONSTRANGE E AMEAÇA, PARA SILENCIAR OS ÓRGÃOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL QUE ATUAM EM MOÇAMBIQUE

Depois do  ministro da Justiça Assuntos Constitucionais e Religiosos de Moçambique, Isac Chande investir contra a agência noticiosa portuguesa Lusa - porque noticiou e registrou imagens de corpos insepultos e  a existência de vala comum contendo 120 cadáveres na Gorongosa, província de Sofala -, ameaçando processá-la judicialmente (aqui), outros dois próceres frelimistas imitam-no: Fernando Faustino, secretário-geral da Associação dos Combatentes da Luta de Libertação Nacional (ACLLN), e Helena Taipo, governadora de Sofala, nomeada pela Frelimo.

Faustino, como informa o jornal moçambicano @Verdade, “deixou transparecer o seu ódio visceral pela Lusa, por ter veiculado (...) [aquelas informações] (...) e se dependesse de si o delegado desta agência portuguesa de informação, Herinque Botiquilha, arrumaria as suas malas e sairia de Moçambique”.

Já Helena Taipo, segundo o mesmo jornal, terá dito que “as informações sobre a existência de uma vala comum na região de Canda são infundadas e não passam de uma pura mentira com o objectivos inconfessáveis", embora sem dar qualquer explicação sobre as imagens divulgadas que  registraram corpos  amontoados e cadáveres dilacerados espalhados pelo mato. E isto não foi mostrado só pela Lusa, já que agora também o faz a agência France Press (AFP), como se pode ver no vídeo adiante compartilhado.

Lembra o @ Verdade que “não é a primeira vez que um membro da Frelimo, partido no poder há sensivelmente 41 anos, trata cidadãos estrangeiros sem decoro. No ano passado, o constitucionalista francês Gilles Cistac, que vivia em Moçambique há anos e foi assassinado a 03 de Março 2015, em Maputo, depois de ser considerado ‘ingrato e mal-agradecido’ à ‘hospitalidade e ao acolhimento dos moçambicanos’, por ter declarado que à luz do número 04, do artigo 273 da Constituição, a Renamo podia criar ‘regiões autónomas’ nas seis províncias que diz ter ganho nas últimas eleições gerais. O sentimento de ódio e repúdio em relação aos pronunciamentos de Gilles Cistac, foi manifestado pelo ex-porta-voz da Frelimo, Damião José, segundo noticiou, na altura, a Folha de Maputo, a 19 de Fevereiro deste ano”. E continua o @ Verdade: “ ‘Ele tem a consciência de que está a faltar à verdade (...) com a deliberada intenção de criar confusão nas pessoas em defesa de interesses que ele sabe que são alheios à vontade do povo moçambicano’, disse Damião José, referindo-se a Cistac, que fundamentou que aquela cláusula era suficiente para as pretensões da ‘Perdiz’ (Renamo) e não havia necessidade de mexer a Lei-Mãe, tal como alguns analistas pró-regime defendiam”.  E conclui o órgão de comunicação citado: “O ex-porta-voz da Frelimo perguntou: ‘Será que o académico Cistac se estivesse na Argélia ou na França teria a coragem de assumir a postura que tem estado a assumir, que é uma ofensa e desafio aberto à vontade do povo moçambicano?” (aqui).

Tempos depois, como é sabido, Gilles Cistac seria fuzilado em plena luz do dia, na capital moçambicana, como  registra o informe do item (4) acima. Que se cuide, pois, Herinque Botiquilha, delegado da agência Lusa em Moçambique...

Corpos encontrados em valas comuns - Corpos não identificados foram encontrados em duas valas comuns na Gorongosa. Ninguém assumiu a responsabilidade, embora alguns acusem o governo de envolvimento. As forças de segurança de Moçambique estão a tentar acabar com um conflito com combatentes que se acredita ligados ao partido de oposição Renamo” (Al Jazeera, 25.05.2016).

"Moçambique: A volta aos horrores da guerra-civil - Corpos em decomposição no mato, aldeias destruídas na região central moçambicana, em Gorongosa. Os confrontos entre o exército (Frelimo) e os rebeldes (Renamo) têm reavivado o espectro de uma guerra civil que parecia ter terminado há 20 anos" (Agência France Press – AFP, 31.05.2016).


(29) – 02 de Junho de 2016 - FRELIMO E RENAMO: CONVERSAÇÕES DE PAZ FAZ DE CONTA. Afonso Dlhakama, escondido na região da Gorongosa - segundo informa em sua edição de 2 de Junho o jornal moçambicano “CanalMoz” -, falando por teleconferência com jornalistas denunciou que a Frelimo atacou a base da Renamo, onde se refugiara naquele território central de Moçambique, na passada sexta-feira, 29 de Maio.

Detalhando, Dhlakama disse então que “as forças militares do governo estavam equipadas com 12 BRT’s”, blindados de origem búlgara para transporte de pessoal e assalto da infantaria motorizada, ”que vieram diretamente do Maputo transportando tropa mista”. E esclareceu: “Tropa mista porque têm estrangeiros de raça branca, que desconfiamos sejam chineses”. Dhlakama adiantou ainda que “também há mercenários angolanos, zimbabweanos e tanzanianos” integrados às forças militares da Frelimo.

De acordo com Dlhakama, as tropas do governo acabaram por tomar a base da Renamo, porque ele e os seus homens decidiram abandoná-la para não se tornarem alvo fixo da artilharia pesada de longo alcance.

Enquanto na capital, Maputo, se faz o jogo de cena das reuniões preliminares que buscam uma plataforma de consenso para preparar o encontro entre Nyusi e Dhlakama, a  estratégia da Frelimo desenha-se cada vez mais clara: acossar sem descanso o líder da oposição, atacando e aniquilando a sua capacidade de revide, minando a  resistência da Renamo enquanto se acena com a paz como tática de despistamento. Recorde-se o que disse Joaquim Chissano, - ex-presidente moçambicano que firmou o Acordo Geral de Paz com Dhlakama, para por fim à guerra civil de 16 anos, nos anos 80 e 90 -,  em entrevista ao jornal “Savana”, concedida em 08/Abril próximo passado: "O diálogo de 1990-1992 fez-se no meio do fogo. Não parou a luta, porque o Governo estava consciente de que tinha o dever de defender a população e não podia recuar de qualquer maneira. Fizemos o que nós podíamos e salvámos até onde pudemos" (Veja no arquivo abaixo anexado: “Chissano ao Savana”).

Além do mais é bom não esquecer que a FRELIMO não desistiu da ideia de buscar uma solução à angolana para Moçambique: eliminar fisicamente Afonso Dhlakama do mesmo modo que o MPLA fez em Angola com Jonas Savimbi, para domesticar a UNITA.


(30) - 03 de Junho 2018 – A FRELIMO QUER REPETIR EM MOÇAMBIQUE A CARTILHA DO MPLA EM ANGOLA E DO PAIGC NA GUINÉ-BISSAU.

O vídeo a seguir compartilhado registra o comentário, difundido pelo canal televisivo STV,  de António Frangoulis - antigo investigador da Polícia de Investigação Criminal (PIC), que hoje faz oposição à Frelimo -, sobre as valas comuns e os cadáveres abandonados na matas da Gorongosa, em Sofala, pelas Forças de Defesa e Segurança (FDS) do governo moçambicano.

Frangoulis analisou também o andamento das conversações em curso, entre a Frelimo e a Renamo, que aparentam ter por objeto selar-se a paz em Moçambique, externando a opinião de que o partido no governo deixa transparecer, no entanto, que quer eliminar o líder do maior partido da oposição, Afonso Dhlakama, seguindo a cartilha já adotada em Angola pelo MPLA (aqui) e na Guiné‑Bissau pelo PAIGC 

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Destaque-se a informação repercutida ao final dos comentários de António Frangoulis - timer 49:42 –  sobre os negócios escusos de José Eduardo dos Santos, presidente de Angola, e de sua filha, Isabel dos Santos - a africana mais rica segundo a Forbes -, em Dubai. Estes teriam no entanto enfrentado a irredutível oposição do monarca daquele país, Sheikh Mohammed, por se saberem oriundos de corrupção os capitais que o líder do MPLA ali pretendia aplicar na construção de arranha-céus.

Comentários sobre os cadáveres abandonados na Gorongosa pelas FDS


(31) – 10 de Junho de 2016 - O PRIMEIRO-MINISTRO E O MINISTRO DA ECONOMIA VÃO À ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA TENTAR EXPLICAR A DIVIDA CONTRAÍDA  À SOCAPA PELO GOVERNO DA FRELIMO, AO TEMPO DE ARMANDO GUEBUZA.

O primeiro-ministro, Carlos Agostinho do Rosário, e o ministro da Economia e Finanças, Adriano Maleiane,  foram à Assembleia da República, o parlamento moçambicano, a pretexto de prestar esclarecimentos acerca da dívida contraída à socapa pelo governo da Frelimo ao tempo de Armando Guebuza. Ao final o esclarecimento foi jogado às traças, mas o Executivo moçambicano, agora sob o comando de Filipe Jacinto Nyusi, sucessor de Guebuza, conseguiu que a dívida por este contraída à sorrelfa fosse reconhecida e referendada pelo parlamento, a reboque da bancada parlamentar do partido no governo há mais de 40 anos, a Frelimo, livrando assim de qualquer responsabilidade quem atropelou a Constituição de Moçambique: Armando Emílio Guebuza e apaniguados.

Carlos Agostinho do Rosário solicitou que “as garantias emitidas em 2013 e 2014 a favor da Proindicus e MAM – veja item (19) deste clipping -  sejam inscritas na Conta Geral do Estado de 2015”, no que logo foi atendido pelos deputados do partido no poder - Frelimo -, que consideram que “contrair dívidas não é nenhum pecado, não é nenhum crime, é um acto normal e aceitável pois a dívida não mata”.

Rosário adiantou ainda que tais dívidas têm de ser pagas: “Não reconhecer as dívidas contraídas evocando nulidade dos contratos celebrados (...) teria consequências bem mais negativas na economia e na boa imagem do País, perante os credores internacionais”, disse.

Já o ministro da Economia e Finanças, Adriano Maleiane, reconheceu que as Contas Públicas de Moçambique estão uma bagunça: “Eu também como ministro da Economia e Finanças preciso de ter a certeza que aquilo que nós estamos a contrair está lá escrito”, confessou.

Veja a cobertura feita pelo @Verdade aqui, aqui e aqui, assim como pelo canal televisivo STV nos vídeos abaixo.

Sessão da AR para o esclarecimento sobre a dívida pública (I)

Sessão da AR para o esclarecimento sobre a dívida pública (II)


(32) – 10 de Junho de 2016 – MARIANO MATSINHA CONFIRMA QUE A FRELIMO QUER CAPTURAR E ABATER AFONSO DHLAKAMA, PRESIDENTE DA RENAMO, MAIOR PARTIDO DE OPOSIÇÃO DE MOÇAMBIQUE.

Em entrevista ao jornal Savana, em sua edição de 10 de Junho corrente,  Mariano Matsinha, general da Frelimo na reserva, ex-dirigente do SNASP, polícia política criada por Samora Machel, e como este, Joaquim Chissano, Armando Guebuza,  Jacinto Veloso, Sérgio Vieira e outros mais, diretamente responsável pelo terrorismo de Estado implantado em Moçambique, pela FRELIMO, desde 1975, afirma que é “do domínio público  que há uma operação para captura ou abate do presidente da Renamo”, Afonso Dhlakama.

Com a verborragia arrogante que lhe é peculiar e, como observa Raul Senda, o entrevistador, persistindo “com o pensamento daqueles que tentam parar o vento com as mãos”, Mariano Matsinha volta ao assunto dos fuzilamentos da Frelimo afirmando com cinismo repulsivo: “Uma coisa deve ficar clara. O governo da Frelimo nunca atacou ninguém. A Frelimo nunca enveredou pelos assassinatos. Sempre que a Frelimo acha que há necessidade de recorrer à pena capital para repor certa ordem pública, informa o povo que vai fuzilar este ou aquele, por esta ou aquela razão. Não há fuzilamentos clandestinos. Todos os nossos fuzilamentos foram públicos. Ademais, na altura em que a Frelimo ordenou fuzilamentos é porque a lei permitia. Hoje a nova Constituição já não admite a pena de morte”.

Cai por terra, em definitivo, o jogo de cena de Nyusi, o atual presidente moçambicano, e sua entourage, sobre as conversações encetadas entre a Frelimo e a Renamo com vistas à pacificação político-militar do país, vez que depois da entrevista de Chissano e agora a de Matsinha, uma solução à angolana - assassinato de líder oposicionista -, é o que fica evidente buscarem os dirigentes do partido que se apossou tiranicamente dos destinos de Moçambique há mais de 40 anos, com a cumplicidade explícita do Movimento das Forças Armadas (MFA) e do Partido Comunista Português (PCP), referência que cabe aqui fazer por se comemorar hoje o Dia de Portugal, país responsável pela desastrosa e sinistra descolonização.

Leia esta entrevista de "Matsinha ao Savana" em arquivo abaixo anexado. Do mesmo modo a de "Chissano ao Savana". Sobre os fuzilamentos da FRELIMO em Moçambique leia o documento anexado "Na FRELIMO era norma fuzilar pessoas".


(33) – 22 de Junho de 2016 – NYUSI E DHLAKAMA, APARENTEMENTE, NO CAMINHO DO DIÁLOGO – O presidente da Moçambique, Filipe Nyusi, e o líder da Renamo, Afonso Dhlakama, parecem querer demonstrar que caminham para o entendimento, pela pressão externa e a ansiada mediação internacional da União Europeia, da África do Sul e da Igreja Católica.

Enquanto isso, a tensão político-militar prossegue presente no quotidiano do centro de Moçambique, obrigando, inclusive, à paralização da ferrovia que liga Tete à Beira e à suspensão do transporte do minério de ferro da Vale, multinacional brasileira, como voltou a ocorrer no passado dia 17/06, sexta-feira, o que é atribuído à ação da guerrilha da Renamo, ao mesmo tempo em que a FRELIMO intensifica os bombardeios ao reduto de Dhlakama na Gorongosa.

Filipe Nyusi aceita as condições da Renamo para diálogo de paz

Declarações de Afonso Dlhakama


(34) – 22 de Junho de 2016 - RECADO DA LAVA-JATO BRASILEIRA QUE SERVE AOS PARLAMENTARES DA FRELIMO: “A CORRUPÇÃO MATA!” – DELTAN DALLAGNOL, PROCURADOR QUE COORDENA AS INVERSTIGAÇÕES DA OPERAÇÃO LAVA-JATO.

“A corrupção é uma assassina em série, que mata silenciosamente milhares de pessoas em estradas esburacadas, hospitais sem remédios e ruas sem segurança”.

 “A corrupção mata!”,  garantiu o procurador Deltan Dallagnol, coordenador das investigações da Operação Lava-Jato em Curitiba, Brasil, ao deslocar-se e discursar hoje (22/06) no parlamento brasileiro, onde se associou ao movimento pela cidadania que subscreveu – mais de dois milhões de assinaturas - e apresentou naquela casa legislativa as 10 Medidas de Combate à Corrupção (aqui), pacote de projetos-lei de iniciativa popular elaborados na esteira do esforço para aperfeiçoar os instrumentos legais que visam impedir e punir exemplarmente a ação quem trilhe pelos desvios e malfeitos contra o erário público.

 “A corrupção é uma assassina sorrateira, invisível e de massa. Ela é uma serial killer que se disfarça de buracos de estradas, de falta de medicamentos, de crimes de rua e de pobreza” (...). Como exemplo, Dallagnol citou o caso de uma pessoa na Bahia que morreu por falta de um determinado medicamento na rede pública. No mesmo período da morte, o Ministério Público estava investigando compra superfaturada do mesmo tipo de medicamento. Os remédios teriam sido comprados por valores, em alguns casos, até dez vezes superiores aos oferecidos nas farmácias locais e, ainda assim, teriam sido entregues com data de validade vencida.

“A corrupção mata!”, voltou a frisar Deltan Dallagnol.

O discurso de Deltan Dallagnol na Câmara dos Deputados (22/06)


Ao ouvir estas palavras inevitável foi que logo viesse à mente a frase de efeito do deputado da Frelimo, Damião José,  que afirmou, em 09/06, na Assembleia da República moçambicana: “Contrair dívida não é nenhum pecado, não é nenhum crime, é um acto normal e aceitável pois a dívida não mata” (aqui) – veja também acima o item (31) -, a propósito dos empréstimos tomados, sorrateiramente, ao tempo do governo frelimista de Guebuza e que custaram a Moçambique um rombo de mais de USD 1 bilhão ao seu erário (aqui), ensejando ainda a indignação e medidas punitivas do FMI, do Banco Mundial e dos países doadores, face ao estelionato perpetrado à sorrelfa.

Ora a falácia silogística daquele parlamentar moçambicano, que em sua fala de hipocrisia seráfica tenta escamotear a realidade da corrupção que está por detrás dos tais empréstimos escondidos, teve do Brasil, pelas palavras do procurador Deltan Dallagnol, coordenador das investigações da Operação Lava-Jato, a resposta pertinente ao seu discurso fraudulento: "A corrupção mata!".


(35) – 26 de Junho de 2016 - FMI NÃO RESTABELECE APOIO FINANCEIRO A MOÇAMBIQUE - A visita da missão do Fundo Monetário Internacional (FMI) a Moçambique, dos dias 16 a 24 do corrente mês, motivada pelo escândalo dos empréstimos tomados de forma sorrateira pelo governo da FRELIMO, ao tempo de Guebuza, trouxe a certeza de que a referida organização não está disposta a retomar o apoio financeiro àquele país, suspenso em Abril passado, enquanto uma auditoria independente e internacional não for feita sobre a real situação da dívida avalizada pelo Estado moçambicano e contraída pelas empresas EMATUM, Proindicus e MAM.

O FMI, em comunicado, prognosticou que o crescimento econômico de Moçambique deve cair este ano e que "a dívida pública tem agora alta probabilidade de ter atingido um nível de risco elevado de sobreendividamento" (aqui).

Entretanto, a Procuradoria Geral da República (PGR) de Moçambique não demonstra ânimo nem coragem de responsabilizar Armando Guebuza pelo desfalque de mais de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) moçambicano, surripiados à mão grande, a pretexto daquelas dívidas, do erário ao tempo em que presidia aquele país (aqui).

Em Mocambique - ‎ Meu povo chora - Ubakka


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Carlos Alberto Didier,
28 de mai de 2016 22:42
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Carlos Alberto Didier,
19 de fev de 2016 19:23
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19 de fev de 2016 18:05
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2 de jun de 2016 14:04
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19 de mai de 2016 13:03
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5 de set de 2014 10:37
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15 de fev de 2016 11:35
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11 de mar de 2016 20:03
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10 de jun de 2016 12:59
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19 de fev de 2016 19:24
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19 de fev de 2016 19:28
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19 de fev de 2016 17:56
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19 de fev de 2016 15:52
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20 de mai de 2016 11:13
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Carlos Alberto Didier,
20 de mai de 2016 11:09
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20 de mai de 2016 11:10
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Carlos Alberto Didier,
1 de mar de 2016 04:42
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Carlos Alberto Didier,
21 de jun de 2016 23:43
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Carlos Alberto Didier,
24 de fev de 2016 09:17
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Carlos Alberto Didier,
9 de fev de 2016 08:20
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19 de fev de 2016 19:24
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Carlos Alberto Didier,
1 de mar de 2016 13:37
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Carlos Alberto Didier,
6 de mai de 2016 16:38
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Carlos Alberto Didier,
16 de mai de 2016 07:07
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Carlos Alberto Didier,
27 de mai de 2016 12:11
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