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Biomarcadores usados para identificar ou quantificar a exposição ao benzeno

O benzeno não metabolizado pode ser detectado no ar expirado e na urina de pessoas expostas aos vapores de benzeno. As medidas de fenol urinário têm sido rotineiramente utilizadas para a monitorização da exposição ocupacional ao benzeno, e níveis de fenol urinário parecem estar correlacionados com níveis de exposição.

         

 Na urina, o ácido trans,trans-mucónico tem sido muito estudado como um biomarcador de exposição ao benzeno. Os níveis urinários de ácido S-fenilmercapturico também têm sido associados com a exposição ocupacional a este xenobiótico. Uma tendência significativa de exposição-resposta para níveis urinários do ácido trans,trans-mucónico e do ácido S-fenilmercapturico foram demonstradas em indivíduos ocupacionalmente expostos a níveis de exposição de ≤ 1 ppm. A American Conference of Governmental Industrial Hygienists (ACGIH) estabeleceu 25 µg de ácido S-fenilmercapturico / g de creatinina na urina e 500 µg de ácido trans,trans-mucónico / g de creatinina na urina como Índices de exposição biológico (BEIs) para exposição ao benzeno no local de trabalho. Têm sido feitas correlações positivas entre os níveis de benzeno no ar do ambiente de trabalho e os de catecol e hidroquinona urinários em trabalhadores expostos. Têm sido utilizados como biomarcadores de exposição ao benzeno: visualização dos aductos de hemoglobina e albumina  aos metabolitos de benzeno, óxido de benzeno e 1,4-benzoquinona. Além disto, aductos de DNA com os metabolitos de benzeno foram encontrados após a exposição ao xenobiótico.

            Uma equipa avaliou vários biomarcadores de exposição ao benzeno para a sua relação com os níveis de benzeno ambiental. O ácido mucónico na urina foi o melhor correlacionado com as concentrações de benzeno ambiental. Os níveis urinários de hidroquinona foram os biomarcadores de exposição mais precisos para os metabolitos fenólicos de benzeno, seguido do fenol e catecol. No entanto, nenhuma correlação foi encontrada entre os níveis de benzeno ambiental e benzeno não metabolizado na urina, embora outros estudos sugiram que o benzeno na urina pode ser útil como biomarcador de exposição ocupacional.

            Os biomarcadores referidos nos parágrafos anteriores parecem ser indicadores adequados de exposição ao benzeno em níveis relativamente altos, níveis de exposição ocupacional. E, podem também, servir como biomarcadores de exposição aguda em situações que envolvem níveis relativamente altos de benzeno. No entanto, alguns destes biomarcadores parecem não ser indicadores confiáveis ​​da exposição ambiental ao benzeno (concentrações abaixo do padrão industrial comum de 1 ppm). Por exemplo os resultados de um estudo, onde os dados reportam a 152 trabalhadores químicos, onde se mostra uma relação linear entre a concentração de benzeno no ar da zona de respiração (quando maior de 10 ppm) e as concentrações urinárias de catecol e hidroquinona. No entanto, trabalhadores que tiveram uma exposição no local de trabalho média de 10 ppm de benzeno não apresentaram diferenças significativas nas concentrações urinárias de catecol ou hidroquinona quando comparados com um grupo de indivíduos não expostos.

Num estudo com trabalhadores de farmácias expostos a um intervalo de níveis de benzeno medidos em partes por bilhão (ppb), não houve diferença significativa nos níveis urinários do ácido trans,trans-mucónico entre indivíduos expostos a 1,5 ppb e expostos a 2,5 ppb. Relatórios de 2007 indicam que o benzeno urinário pode servir como biomarcador mais sensível da exposição ao benzeno em concentrações bem abaixo de 1 ppm.

Vários outros factores devem ser levados em conta na avaliação da confiabilidade de biomarcadores de exposição ao benzeno. Os níveis elevados e variáveis de fenol e dos seus metabolitos podem resultar da ingestão de vegetais, da exposição a outros compostos aromáticos, da ingestão de etanol, e da inalação de fumo de cigarro. Níveis relativamente elevados de fenol urinário (5-42 mg/L) foram encontrados em pessoas sem exposição conhecida ao benzeno. Embora o ácido mucónico seja usado como um marcador para a exposição ao benzeno, este ácido na urina também pode resultar da ingestão de ácido sórbico, comum conservante de alimentos.

Em resumo, são vários os metabolitos de benzeno que podem servir como biomarcadores de exposição ao benzeno. O benzeno urinário parece ser o marcador mais sensível para baixos níveis de exposição a este xenobiótico.

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