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A Jornada de Máel Dúin

Immram curaig Maíle Dúin
(A Viagem do Barco de Máel Dúin)

PRÓLOGO

Três anos e sete meses durou a jornada no oceano...

Havia um homem afamado entre os Eoganacht de Ninuss (isto é, dos Eoganacht das ilhas Aran); seu nome era Ailil do “Gume de Batalha”. Um soldado poderoso ele era, e um herói, senhor de sua própria tribo e povo. E havia uma jovem freira, a prioresa de um convento de freiras, com a qual ele se encontrou. Entre eles geraram um nobre menino, Máel Dúin, filho de Ailil.

Este foi o modo pelo qual a concepção e o nascimento de Máel Dúin vieram a ocorrer. Uma vez o rei dos Eoganacht partiu num ataque a outro distrito e província e com ele foi Ailil do Gume de Batalha. Eles apearam e acamparam num terreno por lá. Havia um convento de freiras próximo daquele terreno. À meia-noite, então, quando todo o acampamento havia se aquietado, Ailil foi ao convento. Era a hora na qual a (mencionada) freira ia soar o sino para as noturnas. Ailill pegou-a pela mão, e a jogou ao solo, e se deitou com ela.

A mulher disse a ele: “Não é bendita nossa condição”, disse ela, “(pois) este é o tempo de concepção para mim. Qual é a tua raça e qual é o teu nome?”

Disse o herói: “ Ailill do Gume de Batalha é o meu nome (e eu sou) dos Eoganacht de Ninuss em Thomond”

Então depois de atacar e tomar reféns, o rei voltou ao seu distrito, e Ailill foi com ele.

Pouco depois que Ailill chegou à sua tribo, bandoleiros de Leix o abateram. Eles queimaram (a igreja chamada) Dubcluain com ele.

Ao final de nove meses a mulher deu à luz um menino, e lhe deu um nome, Máel Dúin era ele. O menino foi depois levado em segredo a amigos dela, e até à rainha; e por ela Máel Dúin foi criado; e ela disse que ela era a sua mãe.

Assim a mãe adotiva o criou e aos três filhos do rei, em um só berço, em um só seio, e em um só colo.

Bela, em verdade, era sua forma; e era duvidoso que houvesse na carne alguém tão belo como ele. Assim ele cresceu até ser um jovem guerreiro e apto a usar armas. Grandes então eram seu brilho e sua alegria e seu espírito brincalhão. Nos jogos ele superava todos os seus camaradas, tanto em lançar a bola e correr, e em saltar, e atirar pedras, e cavalgar. Ele tinha, em resumo, a vitória em todos esses jogos. Um dia, assim, um certo guerreiro tomou-se de inveja dele, e disse num transporte de ira: “Tu”, disse ele, “cujo clã e família ninguém conhece, cuja mãe e pai ninguém conhece, nos derrota em cada jogo, seja em terra ou na água, e mesmo nos tabuleiros!”

Então Máel Dúin ficou calado, pois até então ele pensava ser um filho do rei e da rainha que o criara. E disse à sua mãe de criação: “Eu não comerei e não beberei até que me digas”, disse ele, “de minha mãe e meu pai”. “Mas”, disse ela, “porque perguntas tu sobre isso? Não dês atenção às palavras dos guerreiros orgulhosos. Eu sou a tua mãe”, disse ela, “o amor das pessoas do mundo todo por seus filhos não é maior que o amor que tenho por ti”

“Pode ser”, disse ele, “mesmo assim, revele meus pais a mim”.

Assim sua mãe de criação foi com ele, e o entregou às mãos de sua (própria) mãe; e então ele insistiu para que ela declarasse quem era seu pai.

“Tolo”, disse ela, “é o que tu fazes, pois mesmo que conhecesses teu pai isto não lhe traria bem algum, e serias mais feliz sem o saber, pois ele morreu há muito”.

“É melhor para mim que eu saiba”, disse ele, “ainda assim”.

Então sua mãe lhe disse a verdade. “Ailill do Gume de Batalha foi teu pai”, disse ela, “dos Eoganacht de Ninuss”.

Então Máel Dúin foi para a terra de seu pai e para sua herança, levando seus (três) irmãos de criação com ele; e amados guerreiros eles eram. E então sua família lhe deu boas-vindas, e o conclamou a ter bom ânimo.

Certo tempo depois havia um número de guerreiros no cemitério da igreja de Dubcluain, colocando pedras. Assim o pé de Máel Dúin pisou as ruínas calcinadas da igreja, e sobre elas ele ia colocando uma pedra. Um homem de língua venenosa da comunidade da igreja, Briccne era seu nome – disse a Máel Dúin: “Seria melhor”, disse ele, “vingar o homem que aqui foi queimado do que pôr pedras sobre seus ossos chamuscados”.

“Quem (era) ele?”, disse Máel Dúin.

“Ailill”, disse ele, “teu (próprio) pai”.

“Quem o matou?”, perguntou Máel Dúin.

Briccne respondeu: “Bandoleiros de Leix”, disse ele, “e eles o destruíram bem aqui”.

Então Máel Dúin jogou longe a pedra (que ia colocar), e enrolou seu manto à sua volta, e suas armas com ele; e ficou enlutado então. E perguntou o caminho que levava a Leix, e lhe disseram que só poderia ir até lá por mar.

Então ele foi ao condado de Corcomroe para buscar um encantamento e uma bênção do mago que lá morava, para começar a construir um barco. (Nuca era o nome do mago e é por ele que Boirenn Nuca foi chamada). Ele disse a Máel Dúin o dia em que deveria começar a construção do barco, e o número de tripulantes que nele deveriam seguir, a saber, dezessete homens, ou sessenta de acordo com outros. E (também) disse que nenhum número maior ou menor que isso poderia seguir; e (por fim) disse em que dia deveria zarpar.

Então Máel Dúin fez um barco de três velas; e os que com ele seguiriam estavam prontos. Germán estava lá e Diurán o Rimador. Assim ele foi ao mar no dia em que o mago lhe havia dito para partir. Quando estavam ainda perto da terra após içar as velas, chegaram no porto seus três irmãos de criação, os três filhos de seu pai e sua mãe de criação; e eles gritaram para que voltassem para que eles pudessem ir junto com eles.

“Vão para casa”, disse Máel Dúin; “pois mesmo que regressássemos, só o número que aqui está seguirá comigo”.

“Nós te seguiremos ao mar e nos afogaremos, a menos que nos deixes ir contigo”

Então os três se lançaram ao mar, e nadaram para longe da terra. Quando Máel Dúin viu isso, ele foi até eles para que não se afogassem, e os resgatou em seu barco.

I

Naquele dia remaram até as vésperas, e a noite após elas até a meia-noite, quando encontraram duas ilhas desoladas, com dois fortes nelas; e então ouviram vir dos fortes os sons e gritos da embriaguez, e soldados, e troféus. E isto um homem dizia ao outro: “Longe de mim”, disse ele, “pois eu sou um herói melhor que tu, pois eu abati Ailill do Gume de Batalha, e queimei Dubcluain com ele e nada de mal foi feito a mim por seu povo; e tu não fizeste nunca nada como isto!”

“Temos a vitória em nossas mãos”, disse Germán, e disse Diurán o Rimador: “Deus nos conduziu e Deus guiou nosso barco. Vamos atacar os fortes, pois Deus nos revelou nossos inimigos neles!”

Quando diziam estas palavras, um grande vento veio sobre eles, que foram levados (por sobre o mar) toda a noite até a manhã. E pela manhã não viram terra nem costa, e não sabiam onde estavam indo. E disse Máel Dúin: “Deixem o barco quieto, sem remar, e onde Deus quiser leva-lo, que leve”.

Então adentraram o grande oceano sem fim; e Máel Dúin disse depois a seus irmãos de criação: “Vós haveis causado isto a nós, forçando sua presença a nós no barco a despeito das palavras do mago e encantador, que nos disse que neste barco só deveria vir o número em que estávamos antes que viésseis”.

Eles não tiveram resposta, exceto ficar calados por algum tempo.

II

Três dias e três noites se passaram, e eles não encontraram nem terra nem solo. Então, na manhã do terceiro dia, eles ouviram um som vindo do nordeste. “É a voz da onda contra a praia”, disse Máel Dúin. Então era dia claro quando eles chegaram perto da terra. Enquanto tiravam a sorte para ver quem dentre eles desembarcaria, veio um grande enxame de formigas cada qual do tamanho de um potro, seguindo sobre a arrebentação em direção a eles, e entrando no mar. O que as formigas desejavam era comer a tripulação e o barco; assim os marinheiros fugiram por três dias e três noites; e não viram mais terra nem solo.

III
Na manhã do terceiro dia eles ouviram o som de uma onda contra a praia, e com a luz do dia viram uma ilha alta e larga; e terraços por toda a sua volta. Cada terraço era mais baixo que o outro, e havia uma fileira de árvores ao redor, e muitos pássaros grandes nessas árvores. E eles discutiram sobre quem deveria ir explorar a ilha e saber se os pássaros eram mansos. “Eu irei”, disse Máel Dúin. Assim Máel Dúin foi, e com cuidado explorou a ilha, e não achou nada de mal nela. E eles comeram os pássaros e trouxeram alguns a bordo do barco.

IV

Três dias depois, e três noites, estiveram eles ao mar. Mas na manhã do quarto dia eles viram outra grande ilha. Arenoso era seu solo. Quando chegaram à praia da ilha viram lá um animal semelhante a um cavalo. As pernas de um cão ele tinha, com garras ásperas e afiadas; e grande foi a alegria dele ao vê-los. E ele saltou diante deles, pois ansiava por devora-los e a seu barco. “Ele não lamenta ter nos encontrado”, disse Máel Dúin; “vamos fugir desta ilha”. Assim foi feito; e quando o animal os viu fugindo, ele correu à praia e começou a cavar a areia com suas garras afiadas, e lhes lançava (a areia e os pedregulhos), e eles não tinham esperança de escapar dele.

V

Então eles remaram para longe, e viram uma ilha grande e plana diante deles. E coube a Germán a má sorte de ir explorar a ilha. “Iremos ambos”, disse Diurán o Rimador, “e tu virás comigo em outra ocasião a uma ilha que me seja sorteada para explorar”. Assim os dois entraram na ilha. Grande era seu comprimento e largura, e eles viram lá um campo verde e longo, com vastas marcas de cascos de cavalos sobre ele. Grande como a vela de um barco era a marca do casco de cada cavalo. Viram, também, as cascas de grandes nozes como (...) e viram, também, grandes sinais (?) da passagem de muitos homens. Assim eles temeram o que viram, e chamaram os outros para ver o que haviam contemplado. Eles tiveram medo então, após verem o que olhavam, e todos, velozmente, apressadamente, retornaram a bordo do barco.
Quando já estavam um pouco afastados da terra, viram (correr) pelo mar até a ilha uma grande multidão, a qual, após alcançar a ilha verde, realizou uma corrida de cavalos. E mais veloz que o vento era cada cavalo, e grande era o clamor (da multidão) e seus gritos e barulho. E o som dos golpes das chibatas dos cavalos foi ouvido por Máel Dúin, e ele ouvia, além disso, o que cada um deles estava dizendo: “Tragam o cavalo cinzento”; “Venha com o castanho para cá”; “Traga o cavalo branco!”; “Meu cavalo é mais veloz!”; “Meu cavalo salta melhor”.
Quando os viajantes ouviram estas palavras, eles fugiram à toda pois temeram que aquele fosse um encontro de demônios.

VI

Por uma semana inteira eles viajaram, com fome e com sede, quando descobriram uma ilha grande e elevada, com uma grande casa na praia, e uma porta voltada para a planície da ilha, e outra (que se abria) para o mar, e nesta porta havia uma pedra bloqueando-a. A pedra era varada por uma abertura, através da qual as ondas traziam o salmão para o meio da casa. Máel Dúin e seus homens entraram na casa, e lá não encontraram ninguém. Depois eles viram uma cama com dossel para o chefe da casa sozinho, e uma cama para cada três da casa, e comida para três diante de cada cama, e um jarro de vidro com boa bebida diante de cada cama e uma taça de vidro com cada jarro. Então eles tomaram a comida e bebida e eles deram graças a Deus Todo-Poderoso, que os salvou em sua fome.
 
VII

Quando eles partiram da ilha seguiram um longo tempo em viagem, sem comida, famintos, até que encontraram (outra) ilha, com uma grande colina de cada lado, e no meio uma floresta longa e estreita, e grandes eram seu comprimento e sua estreiteza. Quando Máel Dúin entrou na floresta ele tomou (dela) um galho em sua mão ao passar ali. Três dias e três noites o galho permaneceu em sua mão, enquanto o barco estava de velas desfraldadas, contornando a ilha, e no terceiro dia ele encontrou três maçãs agrupadas crescendo na ponta do galho. Por quarenta dias e noites cada uma das maçãs foi-lhes suficiente.

VIII

Depois, então, eles encontraram outra ilha, com uma cerca de pedra à sua volta. Quando se aproximaram, uma grande besta surgiu na ilha, e correu à sua volta. Para Máel Dúin ela parecia veloz como o vento. E então ela foi ao alto da ilha e lá realizou (o feito chamado) “endireitamento do corpo”, a saber, ficar com a cabeça para baixo e os pés para cima; e assim ela fazia; ela girava dentro da sua pele, isto é, a carne e os ossos giravam, mas a pele por fora permanecia imóvel. Ou em outro tempo a pele por fora girava como um moinho, os ossos e a carne permanecendo imóveis.
Após ter ficado por longo tempo deste modo, ela saltou de novo e correu à volta da ilha como havia feito no princípio. Então ela retornou ao mesmo local; e desta vez a metade inferior de sua pele estava imóvel, e a metade superior girava e girava como um moinho. Então, esta era a sua prática quando seguia à volta da ilha.
Máel Dúin e seus homens fugiram à toda, e a besta os viu fugindo e correu à praia para captura-los, e começou a ataca-los, e atirou neles as pedras do atracadouro. Uma destas pedras alcançou o barco deles, e atravessou o escudo de Máel Dúin, e se alojou na quilha do curragh (barco- NT)

IX


Não muito depois eles encontraram outra bela ilha, e ela era deliciosa, e lá havia muitos grandes animais semelhantes a cavalos. Cada um deles arrancava um pedaço do flanco do outro, e corria com sua pele e carne para longe, de modo que de seus flancos jorravam torrentes de sangue escarlate, e disso o solo estava repleto.
Assim eles deixaram aquela ilha velozmente, loucamente, apressadamente, (e eles estavam) tristes, queixosos, fracos; e não sabiam para onde no mundo eles estavam indo e onde encontrariam auxílio ou terra firme.

X

Então chegaram a outra grande ilha, depois de grande exaustão de fome e sede, e tristes e suspirosos, tendo perdido as esperanças de qualquer auxílio. Naquela ilha havia muitas árvores: carregadas de frutos estavam, com grandes maçãs douradas nelas. Animais pequenos e vermelhos semelhantes a porcos ficavam à sombra delas. Eles costumavam ir às árvores e golpeá-las com as patas traseiras, para que as maçãs caíssem delas e eles pudessem consumi-las. Do alvorecer ao crepúsculo os animais não apareciam, mas ficavam em cavernas sob o solo. Por toda a volta da ilha muitas aves nadavam nas ondas. Das Matinas às Nonas mais e mais elas se afastavam da ilha. Mas das Nonas às Vésperas mais e mias se aproximavam dela, alcançando-a depois do sol posto. Então elas apanhavam as maçãs e as comiam. “Vamos”, disse Máel Dúin, “para a ilha onde as aves estão. Não nos será mais difícil (do que foi) para as aves”. Um dos tripulantes foi à ilha, e de lá chamou seus camaradas à praia. Quente era o chão sob os pés deles, e não puderam ficar ali pelo calor, pois era uma terra ardente, e os animais aqueciam o solo sobre eles.
No primeiro dia trouxeram com eles algumas maçãs e as comeram no barco. Quando clareou o dia as aves vieram da ilha nadando pelo mar. Com isso os animais ardentes puseram as cabeças para fora das cavernas, e comeram as maçãs até o pôr-do-sol. Quando eles retornaram às cavernas as aves ocuparam seu lugar, para comer as maçãs. Então Máel Dúin foi com seus homens, e colheram todas as maçãs que ali estavam naquela noite. Tanto a fome como a sede foram deles afastadas pelas maçãs. Assim eles encheram o barco com elas como lhes pareceu por bem, e foram de novo ao mar.

XI

Então quando as maçãs acabaram e a fome e sede deles eram grandes e seus narizes e bocas estavam fartos do cheiro do mar, eles viram uma ilha não muito grande, e lá (havia) um forte cercado por uma elevação branca e alta como se feita de calcário queimado, ou como se fosse uma só rocha calcária. Grande era sua altura sobre o mar; ela quase alcançava as nuvens. O forte estava aberto. À volta da elevação havia casas grandes e brancas como a neve. Quando eles entraram na maior delas não viram ninguém, exceto um pequeno gato no centro da casa brincando nos quatro pilares de pedra que lá estavam. Ele saltava, de um pilar ao outro. Ele olhou um pouco os homens, e não se desviou de sua brincadeira. Então, eles viram três fileiras à volta das paredes da casa, de um lado da porta até o outro lado. Uma fileira, primeiro, de broches de ouro e prata, com os alfinetes espetados na parede, e outra fileira de torques de ouro e prata, grandes como as bordas de barris. A terceira fileira era de grandes espadas, com empunhaduras de ouro e prata. Os quartos estavam repletos de colchas brancas e vestes resplandecentes. Um boi assado no centro da casa, e grandes taças cheias de boa bebida. “Isto foi deixado para nós?” perguntou Máel Dúin ao gato. Ele olhou repentinamente e voltou a brincar novamente. Então Máel Dúin soube que a refeição era para eles.
Então eles comeram e beberam e dormiram. Eles puseram o restante (?) da bebida nas panelas e guardaram o resto da comida. E quando se propuseram a ir, o terceiro irmão de criação de Máel Dúin disse “Devo levar comigo um colar dentre estes?” “Não”, disse Máel Dúin, “não está a casa sem guarda”. Mesmo assim ele o pegou e o levou até o meio do salão. O gato os seguiu, e saltou através dele (o irmão de criação) como uma flecha de fogo, e o queimou até as cinzas, e (então) retornou ao seu pilar. Então Máel Dúin o amansou com palavras, e colocou o colar em seu lugar e recolheu as cinzas do chão do salão, e as lançou na praia.
Então eles embarcaram, louvando e engrandecendo ao Senhor.

XII

Bem cedo na manhã do terceiro dia depois daquilo eles viram outra ilha, com uma paliçada de bronze no centro que dividia a ilha em duas, e viram grandes rebanhos de ovelhas por lá, um de ovelhas negras de um lado da cerca e outro de ovelhas brancas do outro lado. E viram um homem grande separando os rebanhos. Quando ele lançava uma ovelha branca sobra a cerca para o lado das ovelhas negras ela se tornava negra no ato. Quando ele lançava uma ovelha negra para o outro lado, ela logo se tornava branca. Os homens ficaram apreensivos ao verem isto. “Isto seria bom para fazermos”, disse Máel Dúin: “vamos lançar duas varas na ilha. Se elas mudarem de cor nós (também) mudaremos se desembarcarmos lá”. Então eles lançaram uma vara de casca negra no lado das ovelhas brancas, e ela se tornou branca. Então eles lançaram uma vara descascada no lado das ovelhas negras e ela se tornou negra.
“Não foi afortunada (?) esta experiência”, disse Máel Dúin. “Vamos evitar desembarcar aqui. Sem dúvida nossas cores não se sairiam melhor que as cores das varas”.
Eles se afastaram da ilha em grande terror.

XII

No terceiro dia após isso eles viram outra ilha grande e vasta, com uma vara de belos porcos ali. Dentre eles abateram um porco pequeno.Então eles não puderam carrega-lo para ser assado, então todos vieram à volta dele. Eles o assaram e o puseram no barco.
Então viram uma grande montanha na ilha, e propuseram ir até lá para de lá ver a ilha. Então quando Diurán o Rimador e Germán foram até a montanha encontraram à sua frente um rio largo mas não profundo. Nesse rio Germán mergulhou o cabo de sua lança e ele foi consumido como se por fogo. E assim eles não foram além. E então viram, do outro lado do rio, grandes bois sem chifres deitados, e um homem imenso sentado entre eles. Germán então bateu com a lança no escudo para afugentar os bois. “Porque você afugenta esses bezerros bobos?”, disse o boiadeiro enorme. “E onde estão as mães destes bezerros?”, disse Germán. “Elas estão do outro lado da montanha”, disse ele. Diurán e Germán retornaram aos seus camaradas, e lhes contaram o que viram.
Então eles (todos) partiram.

XIV

Não muito depois eles encontraram uma ilha, com um grande e terrível moinho, onde havia um moleiro enorme...terrível. Perguntaram a ele “que moinho é este?”, “Não...realmente”, disse ele...pergunte o que não sabeis”. “Não”, disseram eles. “Metade do trigo de sua terra”, disse ele, “é moída aqui. Todas as coisas feitas de má vontade são moídas neste moinho”, disse ele.
Nisso eles viram imensos, incontáveis fardos trazidos por cavalos, e seres humanos (indo) ao moinho e vindo dele, novamente; e o que era trazido dele era levado na direção oeste. Novamente perguntaram: “Qual é o nome deste moinho?” “Inber Ter-cenand”, disse o moleiro. Então eles se benzeram com o sinal da cruz de Cristo. Quando ouviram e viram todas estas coisas eles seguiram adiante, de volta ao barco.

XV

Então quando vinham da ilha do moinho eles encontraram uma grande ilha, e uma grande multidão de seres humanos nela. Negros eles eram, tanto de corpo como de vestes. Diademas coroavam suas cabeças, e não cessavam de se lamentar. A sorte má coube a um dos dois irmãos de criação de Máel Dúin de desembarcar na ilha. Quando ele chegou até as pessoas que se lamentavam imediatamente tornou-se um camarada deles e começou a chorar com eles. Dois foram enviados para busca-lo, mas não o reconheceram entre os outros (e) eles também começaram a se lamentar. Então disse Máel Dúin: “Que quatro (dentre vocês)”, disse ele, “sigam com suas armas, e tragam os homens de volta à força, sem olhar a terra nem o ar, e ponham as roupas sobre seus narizes e suas bocas, e não respirem o ar desta terra, e não tirem os olhos uns dos outros”. Os quatro seguiram, e trouxeram à força com eles os outros dois. Quando interrogados sobre o que haviam visto na terra, eles disseram: “Em verdade, não sabemos”, disseram, “mas o que vimos (eles fazendo) fizemos”.
Então fugiram rapidamente da ilha.

XVI

Então chegaram a outra ampla ilha, onde haviam quatro cercas, que a dividiam em quatro partes. Uma cerca de ouro, primeiro; outra de prata; a terceira de bronze; e a quarta de cristal. Reis na quarta divisão, rainhas em outra, guerreiros em outra, donzelas ainda em outra. Uma donzela foi recebe-los e os trouxe à terra, e lhes ofereceu comida. Eles a acharam semelhante ao queijo; e qualquer sabor que agradasse a alguém ali se encontraria. E ela serviu (bebida) a eles de um jarro pequeno, e eles dormiram em embriaguez por três dias e três noites. E por todo o tempo a donzela cuidou deles. Quando acordaram no terceiro dia estavam em seu barco no mar. Em parte alguma viram a ilha ou a donzela.
Então remaram para longe dali.
 
XVII

Então encontraram outra ilha que não era grande. Lá havia uma fortaleza de portões de bronze e trancas também de bronze. Uma ponte de vidro (se erguia) diante do portão. Quando tentaram subir à ponte eles caíram para trás. Então viram uma mulher sair da fortaleza, com um balde nas mãos. Na parte mais baixa da ponte ela levantou uma laje de vidro, e encheu o balde com a água da fonte que jorrava sob a ponte, e retornou à fortaleza.
“Uma criada vem até Máel Dúin!”, disse Germán. “Máel Dúin, realmente”, disse ela, fechando a porta atrás de si.
Então eles bateram nas trancas de bronze e na rede de bronze diante deles, e o som que faziam era uma música suave e calmante, que os fez dormir até a manhã seguinte.
Quando acordaram viram a mesma mulher (saindo) da fortaleza, com seu balde nas mãos, e a viram encher (o balde) sob a mesma laje.
“Mas uma criada vem encontrar Máel Dúin”, disse Germán.
“Maravilhosamente valioso considero Máel Dúin!”, disse ela, trancando a porta atrás de si.
A mesma melodia os deteve até a manhã. Três dias e três noites se passaram assim. No quarto dia a mulher veio a eles. Ela vestia um manto branco, com um diadema de ouro em seus cabelos. Dourados eles eram. Duas sandálias de prata ela calçava em seus pés rosados. Um broche de prata com detalhes em ouro em seu manto, e uma leve e sedosa túnica sobre sua pele branca.
“Boas vindas a ti, ó Máel Dúin”, disse ela; e ela chamou cada homem (da tripulação) por sua vez, cada um por seu nome. “Há muito sua vinda aqui foi sabida e compreendida”.
Então ela (os) conduziu a uma grande casa próxima do mar, e trouxe seu barco para a areia. Então eles viram na casa um leito para Máel Dúin sozinho, e um para cada três de sua gente. Ela lhes trouxe comida num panelão semelhante ao queijo ou táth. Ela serviu uma porção a cada três deles. Qualquer sabor que alguém desejasse ali o encontrava. Então ela cuidou de Máel Dúin em pessoa. Ela encheu seu balde sob a mesma laje, e serviu de beber a eles. Uma dose para cada três ela serviu.
Então ela viu que eles haviam tido o bastante. Ela repousou de seu cuidado a eles.
“Uma esposa perfeita para Máel Dúin é esta mulher”, disseram seus homens.
Então ela se foi, com seu panelão e seu balde.
Eles disseram a Máel Dúin:” Devemos perguntar a ela se ela, talvez, desejaria dormir contigo?”
“Como seria danoso a vocês”, disse ele, “falar com ela? Ela virá amanhã”. E eles disseram a ela:” Mostrarás afeição a Máel Dúin, e dormirás com ele? E porque não ficar aqui esta noite?”. Ela disse que não conhecia pecado, e nunca havia conhecido o que era pecar. Então ela se foi até sua casa; e na manhã seguinte, à mesma hora, voltou com seus cuidados a eles. E quando eles estavam bêbados e saciados, disseram as mesmas palavras a ela.
“Amanhã”, disse ela, “uma resposta será dada a isto”. Então ela foi ata sua casa, e eles dormiram em seus leitos. Quando acordaram estavam em seu barco e não viram nem a ilha, nem a fortaleza, nem a dama, nem o lugar em que haviam estado.

XVIII

Quando saíram daquele lugar ouviram no nordeste um grande clamor e canto como se fosse o cantar dos salmos. Naquela noite e no dia seguinte até a nona eles remaram para saber que clamor ou que canto ouviram. Eles viram uma ilha alta e montanhosa, cheia de pássaros, negros e castanhos e malhados, gritando e falando em altas vozes.

XIX

Eles se afastaram um pouco daquela ilha, e encontraram outra ilha que não era grande. Lá viram muitas árvores e nelas muitas aves. E depois viram na ilha um homem vestido com os próprios cabelos. E perguntaram a ele quem ele era, e de que família. “Dos homens da Irlanda eu sou”, disse ele. “Fui em peregrinação num barco pequeno, e quando me afastei um pouco da terra meu barco se rompeu sob mim”. ”Eu alcancei terra”, disse ele, “e pus sob meus pés solo de minha terra, e sobre ele eu me ergui do mar e o SENHOR estabeleceu aquele solo para mim neste lugar”, disse ele, “e Deus adicionou um pé de extensão a ele cada ano, e uma árvore a cada ano para crescer ali. Os pássaros que viram nas árvores”, disse ele, “são as almas de meus filhos e minha família, homens e mulheres, que ali esperam o Dia do Juízo. Meio pão, um pedaço de peixe, e a água do poço Deus me deu. Isto me é dado diariamente”, disse ele, “pelo ministério dos anjos. À hora da nona, além disso, outro meio-pão e pedaço de peixe são trazidos a cada homem e mulher, e água do poço, o suficiente a todos”
Quando suas três noites de hospedagem estavam completas, eles se despediram (do peregrino), e ele disse:” Todos vós”, disse ele, “retornarão salvos à sua terra, menos um”.

XX

No terceiro dia após encontraram outra ilha, com uma fortificação dourada à sua volta e no meio era branca como lã. Lá viram um homem, e sua veste era o cabelo de seu próprio corpo. Eles então perguntaram a ele de onde vinha seu sustento. “Em verdade”, disse ele, “Há uma fonte nesta ilha. Às Sextas e Quartas ela fornece soro de leite ou água. Aos Domingos, no entanto, e nas festas dos mártires bom leite ela fornece. Mas nas festas dos apóstolos, e de Maria e de João Batista e nos grandes dias (do ano), ela dá cerveja e vinho”. À nona, então, veio a cada um dos homens meio pão e um pedaço de peixe; e eles beberam à farta do líquido que lhes era dado pela fonte da ilha. E caíram num sono profundo, daquela hora até a manhã. Quando se haviam passado três dias de hospedagem, o clérigo ordenou que partissem. Então eles foram adiante, e se despediram dele.

XXI

Então, quando já viajavam por sobre as ondas há muito tempo, viram ao longe uma ilha, e ao se aproximarem ouviram o ruído de ferreiros batendo uma massa (de ferro) na bigorna com malhos, como se fossem três ou quatro. Quando chegaram perto ouviram um homem dizer ao outro: “Eles estão perto?”, disse ele. “Sim”, disse o outro. “Quem”, disse outro deles, “são esses que dizes que vêm para cá?” “Parecem garotinhos numa jangada ao longe”, disse ele. Quando Máel Dúin ouviu o que os ferreiros diziam, disse: “Vamos nos retirar”, disse ele, “e não virem o barco, mas deixem a proa para a frente, para que eles não percebam que estamos fugindo”.
Então eles remaram para longe, com o barco virado para a frente. Novamente o mesmo homem na forja perguntou:”Eles estão perto do ancoradouro?”, disse ele. “Eles estão descansando”, disse o vigia: “não vão nem lá e nem cá”.
Não muito depois ele perguntou de novo: “O que eles fazem agora?”, disse ele. “Acho”, disse o vigia, “que eles estão fugindo; eles me parecem mais longe do ancoradouro agora do que estavam antes”. Então o ferreiro saiu da forja, segurando com tenazes uma grande massa (de ferro incandescente), e ele a lançou ao barco no mar alto; e todo o mar ferveu; mas ele não conseguiu; pois eles fugiram com toda a sua força de guerreiros, velozmente seguindo ao grande oceano.

XXII

Depois disso eles seguiram viagem até entrarem num mar que parecia vidro verde. Tal era a sua pureza que o cascalho e a areia do mar eram claramente visíveis através dele; e não viram monstros nem bestas entre as rochas, mas apenas o puro cascalho e a areia verde. Por grande parte do dia viajaram nesse mar, e grandes eram seu esplendor e sua beleza.

XXIII

E depois entraram em outro mar semelhante a uma nuvem e lhes pareceu que ele não os suportaria no barco. Então viram sob o mar abaixo deles os telhados de fortalezas e um belo campo. E viram uma besta enorme, horrível, monstruosa, numa árvore lá, e um campo de pasto e a árvore, e rebanhos à volta da árvore e ao lado desta um homem armado, com escudo e lança e espada. Quando ele viu a besta que estava na árvore ele bateu em fuga. A besta esticou o pescoço e alcançou com a cabeça o lombo do maior boi do rebanho e o puxou até a árvore, e lá o devorou num piscar de olhos. Os rebanhos e os pastores fugiram de imediato, e quando Máel Dúin e sua gente viram aquilo grande terror e medo lhes vieram, pois achavam que jamais poderiam cruzar aquele mar sem cair através dele, por ser tênue como a névoa.
Então, depois de muito perigo, eles passaram por ele.

XXIV

Depois eles encontraram outra ilha, e à sua volta o mar se erguia formando vastas colinas (de água) por seu contorno. Quando a gente daquele país os percebeu vindo, se puseram a gritar para eles dizendo:”São eles! São eles!”, até perderem o fôlego. Então Máel Dúin e seus homens viram muitos seres humanos, e grandes rebanhos de gado, e tropas de cavalos e muitos rebanhos de ovelhas. E havia ali uma mulher abaixo deles com grandes nozes que flutuavam no mar, ondas sobre elas. Muitas dessas nozes eles recolheram e levaram com eles. Então se afastaram da ilha e então os gritos cessaram.
“Onde estão eles agora”, disse um dos homens que gritava com os outros.”Eles se foram”, disse outro bando deles. “Não são eles”, disse outro bando.
É provável que houvesse alguém a respeito de quem (os ilhéus) tivessem uma profecia de que ele arruinaria seu país e os expulsaria de sua terra.

XXV

Eles alcançaram outra ilha, onde uma coisa estranha se mostrou a eles, a saber, uma grande torrente que se erguia da praia da ilha e seguia, como um arco-íris, até a praia do outro lado da ilha. E eles estavam deitados lá, sob (a torrente) sem se molhar. E espetavam (com suas lanças) a torrente acima deles; e (então) imensos, enormes salmões caíam da torrente sobre o solo da ilha. E toda a ilha estava cheia do fedor (dos peixes), pois não havia ninguém ali que pudesse recolhe-los todos tal era sua abundância.
Da tarde de Domingo à manhã de Segunda a torrente não se movia, mas permanecia em repouso no mar à volta da ilha. Então eles trouxeram ao meio da ilha os maiores salmões, e encheram o barco com eles, e se foram daquela ilha quieta no oceano.

XXVI

Então eles seguiram até encontrar uma grande coluna prateada. Ela tinha quatro lados, e a extensão de cada lado era a de duas remadas do barco, de modo que sua circunferência era de oito remadas. E não havia um só torrão de terra à sua volta, mas (apenas) o oceano sem fim. E eles não viam como era sua base abaixo, ou como era seu cume acima pela sua altura. Do cume descia uma rede de prata de muito longe; e o barco virou e ficou emaranhado nessa rede. E Diurán golpeou a rede com sua lança. “Não destrua a rede”, disse Máel Dúin, “pois o que vemos é obra de homens poderosos”. “Pelo amor do nome de Deus”, disse Diurán, “faço isto para que minha história seja mais acreditada; e se me couber que eu retorne à Irlanda (este pedaço da rede) será ofertado por mim no altar de Armagh”. Duas onças e meia era seu peso, como foi medido (depois) em Armagh.
E então ouviram uma voz do cume do pilar, poderosa, e clara, e distinta. Mas eles não souberam em que língua ela falava, ou que palavras proferia.

XXVII

Então viram outra ilha (sustentada) num único pedestal, a saber, um só pé a apoiava. E remaram à sua volta para descobrir um caminho para ela, e não o encontraram; mas viram, na base do pedestal, uma porta fechada e trancada. E entenderam que aquele era o caminho de entrada da ilha. E eles viram uma multidão no alto da ilha; mas não falavam com ninguém, e ninguém falava com eles. (Então) eles foram embora de volta (ao mar).
 
XXVIII

Depois eles chegaram a uma ilha, e lá havia uma grande planície, e nela um grande terreno plano e sem urze, mas com relva macia. Eles viram na ilha junto ao mar uma fortaleza, grande, alta e forte, e uma grande casa lá adornada e com boas camas. Dezessete moças crescidas estavam lá preparando o banho. E eles (Máel Dúin e seus homens) desembarcaram naquela ilha e se sentaram numa elevação diante do forte. Máel Dúin disse então: “Temos certeza que lá um banho está sendo preparado para nós”. E na hora da nona eles contemplaram alguém num cavalo de corrida (vindo) para a fortaleza. Um bom e adornado pano sob sua sela; ela vestia um capuz azul e um manto de orla púrpura. Luvas bordadas a ouro em suas mãos; e em seus pés, sandálias adornadas. Ao chegar, uma das moças imediatamente levou o cavalo dela. Então ela entrou na fortaleza e foi ao banho. Então eles viram que era uma mulher que havia chegado a cavalo, e pouco depois veio uma das moças até eles. “Bem-vinda é a sua chegada!”, disse ela. “Venham para o forte: a rainha os convidou”. Então eles entraram no forte e todos tomaram banho. A rainha se sentava num lado da casa, e suas dezessete moças com ela. Máel Dúin sentou-se do outro lado, diante da rainha, e seus dezessete homens com ele. Então um prato de boa comida foi oferecido a Máel Dúin, e com ele uma jarra de vidro cheia de boa bebida; e (havia) um prato para cada três e uma jarra para cada três de sua gente. Quando haviam todos jantado a rainha disse “Como dormirão os hóspedes?”, disse ela. “Como quiserdes”, disse Máel Dúin. “Vocês irão em breve da ilha”, disse ela, “que cada um de vocês tome sua mulher, aquela mesma do outro lado da mesa, e que a siga para seu quarto”. Pois havia dezessete quartos na casa com boas camas preparadas. Assim os dezessete homens e as dezessete moças crescidas dormiram juntos, e Máel Dúin dormiu com a rainha. Depois todos dormiram um sono profundo até a manhã seguinte. Então pela manhã eles se levantaram (para partir). “Fiquem aqui”, disse a rainha, “e a idade não cairá sobre vocês, apenas a idade que já alcançaram. E vida imorredoura terão sempre, e o que se sucedeu noite passada se sucederá todas as noites sem qualquer esforço. E não mais vagarão de ilha em ilha pelo oceano!”
“Dizei-nos”, disse Máel Dúin, “como viestes dar aqui”.
“Não é difícil (dizer), em verdade”, disse ela. “Aqui vivia nesta ilha um bom homem, o rei da ilha. A ele dei dezessete filhas, e eu fui a mãe delas. Então o pai delas faleceu, e não deixou herdeiros. Assim eu assumi o reinado da ilha depois dele. Todos os dias”, disse ela, “eu vou à planície na ilha para julgar o povo e decidir (suas disputas).
“Mas porque nos deixais hoje?”, disse Máel Dúin.
“A menos que eu me vá”, disse ela, “o que sucedeu noite passada não tornará a se suceder (novamente). Apenas fiquem”, disse ela, “na casa e não terão que labutar. Eu vou julgar o povo por amor a vocês”.
Então eles ficaram na ilha por três meses de inverno; e lhes pareceu como se (esses meses) fossem três anos. “Muito tempo ficamos aqui”, disse um dos homens a Máel Dúin. “Porque não viajamos de volta à nossa terra?”, disse ele.
“O que você diz não é bom”, disse Máel Dúin, “pois não encontraremos em nossa terra coisa melhor do que encontramos aqui”.
(Mas) sua gente começou a murmurar contra Máel Dúin, e disseram que era grande o amor que Máel Dúin tinha por sua mulher. “Deixem-no, então, ficar com ela se ele quiser”, disseram os homens. “Nós regressaremos à nossa terra”.
“Eu não ficarei depois que partirem”, disse Máel Dúin.
Um dia, então, a rainha foi julgar seu povo onde costumava ir todos os dias. Quando ela saiu, eles embarcaram no seu barco. Então ela veio em seu cavalo, e lançou um novelo neles, e Máel Dúin o agarrou, e ele se prendeu à sua mão. O fio do novelo estava na mão dela, e ela puxou o barco até ela, pelo fio, de volta ao ancoradouro.
Então ficaram com ela três vezes três meses. Então chegaram a (este) conselho. “Disto estamos certos, agora”, disseram os homens, “que grande é o amor de Máel Dúin por sua mulher. Por isto ele agarrou o novelo, que se prendeu em sua mão, e pelo qual fomos trazidos de volta à fortaleza”. “Que outro agarre o novelo”, disse Máel Dúin, “e se ele se prender à mão dele, seja ela cortada fora”
Então eles embarcaram em seu barco. (A rainha veio e) lançou o novelo neles. Outro homem agarrou o novelo, que se prendeu à sua mão. Diurán cortou fora a mão dele, e ela caiu, com o novelo, (no mar). Quando ela viu isto, ela logo começou a chorar e gritar, e toda a terra era um só grito, choro e lamento.
Deste modo eles escaparam dela, para longe da ilha.

XXIX

Eles seguiram por longo tempo depois ao sabor das ondas, até encontrarem uma ilha com árvores semelhantes ao salgueiro ou à aveleira. Lá haviam maravilhosos frutos, grandes bagas. Destes eles privaram uma pequena árvore, e tiraram a sorte para ver quem deles provaria dos frutos da árvore. (A sorte) coube a Máel Dúin. Ele espremeu alguns frutos num copo e bebeu )do suco), e caiu num sono profundo daquele instante até a mesma hora do dia seguinte. E eles não sabiam dizer se ele estava vivo ou morto, com espuma vermelha nos lábios, até a manhã em que despertou.
Então ele lhes disse “Colham os frutos, pois grande é sua excelência”. Então eles (os) colheram e misturaram água a eles, para moderar seu poder de embriagar e adormecer. Então recolheram tudo e espremeram o suco e com ele encheram todos os recipientes que tinham; e (então) remaram para longe da ilha.

XXX

Depois disso eles chegaram a outra grande ilha. Um dos seus lados era uma floresta com teixos e grandes carvalhos. O outro lado era uma planície com um pequeno lago. Grandes rebanhos de ovelhas estavam lá. Eles viram ali uma pequena igreja e uma fortaleza. Eles foram à igreja. Um velho e grisalho clérigo estava na igreja, e seu cabelo o vestia completamente. Máel Dúin perguntou:” De onde és?”
“Eu sou o décimo quinto homem da comunidade de Brenainn de Birr. Seguíamos em peregrinação pelo oceano e chegamos a esta ilha. Todos os outros morreram exceto por mim”. E então ele lhes mostrou a tabuleta de Brenainn, que os monges haviam levado consigo em sua peregrinação. Todos eles se prostraram diante da tabuleta, e Máel Dúin a beijou.
“Agora”, disse o idoso, “comam o suficiente das ovelhas, e não consumam mais do que lhes seja suficiente”.
Então por uma estação eles se alimentaram da carne das gordas ovelhas.
Um dia, então, quando eles olhavam o mar viram (o que lhes pareceu) uma nuvem vindo a eles do sudoeste. Depois de um tempo, quando olharam, eles perceberam ser um pássaro; pois viram as garras se agitando. Então ele veio à ilha e pousou numa colina perto do lago. Então pensaram que ele os levaria em suas garras até o mar. Ele trazia consigo um galho de uma grande árvore. Maior que um dos grandes carvalhos (era) o galho, e grandes ramos saíam dele, e uma grande ramada (coberta) de folhas frescas. Frutos pesados e abundantes, vermelhos como uvas mas maiores, trazia. Então (os viajantes) se esconderam, vigiando o que o pássaro iria fazer. Por seu cansaço, ele ficou um pouco em repouso. (Então) ele comeu alguns frutos da árvore. Então Máel Dúin seguiu até a orla da colina para ver se ele lhe faria algum mal, e o que o pássaro fez foi ficar naquele local. Seus homens foram até ele.
“Que um de nós se vá”, disse Máel Dúin, “e colha alguns frutos do galho que o pássaro trouxe”.
Então um deles foi e colheu uma porção dos frutos e o pássaro não o recriminou, e (nem mesmo) olhou (para ele) ou se moveu. Então os dezoito homens, com seus escudos, foram para trás dele, e ele não lhes fez mal.
À hora da nona eles viram duas grandes águias no sudoeste, no lugar de onde o grande pássaro havia vindo, e elas desceram em frente do grande pássaro. Depois de descansarem por um tempo, elas começaram a catar e arrancar os piolhos que infestavam as partes superior e inferior do bico do grande pássaro, e de seus olhos e ouvidos.
Elas (as duas águias) fizeram isso até as vésperas. Então as três aves começaram a comer os frutos do galho. Da manhã seguinte ao meio-dia, elas retiravam as mesmas pragas de seu corpo e arrancavam as penas velhas, arrancando completamente as escamas velhas de sua pele. Ao meio-dia, no entanto, arrancavam os frutos do galho, e com seus bicos elas os quebravam contra as pedras e os lançavam ao mar até que sua espuma ficasse rubra. Depois o grande pássaro foi até o lago e lá ficou se lavando até o final do dia. Depois ele saiu do lago e se acomodou em outro ponto da mesma colina, para que os piolhos que haviam sido removidos não voltassem (de novo).
Na manhã seguinte as (dua) aves com seus bicos arrancavam e alisavam a plumagem (do terceiro), como se com um pente. Permaneceram nisso até o meio-dia. Então descansaram um pouco, e então elas regressaram ao lugar de onde vieram.
Mas o grande pássaro ficou para trás se arrumando e agitando as garras até o final do terceiro dia. Então, na hora terça do terceiro dia, ele alçou vôo e voou três vezes à volta da ilha, e pousou por um pouco na mesma colina. E depois ele partiu para o lugar de onde veio. Mais rápido e forte (era) seu vôo então do que (havia sido) antes. De onde foi manifestado a todos eles que isso era a sua renovação da velhice à juventude, de acordo com as palavras do profeta, que disse “Tua juventude será renovada como a da águia”.
Então Diurán, vendo tal grande maravilha, disse: “Vamos ao lago nos renovar onde o pássaro foi renovado”.
“Não”, disse outro, “pois o pássaro deixou lá seu veneno”.
“Dizes mal”, disse Diurán, “Eu irei primeiro até ele”.
Então ele foi e se banhou lá e levou os lábios à água, e bebeu goles dela. Fortes foram seus olhos depois disso enquanto ele viveu; e nem um dente (de sua boca) caiu, nem um cabelo de sua cabeça; e ele nunca sofreu fraqueza ou adoecimento daquele tempo em diante.
Então eles se despediram do ancião; e das ovelhas levaram provisão com eles. Puseram o barco no mar, e seguiram rumo ao oceano.

XXXI

Eles encontraram outra grande ilha, com uma grande planície. Uma grande multidão estava lá, brincando e rindo sem cessar. A sorte foi tirada por Máel Dúin e seus homens para ver a quem caberia aportar à ilha e explora-la. A sorte caiu com o terceiro irmão de criação de Máel Dúin. Quando ele chegou imediatamente se pôs a brincar e rir continuamente com os ilhéus como se fosse um deles por toda a sua vida. Seus camaradas ficaram esperando por ele por um longo, longo tempo, e ele não retornou a eles. Então eles o deixaram.

XXXII

Depois disso eles viram outra ilha, que não era grande; e uma barreira de fogo à sua volta; e a barreira revolvia-se à volta da ilha. Havia uma porta aberta no lado da barreira. Então, sempre que a porta chegava (em sua revolução) oposta a eles, eles viam (por ela) a ilha inteira, e tudo o que ali estava, e todos os seus habitantes, seres humanos belos abundantes, vestindo trajes adornados e festejando com taças douradas nas mãos. E os viajantes ouviam a música do festim. E por um longo tempo ficaram contemplando aquela maravilha que viam, e a consideraram deliciosa.

XXXIII

Não muito depois que partiram daquela ilha, eles viram entre as ondas uma forma (?) semelhante a um pássaro branco. Eles viraram a proa do barco para o sul, para perceber o que viam. Então quando se aproximaram com seus remos, viram que era um ser humano, e que estava vestido apenas com os cabelos brancos de seu corpo. Ele estava em prostrações sobre uma rocha ampla.
Quando foram até ele, eles lhe pediram sua bênção, e perguntaram de onde havia chegado até aquele rochedo.
“De Torach, em verdade”, disse ele, “eu vim aqui, e em Torach fui criado. Então se passou que eu era cozinheiro lá, e era um mau cozinheiro, pois a comida da igreja onde morava eu trocava por tesouros e jóias para mim; e minha casa ficou cheia de tapeçarias e almofadas e vestimentas, de linho e lã tingida, e de jarras de bronze e pequenos tellena de bronze, e de broches de prata com alfinetes de ouro. De tal modo que em minha casa nada faltava do que os homens entesouram; tanto livros dourados como sacos de livros adornados de bronze e ouro. E eu costumava cavar sob as casas da igreja e levar comigo muitos tesouros”
“Grandes então eram meu orgulho e minha arrogância”
“Então um dia me disseram para cavar uma cova para o cadáver de um camponês, que havia chegado à ilha. Enquanto eu (trabalhava) na cova, ouvi abaixo de mim uma voz do chão sob meus pés: “Mas não cave aqui!”, disse a voz. “Não ponha o corpo deste pecador sobre mim, uma pessoa pia e santa!”
“(Seja) entre mim e Deus, eu (o) porei”, disse eu em minha excessiva arrogância.
“Assim”, disse ele, “se você o puser sobre mim”, disse o santo homem, “perecerá no terceiro dia a contar de hoje, e será um habitante do inferno, e o cadáver não ficará aqui”
Disse eu ao ancião:” Que bem você me concederá se eu não enterrar este homem sobre você?”
“Habitar na vida eterna junto a Deus”, disse ele.
“Como”, disse eu, “saberei disso?”
“Isso não é difícil mesmo a ti”, disse ele. “A tumba que você está cavando ficará agora cheia de areia; deste modo você não poderá e será manifestado a você que é o homem sobre mim, (mesmo) que você me enterre”. Essas palavras mal foram ditas e a cova se encheu de areia. Então depois eu enterrei o cadáver em outra cova. Certo tempo depois eu saí com um novo barco de couro curtido ao mar. Eu embarquei, e estava contente. Olhei à minha volta: e não havia deixado nada em casa, do grande ao pequeno, que não tivesse sido trazido comigo, com meus jarros e escapadas astutas e meus pratos; enquanto contemplava isto, no mar que estava calmo, grandes ventos vieram sobre mim, e me levaram para longe, e não via nem terra nem solo. Aqui meu barco parou, e daqui não se moveu por nada. Quando olhava à minha volta para todos os lados, vi á direita um homem sentado sobre as ondas. E ele me disse “Aonde vais?”, disse ele. “Agradável a mim, digo, seria a direção na qual olho sobre o mar agora”. “Não te será agradável, se mantiverdes a corrente que te prende”. “Que pode ser esta corrente?”, disse eu. Ele me disse: “Até onde a vista alcança, sobre o mar até as nuvens, uma multidão de demônios há à tua volta, por causa de tua cobiça e teu orgulho e arrogância, e por causa de teus roubos e outros maus atos. Sabes tu”, disse ele, “por que o teu barco parou?” “Em verdade, não o sei”. “Teu barco não sairá deste lugar onde está até que tenhas feito minha vontade”. “Talvez eu não a suporte”, disse eu. “Então suportarás as dores do desamparo até que aceites minha vontade”. Ele veio a mim e pôs sua mão sobre mim; e prometi fielmente fazer sua vontade. “Lança”, disse ele, “ao mar todas as riquezas que tens em teu barco”. “É uma pena”, disse eu, “que tudo isso se perca”. “De modo algum isto se perderá. Há um de quem terás proveito”. (Então) eu lancei tudo ao mar, exceto um cálice pequeno. “Vai agora”, disse ele a mim, “e no lugar em que teu barco pare, fica lá”. E ele me deu como provisões um copo de soro de leite e sete bolos. Então eu fui”, disse o ancião, “na direção em que o vento e o barco me levavam: pois tinha remos e meu leme. Enquanto estava lá, um brinquedo das ondas, fui lançado a este rochedo, e então tive dúvida se o barco havia parado, pois não via terra nem solo aqui. E me lembrei do que foi dito, a saber, sentar-me no mar onde o barco parasse. Então me levantei e vi uma pequena pedra, contra a qual batiam as ondas. Então pus meu pé ali, na pequena pedra, e meu barco fugiu de sob mim e a pedra me ergueu, e as ondas se afastaram. Há sete anos estou aqui”, disse ele, “(vivendo) dos sete bolos e do copo de soro de leite que me foram dados pelo homem que me enviou aqui. E não tenho outras (provisões) salvo meu copo de soro de leite. Este ainda permanece. Depois disso eu estive num jejum de três dias”, disse ele. “Depois dos três dias, à hora da nona, uma lontra me trouxe um salmão do mar. Pensei comigo que não poderia comer o salmão cru. Eu o lancei de volta ao mar”, disse ele, e de novo jejuei por três dias. À terceira nona, então, eu vi a lontra me trazer de novo o salmão do mar, e outra lontra trazendo lenha flamejante, e a instalou, e sobrou sobre ela para que o fogo ardesse. Então cozinhei o salmão, e por sete anos mais vivi deste modo. E todos os dias”, disse ele, “um salmão me era trazido, com seu fogo, e o rochedo crescia tanto que (agora) é grande. E neste dis meu salmão de sete anos não me foi dado; (então) eu permaneci (jejuando) por mais três dias. Na terceira nona dos três dias meio pão de trigo, e um pedaço de peixe, foram atirados a mim. Então meu copo de soro de leite fugiu de mim e veio a mim outro copo do mesmo tamanho, cheio de boa bebida, que fica aqui no rochedo e está cheio todos os dias. E nem vento, nem umidade, nem calor, nem frio me afetam neste lugar. Estas são minhas narrativas”, disse o ancião. Então, quando a hora da nona chegou, meio pão e um pedaço de peixe vieram para todos eles, e no copo diante do clérigo no rochedo encontraram sua parte de boa bebida. Depois disse o ancião a eles: ”Todos vós alcançareis vossa terra, e quanto ao homem que matou teu pai, ó Máel Dúin, o encontrarás numa fortaleza à tua frente. E não o mates, mas perdoa-o porque Deus te salvou de múltiplos perigos, e todos nós somos homens merecedores de morte”. Então eles se despediram do ancião e seguiram pelo caminho costumeiro.

XXXIV

Então, depois que haviam seguido por um tempo, chegaram numa ilha de gado abundante, e com bois e vacas e ovelhas. Não havia nem casas nem fortes por ali, então eles comeram a carne das ovelhas. Então alguns deles, vendo um grande falcão, disseram: “Esse falcão é como os falcões da Irlanda!” “É mesmo, verdade”, disseram alguns dos outros. “Vigiem-no”, disse Máel Dúin, “e vejam aonde a ave irá ao se afastar de nós”. Eles viram-no seguir ao sudoeste. Então remaram atrás da ave, na direção em que havia ido. Eles remaram aquele dia até as vésperas. Ao cair da noite viram terra, semelhante à terra da Irlanda. Eles remaram para lá. Encontraram uma pequena ilha e viram que havia sido dessa mesma ilha que os ventos haviam soprado e os levado ao oceano quando saíram ao mar na primeira vez.
Então puseram a proa do barco na praia, e foram em direção à fortaleza que havia na ilha, e ficaram escutando, e os habitantes da fortaleza estavam jantando.
Eles ouviram alguém dentre eles dizer: “Bom seria se não chegássemos a ver Máel Dúin”.
“Aquele Máel Dúin se afogou”, disse outro homem.
“Talvez seja ele quem o despertará do sono”, disse ainda outro.
“Se ele chegasse agora”, disse outro, “o que faríamos?”
“Não é difícil (dizer)”, disse o chefe da casa: “grandes boas-vindas a ele se vier, pois ele passou longo tempo em muita tribulação”.
Então Máel Dúin bateu a argola contra a porta. “Quem está aí?”,disse o porteiro.
“Máel Dúin está aqui”, disse o próprio. “Então abra!”, disse o chefe, “bendita é tua chegada”.
Então eles entraram na casa, e uma grande recepção lhes foi dada, e novas vestes lhes foram ofertadas. Então eles declararam todas as maravilhas que Deus lhes revelou, de acordo com as palavras do poeta sagrado que disse Haec olim meminisse iuuabit. Máel Dúin (então) foi ao seu próprio distrito, e Diurán o Rimador tomou as cinco onças e meia (de prata) trazidas da rede, e as ofertou no altar de Armagh em triunfo e exaltação pelos milagres e grandes maravilhas que Deus realizou para eles. E declararam suas aventuras do começo ao fim, e todos os perigos e riscos encontrados em mar e terra. Então Aed o Belo, sábio-chefe da Irlanda, arranjou esta história do modo que aqui se encontra; e ele o fez (assim) para a delícia da mente, e para o povo da Irlanda a vir depois dele.

Tradução do Irlandês: Whitley Stokes
Publicado: Revue Celtique 9, 1888, 447-495; 10, 1889, 50-95.
Data da Tradução: 1888-9
Tradução do Inglês: Endovelicon
Data da Tradução: 2008
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