Crónica N°094

Em “Evolène” a “poisse” impediu este Bravo de terminar uma prova da “Garmin Cup Suiça”…




Há já vários meses que tinha mencionado aos restantes companheiros o desejo de ir fazer uma prova do calendário da “Garmin Cup Suiça” (10 provas).

O “Raid Evolenard” consiste numa prova de 62,5 kms que arranca em “Evolène” e em que durante toda a prova temos vistas em pano de fundo sobre montanhas um pouco abaixo dos 4.000 mts ( Aiguille de la Tsa, La Maya, Pointe de Bertol, Bouquetins, Tête Blanche, etc…) . Tratando-se de um vale, a primeira fase da volta de +/- 35 kms (a que pretendia fazer) sobe até aos 2.210 mts e depois a segunda parte da volta passa para o outro lado do vale e aí subimos até aos 2.485 mts. No final da volta acabamos por ter +/- 2.863 mts de acumulado. Como verificam não é para amadores
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Durante toda a semana andei em cima da meteorologia e sabia que iria cair neve a partir do meio dia. Pensei para comigo, vai ser uma boa forma de acabar a temporada no “Valais” e ainda por cima com neve. O problema nesta zona é que a partir de agora vai cair neve, aliás já caiu como poderão ver em algumas fotos, mas pior que isso é que a partir do próximo fim de semana deixa de haver autocarros para esta zona (só mesmo de carro, que como sabem não possuo por opção).

Ao chegar ao destino neste dia 27 de Outubro de 2017 e após 2h15 de viagem (comboio/autocarro) constatei que nada de neve, mas um frio de rachar (-2°C previstos). Vim preparado para o efeito com toda a artilharia d’inverno, o que inclui o uso de “cuecas de gola alta”
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Após 10 kms de volta começa a chover uma chuva miudinha tipo “molha tolos”, mas que ao fim de meia hora intensificou-se para uma chuva tipo tempestade. Como estamos perto dos 2.000 mts é aqui que não tenho dúvidas que S. Pedro é fã dos filmes de “Shaolin” pois as gotas quando batem no rosto parecem agulhas de acupunctura lançadas tipo ninja
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Desde o inicio da volta que sabia que o tempo iria ficar uma mer.., pois aproximava-se de todos os lados um nevoeiro (visível em muitas fotos) que escurecia a atmosfera e que nos faz pensar a cada km efetuado “que mer.. faço eu aqui”. Para quem não esteve lá
a volta é toda a subir com declives de 10 a 15%, pelo que por volta dos 14 kms e devido a todas estas condicionantes optei por abortar a volta.

Confesso que uma das razões que me levou também a abortar a volta foi o facto de saber que estava numa prova da “Garmin Cup” e ter ficado desiludido com o trilho, isto é, este é mesmo durinho mas passa-se todo em estradões de montanha ora asfaltados, ora em cascalho, tudo muito bem limpinho, organizadinho e para mim não achei grande piada ou talvez não estivesse “in the mood for” porque gastei na ida e volta 4h30 e o nevoeiro veio dar cabo das fotos que planeava tirar
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Em 7 anos que levo por estas bandas é a segunda vez que sujo a bicicleta por menos de 20 kms (só para alguns entendidos que acompanham estas crónicas)
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Dados da volta:

- Total distância – 19,50 Kms
- Altitude mínima – 1.338 mts
- Altitude máxima – 1.991 mts
- Acumulado subida – 970 mts

 

Há dias conversava com um amigo muito dado a estas coisas das novas tecnologias e encontros com as gentes femininas e outros que tais na tela e o homem defendia aquilo com unhas e dentes, sinais dos tempos web 4.0 em que vivemos 😊. Numa época em que o que está na moda é a promiscuidade, deixo-vos este pequeno texto do Miguel Esteves Cardoso, in “As Minhas Aventuras na República Portuguesa”.

 

“A Promiscuidade Tira a Vontade

 

O que é a experiência? Nada. É o número dos donos que se teve. Cada amante é uma coronhada. São mais mil no conta-quilómetros. A experiência é uma coisa que amarga e atrapalha. Não é um motivo de orgulho. É uma coisa que se desculpa. A experiência é um erro repetido e re-repetido até à exaustão. Se é difícil amar um enganador, mais difícil ainda é amar um enganado.

 

Desengane-se de vez a rapaziada. Nenhuma mulher gosta de um homem «experiente». O número de amantes anteriores é uma coisa que faz um bocadinho de nojo e um bocadinho de ciúme. O pudor que se exige às mulheres não é um conceito ultrapassado — é uma excelente ideia. Só que também se devia aplicar aos homens. O pudor valoriza. 0 sexo é uma coisa trivial. É por isso que temos de torná-lo especial. Ir para a cama com toda a gente é pouco higiénico e dispersa as energias. Os seres castos, que se reprimem e se guardam, tornam-se tigres quando se libertam. E só se libertam quando vale a pena. A castidade é que é «sexy». Nos homens como nas mulheres. A promiscuidade tira a vontade.

 

Uma mulher gosta de conquistar não o homem que já todas conquistaram, saquearam e pilharam, mas aquele que ainda nenhuma conseguiu tocar. O que é erótico é a resistência, a dificuldade e a raridade. Não é a «liberdade», a facilidade e a vulgaridade. Isto parece óbvio, mas é o contrário do que se faz e do que se diz. Porque será escandaloso dizer, numa época hippificada em que a virgindade é vergonhosa e o amor é bom por ser «livre», que as mulheres querem dos homens aquilo que os homens querem das mulheres? Ser conquistador é ser conquistado. Ninguém gosta de um ser conquistado. O que é preciso conquistar é a castidade.”

 

Cumprimentos betetistas e até à próxima crónica…

 

Alexandre Pereira

Um Bravo do Pelotão, neste caso sem…

 

 

P.S:

 

1. Podem visualizar esta crónica na íntegra com os respetivos comentários às fotos no FORUM BTT (clicar no link) e ler o Post (resposta) #849 e 850.