Calabash

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Figura 1 - Um cachimbo africano de minha coleção: o fornilho de barro removível é segurado com um cordel e conectado com um cano de madeira com a cabaça; a piteira é também de madeira. Na cabaça era colocada água e, portanto era mais uma imitação do narguilé que um calabash, mas documenta o uso das cabaças na manufatura de cachimbos.

 

Na África os nativos usam as cabaças para fazer recipientes para água, bonecos, instrumentos musicais assim como no Brasil se fazem as cuias do chimarrão e a caixa de ressonância do berimbau. Os africanos depois de conhecer o tabaco, introduzido pelos europeus, tiveram a idéia de fazer também cachimbos com este material, provavelmente do tipo representado na figura 1.

 

 

 

 Figura 2 - O fruto da abóbora ornamental Lagenaria siceraria (Família Cucurbitaceae, tribo Benincaseae), a cabaça usada para o Calabash.

 

 

 

 

 

Figura 3 - A cabaça seca, cortada e pronta para fazer um calabash

 

 

 

 

 

Os colonos holandeses da África do Sul, chamados também de Boers (=criadores de gado), grandes fumadores de cachimbo, parece que tiveram a idéia de encaixar um fornilho de barro dentro de uma cabaça seca, fruta da planta Lagenaria siceraria (Fig. 2e 3) chamada no idioma local de calabash. No final do século 19 este tipo de cachimbo da África do Sul evoluiu ficando mais sofisticado: em lugar do fornilho de barro foi encaixado um fornilho de espuma do mar e a simples piteira de madeira foi substituída com uma valiosa piteira em âmbar.

No curso da guerra entre ingleses e Boers nos últimos anos do século 19, os soldados britânicos tiveram a oportunidade de comprar estes cachimbos que importados na Inglaterra viraram moda especialmente depois que em 1901 um famoso ator, William Gilette, que atuava como Sherlock Holmes numa peça de teatro se apresentou no palco fumando um calabash.

Figura 4 - Um perfeito calabash com fornilho em espuma do mar em bloco, anel de reforço em prata e piteira em âmbar

O calabash perfeito deveria ter um fornilho removível feito de um bloco de espuma do mar, uma cabeça de cor uniforme, sem manchas e sem emendas, um anel ou faixa metálica como reforço da parte do cabo onde encaixa a piteira de âmbar. O problema è que um calabash assim é caríssimo, como aquele da figura 4, que tem um preço de 800 € . Si o fornilho   é em espuma do mar reconstituída e a piteira em resina, o preço cai, ficando na faixa dos 150-200 €  

O calabash é um cachimbo de tamanho respeitável, com um peso que pode atingir os 200 g , impedindo de deixá-lo pendurado nos dentes e de exibi-lo em passeios na rua.

O calabash é para ser fumado na tranqüilidade de sua casa, sentado na sua poltrona preferida, apreciando o gosto de tabacos encorpados amaciado pela espuma do mar do fornilho e refrescado pela câmara de expansão representada pela cabaça.

 Figura 5 - As partes de um calabash

A manutenção do calabash deve ser praticada depois de cada fumada e com o maior cuidado: depois de desmontar o cachimbo, o fornilho deve ser passado com um pano de algodão umedecido com água de filtro e a piteira com um escovilhão. A limpeza da cabaça è mais complicada: uns usuários botam álcool puro até um terço do volume da cabaça e mantendo fechado com o dedo o encaixe da piteira e com a palma da mão a embocadura do fornilho, agitam por cinco minutos até remover os resíduos da fumada da parede interna; outros molham um pano de algodão com álcool puro e esfregam. A cabaça deve ser deixada ao ar até uma completa secagem, antes de montar o cachimbo. O suporte para o repouso do cachimbo pode ser um daqueles das figuras 6 ou 7, mas em falta, uma caixinha de forma e tamanho adequado pode ser usada.

 

 

 Figura 6 - Suporte com o calabash pendurado

 

 

 

 

 

 Figura 7 - Suporte com o calabash apoiado

 

 

 

LINKS

The History of the Calabash, livro de Gary B. Schrier

 

Calabash de Strambach