Crónica N°095

Sou escravo pelos meus vícios e livre pelos meus remorsos...


Este título não me pertence mas sim a Jean-Jacques Rousseau e ocorreu-me para relatar esta volta realizada em Novembro de 2017 :) (pois é, como o tempo voa...).

Há mais de 3 semanas que não andava e quando assim é apodera-se de mim uma louca sensação de ir para o monte custe o que custar e sob qualquer tipo de tempo e no final, como canta o António Variações “quando a cabeça não tem juízo o corpo é que paga” é que nos damos conta que teríamos feito melhor em ficar por casa ;) . 

Desde o início do mês que acima dos 1.000 mts tinha vindo a cair neve, mas aqui o ingénuo pensou quando resolveu de um dia para o outro desenhar esta volta que o “Jura” iria ser poupado a este fenómeno.

Sabia de antemão que temperaturas iriam rondar os 0ºC, mas o que não esperava era ter a companhia de um nevoeiro serrado até aos 1.000 mts para além de que em muitas zonas as temperaturas caíram tanto que tive de parar em algumas ocasiões (a descer) para aquecer um pouco. Rapei um frio que nem vos conto :).

Como constatarão nas fotos a neve a partir dos 1.100 mts foi uma constante, mas mesmo penando e com uma vontade dura como o aço, alcancei os 1.393 mts. As “Northwave” oferecidas diga-se de passagem por um grande amigo e visíveis numa das fotos são do melhor que já tive, quentes e impermeáveis (andei em neve com 20-30 cm profundidade e nada de humidade). Recomendo. 

Após muito labutar, frio passar e sabendo o que ainda me aguardava resolvi abortar a volta e apanhar um comboio de regresso a casa no “Le Pont” muito perto do “Lac de Joux”.

Dados da volta: 

- Total distância – 17,50 Kms

- Altitude mínima – 566 mts

- Altitude máxima – 1.393 mts

- Acumulado subida – 840 mts em apenas 7,8 kms (rampas de 18% e média de 10%)

E porque este espaço é público, deixem-me partilhar convosco esta fantástica analogia. 

No ventre de uma mãe estavam dois bebés a conversar.

Um perguntou ao outro:

- "Acreditas em vida após o parto?"

O outro respondeu:

- "Claro que sim. Tem que haver algo após o parto. Talvez estejamos aqui para nos preparar para o que virá mais tarde."

- "Estupidez", disse o primeiro.

- "Que tipo de vida seria esta?"

O segundo disse:

- "Eu não sei, mas haverá mais luz do que aqui. Talvez possamos andar com as nossas próprias pernas e comer com nossas bocas. Talvez teremos outros sentidos que não podemos entender agora."

O primeiro retorquiu:

- "Isto é um absurdo. O cordão umbilical fornece-nos a nutrição e tudo aquilo de que precisamos. O cordão umbilical é muito curto. A vida após o parto está fora de cogitação."

O segundo insistiu:

- "Bem, eu acho que há alguma coisa e talvez seja diferente daqui. Talvez não precisemos mais deste tubo físico".

O primeiro contestou: - "Absurdo, e além disso, se há realmente vida após o parto, então, por que é que ninguém jamais voltou de lá?"

- "Bem, eu não sei", disse o segundo, " mas certamente vamos encontrar a Mamã e ela vai cuidar de nós."

O primeiro respondeu:

- "Mamã? Tu realmente acreditas que há uma Mamã? Isto é ridículo. Se a Mamã existe, então, onde está ela agora?"

O segundo disse:

- "Ela está ao nosso redor. Estamos cercados por ela. Nós somos ela. É nela que vivemos. Sem ela este mundo não seria e não poderia existir."

Disse o primeiro:

- "Bem, eu não posso vê-la, então, é lógico que ela não existe."

Ao que o segundo respondeu:

- "Às vezes, quando tu estás em silêncio, se te concentrares e realmente ouvires, poderás perceber a presença dela e ouvir a sua voz amorosa".

Este foi o modo pelo qual um escritor húngaro explicou a existência de Deus 😊. 

Cumprimentos betetistas e até à próxima crónica…

 

Alexandre Pereira

Um Bravo do Pelotão, neste caso sem…

 

P.S:

 

1. Podem visualizar esta crónica na íntegra com os respetivos comentários às fotos no FORUM BTT (clicar no link) e ler o Post (resposta) #859 e 860.