No Memorial em Homenagem às Terras e às Gentes do Concelho de Penamacor,  erigido no Jardim da República, em Penamacor, procurei traduzir e incorporar as referências históricas, geográficas, sócio-económicas e culturais do concelho e dos seus 800 anos, bem como um estímulo para a reflexão sobre os desafios que o presente e o futuro lhe colocam.

A evocação da concessão da Carta de Foral de Penamacor, da sua situação fronteiriça e da sua histórica vocação defensiva, foram materializadas através da implantação na rótula do jardim, de uma cidadela simbólica constituída por uma dupla torre-cascata em aço inoxidável implantada num lajeado tosco de granito, rodeada por uma muralha-assento em vidro e aço inoxidável, cujas faces externa e interna são percorridas por frisos que traduzem a evolução sócio-profissional da população do território ao longo da época visada.

A icónica torre de menagem da vila surge no eixo do conjunto escultórico desdobrada verticalmente em duas metades, que interagem e cooperam através de uma cascata múltipla que partilham e as percorre, sugerindo a necessidade de transformação da função do território e da sua população através duma cooperação interna alargada, aprofundada, radical, que anteceda e fundamente cooperações externas estratégicas, imprescindíveis e cada vez mais urgentes.

As históricas muralhas de pedra da vila e as suas ruínas metamorfoseiam-se no memorial, quer quanto à sua forma, quer quanto à sua função, num duplo banco colectivo, delimitando um espaço habitável que, apesar de no centro do jardim, se destaca dele, como local de aconchego, de fruição e sociabilização. A faixa visível de vidro na sua base, confere leveza visual ao conjunto, elevando-o simbolicamente e enfatizando a sua identidade através de uma delimitação mais vincada com a envolvente.

A cidadela, aberta para o exterior e para a cooperação com outros territórios e realidades, é tanto um observatório privilegiado do Jardim da República em si, da sua periferia e dos seus habitantes, como um local de refúgio e isolamento, de diálogo e de reflexão, proporcionando a contemplação do movimento e do som da água da cascata, fulcro do lugar e objecto hipnótico.

O solo de lajes toscas de granito, material natural e característico do território, que contrasta com os renovados e modernos pisos do jardim, pretende não só evocar o passado, mas reforçar igualmente o efeito de isolamento do espaço escultórico.

A utililização do aço inoxidável, do vidro e da iluminação de cor azul, símbolos tecnológicos implantados no solo tosco de granito, remetem para o presente e para uma modernidade integrada nos elementos territoriais, sociais e culturais e nas suas históricas raízes, propondo uma adaptação e evolução do concelho e das condições de vida das suas populações à sua macro-envolvente, mas evitando roturas destrutivas e a perda da memória e da identidade.

  

Boletim Informativo Penamacor, nº 31  (pdf)

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