Sistemas de Produção

Sistema extensivo:
 

  • É o primeiro Sistema de Aquacultura.
  • Neste sistema só é utilizado alimento natural ( Não são alimentados).
  • Não existe intervenção do Homem.
  • A sua produção é muito baixa.
  • Rendimento económico baixo.

 

O Sistema Extensivo aproveita exclusivamente as condições naturais disponíveis e onde o controlo do sistema de produção é quase inexistente. Neste tipo de cultura, a espécie que se deseja cultivar é capturada no meio natural na forma juvenil ou larvar ou então entra de forma passiva nos tanques utilizados. De seguida realiza-se a fase de engorda, recorrendo ao alimento existente no meio natural. No final desta fase, o aquacultor limita-se a esvaziar os tanques e/ou a capturar a(s) espécie(s) cultivada(s). Deve dizer-se que esta produção é afectada pelas condições climáticas e geográficas da região e pela qualidade da água.
 
 
Sistema Semi - Intensivo:
 

  • Estuários (Rio - Mar).
  • Calibragem.
  • Neste sistema a espécie já é alimentada.
  • A água é mudada naturalmente.
  • Mínima preocupação com a saúde do peixe.
  • Sistema mais produtivo que o Sistema Extensivo.
  • Mais caro.
  • O investimento é muito maior que no Sistema Extensivo.
 
O Sistema Semi-intensivo ainda exige um nível de controlo baixo sobre o sistema de produção, fruto da variabilidade das condições do meio natural. As densidades de carga utilizada são mais elevadas que no sistema anterior, contudo recorre à tecnologia existente para aumentar a eficiência de crescimento da espécie cultivada. Neste tipo de cultura já se recorre à reprodução artificial para a obtenção de ovos e juvenis. Na fase de engorda efectuam-se amostragens e calibragens frequentes para optimizar o crescimento, e para aumentar o rendimento desta fase de crescimento.


Construção dos Tanques: Utilizam-se máquinas para escavar o tanque, deve apresentar um declive que possa proporcionar o total escoamento da água. A profundidade do tanque varia em torno de 1m.

Espécies a serem criadas: Este sistema de cultivo favorece a criação de espécies com diferentes hábitos alimentares, aproveitando todos os níveis tróficos do ambiente. Ex: podem ser criadas a carpa capim (herbívora), e a carpa comum (bentófaga).

Alimentação: Como não ocorre renovação da água nos tanques e ocorre uma adubação periódica do viveiro, o fornecimento de alimento artificial (ração) não deve ultrapassar o limite de 50kg/ha/dia. Caso isso ocorra, o ambiente não conseguirá reciclar todo esse material e o consumo de oxigénio pelos organismos decompositores aumentará, acarretando na morte dos peixes por falta de oxigénio dissolvido na água.
 
 

Sistema Intensivo:
 

 
Neste sistema já existe a selecção de reprodutores (Melhor peixe).
  • Qualidade.
  • Sabor.
  • Tamanho.
  • Cor.
 
Controlamos:
 
  • Água - Temperatura, PH (Acidez e Alcalinidade), Salinidade, Oxigénio, Transparência.
  • Alimentação - Nº de peixes X a quantidade de alimento, Quantidade, Tipo de alimento.
  • Tamanho - Calibração.
  • Saneamento.
  • Electricidade.
  • Águas Residuais.
 
Vantagens:
 
  • Mais produtivo.
  • Melhor imagem de mercado.
  • Lucrativo.
  • Ocupa menos espaço.
 
Desvantagens:
 
  • Mais dispendioso - investimento inicial, manutenção, maneio.
  • Mais poluente.
 
O Sistema Intensivo caracteriza-se pela utilização de densidades de carga elevadas existindo um elevado índice de controlo, onde todos os parâmetros de produção se encontram sob observação permanente. Apesar dos custos iniciais serem muito elevados, utiliza-se tecnologia avançada para atingir uma eficiência elevada da produção. Neste tipo de cultura a espécie é alimentada recorrendo exclusivamente  a alimento artificial. Para aumentar o rendimento do crescimento recorre-se frequentemente a metodologias de maneio avançadas, como calibragens e amostragens sucessivas. No sistema intensivo controla-se ainda, de forma mais ou menos efectiva, a tecnologia da reprodução e do crescimento, permitindo um controlo elevado de todo o ciclo, podendo chegar-se à independência total das condições naturais e à progressiva melhoria genética da produção.


Esse sistema é aplicado para espécies que podem ser criadas em monocultivo (uma só espécie), que aceitam bem o alimento artificial (ração) e que possuem tamanho de mercado abaixo de 1kg.

Viveiros: Escavados com máquinas e possuem declive para facilitar o escoamento da água. A diferença está na alimentação de água que deve promover a renovação da água, para suportar a biomassa de pescado colocada e carregar as excreções para fora.

Densidade: Dependendo da disponibilidade e da qualidade da água pode-se colocar entre 1 a 10 peixes por m2. O fluxo de água é controlado para manter, no mínimo, um teor de oxigénio dissolvido (OD) de 3ppm. 

Alimentação: Como a densidade de peixes por m2 é alta, o alimento natural não é capaz de manter sozinho o desenvolvimento completo dos animais. Portanto é necessário o fornecimento de uma ração completa. Esta, por sua vez, deve apresentar-se em forma de comprimidos, onde se deseja uma estabilidade do mesmo de, pelo menos, 10min na água. Nessas condições de criação, a frequência e o tipo de alimentador (a lanço ou automático), vão depender da disponibilidade de mão de obra, do tipo de ração e do objectivo da exploração. Sempre que possível deve-se fornecer ração consoante a vontade dos peixes, e o tratador deve observar o consumo, evitando assim o desperdício, através da fixação da quantidade de ração em relação ao peso vivo dos animais.

Sistema  de Tanques-Rede:

Também conhecidos como gaiolas, este sistema refere-se a um tipo de unidade de criação feita de tela, geralmente na forma rectangular ou circular, aberta no topo e flutuando na superfície. A gaiola é mantida na superfície através do uso de flutuadores ajustados. Os tanques-rede são utilizados em locais onde é difícil o escoamento total da água e não se consegue controlar bem o ambiente de criação. Ex.: represas, lagoas e braços de rio.

Vantagens de se criar pescados em tanques-rede ou gaiolas:

- Os tanques-rede podem ser utilizados em diversos cursos de água como remansos, grandes reservatórios públicos, lagos, canais de irrigação, etc.

- Devido a alta densidade de estocagem num pequeno espaço, fica facilitada a observação dos animais e uma intervenção imediata caso necessário.

- A despesca é mais simples e rápida.

- O investimento inicial é 30 a 40% do investimento de um sistema convencional em tanques.

- O maneio é simples e de fácil entendimento. Pouca mão de obra é necessária visto que um homem sozinho pode cuidar de até 40 gaiolas.

Naturalmente tem-se certas desvantagens:

- A contribuição do alimento natural está totalmente fora da dieta dos peixes. Isso quer dizer que o proprietário terá custos maiores com a aquisição de ração completa.

- Por causa da alta densidade os peixes estão mais susceptíveis a doenças e infecções e são mais sensíveis a diminuição do OD.

- Se as gaiolas forem de 1m3 para produção mais elevada, necessitará de maior número de trabalhadores contratados.


 
Policultura:
 
Cultura simultânea de mais do que uma espécie. Ex: Sistema Extensivo.
 
 
Monocultura:
 
Produz apenas uma espécie de peixe ou molusco. Ex: Sistema Intensivo.