Origens

A origem dos Cotrins no Brasil está definitivamente em Portugal. Os Cotrins da Europa são, até hoje uma grande família. Foram vários os Cotrins, de diferentes locais de Portugal, os que vieram para o Brasil sendo que alguns deixaram raízes em algumas regiões claramente identificadas.

A história dos Cotrins em Portugal é antiga. Remonta ao século XIV (Martim Cotrim, nobre português que é citado nos velhos alfarrábios portugueses no ano de 1383)(1). Diversas citações de Cotrins em Portugal são feitas em publicações portuguesas do século XV (2). Para a origem do Cotrim português existem duas teorias. Uma, pouco difundida, é de que a origem estaria na família italiana Quatrino (ou ainda da moeda italiana quatrino). A segunda, mais aceita, é de que a família Cotrim seria originária da Inglaterra tendo passado para Portugal no século XV, nas pessoas de James Cottrell (ou Catterall) e seu irmão. James acompanhou a rainha de Portugal, Felipa de Lancaster no seu casamento com o rei João I de Portugal em 1386 e foi seu mordomo-mor até sua morte em 1415. James trocou seu nome para Jaime Cotrim em Portugal. Após a morte da rainha , seu filho, o principe Henry fez de Jaime seu mordomo-mor e passaram a morar no Castelo da Ordem de Cristo em Tomar. James (Jaime) casou-se com Anne de Ufford que adotou o nome de Ana Canas de Urofol (3).

Em Portugal, no município de Ferreira do Zêzere (freguesia de Dornes) está localizado (no Souto de Ereira, antiga quinta de Jaime Cotrim) o mais antigo solar da família dos Cotrins (*). Ali morou o Fidalgo Lopo Martim Canas Cotrim, filho de Jaime, de quem descendem provavelmente 90% dos Cotrins que hoje existem em todo mundo, com especial incidência nos países de língua portuguesa.

(*)Esta antiga casa fidalga no lugar do Souto da Ereira é uma velha edificação do tipo rude dos solares quinhentistas do concelho, feita com xistos sobrepostos, cingidos por cunhais, vergas e ombreiras de pedra calcária. A escada é exterior. Há bastas dependências rurais, anexas, cobertas de telha vã. No interior grosseiras chaminés de aquecimento. Na fachada exterior, largo brasão ornamental, de mármore lavrado (Cotrins) embutido nos xistos do paramento. Toda a pedra de armas é delicadamente lavrada.

Dos Cotrins de Ferreira do Zêzere saíram alguns para o Brasil (por explo. Filipe de Matos Cotrim, Sargento-mór que subiu o Amazonas por volta de 1637)

A maioria dos Cotrim do Brasil são descendentes de duas linhas mapeadas. 

A primeira  vem da Bahia e refere-se aos Cotrins vindos de Portugal no início do século XVIII que se instalaram no alto sertão baiano (Caetité, Guanambi, Rio de Contas, Livramento, Brumado, Caculé, etc.). Foi a que aparentemente mais se proliferou. Da Chapada Diamantina deslocaram-se para São Paulo (Pitangueiras, Batatais, São José do Rio Preto, etc.). Há registros na Carta – cujo original está em meu arquivo particular – de Benedito Egas José de Carvalho Cotrim, datada de 2 de dezembro de 1752, que o primeiro “Cotrim” que chegou aqui no sertão baiano foi o seu irmão Antônio Xavier de Carvalho Cotrim, de quem somos os seus descendentes. Em companhia de Antônio veio o seu irmão Bernardo Diogo José de Carvalho Cotrim que ficou na cidade de Caetité. Os dois uniram-se aos Teixeira, Brito e Gondim e foram os maiores proprietários de terras na região da Chapada Diamantina e na bacia do alto rio das Rãs.


á direita: Eliziário Xavier Cotrim e familiares. Cotrins da Bahia

abaixo: Eduardo Augusto Torres Cotrim. Cotrins do Rio de Janeiro


A segunda, mais nobre em teres e haveres possivelmente, refere-se aos Cotrins vindos também de Portugal, mas em época posterior e que, a princípio, se instalaram no Rio de Janeiro. José Custódio Cotrim da Silva, um descendente de Jaime Cotrim, se estabeleceu na região de Saquarema. Mais tarde estes Cotrins se espalharam pelo Rio de Janeiro, com grande incidência na região de Itatiaia, onde se uniram à família do Visconde de Itaboraí.

Existem outras linhas, ainda sem muitos dados. Destas, a mais evidente é a dos Gurjão (ou Grojão) Cotrim, um dos fundadores de Moji-Mirim, cidade do interior paulista. Outra é a dos Cutrim/Cotrim do Maranhão e outra diz respeito a fundação da cidade de Ilha Bela, no litoral paulista.

Em 20 de janeiro de 1502 a primeira expedição exploradora enviada ao Brasil pelos portugueses, comandada pelo navegador portuguêsGonçalo Coelho e trazendo a bordo o cosmógrafo  italianoAmérico Vespúcio, encontrou uma grande ilha que, segundo o aventureiro alemão Hans Staden, era chamada pelos tupis de Maembipe ("lugar de troca de mercadorias e resgate de prisioneiros"). Essa ilha, assim como fora feito em outros acidentes geográficos importantes, foi batizada pelos membros da expedição com o nome do santo do dia, São Sebastião.

Com a chegada do português Francisco de Escobar Ortiz sendo o primeiro povoador da ilha de S. Sebastião, onde obteve de Pero Lopes de Sousa, donatário da capitania, cem léguas de terra para si e sua nobre geração e de sua mulher  Ignez de Oliveira Cotrim, que ambos vieram da capitania do Espírito Santo para a ilha de S. Sebastião. Ignez de Oliveira Cotrim era bisavó do Capitão Bartolomeu Pais de Abreu, de João Leite da Silva Ortiz e de sua neta de mesmo nome Ignez de Oliveira Contrim casada com Antonio de Faria Sodré irmão do Padre João de Faria Fialho. Segundo escreveu Pedro Taques, foi Francisco de Escobar Ortiz senhor de dois engenhos de açúcar - os primeiros na ilha



(1) citação feita no livro Cronica del Rei Dom Joham I por Fernão Lopes.Obra original escrita entre 1384 e 1411. Reprodução facsimilada da edição do Arquivo Histórico Português (1915) preparada por Anselmo Braamcamp Freire
(2) vide O Archeologo Portugues, Colleccao Illustrada de Materiaes e Noticias, Publicada pelo Museu Ethnologico Portugues (Prehistoria, Epigraphia, Numismatica, Arte Antiga)

(3) A história dos Cotrim em Portugal e sua origem na Inglaterra são objeto de amplo e profundo estudo do genealogista e heraldista português José Paulo Vicente Alcobia Neves . Mais informações podem ser consultadas no site da família Catterall