Antonio Nássara, caricaturista e compositor
(Rio de Janeiro, 12 de novembro de 1909 – 11 de dezembro de 1996)

Na certidão apenas Antonio, passou a assinar-se Antônio Gabriel em homenagem ao pai, Gabriel Jorge, sírio com ascendência libanesa, assim como sua mãe Uahyba. Nasceu e viveu a infância em São Cristóvão, de onde se mudou já adolescente para Vila Isabel, com o bom destino de ser vizinho de rua de Noel Rosa

Sua vocação de desenhista o conduziu à faculdade de Arquitetura, na Escola Nacional de Belas-Artes, mas a diagramação e a ilustração o arrastaram à imprensa e ao abandono do curso superior. Esteve em Crítica, O Globo, Mundo Sportivo, A Esquerda, Jornada, A Hora, Carioca, Vamos Ler, O Radical, A Batalha, A Noite, Diretrizes, O Cruzeiro, Última Hora, Flan e Mundo Ilustrado. Pertenceu ainda a O Pasquim. E por onde passou deixou seu talento.

Na música, chegou ao
sucesso pelas vozes de Francisco Alves e Mário Reis, 
em 1933com a marchinha Formosa, parceria com Jota Ruy, ex-colega de faculdade. Parceiro de Noel Rosa, Wilson Baptista, Eratóstenes Frazão, Roberto Martins, Ary Barroso e Lamartine Babo, criou seu maior êxito ao lado de Haroldo Lôbo: Alá-la-ô  sete décadas de carnaval, por enquanto.

Elegante e popular, crítico e gentil, o artista boêmio Antonio Nássara casou-se apenas no início da década de 1950, depois dos 40 anos, com Iracema Neves Barbosa. Não deixou filhos: semeou amizades e admirações

Carlos Didier


Fontes sobre Nássara
Depoimentos
Antonio Nássara ao MIS-RJ, em 12/02/1968; entrevistadores: Marques Rebelo e Ricardo Cravo Albin.
Antonio Nássara à Rádio JB, em 09/01/1974; entrevistador: Simon Khoury.
Antonio Nássara ao programa Ensaio, em 16/04/1975; entrevistador: Fernando Faro.
Antonio Nássara à Rádio JB, em 14/10/1980; entrevistadores: Luiz Carlos Saroldi e Nei Hamilton.

Textos
Nássara desenhista, de Cássio Loredano, Funarte, 1985
Nássara, o perfeito fazedor de artes, de Isabel Lustosa, Relume Dumará, 1999
Nássara, ainda e sempre, de Millôr Fernandes; em Apresentações, Record, 2004

Nássara passado a limpo, de Carlos Didier, José Olympio, 2010