P e s t a n a

Veja o minidocumentário "Augusto Pestana: um engenheiro a serviço do Brasil e do Rio Grande do Sul"



As primeiras referências ao nome Pestana são de duas figuras lendárias da reconquista portuguesa nos séculos XI e XII: João Pestana, que teria participado da tomada de Coimbra em 1064, e Geraldo Pestana, o "Sem Pavor", herói mítico da conquista de Évora em 1165. O mais provável é que o nome tenha surgido como apelido/alcunha em diferentes lugares da península Ibérica. As palavras pestana em português e pestaña em espanhol são de etimologia incerta, mas sua origem é provavelmente pré-romana (vide a palavra basca piztule, com o mesmo significado).

 

O prestígio do nome, ilustrado por sua inclusão na Sala dos Brasões do Paço Real de Sintra, garantiu disseminação rápida em todo o território português, seja por linha masculina, seja por linha feminina. Sua frequência, no entanto, só é alta (superior a 0,5% da população) na ilha da Madeira.

 

No Brasil, o sobrenome Pestana está presente desde os primórdios da colonização portuguesa, e é encontrado em todas as regiões brasileiras. Na região Sul, o primeiro registro é o do padre e procurador eclesiástico português Antônio Pestana Coimbra, natural de Figueira da Foz, que esteve na cidade de Rio Grande em 1743 e 1744 como Visitador Apostólico. Seu sobrinho-tetraneto, o engenheiro Augusto Pestana, natural do Rio de Janeiro, radicou-se no Rio Grande do Sul em 1888.


No mundo, cerca de 60 mil pessoas têm Pestana como último nome, sendo 30 mil no Brasil, 10 mil em Portugal, 7 mil na Venezuela (resultado da imigração madeirense) e 4 mil em Angola.




CRONOLOGIA DO RAMO FAMILIAR DE AUGUSTO PESTANA (*Rio de Janeiro 22.05.1868; +Rio de Janeiro 29.05.1934)
(episódios históricos relevantes aparecem em vermelho)


> EM PORTUGAL (antes de 1570-c.1808)

c.1684
Helena Pestana, filha de João Pestana e Antónia Francisca Neta, nasce na Figueira da Foz (cidade portuguesa junto à foz do rio Mondego, a 40 km de Coimbra). O primeiro registro da presença deste ramo da família na região da Figueira da Foz é de 24 de setembro de 1570, data do casamento da trisavó de Helena, Catarina Pestana, com Gaspar Pires na Igreja de São Martinho de Tavarede (a 2 km do atual centro da Figueira da Foz). Maiores informações sobre a descendência de Catarina Pestana estão disponíveis nesta página.

Casamento de Catarina Pestana (Tavarede, 1570)






15 de março de 1684
Nasce António Pestana Coimbra, filho de António Pestana e Maria de Bairros, na Figueira da Foz. É primo-irmão de Helena Pestana.


1694   São descobertas as primeiras jazidas de ouro no Brasil.

1702
António Pestana Coimbra é ordenado padre da Igreja Católica. Completará em 1708 sua licenciatura em teologia pela Universidade de Coimbra.

Ordenação de António Pestana Coimbra (1702)
Certidão de habilitação de António Pestana Coimbra nas Ordens Menores (1702)

12 de fevereiro de 1708
Helena Pestana e José Rodrigues (Pocariça, *19.02.1683) se casam na Igreja de São Julião da Figueira da Foz. Natural de Pocariça (freguesia portuguesa a 3 km de Cantanhede e 27 km de Coimbra), José Rodrigues se estabeleceu na Figueira da Foz como tanoeiro (fabricante de tonéis ou barris) por volta de 1705. Era conhecido pela alcunha de "Canas" (palavra antiga para "cabelos brancos"). Todos os filhos do casal Helena e José Rodrigues utilizarão o sobrenome Pestana.
Portugal no século XVIII
c.1710
O padre António Pestana Coimbra é transferido para Minas Gerais, Brasil. Baseado inicialmente em São José del Rei, atual Tiradentes, voltará com regularidade a Portugal nas décadas de 1710, 1720 e 1730, como atestam inúmeras certidões de batismo na Figueira da Foz em que aparece como padrinho de primos ou sobrinhos, entre os quais António, nascido em 1722, filho mais novo de sua prima Helena Pestana e de José Rodrigues.

19 de novembro de 1717
Nasce João Pestana, filho de José Rodrigues e Helena Pestana, na Figueira da Foz.

Batismo de João Pestana (Figueira da Foz, 1717)

1737   Fundação de Rio Grande, marco inicial da colonização portuguesa do Rio Grande do Sul. 

15 de outubro de 1741
João Pestana e Clemencia Maria Martins (*Figueira da Foz, 24.02.1718) se casam na Igreja de São Julião da Figueira da Foz.

1743
O padre António Pestana Coimbra torna-se o primeiro visitador apostólico (representante do Papa) no Rio Grande do Sul. Permanece na recém-fundada paróquia de Rio Grande por cerca de seis meses.

27 de julho de 1753
Nasce Damião José Pestana, filho de João Pestana e Clemencia Maria Martins, na Figueira da Foz.

Batismo de Damião José Pestana (Figueira da Foz, 1753)

1755   Lisboa é devastada por terremoto seguido de maremoto.

1763   O Rio de Janeiro é elevado à condição de capital do Brasil.

6 de julho de 1774
João Pestana faz "requerimento ultramarino" de certidões à paróquia da Figueira da Foz, indício de provável imigração para o Brasil.

Assinatura de João Pestana (1767)

20 de setembro de 1784
Damião José Pestana e Bibiana Rosa da Conceição (*Figueira da Foz, 17.04.1755) se casam na Igreja de São Julião da Figueira da Foz. Trata-se do último casamento em Portugal deste ramo da família. Bibiana Rosa é sobrinha-neta do padre António Pestana Coimbra e, portanto, prima em terceiro grau de Damião José.

Assinatura de Damião José Pestana (1787)

2
 de janeiro de 1790
Nasce António José Pestana, filho de Damião José Pestana e Bibiana Rosa da Conceição, na Figueira da Foz.

Batismo de António José Pestana (Figueira da Foz, 1790)

1807   Tropas francesas invadem Portugal. A família real portuguesa abandona Lisboa em 27 de novembro.

1808   O Rio de Janeiro passa a ser sede da monarquia portuguesa.



> NO BRASIL (a partir de 1808)



c.1808
Antônio José Pestana chega ao Rio de Janeiro. Casa-se em 1809 com Ana Joaquina de Sá Freire, que morre dois anos mais tarde

Assinatura de Antônio José Pestana (1814)
1810   Tropas francesas sitiam Figueira da Foz. Cerca de um terço da população da cidade morre de fome ou de epidemias.

1812
Antônio José Pestana se casa com Alexandrina Rosa de Araújo, irmã de sua primeira mulher. Com a morte de sua sogra em 1814, recebe de herança o sítio da Ponta do Galeão, na ilha do Governador, local do atual Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro.


1815   É criado o Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves.

14 de fevereiro de 1820
Joaquim Damião Pestana, irmão mais novo de Antônio José Pestana, se casa em Campinas, São Paulo, com Ana Joaquina Aranha. Seus filhos se estabelecem mais tarde em Amparo (a 125 km de São Paulo).

1822   É criado o Império do Brasil.

25 de março 1824
Antônio José Pestana torna-se cidadão brasileiro por força do artigo 6º, inciso IV, da Constituição do Império do Brasil.

1831
Viúvo pela segunda vez, Antônio José Pestana se casa com Maria Constança Gomes de Barros (*Rio de Janeiro, 17.12.1796), também viúva, na Igreja de Nossa Senhora da Ajuda, ilha do Governador (a certidão desse matrimônio e outros documentos referentes às famílias do casal foram destruídos em incêndio na década de 1870). Antônio José passa a ser coautor na ação impetrada por Maria Constança para a anulação do inventário de seu pai, o Tenente-Coronel Mateus Francisco Gomes, cujas propriedades incluíam a ilha da Sapucaia (na baía de Guanabara, parte da atual ilha do Fundão), fazendas no bairro de Irajá e terrenos no bairro de São Cristóvão. Maria Constança, única filha legítima do Tenente-Coronel Gomes, buscava questionar os direitos de herança de seus cinco meio-irmãos, filhos ilegítimos do militar.

18 de novembro de 1831
Nasce Amélia Maria Pestana, filha de Antônio José Pestana e Maria Constança Gomes de Barros, no Rio de Janeiro. É batizada na Igreja da Candelária.

Batismo de Amélia Maria Pestana (Rio de Janeiro, 1832)


c.1832
Nasce Manuel José Pestana, filho de Antônio José Pestana e Maria Constança Gomes de Barros, no Rio de Janeiro. É batizado na Igreja de Santana (onde hoje se encontra a estação Central do Brasil).

Assinatura de Manuel José Pestana (1871)

c.1833
Antônio José Pestana e sua mulher, Maria Constança, passam a residir em São Cristóvão. Seu nome consta de convocação para júri, em fevereiro de 1835, como residente no segundo distrito do Engenho Velho (bairro de São Cristóvão).
               Diário do Rio de Janeiro, 10 de fevereiro de 1835


11 de janeiro de 1837
Antônio José Pestana toma posse como juiz de paz do segundo distrito da freguesia do Engenho Velho (São Cristóvão).

Jornal do Comércio, 1de janeiro de 1837

23 de fevereiro de 1837

O Supremo Tribunal de Justiça julga improcedente a ação contra os filhos ilegítimos de Mateus Francisco Gomes. Maria Constança Gomes de Barros recebe de herança os terrenos de São Cristóvão.

1840   Começa o reinado de Pedro II.

25 de outubro de 1840
Como juiz de paz no Engenho Velho, Antônio José Pestana presencia os atos de violência de militares simpatizantes do Partido Liberal contra conservadores nas primeiras eleições paroquiais após o chamado "Golpe da Maioridade". Em representação a Pedro II, Pestana e outros juízes da paz da freguesia relatam os acontecimentos e solicitam a impugnação do pleito. 

                 Jornal do Comércio, 30 
de outubro de 1840
27 de janeiro de 1843
Gazeta dos Tribunais publica declaração em que Antônio José Pestana faz saber que segue no cargo de juiz de paz e que despacha em sua residência, na Praia de São Cristóvão, 21.


                      Gazeta dos Tribunais, 27 de janeiro de 1843


31 de julho de 1859
Antônio José Pestana morre aos 69 anos no Rio de Janeiro. Seu registro de óbito na Igreja de São Cristóvão informa "hydropsia" como causa mortis, indício de insuficiência renal ou cardíaca (nota: o vigário de São Cristóvão registrou erroneamente 31 de agosto como a data da morte).

Livro de óbitos da Igreja de São Cristóvão , Rio de Janeiro, 27 de janeiro de 1843
1860
Manuel José Pestana começa a trabalhar na Casa Imperial, no Palácio de São Cristóvão (Quinta da Boa Vista), primeiro na mantearia (repartição com funções equivalentes às do atual cerimonial), e, a partir de 1868, como encarregado da biblioteca e do gabinete mineralógico.
Almanaque Laemmert (1869)







1864   Começa a Guerra do Paraguai.

Bairro de São Cristóvão, Rio de Janeiro (c.1865)









19 de abril de 1866
Manuel José Pestana e Januária de Abreu (*Rio de Janeiro, 16.11.1844), viúva, se casam na Igreja de São Cristóvão, no Rio de Janeiro.

Casamento de Manuel José Pestana (Rio de Janeiro, 1866)










22 de maio de 1868
Nasce Augusto Pestana, filho de Manuel José Pestana e Januária de Abreu, no Rio de Janeiro. É batizado na Igreja de São Cristóvão.

Batismo de Augusto Pestana (Rio de Janeiro, 1868)









4 de março de 1877
Manuel José Pestana aparece como eleitor e "negociante" em lista publicada pelo Diário do Rio de Janeiro.

               Diário do Rio de Janeiro, 4 de março de 1877

3 de abril de 1878
Maria Constança Gomes de Barros Pestana morre aos 83 anos no Rio de Janeiro, vítima de "encephallite" (provavelmente um derrame cerebral).
27 de agosto de 1883
Manuel José Pestana morre aos 51 anos no Rio de Janeiro, vítima de febre tifóide.


     Gazeta de Notícias, 30 de agosto de 1883
1888
Augusto Pestana se forma em engenharia civil pela Escola Politécnica do Rio de Janeiro. Pouco após sua formatura, aceita convite para trabalhar na Estrada de Ferro Porto Alegre-Uruguaiana e se radica no Rio Grande do Sul.

               Revista de Engenharia, 14 de abril de 1888

24 de maio de 1892
Augusto Pestana Virgínia da Fontoura Trindade, neta do cantor lírico italiano Gaetano Ricciolini e do líder farroupilha Antônio Vicente da Fontoura, se casam na Catedral de Nossa Senhora da Conceição, em Cachoeira do Sul.

Virgínia e Augusto Pestana (c.1920)
















16 de maio de 1893
Nasce Cora Pestana, filha de Augusto Pestana e Virgínia da Fontoura Trindade, em Porto Alegre. 

26 de setembro de 1893
Januária de Abreu Pestana morre aos 49 anos no Rio de Janeiro, vítima de tuberculose.

26 de junho de 1894
Nasce César Pestana, filho de Augusto Pestana e Virgínia da Fontoura Trindade, em Porto Alegre. 

15 de fevereiro de 1896
Nasce Carlos Pestana, filho de Augusto Pestana e Virgínia da Fontoura Trindade, em Porto Alegre. 

23 de julho de 1897
Nasce Carmen Pestana, filha de Augusto Pestana e Virgínia da Fontoura Trindade, em Cachoeira do Sul.

17 de novembro de 1898
Nasce Cyro Pestana, filho de Augusto Pestana e Virgínia da Fontoura Trindade, em Porto Alegre. 
Registro de nascimento de Cyro Pestana (Porto Alegre, 1898)

10 de abril de 1900

Nasce Celso Pestana, filho de Augusto Pestana e Virgínia da Fontoura Trindade, em Ijuí. 

29 de maio de 1901
Nasce Cleto Pestana, filho de Augusto Pestana e Virgínia da Fontoura Trindade, em Porto Alegre. 

19 de junho de 1903
Nasce Clotilde Pestana, filha de Augusto Pestana e Virgínia da Fontoura Trindade, em Porto Alegre.

27 de novembro de 1904

Nasce Clóvis Pestana, filho de Augusto Pestana e Virgínia da Fontoura Trindade, em Porto Alegre. 

24 de dezembro de 1906
Nasce Cylla Pestana, filha de Augusto Pestana e Virgínia da Fontoura Trindade, em Porto Alegre.

Fontes: Arquivo da Universidade de Coimbra, Arquivo Nacional (Brasil), Biblioteca Nacional (Brasil), Arquivo da Cúria Metropolitana do Rio de Janeiro.

NONDVM ADVENIT OPTIMVS
Subpáginas (1): Iconografia
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Augusto Pestana,
14 de mar de 2014 11:25
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Augusto Pestana,
24 de set de 2013 16:20