Crónica Nº078

“La Tine de Conflens” onde dois rios se juntam em cascata...

“Il est où le bonheur, il est où ?” assim canta Christophe Maé e não é verdade que a felicidade se assim o desejarmos pode ser encontrada em quase tudo aquilo que fazemos na nossa vida.

Considero que para se ser feliz ou pelo menos tentar alcançar esse “Santo Graal” há que aplicar ou mudar alguns comportamentos dos quais destacava.

1. Tomar a decisão de se ser feliz.

Por experiência própria sei e vocês também que é muito mais fácil um tipo deixar-se ir, deixar andar, deixar que a tristeza entre nas nossas vidas e nos envolva do que partir para a guerra e lutar para permanecer feliz. A evolução da espécie humana foi assim feita, isto é, quando um tipo é ou está infeliz está muito mais atento a tudo, isto porque vê quase sempre problemas em tudo e foi essa atitude que nos permitiu adaptar-nos e evoluir independentemente das mudanças do ambiente em que estávamos inseridos.     

2. Tentar não deixar que as emoções negativas nos impeçam de sermos felizes. Evitar rodear-nos somente de pessoas infelizes pois estas por vezes não se apercebem que nos contaminam.

Não sei se já repararam que a grande maioria das pessoas infelizes tenta contaminar as felizes, dir-se-ia que estas necessitam de sorver a felicidade dos outros para alimentarem a sua própria infelicidade. Quando um tipo passa grande parte do seu tempo a queixar-se disto e d’aquilo é quase certo que esse tipo vai ser escravo da sua infelicidade.

3. Se porventura não se sentir bem ou achar que está em baixo, então está na hora de procurar ajuda e acredite não precisa de contactar “um especialista da especialidade”.

Pode parecer fácil mas na verdade é preciso ser-se forte porque a tendência é um tipo fechar-se sobre si próprio e deixar de ver amigos e/ou fazer coisas que nos dão prazer. O objetivo de fazer coisas que realmente nos dão prazer não é no imediato tornar-nos felizes mas sim reduzir o poder da infelicidade e impedir que esta embora instalada se desenvolva ainda mais.  

4. Não tente ser perfeito em tudo aquilo que faz ou diz, deixe alguma margem para o erro e para se aperfeiçoar. Está provado que o “retour sur investissement” do culto da perfeição é um mau investimento a longo prazo J.

Ser-se perfeito não é uma obrigação e por vezes passar por momentos de infelicidade (uma vez ou outra na vida somos infelizes, “that’s the way it is”), abre-nos os olhos para a dura e por vezes triste realidade da nossa existência.

5. Em vez de “ruminar” as preocupações que se lhe deparam no dia-a-dia, quer seja no trabalho, na família, nos amigos, racionalize as mesmas e verá que para tudo na vida há uma solução.

Considero que somente para a morte e ainda felizmente não há solução, agora tudo o resto com mais ou menos tempo tem solução. Não tenho a mínima dúvida que todos nós temos problemas nesta vida, uns mais importantes que outros e aquilo que eu faço é tão-somente cogitar e encontrar soluções para os mesmos. Nem quero pensar no que seria desta vida sem preocupações J. Afinal ter problemas faz parte da própria condição humana.

6. Não guarde rancor nem alimente as emoções negativas que tantas vezes lhe inculcam no dia-a-dia.

Quem de vós nunca sentiu inveja, guardou rancor ou ficou sentido com quem quer que seja que se acuse. Todos nós numa ou outra ocasião já fomos “mauzinhos” e não falo só em atos, em pensamento também conta J.

O grande problema do mundo e das pessoas em particular é que quase toda a gente deixou de fazer coisas somente por bondade, quase toda a gente deixou de ter aquela vontade de fazer ou praticar o bem. Hoje quase toda a gente quando faz alguma coisa é tão-somente por interesse. Considero-me ainda dos poucos que rema contra a maré e que por norma age sobretudo por instinto em relação aos outros.

7. Aproveite e faça mesmo render até ao limite todos os momentos bons, alegres que se lhe deparam no dia-a-dia.

A melhor arma contra a tristeza e a infelicidade é desfrutar dos momentos bons que a vida nos oferece e se possível partilhá-los com o maior número de pessoas que nos querem bem. Uma pessoa pode não vencer esta doença (infelicidade), mas pelo menos consegue atenuar os seus efeitos.

Acredito que ser-se feliz quando está tudo bem deva ser complicado a gerir, mas também acredito que não devemos desperdiçar tempo à espera que a infelicidade nos bata à porta para podermos enfim compreender que esta vida é bela, é única e o pior que nos pode acontecer é arrependermo-nos do tempo que desperdiçamos na nossa infelicidade J.

Tudo isto, pois é sou pior que uma lesma J, para vos dizer aquilo que o poeta romano Horácio antes de mim dissera “Carpe diem” ou na versão mais longa “Tu ne quaesieris, scire nefas, quem mihi, quem tibifinem di dederint, Leuconoe, nec Babyloniostemptaris numeros. Ut melius, quidquid erit, pati.seu pluris hiemes seu tribuit Iuppiter ultimam,quae nunc oppositis debilitat pumicibus mareTyrrhenum: sapias, vina liques et spatio brevispem longam reseces. Dum loquimur, fugerit invidaaetas: carpe diem quam minimum credula postero”.

Se chegou até aqui e ainda não vomitou J dou-lhe os meus parabéns e louvo-lhe a paciência J, pois esta não está ao alcance de toda a gente.

Agora vamos à pergunta que lhe toldou o pensamento desde que iniciou esta leitura e que lhe está atravessada na goela “Mas porquê toda esta mer..? Até parece que estamos num qualquer consultório “à 5 balles”. Amigo isto aqui é um sítio para a gente falar de BTT.”

Digamos que a volta em si foi uma volta simples, talvez seja aí que reside a beleza desta volta, na sua simplicidade, normalmente temos tendência a complicar as coisas simples e como estava a chover enquanto “cronicava”, digamos que a vontade de escrever sobre esta volta aproximava-se do zero disse para comigo, vamos escrever sobre outra cena qualquer daí esta moxinifada de pensamentos J

Sendo um fiel adepto da mudança, penso que é meu dever enquanto participante ativo de conteúdos deste espaço, tentar tirá-lo desta “pasmaceira” a que vem sendo submetido desde há uns dois anos a esta parte.

Vem isto tudo a propósito desta volta pois embora tenha sido efetuada em Junho do ano transato, pois é o tempo voa, mesmo assim ao olhar para estas fotos sinto ainda a presença das sensações e locais por onde passamos.

Volta iniciou em “Cossonay” e daí partimos para uma volta de +/- 33 kms  com cerce de 1.200 mts de acumulado positivo. Um dos pontos altos da volta foi a passagem nas quedas de água “la Tine de Conflens” onde o rio “Veyron” vem alimentar o caudal do rio “Venoge”. Nesse local é possível admirar a gruta existente de la “Tine”.   

 

Como disse alguém e bem “Qui ne tente rien, n’a rien” ou então “Seuls ceux qui ne font jamais rien ne se trompent jamais”.

 

Cumprimentos betetistas e até à próxima crónica…

 

Alexandre Pereira

Um Bravo do Pelotão, neste caso sem…

 

P.S:

 

1. Podem visualizar esta crónica na íntegra com os respetivos comentários às fotos no FORUM BTT (clicar no link) e ler o Post (resposta) #740.