O socialismo do século 21- A tentativa de destruir a democracia na América Latina


A administração Obama começou com o pé errado nos assuntos mundiais. Ele usou técnicas mais adequadas para campanhas políticas nacionais - concursos de popularidade - na sua política externa. Em nosso próprio hemisfério, o resultado foi uma confusão entre quem são os nossos aliados e quem são nossos inimigos - Por Otto Reich J.
O objetivo primordial da política dos EUA - na América Latina e em outros lugares – é o de promover os interesses nacionais americanos, e não bajular líderes estrangeiros. Se pudermos ser apreciados ao mesmo tempo em que avançamos com os nossos interesses, tanto melhor. Mas quando fazemos amizade com os líderes democráticos ignorando suas beligerâncias no processo, isto não nos torna mais simpáticos nem nos faz avançar em nossos interesses. Alguns dos déspotas da América Latina, para os quais a administração Obama estendeu uma mão aberta, ele só encontrou um punho cerrado, como com Cuba, Venezuela, Bolívia, Nicarágua e Equador, e com o ex-presidente de Honduras, José Manuel Zelaya.


O mais importante dos nossos interesses é a segurança nacional, mas, preocupada em agradar, a administração subestima as ameaças que enfrentamos. A principal ameaça à paz, à liberdade, à prosperidade e à segurança dos EUA e do Hemisfério Ocidental não vem de golpes militares, mas de uma forma insidiosa de totalitarismo que se chama socialismo do século 21, que se aliou com algumas das formas mais virulentas da tirania e da ideologia anti-ocidental no mundo.


Seguindo a orientação de Fidel Castro, essa nova turma de autocratas consegue o poder mediante as eleições e, em seguida desmonta a democracia por dentro. Isso já aconteceu na Venezuela e na Bolívia, e está acontecendo na Nicarágua e no Equador, quase aconteceu em Honduras, e poderia acontecer em qualquer outra nação que cai nas garras de algo chamado ALBA,


O padrão hostil de adquirição da ALBA é muito claro: Depois de ganhar o poder democraticamente, eles usam a força para intimidar os adversários políticos e os meios de comunicação; politizar a polícia e os militares, e colocá-los sob as ordens do partido; embrulham o Judiciário com juízes cúmplices ou corruptos; reescrevem as leis eleitorais para eliminar os candidatos da oposição e os partidos; expropriam propriedades privadas à força, com base em acusações falsas, incitam a violência das turbas para silenciar opositores ou para leva-los ao exílio, e atacam as igrejas, instituições civis, imprensa, sindicatos, e quaisquer outras organizações da sociedade civil que se atrevam a desafiar o governo. Seu modelo é o de Cuba, com o qual procuram replicar as regras da ditadura orwelliana da ilha-prisão - uma empobrecida nação cujos cidadãos arriscam tudo para fugir de lá.


A ALBA foi concebida em Havana há décadas atrás, mas hoje é financiada pelos petrodólares da Venezuela. Em realidade, é o renascimento da meta de Fidel Castro de unir os movimentos internacionais radicais e terroristas do mundo em desenvolvimento, sob sua liderança, um movimento que na década de 1960 ele organizou como "La Tricontinental ".


O primeiro país estrangeiro que Fidel Castro visitou, após a derrubada da ditadura de Fulgêncio Batista , em 1959, foi a Venezuela. Enquanto esteve ali, ele pediu, em segredo, ao presidente venezuelano Rómulo Betancourt, mais de US $ 3 milhões, para “minar” com os “yankees" na América Latina. Betancourt, um líder de centro-esquerda, mas um democrata comprometido, terminantemente, se voltou contra Castro. Três anos depois, Castro estava apoiando a guerra de guerrilha na Venezuela e enviou uma expedição armada de soldados cubanos para se unirem com os rebeldes marxistas em uma tentativa de destruir a democracia venezuelana e adquirir sua riqueza petrolífera. Hoje, graças a Hugo Chávez, Castro alcançou esse objetivo.


Castro olhou para a Bolívia na década de 1960 devido à sua localização estratégica e a sua enorme riqueza mineral. A Bolívia tem fronteiras terrestres com a Argentina, Brasil, Paraguai, Peru e Chile - mais de dois terços da América do Sul. Em 1967, Ernesto o sanguinário lugar-tenente de Castro (Che) Guevara escolheu a Bolívia como local para começar seu regime comunista no continente. Guevara fracassou miseravelmente, mas hoje em dia, outro seguidor de Castro, o presidente boliviano Evo Morales, está executando o plano de Guevara.


A política dos EUA não pode centrar-se unicamente na aliança ALBA, mas também não pode ignorar a ALBA, porque o eixo Havana -Caracas-La Paz está minando com a paz e a prosperidade do resto do hemisfério.


Por exemplo, a Venezuela tem desempenhado um papel desestabilizador no Equador, Peru, Nicarágua e, sobretudo, na Colômbia, onde Hugo Chávez mantém explícitas alianças estratégicas e políticas com os narcoterroristas das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia ( Farc). No mês passado, o governo espanhol acusou Chávez de apoiar o grupo terrorista basco ETA, bem como as Farc.

Não satisfeito com apoiar as Farc permitindo que seus líderes guerrilheiros e combatentes se escondam, treinem e se recuperem em território venezuelano, Chávez fechou suas fronteiras comerciais e ameaçou entrar em guerra com a Colômbia. O impacto sobre a economia colombiana tem sido devastador.


Os EUA, Colômbia e outros governos da região têm provas abundantes de fluxos maciços de cocaína das Farc controlada através da Venezuela. Altos funcionários do regime de Chávez têm sido apontados pelos EUA (Drug Enforcement Administration) como chefões do tráfico e colaboradores ativos das Farc, no tráfico de drogas. Entre os capos estão o atual chefe dos serviços militares de inteligência da Venezuela, o general Hugo Carvajal, o ex- ministro da Justiça, Ramón Rodríguez Chacín, e ex- chefe da polícia política (Disip ), Henry Rangel Silva. As armas são contrabandeadas para as Farc através da Venezuela, com a conivência ativa de altos funcionários do regime de Chávez, incluindo o general do Exército Clíver Alcalá Cordones.


No ano passado, o serviço de inteligência do Peru encontrou evidências de que Hugo Chávez apoiou ativamente os grupos indígenas responsáveis por violentos protestos naquele país. Os ex-presidentes da Bolívia, Jorge Quiroga e Gonzalo Sánchez de Lozada, denunciaram que o regime de Chávez clandestinamente financiou e apoiou os tumultos naquele país já em 2002, que derrubaram dois governos em rápida sucessão e conduziram à eleição do líder dos manifestantes, Evo Morales. Chávez também apóia ativamente os grupos radicais no Equador, que sob a pressão de Rafael Correa ofereceram um comando, controle, operações e base de treinamento para as Farc, até que ela foi destruída em uma incursão transfronteiriça pelas forças colombianas.
Na América Central, Chávez apóia ativamente o regime sandinista da Nicarágua, do presidente Daniel Ortega. Ao lado deste país, Chávez financiou e incentivou os esforços de Manuel Zelaya de violar a Constituição e as leis de Honduras. A perturbação da economia da América Central, durante os seis meses de duração da crise política hondurenha, dizem ter custado centenas de milhões de dólares para o empobrecido país. Chávez utiliza os recursos do petróleo da Venezuela para fortalecer o partido marxista FMLN de El Salvador, e despejou milhões de dólares nas eleições presidenciais de El Salvador e do Panamá. O Serviço de inteligência do México descobriu enlaces entre o regime de Chávez e grupos radicais nesse país.


A riqueza petrolífera da Venezuela tem sido utilizada para influenciar nos estados do Caribe, através do programa Petrocaribe, pelo qual esses países podem adquirir petróleo a crédito. Os poucos líderes caribenhos com visão de futuro, em Trinidad Tobago e Barbados, têm advertido que a Petrocaribe quer afogar os países pobres com uma dívida que nunca eles serão capazes de pagar. No entanto, o petróleo barato é politicamente atrativo.


A PetroCaribe tem permitido a Chávez manipular a Organização dos Estados Americanos, como evidenciado antes e durante a crise de Honduras. A OEA apoiou a posição da ALBA de devolver o infrator Manuel Zelaya ao poder, contrariando uma votação unânime da Suprema Corte de Honduras. (Para ser justo, a administração de Obama também apoiou Zelaya, até que se convenceu a mudar de posição, por causa da pressão de um grupo bipartidário de senadores e representantes. De acordo com um membro democrata, a política foi "a mais obstinada”, que ele já havia visto -, a do Departamento de Estado)


Recentemente, Chávez nomeou o derrocado aspirante a ditador de Honduras, Manuel Zelaya, como o chefe do ”Conselho Político da PetroCaribe” - um corpo que ainda não existe . Chávez, obviamente, criou esta posição como uma desculpa para dar a Zelaya um salário com o qual ele possa viajar pelo continente americano fazendo licitações para Chávez.


Há um outro país, a Argentina, que, embora não seja membro da ALBA, exige muita atenção. Argentina sofre com a falta de transparência, corrupção oficial maciça, o assédio das empresas privadas, de manipulação do livre mercado e das instituições da democracia, e com as tendências autoritárias. O casal presidencial, Néstor e Cristina Kirchner, tem laços estreitos com Cuba e Venezuela.


Foi bem documentado o episódio em que Cristina Kirchner recebeu milhões de dólares de Hugo Chávez para sua campanha eleitoral, o dinheiro extraído ilegalmente do Estado venezuelano, introduzido ilegalmente na Argentina, e dado à campanha de Kirchner, em violação da lei argentina. A transferência desse dinheiro, em 2007, foi exposta em detalhes em um julgamento federal que teve lugar em Miami, na Flórida. É sabido -, porém, embora não bem documentado ou publicado - que transferências semelhantes a estas ocorreram em pelo menos meia dúzia de países nesta região.


Igual a Castro, antes dele, as ambições de Chávez são globais, e o objetivo principal de suas atividades internacionais é prejudicar ou inviabilizar os interesses estratégicos dos EUA no mundo, não só nas Américas. Chávez está muito aberto sobre sua determinação de derrubar o que chama de império americano.


Com este fim, Chávez estabeleceu fortes laços com os Estados não democráticos, como a Rússia, Bielorrusia e Irã. Chávez assinou vários acordos econômicos e militares com os três países. Por exemplo, até este ano, ele tinha comprado mais de US $ 4 bilhões em equipamentos militares russos, incluindo o SU -30 - caças-bombardeiros (similar ao nosso novo F-22 Raptor), centenas de milhares de AK-47, rifles de assalto, e uma fábrica na qual se pode construir um número incontável da arma mais icônica da Rússia. Ele convidou a Marinha da Rússia para manobras no Caribe pela primeira vez desde o fim da Guerra Fria. O primeiro-ministro, Vladimir Putin, visitou a Venezuela em abril, e assinou um acordo adicional de US $ 5.000 milhões de armas, além dos acordos de petróleo.


Chávez visitou Teerã inúmeras vezes, e assinou vários acordos comerciais, financeiros e outros com o Irã, ele tem hospedado o líder iraniano Ahmadinejad em Caracas, e facilitou a viagem do presidente iraniano aos membros da ALBA - Bolívia e Nicarágua. Ele apoiou os esforços do Irã de adquirir armas nucleares capazes de atacar alvos na Europa e em todo o Oriente Médio. Ele é um feroz inimigo de Israel e um defensor de regimes dedicados à destruição de Israel e dos EUA, e ele patrocina o terrorismo assim como o Irã e a Síria.


Durante onze anos de Chávez no poder, o Hamas e o Hezbollah estabeleceram presença na Venezuela. A inteligência militar israelense revelou recentemente que um carregamento de armas foi apreendido em novembro passado por soldados israelenses; que o carregamento saiu de um porto venezuelano para atracar em um porto iraniano, antes de navegar pelo Canal de Suez com destino ao Líbano. As armas, incluindo mísseis, supostamente deveriam ser entregues ao Hezbollah.


Chávez converteu a Venezuela em um regime de Castro. Hoje em dia, há entre 40.000 e 50.000 cubanos na Venezuela, em “missões oficiais”, segundo admitiu o próprio regime chavista. Desde 2005, as forças armadas da Venezuela foram obrigadas a abraçar a doutrina de segurança nacional de Cuba, que considera os EUA a maior ameaça externa para a sobrevivência do regime revolucionário socialista do século 21 em Caracas.


Apesar de tudo isto, há políticos em Washington, DC, que afirmam que a aliança Castro-Chávez-Morales não é mais do que um incômodo. Mas Chávez, por conta do dinheiro proveniente de seu barril de petróleo, é a principal fonte de subversão na América Latina hoje. É hora de enfrentá-lo. É hora de se importar menos com que os outros pensam de nós e nos concentrarmos mais no que eles fazem para nós.


- Entre 1981 e 2004, Otto J. Reich serviu aos presidentes Ronald Reagan e George HW Bush  no Conselho de Segurança Nacional, como secretário de Estado adjunto , embaixador dos EUA na Venezuela, e enviado especial para assuntos do Hemisfério Ocidental. Este artigo foi adaptado a partir do depoimento no Congresso, pronunciado em 10 de março, ante a Subcomissão do Hemisfério Ocidental do Comitê de Assuntos Exteriores.



FreeRepublic - Tradução de Arthur MC - FiladaSopa - 28.07.2010



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