Como na esfinge assíria Kerub de Khorsabad, a.sáxeo reúne nas suas peças o boi, o leão, a águia, a serpente e o homem. O seu vocabulário e a sua gramática exprimem de forma única os equilíbrios e desequilíbrios entre instintos, emoções e os conflitos duma racionalidade que reflecte o presente  e  fareja o futuro.

 

Com uma expressão mímica simultaneamente sóbria e teatral, a escultura de a.sáxeo é uma escultura de corpos, por vezes transgénicos, expressão gestual de anseios e ansiedades, ora simplificando os detalhes da figuração como se tratassem de personagens de banda desenhada, ora acentuando-os, como se tais personagens estivessem investidas da solenidade dos deuses gregos.

 

A escultura de a.sáxeo é também uma escultura de almas. Cada uma das suas peças, proporcionando-nos um ponto de partida vagamente familiar, leva-nos invariavelmente aos limites da irrealidade das recordações mais ténues e dos desejos mais profundos e subtis.

 

Diferenciando-se duma tradição escultórica que submete a obra ao sentido da visão, a.sáxeo, através dos seus bronzes à escala da mão, manipuláveis e lúdicos, leva-nos à redescoberta do tacto. O tacto é o sentido primordial, o mor dos sentidos, dinâmico, participativo, explorador e invasor, dominador e meio de posse. Percursor da inteligência e a escultura uma sua linguagem.

 

Em alternativa à dinossáurica majestade escultória necessária para violar a indiferença duma multidão míope, a.sáxeo propõe-nos, nas suas peças de pequeno formato, a discreta dimensão das jóias preciosas, que tanto podem ser vistas como estudos para esculturas de grande formato destinadas ao espaço público, como personagens de histórias de quadrinhos encenadas nos nichos de ferro oxidado por qualquer co-autor duma obra assim interpretável e situacional, ou como objecto-talismã que habite um espaço íntimo de trabalho ou de repouso, expressão nómada e mutável de memórias, emoções e desejos.

 

O conceito proposto por a.sáxeo de uma escultura-teatro baseada em esculturas-ego de múltiplos autores partilhando uma mesma escala, permite ainda a metamorfose e o infinito enriquecimento da obra escultórica e dos seus significados, democratizando-a e destituindo-a do seu carácter tradicionalmente elitista, imutável e magistral, para a plasticisar com uma liberdade interpretativa típica da representação de uma peça de teatro ou da execução de uma obra musical.

 

Cada bronze de a.sáxeo é uma peça única executada através da fundição directa pelo processo da cera perdida, em que original, demorada e minuciosamente criado pelo artista-escultor na fragilidade da cera, é integralmente destruído na tarefa do artesão-fundidor quando, imitando o genial processo criado há milhares de anos pela associação da cera, terra, fogo e metal, procura perpetuar na nobreza do bronze a obra do escultor.

 

Só o domínio, directamente pelo escultor, da totalidade do processo de fundição e acabamento (recorrendo a materiais e ferramentas da joalharia contemporânea), permite a criação e a produção de peças tão invulgares como as apresentadas. A linguagem, a escala, o meio e os acabamentos utilizados, conferem a cada bronze de a.sáxeo uma qualidade tática e estética e inconfundível.

Maurício Moreira, 2009

 

O trabalho de a.sáxeo é uma obra reveladora, considerando que a arte pode e deve ser uma interrogação da vida e da própria história, sempre empenhada em possibilitar uma resposta através da sua capacidade de desenvolver as potencialidades do imaginário que transgride os limites factuais.

 

A arte tem essa capacidade de representar o lado ignorado ou mesmo esquecido pelo Homem, como também a potencialidade de reinventar a linguagem para revelar uma realidade que nem sempre é clara e objectiva.

 

A sua escultura, em bronze ou em cera, revela domínio, saber técnico, conhecimento dos materiais e da anatomia que acusa um modelado com sentido de profundidade e uma sugestão de movimento real onde as tensões são exploradas com maestria e expressividade.

 

Ao valorizar aspectos humanos e emocionais, cada obra ganha dramaticidade e movimento que se manifesta na postura, nos gestos e expressões. É esta procura da expressividade e atmosfera que permite revelar o carácter psicológico de cada uma das personagens.

 

Obras expressivas, pungentes e com refinamento de detalhe.

Cada peça revela grande preocupação no tratamento dos panejamentos, os quais, recebem cuidado especial alcançando variedade como complemento formal importante para a figura humana.

 

O abandono da frontalidade pressupõe o tratamento das partes permitindo, de igual modo, que cada uma das peças seja fruída a partir de diferentes ângulos.

 

José Brito, 2008



a.sáxeo e os netos perguntadores

"Que fizestes avós, com o vosso tempo? Foi este mundo que sonhastes? Em que vos empenhastes? Que consentistes?"

Perpassa nestas interrogações uma profunda inquietação do homem que o artista procura tratar por um delicado processo de sublimação, onde o espírito e matéria buscam a justaposição, num confronto íntimo e solitário, acto demiúrgico que há-de conduzir à criação, forma devota e emancipada do autor.

À certeza expressa de que "a medida de um homem só se tirará pela bitola da melhoria que ele tenha acrescentado ao mundo", o artista não esconde dúvidas, nem disfarça mitigadas angústias ao perguntar-se: "E que acrescentou a.sáxeo a este (mundo) que os nossos netos irão desvendar, além da fútil e inútil vaidade que a generosiodade de outros lhe consente ou alimenta?".

Na verdade, acrescenta mundos ao mundo em cada acto de criação consumado, respondo eu. E não é generosidade, é apenas reconhecimento de quem recebe. Como vaidade não pode ser a simples satisfação de quem cria.

Joaquim Nabais, 2001

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