PERCURSO DE UM CAMINHEIRO

Desde muito novo que os meus pais, me levavam, a mim e ao meu irmão, a acampar nas ferias grandes, já naquela época, as pessoas procuravam a beira mar, por ser mais saudável e mais acessível.

Com o passar dos anos, o gosto de acampar foi-se enraizando na minha mente, e houve a necessidade de encontrar outros espaços diferentes, pois a praia e o mar, já se tornava um hábito anual, e havia que quebrar esse hábito, em plena adolescência e com a necessidade de demonstrar aos meus pais, que já era um homenzinho e que conseguia desenvencilhar-me sozinho, comecei ir acampar para o campo, umas vezes sozinho, outras com alguns amigos.

Foi nessa altura que me apaixonei pela natureza e pela vida ao ar livre. Entretanto, por volta dos 17 anos, fiz a minha primeira caminhada na serra de Montejunto, um percurso pequeno, mas que ficou marcado para sempre na minha memória, foram 6 kms, de descoberta e de aventura, num local magnifico, e com uma deslumbrante paisagem em redor deste pequeno percurso.

Entretanto ingresso numa associação, que desenvolvia actividades de contacto com a natureza na serra, e sempre que podia lá ia eu com a minha mochila e a minha canadiana, que o meu pai tinha comprado uns anos antes a um alemão por 2.000 escudos.

Um belo dia, ao ler numa revista, acabadinha de chegar á associação, que iria realizar-se a Primeira Marcha Regional de Montanha, a pouco mais de 25 kms da minha casa, nem dormi nessa noite, só de pensar que não poderia perder aquela oportunidade de participar em tal evento, muito raros na época.

Aí sim, foi a minha primeira caminhada oficial, ao participar na 1ª Marcha Regional de Montanha, e no 1º Acampamento Regional de Montanha, que se realizou, nos dias 11 e 12 de Outubro de 1980, no Casal Janota, em plena Serra de Montejunto, organizado pela secção de montanha da P.P.C.C. hoje FCMP.

Desde então e até aos dias de hoje, foram quilómetros e quilómetros em caminhadas e passeios pedestres, desde participante a guia de variadíssimos grupos.

Desde esse ano, que a serra de Montejunto tem sido a minha segunda casa, principalmente aos fins de semana, quer em participação de actividades de espeleologia, actividades de educação ambiental, passeios e caminhadas pedestres, com o E.C.T.V. - Espeleo Clube de Torres Vedras, que também me proporcionou ser monitor e o coordenador, dos 9 campos internacionais realizados, durante o mês de Agosto entre 1987 a 1995. 

Uma iniciativa do ECTV com o apoio IPJ - Instituto da Juventude, das Câmaras Municipais do Cadaval e de Alenquer,no âmbito da recuperação de monumentos históricos, campos esses que contribuíram, para o inicio da limpeza da Fábrica do Gelo e nos anos seguintes, assim como a sua manutenção, trabalhos esses que contribuíram, nos anos seguintes para uma enorme sensibilização das entidades responsáveis para que fosse classificada como Património Nacional, facto que acabou por se realizar em Julho de 1999 pelo Decreto Lei Regulamentar n.º 11/99, de 22 de Julho.

Agora, na casa dos 50 anos, já não pratico tanto como gostaria, mas sempre que posso e se proporciona lá estou eu, em plena natureza, quer em passeios pedestres organizados ou acampar em espaços naturais.

Resumindo e concluindo, a minha paixão, é realmente a vida ao ar livre, caminhar na natureza é a forma que encontrei para estar bem comigo próprio, num regresso às origens.

Por isso, ao longo destes anos, que tenho percorrido alguns espaços naturais, como a Serra de Montejunto, a Serra dos Cucos, as Escarpas da Maceira, o Planalto das Cezaredas, e alguns trilhos da Serra da Estrela, assim como o mês inesquecível que permaneci em Cabo Verde, a dar formação na área dos passeios e percursos pedestres, mais concretamente a ilha da Boavista, foram as experiência mais marcante neste percurso.

Como tudo na vida, temos uma fase em que aprendemos, outra em que pomos em pratica, tudo o que se adquiriu e finalmente, outra em que devemos divulgar, numa perspectiva de sensibilizar e dar a conhecer, porque só assim será possível proteger todos os espaços e áreas naturais.