Visão Política e Sociológica - Max Weber


MAX WEBER (1864-1920) 

Max Weber nasceu na Alemanha, numa família de burgueses liberais. Desenvolveu estudos nas áreas de Direito, Filosofia, História e Sociologia, constantemente interrompidos por uma doença que o acompanhou por toda a vida. Iniciou a carreira de professor em Berlim. Na política defendeu idéias liberais e parlamentaristas. Sua maior influência foi no estudo das religiões, estabelecendo relações entre formações políticas e crenças religiosas.

Para Weber, a sociedade não é exterior e superior aos indivíduos, como defende Durkheim.

A sociedade segundo Weber pode ser compreendida a partir do conjunto das ações individuais que ocorrem reciprocamente. Com isso, ele define como objeto da Sociologia a ação social, que consiste em qualquer ação que o indivíduo faz orientando-se pela ação dos outros.

Weber estabelece diferentes tipos de ação social, agrupando-as de acordo com o modo pelo qual os indivíduos orientam suas ações.

1. Ação tradicional: aquela determinada por um costume ou um hábito. 
2. Ação afetiva: aquela determinada por afetos ou laços sentimentais.
3. Racional com relação a valores: determinado pela crença consciente num valor considerado importante, independentemente do êxito desse valor na realidade.
4. Racional com relação a fim: determinada pelo cálculo racional que define os fins e organiza os meios necessários.


A partir do exemplo que segue, podemos compreender melhor os níveis das ações sociais.

Pensemos num consumidor que vai comprar um par de tênis. Sua ação é uma ação social, considerando que é um ato significativo.

Ele pode orientar a compra, optando pelo modelo que tradicionalmente compra e que todos da família costumam comprar. É uma ação tradicional.

Também pode escolher o produto pelo que mais gostou, ou seja, aquele que emocionalmente é levado a comprar. Este ato representa uma ação afetiva.

Numa terceira possibilidade, ele pode comprar o tênis pelo valor que ele atribui a determinada marca. Essa ação será racional com relação a valores, independente de preço ou utilidade, a marca é vista como valor absoluto que orienta sua ação.

E, finalmente, poderá comprar o tênis que estiver mais de acordo com o fim proposto. Se ele vai jogar vôlei, procurará o tênis mais adequada para esse esporte, considerando também o preço mais acessível. É a ação racional com respeito a fim.

Percebemos na idéia de Weber que as ações sociais poderão ser melhor compreendidas a partir do tipo de ação de cada indivíduo. Assim, as normas e regras sociais são o resultado do conjunto de ações individuais, sendo que as pessoas escolhem, o tempo todo, diferentes formas de conduta. As idéias coletivas, como o estado, a economia, as religiões, só existem porque muitos indivíduos orientam suas ações no mesmo sentido. Estabelecem, dessa forma, relações sociais que têm de ser mantidas continuamente pelas ações individuais. Weber enfatiza o papel ativo do pesquisador em face da sociedade. As teorias de cada cientista dependem, assim, de escolher pessoais que devem ser feitas visando aos aspectos da realidade que se quer explicar. Desse posto de vista, portanto, não é possível uma neutralidade total do cientista em relação à análise dos fatos sociais.

Um dos trabalhos mais conhecidos e importantes de Weber é a ética protestante e o espírito do capitalismo, no qual ele relaciona o papel do protestantismo na formação do comportamento típico do capitalismo ocidental moderno.

Weber parte de dados estatísticos que lhe mostram o sucesso de adeptos da reforma protestante. Tornaram-se grandes homens de negócios, empresários promissores e constituem mão-de-obra qualificada. A partir desses dados, procura estabelecer relação entre a doutrina e a pregação protestante, seus efeitos no comportamento dos indivíduos e sobre o desenvolvimento capitalista.

Weber descobre que os valores do protestantismo como disciplina, a poupança, a austeridade, a vocação, o dever e a propensão ao trabalho atuavam de maneira decisiva sobre os indivíduos. No seio das famílias protestantes, os filhos eram criados para o ensino especializado e para o trabalho fabril, optando sempre por atividades mais adequadas à obtenção do lucro, preferindo o cálculo e os estudos técnicos ao estudo humanístico. Weber mostra a formação de um nova mentalidade - valores éticos - propício ao capitalismo, em flagrante oposição ao comportamento contemplativo do catolicismo, voltado para a oração, sacrifício, passividade e renúncia da vida prática.

Weber desenvolveu também trabalhos na área de história econômica buscando as leis de desenvolvimento das sociedades. Estudou ainda com base em fontes históricas, as relações entre o meio urbano e o agrário e o acúmulo de capital auferido pelas cidades por meio dessas relações.


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