Entrevista Master Shot
produtora Audiovisual

Visões do Cinema- Como surgiu a Master Shot? Qual o conceito por trás do projecto?

 

Master ShotA Master Shot surgiu como um meio para concretizar as nossas ideias. Todos nós tirámos o curso de audiovisuais porque gostamos muito de cinema. Quando saímos da faculdade, temos todos muitas ideias, muita vontade de fazer as coisas acontecer, e deparámo-nos com a realidade de que é raro alguém viver de cinema em Portugal, não há um mercado. Os filmes, na maior parte das vezes, são produzidos com o financiamento do Estado, e só recentemente começam a surgir iniciativas privadas. São raros os filmes que são rentáveis.

Nós saímos e decidimos criar uma empresa com o objectivo de fazermos nós mesmos. O principal objectivo da criação da empresa, foi conseguir realizar projectos que nós gostámos de realizar no tempo da faculdade. No tempo da faculdade gostávamos de realizar curtas-metragens, vídeos, cinema, documentário… E achámos que como empresa isso iria ser fácil de conseguir. Viemos a constatar que isso não era bem assim.

Criámos a empresa e decidimos tentar profissionalizar a empresa, criar uma marca e a definir uma estrutura de forma a torná-la competitiva e atractiva.

A escolha do nome Master Shot, surge devido ao próprio significado da palavra. Nós achamos que define o conceito do projecto, já que do ponto de vista da produção, é algo extremamente abrangente, da mesma maneira que o Master shot significa um plano que engloba toda a acção.

 

Visões do Cinema– Que tipos de projectos é que têm produzido?

Master Shot -Não queríamos estar a criar a produtora aliada a um género específico. Há produtoras que se especializam, mas nós quisemos que a Master Shot abrangesse todas as áreas do audiovisual. E queremos passar a mensagem de que independentemente do trabalho, nós fazemos sempre o nosso melhor.

Por exemplo, os Making Off publicitários não eram um tipo de trabalho muito comum, eram trabalhos considerados enfadonhos, eram trabalhos que não eram encarados com possibilidades criativas, e o que nós tentámos fazer foi elevar os making off a um nível atractivo. Agora as pessoas reconhecem-nos como sendo bons a fazer making off e estamos a tentar aplicar essa filosofia a outras áreas, imprimir em todos os trabalhos um cunho de criatividade, qualidade e profissionalismo acima da média, não desvalorizando qualquer tipo de trabalho que nos seja entregue, quer seja mais ou menos próximo daquilo que queiramos fazer.

Esperamos um dia vir a adquirir conhecimentos, contactos e dimensão para poder vir a fazer algo de marcante em Portugal, é uma pequena utopia.

Começámos pelas coisas mais acessíveis, progressivamente estamos a passar para projectos maiores, um programa de televisão já é algo mais complexo, o custo ao nível da pós-produção já exige uma câmara com outro nível de qualidade.

Nós preferimos ser bons a fazer coisas mais pequenas, do que tentar ser maus a fazer coisas que ninguém quer ver, ou não rentáveis. Acho que é um trabalho sugestivo, aquilo que estamos a fazer.

 

Visões do Cinema – Já produziram projectos independentes vossos?

Master Shot - Na área do vídeo já temos produzido vídeo clips. Ganhámos o concurso Alcatel, quando terminámos a faculdade, na categoria de música electrónica. Também produzimos o nosso próprio vídeo publicitário.

Nós trabalhamos essencialmente para os clientes. É preciso ver que o mercado está em retracção máxima. A maior parte dos trabalhos de publicidade que nos surgem são através da rede de contactos. É o boca-a-ouvido. Já chegámos a enviar uns 400 DVD’s com a nossa publicidade, e não tivemos feedback algum.

Para vingar, é necessário um misto destes três factores: trabalhar muito, um bocado de sorte e de talento. Para nós a criatividade é uma forma de inteligência que tu colocas no desempenho de qualquer tarefa. Nós podemos aplicar criatividade em todos os géneros do audiovisual. Em tudo podes ser mais ou menos criativo.

 

Visões do Cinema - O que é que pode condicionar a vossa criatividade?

Master Shot- As características do próprio género, por exemplo, ao fazermos um telejornal há determinadas convenções que temos que respeitar. O documentário tem um determinado número de condições às quais não podes fugir. No entanto o seu potencial criativo é ilimitado. Mas as convenções acabam sempre por condicionar, e o cliente também. No caso dos Making off temos total liberdade, no caso de um produto publicitário, as coisas são diferentes: dão-te um briefing, um guião, tens que seguir determinada ideia, há aprovações, o cliente está presente. Tens margem para teres criatividade mas tens que seguir os criativos (agência publicitária) que tiveram a ideia, e estas dependente da aprovação do cliente.

 

Visões do Cinema -Poderemos ver a Master Shot a perder o seu carácter multidisciplinar e passar a estar concentrada só numa área de actuação?

Master Shot - Nós podíamos dividir a Master Shot nas três principais áreas do modelo audiovisual: Master Filmes (cinema e documantário), Master TV (televisão), Master LAB (experimental, vídeo art), mas não, acreditamos que um dia seremos conhecidos por “aqueles gajos que fazem tudo, e tudo bem feito”.

 

Entrevista realizada pela Visões do Cinema, em Agosto de 2008.