Erica arborea L., planta conhecida nos países lusófonos como urze branca, cresce na bacia do Mediterrâneo, estendendo o seu areal ao norte até a serra da Estrela, em Portugal. A urze, um arbusto que atinge 4m de altura, gosta das encostas ensolaradas, voltadas para o Sul, em áreas de solo silícico com chuvas escassas ou irregulares, batidas pelos ventos.
Talvez para resistir aos ventos, este arbusto possua, entre o colarinho e o sistema radical, um engrossamento irregular e tanto maior quanto mais velha é a planta; o engrossamento ou cepo (soca em espanhol, souche em francês, ciocco em italiano) atinge um diâmetro de 60 cm, num prazo de 30-40 anos.

É com a madeira do cepo impregnada de ácido silícico e, portanto, resistente à queima, que se fazem os cachimbos. Esse material é escavado na terra por coletores especializados, eliminando-se as raízes a cortiça e as pedras e mantido por algum tempo debaixo de terra úmida e folhas, para evitar que, secando rapidamente, rasgue-se formando fendas que tornariam a madeira inutilizável.
Depois de seco, o material é levado para a serraria, onde é cortado em três tipos de esboços: relevado, para os cachimbos curvos, marselhês grande, para os cachimbos direitos grandes, e marselhês pequeno, para os pequenos. Os esboços são fervidos em água por 12 ou 24 horas em caldeiras de cobre, para livrar a madeira das resinas e dos taninos, e depois armazenados para secagem e envelhecimento por dois ou três anos; envelhecimentos mais longos, declarados por alguns fabricantes, são fábulas publicitárias. Esta fase de envelhecimento é muito importante para conferir ao cachimbo suas propriedades de absorção da umidade do tabaco e do respiro do fumante, além do “paladar”.