Adão e Eva

                                                                    
 
              Personagens Míticas ou Reais?
 
A história do primeiro casal humano encontra-se nos primeiros capítulos do Livro de Gênesis, o primeiro Livro da Bíblia.

 

Adão e Eva, hoje, são nomes considerados míticos, lendários ou figurativos, principalmente em face à Teoria da Evolução, proposta por Darwin. O mundo científico os considera cômicos.

 

Alguns católicos acreditam ser Adão e Eva personagens figurativos, representando, na verdade, civilizações antediluvianas. E as opiniões a respeito não param por aí.

 

A Bíblia, todavia, é um Livro que, teologicamente, interpreta-se a si mesmo. Ou seja, o conjunto de Livros da Bíblia se complementa, se harmoniza e não se exclui. Sendo assim, contrariando a opinião massiva, Adão e Eva são retratados pelas Escrituras como duas pessoas reais, históricas, através de quem o pecado contaminou a natureza humana. Aliás, a doutrina da Redenção humana, efetuada por Cristo na Cruz do Calvário, fundamenta-se na “queda” do primeiro casal humano.

 

Os textos em seguida pretendem demonstrar a versão bíblica a respeito do primeiro casal humano, sem, contudo, querer ofender as demais crenças a respeito do assunto.

 

CRIAÇÃO X EVOLUÇÃO

 

Definitivamente, qualquer pessoa sabe que a Bíblia não deixa margem, em hipótese alguma, para a teoria da Evolução, a qual afirma que o ser humano evoluiu ao longo de milhares de anos, a partir de uma forma primitiva de vida.

Em se tratando do primeiro casal humano, sua existência deveu-se a um ato criativo, direto e único, da parte de Deus:

 

“E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra. E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou; ( Gênesis 1:26,27);

“E formou YHWH Deus o homem do pó da terra e soprou em seus narizes o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente”. (Gênesis 2:7);

“E disse YHWH Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma adjutora que esteja como diante dele. [...] Então, YHWH Deus fez cair um sono pesado sobre Adão, e este adormeceu; e tomou uma das suas costelas e cerrou a carne em seu lugar. E da costela que YHWH Deus tomou do homem formou uma mulher; e trouxe-a a Adão”. (Gênesis 2: 18-22).

 

FICÇÃO, LENDA E HISTORICIDADE

 

Qualquer pessoa não tendenciosa, ao ler os cinco primeiros livros da Bíblia Sagrada [o Pentateuco] perceberá a simplicidade com que Moisés os escreveu, não deixando nas entrelinhas nenhuma margem que possa levar à idéia de ficção. Todas as histórias narradas são com pessoas históricas e reais. Aliás, é inconcebível que a história bíblica comece com personagens fictícios e, abruptamente, prossiga com personagens reais e históricos, sem que o leitor não se dê conta da linha divisória entre o real e o fictício.

 

Os nomes Adão e Eva, cada um, tem o seu significado, de acordo com a obra, natureza ou missão atribuídos a ambos, individualmente: Adão, do hebraico, vermelho, numa referência à cor da terra [pó] do qual foi edificado; Eva, do hebraico, vida ou mãe da vida, numa referência à sua incumbência, dada por Deus, de ser a mãe dos viventes (Gênesis 3:20). Particularidade: quem deu o nome Eva à mulher, foi o próprio Adão.   

 

O que as pessoas talvez ainda não conheçam, ou se conhecem não levam em conta, é o fato de que os próprios livros da Bíblia dão testemunho das personalidades de Adão e Eva, bem como de sua historicidade:

  • JÓ: “Se, como Adão, encobri as minhas transgressões, ocultando o meu delito no meu seio”. (Jó 31:33);
  • MOISÉS: “Quando o Altíssimo distribuía as heranças às nações, quando dividia os filhos de Adão uns dos outros, pôs os termos dos povos, conforme o número dos filhos de Israel”. (Deuteronômio 32:8)
  • ESDRAS (?): “Adão, Sete, Enos, Cainã, Maalalel, Jarede”... (I Crônicas 1:1) Genealogias;
  • OSÉIAS: “Mas eles traspassaram o concerto, como Adão; eles se portaram aleivosamente contra mim”. (Oséias 6:7);
  • SÃO LUCAS (há milênios depois): “[...] E Cainã, de Enos, e Enos, de Sete, e Sete, de Adão, e Adão, de Deus (Lucas 3:38). Lucas estava demonstrando a Genealogia de Cristo.
  • JESUS: "Ele, porém, respondendo, disse-lhes: "Não tendes lido que, no princípio, o Criador os fez macho e fêmea e disse: Portanto, deixará o homem pai e mãe e se unirá à sua mulher, e serão dois numa só carne? Assim não são mais dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não separe o homem." (Mateus 19:4-6);
  • APÓSTOLO PAULO: “e de um só fez toda a geração dos homens para habitar sobre toda a face da terra, determinando os tempos já dantes ordenados e os limites da sua habitação” (Atos 17: 26);
  • APÓSTOLO PAULO: “No entanto, a morte reinou desde Adão até Moisés, até sobre aqueles que não pecaram à semelhança da transgressão de Adão, o qual é a figura daquele que havia de vir”. (Romanos 5: 14). Na teologia de Paulo, Adão não é ficção, mas prefigurou, antes da queda, “aquele que havia de vir” – Jesus.
  • APÓSTOLO PAULO: “Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo” (I Coríntios 15:22);
  • APÓSTOLO PAULO: “Assim está também escrito: o primeiro homem, Adão, foi feito em alma vivente; o último Adão [Cristo], em espírito vivificante. [...] O primeiro homem, da terra, é terreno; o segundo homem, o Senhor, é do céu. Qual o terreno, tais são também os terrenos; e, qual o celestial, tais também os celestiais. E, assim como trouxemos a imagem do terreno, assim traremos também a imagem do celestial”. (I Coríntios 15:45-49);
  • APÓSTOLO PAULO: “Porque primeiro foi formado Adão, depois Eva. E Adão não foi enganado, mas a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão”. (I Timóteo 2:13,14);
  • SÃO JUDAS: “E destes profetizou também Enoque, o sétimo depois de Adão, dizendo: Eis que é vindo o Senhor com milhares de seus santos”. (Judas, v.14);
 

Os textos acima não deixam margens para se interpretar a existência de Adão e Eva como sendo personagens míticos ou lendários, o que significaria que o cristianismo também seria uma religião fundamentada em lendas e ficção, o que é inconcebível, pois caso contrário, a mesma, há muito, já teria sido exterminada da face da Terra.

 

DIFICULDADE BÍBLICA

 

Existe uma “dificuldade” bíblica que, segundo os descrentes, apóia a teoria da lenda adâmica: é o texto do capítulo 4 de Gênesis, a partir do versículo 14. Segundo o texto bíblico, aparecem abruptamente na história, os “vingadores do sangue de Abel, aos quais não foi permitido matá-lo” (vv.14, 15); e “a esposa de Caim, dando-lhes filhos e netos” (vv. 17,18...).

 

Realmente, ao lermos o Capítulo 4 desde o início, percebemos que Adão e Eva, logo após a expulsão do Jardim, se conheceram intimamente e tiveram seus dois primeiros filhos, Caim [aquisição] e Abel [vaidade]. A narrativa bíblica prossegue relatando a defeituosa relação desses dois irmãos, evidentemente causada por Caim. Movido por inveja, Caim “levantou-se contra seu irmão, Abel, e o matou”. Este foi o primeiro homicídio da história humana. A narrativa inteira do capítulo 4 nos dá a impressão de que todos os fatos ali narrados, ocorreram em curto período de tempo, não sobrando tempo para justificar “os vingadores do sangue de Abel” e a “esposa, filhos e netos de Caim”, além de terminar registrando o nascimento do terceiro filho do casal, Sete [compensação, renovo], dado por Deus em lugar de Abel.

 

Com uma leitura cuidadosa do texto bíblico, percebemos os seguintes fatos que facilitam a compreensão e, consequentemente não sustentam essa “dificuldade” bíblica:

 

1)      Entre os versículos 2 e 3, do capítulo 4, há um período de tempo relativamente desconhecido, expresso pela frase “E aconteceu, ao cabo de dias...” (v.3), o que nos dá a entender que, entre o nascimento de Caim e Abel e o sacrifício por eles oferecido a Deus, há realmente um longo período de tempo desconhecido e desconsiderado pelo texto bíblico, cujo foco narrativo do autor, concentrou-se em demonstrar o primeiro homicídio humano e o que o causou;

2)      Sete foi o terceiro filho de Adão, dado por Deus em lugar de Abel, cujo nascimento está registrado no v.25 do capítulo 4. Sete nasceu no v.25 e já gerou a Enos no v. 26, com 105 anos de idade (Gênesis 5:6), o que é perfeitamente normal nas narrativas bíblicas, principalmente quando o que importa não são os detalhes da vida das personagens, mas sim a história da redenção humana.

3)      Quando Sete nasceu, Adão já tinha “130 anos de vida [...] e foram os dias de Adão, depois que gerou a Sete, 800 anos, e gerou filhos e filhas. E foram todos os dias que Adão viveu 930 anos; e morreu”. (Gênesis 5:3-5); Note-se que esse “e gerou filhos e filhas” não aconteceu somente DEPOIS que Adão gerou a SETE, nos seus últimos 800 anos de vida, mas DURANTE toda a sua vida, ou seja, durante os 930 anos de sua existência. Todo o capítulo 5, na sua extensão, sugere a mesma regra.

4)      Adão e Eva não tiveram infância ou adolescência, pois foram criados por Deus, homem e mulher. Portanto, não se sabe quantas FILHAS tiveram Adão e Eva nesse período de 130 anos, até Sete vir a substituir Abel. As genealogias bíblicas dão ênfase a nomes masculinos [os cabeças das famílias] e não a nomes femininos. Só sabemos que, durante sua vida, Adão “gerou filhos e filhas” (5:4).

 

 

CONHECIMENTOS ANTE E PÓS-DILUVIANO

 

Segundo N. Lawrence Olson, em seu livro “O Plano Divino Através dos Séculos”, CPAD, 19ª Edição, 1988, p.62, “Sem [filho de Noé], nascido 120 anos antes do Dilúvio, conheceu a seu pai, Noé, seu avô, Lâmeque e seu bisavô, Metuselá, antes do Dilúvio. Lâmeque, por sua vez, conheceu Adão por mais de cinqüenta anos, e Metuselá o conheceu por mais de 250 anos. Esses fatos demonstram a maneira pela qual os conhecimentos históricos do princípio da raça foram comunicados às gerações posteriores. Noé viveu até ao tempo de Abraão. Sem chegou a alcançar o tempo de Isaque e Jacó, filho e neto de Abraão.” (grifos acrescentados).

 

Como se pode perceber, a narrativa bíblica não segue uma cronologia linear, rigorosa, mas irregular. Alguém, portanto, que se intitula cristão, mas não crê, de forma alguma, na historicidade de Adão e Eva, merece receber o elemento de composição “pseudo”, anteposto ao seu “nobre” titulo de cristão.

   

As citações bíblicas são da Bíblia de Estudo Pentecostal, da CPAD.

 

Autor: Valdi Machado da Nóbrega.