Escrita partilhada

Leituras Que Nos Fazem Pensar e Agir

Os textos que publicamos aqui, têm em comum leituras que nos fizeram (fazem) pensar - uma história (ou estória) que nos impressionou, um poema, um pensamento de um filósofo ou pensador... - e que, fazendo-nos pensar, convocaram (convocam) a nossa escrita para reflecti-las melhor.
Se subscreves, pelo menos em parte, a introdução que se segue, esperamos, então, os teus textos, que poderão ser:

  1. textos acabados (que dás como definitivos, portanto);
  2. textos que queres abrir à apreciação de potenciais leitores, antes de os dares por terminados;
  3. textos que convocam o outro para uma escrita partilhada.
Envia o teu texto ou o teu comentário para agoragaia@gmail.com
ou coloca-o na nossa página do: 
Os textos definitivos ficarão disponíveis em "Textos Terminados" (ver caixa) e, a seu tempo - esperamos - publicados numa coletânea.

Introdução

Gostar de ler não é sinónimo de disponibilidade para ler até ao fim, aquele livro só porque nos é dado como fazendo parte do rol dos grandes livros da literatura nacional ou mundial. Nem significa, tão pouco, ler muito. Tal como um bom vinho, que só é possível apreciar, verdadeiramente, num ritual feito de goles pequenos e pausas, mais ou menos prolongadas, em que se convocam sentidos, um bom livro aprecia-se, tantas vezes, nas pausas que nos é permitido fazer para saborear o que vamos lendo, sem a pressão de chegar obrigatoriamente ao fim, sem desvios.

Pela minha parte, confesso que, hoje em dia, não sou grande leitor de “romances” que, para fazerem sentido, me exigem que siga, num esforço militante, todos os pormenores da história. Acho mesmo que, passado o período dos meus 15 aos 20 anos, nunca mais cheguei perto de poder vir a sê-lo. No entanto, talvez para me convencer do contrário, “inventei” anos a fio a justificação de que eram as leituras pedidas pela profissão, que não me deixavam investir mais do que investia, no que convencionamos ser “literatura”. Mas hoje, com uma profissão cada vez mais distante, a distanciar-me das leituras que então me exigia, não me vejo a fazer mudanças significativas nos meus hábitos de leitura!

As leituras, que não me convidam à pausa que prolonga a leitura para além da leitura feita, não me puxam – não vá, como diria Schopenhauer, ficar de espírito sufocado por uma “alimentação mental excessiva” –. E, talvez por isso, a maior parte das vezes, prefiro-me na companhia de pensadores, filósofos e poetas.

A poesia, vejo-a como uma forma de pensamento que, desligado da preocupação de explicar (não debita argumentos), não me impõe caminhos. E a ela vou juntando citações de filósofos e pensadores que, despojadas do cerco de palavras que as cercavam para explicá-las, libertam-se em mim, no decurso das pausas prolongadas em que as envolvo, quando as leio.

Poesia e pensamentos, que vou apanhando aqui e ali, fazem, assim, uma leitura que me cativa, não pelo que me quer dizer (aliás, nunca me quer dizer muito – por isso, aceito tantas vezes os seus convites) mas pelo que deixa por dizer, num desafio a que seja eu a dizê-lo. Poetas e filósofos chegam, desta forma, até mim, livres de leituras obrigatórias, portanto. E convidam-me a uma leitura sem negociação ou compromisso (que tira de mim/de nós): sou eu e o texto, como pretexto para iniciar outros caminhos que começo, quase sempre, sem saber como acabam ou se vão acabar mesmo. Por isso, muitas vezes, o que escrevo a partir destas leituras, logo se desvia do propósito original (sempre muito vago), enveredando por caminhos que, até determinado ponto, não controlo (ou não controlo nunca). Digamos que o propósito não é o texto que escrevo mas os lugares que posso vir a (re)conhecer ao escrevê-lo.

Escrever só faz sentido para mim se o fizer sobre o que não sei, ou não sei que sei (se já sei para que escrevo? – escrevi há tempos). Acho mesmo que a escrita só cumpre verdadeiramente a sua função, hoje, se trouxer consigo esta dimensão da procura (escrita, apenas, como instrumento de comunicação, é empobrecimento dela). E é neste percurso, que a escrita me faz caminhar, que chego melhor ao que me ficou da escrita dos outros, citando-os, então, num cerco de outras palavras (as minhas) em que os envolvo. Então, a escrita leva-me de volta à leitura, na procura do entendimento das coisas que “vejo”, dando-me à arrogância de começar por pensar pela minha própria cabeça (audácia de pensar por nós mesmos”, de que fala Paul Ricoeur?) e não por qualquer cabeça alheia. E o que procuro nos outros (no apoio ao que escrevo[1]) é o eco que confirma o que penso ou, diversamente, me faz riscar o que escrevo.[2]

Em comum, estes textos, têm, assim, esta dimensão da procura, desenhada numa leitura que se faz escrita: a escrita como forma de pensar, que acontece nas pausas que a leitura provoca para refleti-la melhor, num diálogo com aquele "eco" que confirma, ou não, o pensamento pensado.


[1] “(…) livros (…) relacionados com o que porventura estudo e em que o simples raciocínio possa ser insuficiente” (Fernando Pessoa, in “Notas Autobiográficas e de Autognose”)

[2] Recordando o tratamento escolar que dei aos livros e à leitura, este é o tratamento que gosto de pensar ter-lhes dado. Não sei se consegui (não consegui muitas vezes, certamente)! Na escola trabalhamos pouco a leitura na sua relação com a escrita; embora produtos que se completam num mesmo objeto (escrita), temos dificuldade em vê-los na relação que estabelecem entre si, por força de uma tradição escolar que nos habituou a desligar a ação do produto que construímos com ela.

Pedagogia ou a preocupação de reencontrar o caminho

«Os caminhos desapareceram da alma humana”, diz Milan Kun­dera, no romance «A Imortali­dade».

Claro que continuamos a ter caminhos e a palavra não caiu em desuso, mas já não é usada com o mesmo sentido. Conti­nuámos a “meter pé ao cami­nho”, é certo, mas esta expres­são, num mundo atravessado de estradas, parece adquirir outro significado que se sobrepõe ao seu significado original.



Texto em construção
Actualizado em 20.06.2014
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3. Onde Está o Wally?

Onde está a sabedoria perdida no conhecimento?
Onde está o conhecimento perdido na informação
?”
T. S. Eliot
Texto em construção VER [ > ]





Textos Terminados

2. De "Os Direitos do Leitor" aos Deveres da Escola
Daniel Lousada

1. Cultura (uma nota inacabada com título por encontrar) - Daniel Lousada, com o apoio dos comentários de Rosário Rosa, a partir de uma citação de Vergílio Ferreira: "A cultura, como a higiene, tem de se impor à força. Abandonado a si, o homem não se lava. Mas depois descobre que é desagradável comer com as mãos sujas."