Entrevista ao realizador João Gomes

João Gomes, 24 anos.

Natural de Machico, Madeira

Reside em Lisboa.

 

Mestre em Comunicação e Imagem, IADE – Instituto de Artes Visuais, Design e Marketing

Licenciado em Arte e Multimédia, UMa – Universidade da Madeira

Experiência em trabalhos de design gráfico, fotográficos, vídeo, entre outras áreas multimédia.

Mais informações e link para os vídeos: http://vimeo.com/joaogormes

 

ENTREVISTA  A JOÃO GOMES (JANEIRO 2014)

 

1)      João, a arte vídeo é para ti um ciclo vicioso?

Sim plenamente, é um vício que tem vindo a crescer, principalmente desde que iniciei estudos em Arte e Multimédia, pois permitiu-me adquirir conhecimentos específicos e desenvolver a sensibilidade necessária para observar, construir e desconstruir a realidade que preenche o nosso quotidiano, por exemplo.

Atualmente quanto mais vídeos produzo, mais vontade e entusiasmo tenho em aprimorar as minhas capacidades e materializar novos projetos. Procuro evoluir constantemente, seja na forma como capturo as imagens ou as edito posteriormente.

2)      É surpreendente contares já com 46 vídeos no Vimeo. Quanto tempo em média demoras a produzir um vídeo?

De facto, o número de vídeos que tenho vindo a publicar aumentaram no espaço de três anos. Inicialmente comecei por utilizar as plataformas digitais para registar os trabalhos que executava para as cadeiras de Licenciatura, e outros a fins, no entanto passei a usá-las como forma de promover e divulgar o meu trabalho enquanto “artista” autodidata.

Relativamente ao tempo que levo para produzir um vídeo é variável, tanto posso levar três a quatro dias, como semanas ou até mesmo meses. É um fator que depende essencialmente do projeto que tenho em mãos, mas por norma não me regulo em função do tempo, mas sim do resultado final que obtenho e das escolhas estéticas que faço durante o decorrer do processo.

3)      Quando começas a filmar já tens uma ideia da estrutura e tema do vídeo ou o trabalho vai surgindo de forma livre e integrada?

Normalmente parto com uma ideia ou conceito preestabelecido, contudo o momento, a circunstância, o objeto ou figura a ser filmada determina o modo como capturo a sua essência, logo o mediatismo e o espontâneo acaba por prevalecer.



"Conceito sem título", 2012, de João Gomes


4)      A combinação entre arte vídeo e arte multimédia é muito forte no teu trabalho e igualmente o trabalho ao nível do áudio e do visual. Fala-nos um bocadinho da importância de cada uma destas vertentes na obtenção do resultado final.

Desde que iniciei a minha viagem pelo multimédia, procuro mostrar nos meus trabalhos alguma versatilidade. Atendendo que tenho vindo a adquirir conhecimentos múltiplos nas áreas, da ilustração, animação, fotografia e vídeo, tento de algum modo combinar as diferentes técnicas a propósito de obter resultados, alternativos, dinâmicos e estimulantes aos sentidos humanos. Por conseguinte o áudio e outra caraterística que tenho em atenção e procuro destacar, considerando que em comunhão com a imagem possibilita-nos criar ambiências e contar narrativas particulares.


"Gato + insecto", 2012, de João Gomes

5)      Que achas do mercado audiovisual em Portugal? O que é que na tua opinião podia ser melhor?

O mercado audiovisual ou videográfico tem vindo a afirmar-se cada vez mais, graças à evolução dos meios e da tecnologia é possível que nós seres humanos, tenhamos acesso às ferramentas e aparelhos com mais facilidade e por valores mais acessíveis.

Sou apologista que a qualidade não é o ingrediente principal para tornar os projetos mais cativantes, ou enriquecedores... Nos tempos que correm, não precisamos necessariamente de ter uma câmara fotográfica ou de vídeo, com um simples smartphone ou tablet, podemos recolher informações capazes de fazer o mesmo que os equipamentos específicos possibilitam, embora de uma forma mais limitativa e rudimentar, todavia, suficientes para contribuir que as pessoas em geral queiram registar os momentos e personalizá-los à sua maneira.

No meu ver, o que carece em Portugal sãos os apoios, e a mentalidade de algumas pessoas, uma vez que somos uma nação dotada de conhecimentos e talentos, deveríamos ser mais valorizados.


"Lagoa de Albufeira (Sesimbra)", 2013, de João Gomes

Mais informações e link para os vídeos:
http://vimeo.com/joaogormes

A visões do cinema agradece a João Gomes esta entrevista.

 

 

 

 

 

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