Um dossier temático sobre o Trabalho de Projecto tem como objectivo auxiliar os professores na abordagem das novas áreas curriculares que este ano se iniciam no Ensino Básico. Apresentam-se as principais etapas, o contexto necessário para a obtenção de resultados positivos e diversas sugestões de trabalho

 

O que é o trabalho de projecto?

O Dicionário Geral das Ciências Humanas, de Lempereur Thinès, define trabalho de projecto como “um método de trabalho que requer a participação de cada membro de um grupo, segundo as suas capacidades, com o objectivo de realizar um trabalho conjunto, decidido, planificado e organizado de comum acordo”.
O trabalho deve ser orientado para a resolução de um problema, considerado importante e real por cada um dos participantes, que permita aprendizagens novas e ser estudado ou resolvido tendo em conta as condições da sociedade em que os alunos vivem. Uma vez apreendida esta noção, o trabalho já pode ser estruturado.
O trabalho desenvolve-se nas seguintes fases:
  • escolha do problema;
  • escolha e formulação dos problemas parcelares;
  • preparação e planeamento do trabalho;
  • trabalho de campo;
  • ponto da situação;
  • tratamento das informações recebidas e preparação do relatório e da apresentação;
  • apresentação dos trabalhos;
  • balanço.

  • A ideia da introdução do Trabalho de Projecto surgiu no seguimento do movimento de educação progressista, associado ao pensamento de John Dewey (1859 – 1952) e que defende o experimentalismo, o apelo aos interesses dos alunos, a preocupação de ligar a educação a objectivos pragmáticos e práticos e o reconhecimento de diferenças individuais no ritmo de projecto.
    Em Portugal, a metodologia de trabalho de projecto passou a ser divulgada a partir de um seminário organizado no Porto, em Fevereiro de 1978, pela Comissão Instaladora de um Curso para Formação de Formadores (CICFF) e pela Escola Superior de Educação de Estocolmo.
    Adaptado de Gerir o Trabalho de Projecto, de Lisete Barbosa de Castro e Maria Manuel Calvet Ricardo, Texto Editora.
    Para que serve o trabalho de projecto?
    O Trabalho de Projecto traz muitas vantagens, tanto aos professores como aos alunos. Entre outros benefícios, o trabalho de projecto serve para praticar competências sociais (tais como a comunicação, o trabalho em equipa, a gestão de conflitos, a tomada de decisões e a avaliação de processos), para ligar a teoria à prática, para realizar aprendizagens e desenvolver as múltiplas capacidades dos alunos e para aprender a resolver problemas.
    Uma das grandes conquistas desta metodologia é o facto de conseguir criar uma relação pedagógica que vai sendo construída entre alunos e professores e que permite aos alunos um espaço de expressão das suas curiosidades, conhecimentos e desejos.
    Adaptado de Gerir o Trabalho de Projecto, de Lisete Barbosa de Castro e Maria Manuel Calvet Ricardo, Texto Editora.
    A quem se destina o trabalho de projecto?
    Tanto alunos como professores têm alguma coisa a ganhar com esta metodologia. O trabalho de projecto destina-se a todos aqueles que acham que é possível conseguir melhor, que gostam de fazer do trabalho um divertimento, que gostam de ser surpreendidos pelos alunos e a todas as pessoas que têm ou gostariam de ter prática de animação de grupos.


    Adaptado de Gerir o Trabalho de Projecto, de Lisete Barbosa de Castro e Maria Manuel Calvet Ricardo, Texto Editora.
    Problemas e projectos
    Transformar um problema em projecto e concretizá-lo é o objectivo da pedagogia de projecto.
    Por problema podemos entender qualquer coisa que não se saiba e se queira aprender.

    Seguindo este raciocínio, há dois tipos de problemas: aqueles para os quais se procuram respostas, que serão facilmente encontradas por via de pesquisa de informação ou de raciocínio; e aqueles para os quais se procuram soluções, cuja resolução implica modificações na realidade física ou social.
    No primeiro caso, falamos de problemas intelectuais, de conhecimento ou de curiosidade.
    No segundo caso, referimo-nos a problemas sociais, de espaço, relacionais ou de funcionamento.
    Ao fazer de um problema um projecto, tomam-se algumas decisões educativas, optando pela possibilidade de obter várias respostas, pela implicação dos actores e pela procura de uma intencionalidade e de um sentido das práticas pedagógicas que podem extravasar do domínio escolar.
    O Trabalho de Projecto é, pois, uma metodologia investigativa centrada na resolução de problemas. O resultado final dá origem a uma aprendizagem-acção que pode ser tão ou mais importante do que o produto final.
    Adaptado de Gerir o Trabalho de Projecto, de Lisete Barbosa de Castro e Maria Manuel Calvet Ricardo, Texto Editora.
    O desenvolvimento dos alunos
    O Trabalho de Projecto começa por ser o projecto de um professor ou de uma equipa e o seu objectivo principal é o desenvolvimento da autonomia e da capacidade de intervenção dos alunos. A intenção do professor é criar um projecto pedagógico-educativo sobre o desenvolvimento dos alunos.
    Os objectivos do professor em relação ao que espera desta metodologia só poderão ser alcançados a partir do momento em que os alunos sintam a ideia como sua e se identifiquem com os objectivos do trabalho.
    Uma vez apropriada a ideia, é preciso formar os grupos de trabalho e atribuir-lhes os seus papéis. Esta organização do trabalho implica uma relação de complementaridade entre os grupos de trabalho e entre os elementos de cada grupo.
    No trabalho a desenvolver, cada elemento do grupo tem um papel a assumir. Os alunos passam a assumir diferentes papéis:
  • o papel de central na concepção do projecto e na definição dos subtemas;
  • o papel da contribuição mais decisiva para a realização do trabalho;
  • o papel da gestão de tensões, vazios e conflitos;
  • o papel ligado às competências técnicas, científicas, literárias ou comunicativas;
  • o papel ligado às habilidades manuais, plásticas ou musicais;
  • o papel ligado às relações nos meios onde se vão recolher as informações.
    Todos estes papéis irão contribuir para o sucesso do trabalho em grupo. Esta metodologia vai, inclusivamente, permitir a alguns alunos assumir papéis mais importantes do que os que habitualmente têm nas aulas tradicionais.
    Por consequência, as responsabilidades inerentes a cada um dos elementos do grupo também aumenta. Num cenário de divisão de tarefas para alcançar um produto desenvolvido pelo grupo, o papel de cada elemento torna-se relevante e indispensável. Esta responsabilidade tem reflexos nas próprias personalidades dos alunos, que se tornam mais autónomos e aprendem a afirmar a sua própria identidade.
    Adaptado de Gerir o Trabalho de Projecto, de Lisete Barbosa de Castro e Maria Manuel Calvet Ricardo, Texto Editora.
    O trabalho de projecto como trabalho de grupo
    O que é um grupo?

    Não basta que as pessoas estejam juntas para constituírem um grupo. É preciso que, para além disso, se verifique a apropriação individual de um projecto colectivo. Nesta metodologia de trabalho, responde às seguintes necessidades:
  • necessidade de aceitação;
  • necessidade de reforçar o sentido de identidade e a auto-estima;
  • necessidade de produzir e testar realidades sociais;
  • necessidade de reduzir a ansiedade, a insegurança e o sentimento de impotência.
    Adaptado de Gerir o Trabalho de Projecto, de Lisete Barbosa de Castro e Maria Manuel Calvet Ricardo, Texto Editora.
    Fases e problemas do trabalho de grupo
    a) Acolhimento – Quem sou eu?
    Esta é a fase dos primeiros contactos. É nesta fase que os elementos do grupo se dão a conhecer uns aos outros, propiciando, assim, um clima de aceitação e confiança.
    b) Trocas, informações – Quem são vocês?
    A troca de informações e experiências entre os membros do grupo estabelece também um clima de confiança e à-vontade.
    c) Fixação de objectivos – O que vamos fazer?
    É a fase em que o grupo decide o que vai fazer. Se esta fase for bem gerida, constitui um momento de grande criatividade, pois as ideias aparecem e vão-se interligando. Apresentam-se e analisam-se sugestões e encontram-se pistas de actividades a desenvolver.
    d) Organização e controlo – Como vamos fazer?
    É a fase de planificação do trabalho, da divisão de tarefas, do estabelecimento de dispositivos de controlo e de feedback, do planeamento da actividade em função dos recursos do grupo, do tempo e do contexto. Se tudo isto for bem organizado, verifica-se uma situação de interdependência.
    e) Conclusão e apresentação do trabalho – Que fizemos?
    Nesta fase, vê-se o resultado final, tanto a nível da tarefa executada, como a nível do processo relacional dentro do grupo e a nível do relacionamento do grupo com o exterior.
    Adaptado de Gerir o Trabalho de Projecto, de Lisete Barbosa de Castro e Maria Manuel Calvet Ricardo, Texto Editora.
    Dimensão dos grupos
    Quando se pensa em dimensionar os grupos de trabalho, há alguns factores importantes a ter em consideração:
  • a idade dos alunos: quanto mais novos forem os alunos, mais pequenos devem ser os grupos;
  • a natureza da tarefa a realizar: para uma discussão abstracta, o número de participantes deve ser maior; para uma tarefa que envolva trabalho manual, o grupo deve ser mais pequeno;
  • a comunicação: há mais probabilidades de comunicação quando o grupo é pequeno. Num grupo grande, é quase inevitável que alguns elementos nem cheguem a participar;
  • os recursos: quanto maior for o tamanho do grupo, mais recursos existirão.
    Adaptado de Gerir o Trabalho de Projecto, de Lisete Barbosa de Castro e Maria Manuel Calvet Ricardo, Texto Editora

  • Constituição dos grupos
    O professor tanto pode deixar que os alunos se organizem sozinhos em grupo, como pode decidir como organizá-los:
  • utilizando critérios
  • , que podem ser de heterogeneidade (alunos urbanos e rurais, alunos com idades diferentes) ou de homogeneidade (alunos com características comuns);
  • constituindo grupos de forma aleatória
  • ;
  • constituindo os grupos em função do trabalho a executar
  • , tendo por base a divisão de tarefas pelos elementos do grupo;
  • organizando os grupos por temas.
    Adaptado de Gerir o Trabalho de Projecto, de Lisete Barbosa de Castro e Maria Manuel Calvet Ricardo, Texto Editora.
    A comunicação
    O contexto afectivo

    Para que o Trabalho de Projecto funcione bem, é preciso que haja comunicação e diálogo entre todos os intervenientes no processo. É necessário que todos criem o contexto, escutem os outros e se exprimam, de modo a transmitir as ideias a veicular.
    O ambiente entre os elementos do grupo é muito importante. Se houver um clima de aceitação por parte de todos, não haverá necessidade de perda de energias em conflitos, o que fará com que exista um nível de concentração maior na tarefa a executar.
    Quando não existe aceitação, e, por consequência, compreensão, o clima de agressividade surgirá como um inimigo do trabalho a desenvolver.
    Também o bom humor é importante para um bom ambiente de trabalho em grupo. “Rir com os colegas, e não dos colegas”, como referem os Programas de Desenvolvimento Pessoal e Social para o 1.º Ciclo é uma garantia de maior empenho e motivação por parte dos alunos.
    Tão importante como estes dois factores é a confiança. O encorajamento e a animação e a criação de hábitos de negociação para resolver os problemas são factores que desenvolvem a autoconfiança e o respeito mútuo, o que levará a um aumento da produtividade do trabalho escolar.
    Adaptado de Gerir o Trabalho de Projecto, de Lisete Barbosa de Castro e Maria Manuel Calvet Ricardo, Texto Editora.

    O contexto cognitivo
    Para que o clima da aula seja intelectualmente estimulante, é necessário que exista curiosidade intelectual também da parte do professor.
    Se o próprio professor tiver vontade de aprender, de experimentar, de ouvir, de se informar e de debater ideias, será mais fácil despertar essa mesma vontade de saber nos alunos.
    Adaptado de Gerir o Trabalho de Projecto, de Lisete Barbosa de Castro e Maria Manuel Calvet Ricardo, Texto Editora.
    O contexto social
    Neste caso específico, o contexto social refere-se à própria turma, que depende directamente da forma de actuar do professor.
    A responsabilidade partilhada e distribuição de tarefas criam condições para a colaboração e a autonomia. As regras que forem definidas com a turma têm mais probabilidades serem assumidas e respeitadas por todos.
    Adaptado de Gerir o Trabalho de Projecto, de Lisete Barbosa de Castro e Maria Manuel Calvet Ricardo, Texto

    O contexto físico
    Para que tudo funcione em perfeição dentro de uma sala de aula, até pequenos pormenores, como a disposição dos móveis ou a distribuição dos alunos pela sala, são importantes.
    Consideremos, então, alguns exemplos:

  • para o trabalho com grupos pequenos, devem organizar-se pequenos núcleos de mesas e cadeiras para que haja uma comunicação mais próxima;
  • quando o professor quiser comunicar com o grupo todo, é conveniente adoptar a disposição em círculo, em “U” ou em filas;
  • para uma apresentação ou exposição de um trabalho à turma, convém que todo o grupo esteja voltado para os alunos que estão a falar;
  • em ocasiões de debate, a disposição deve ser em círculo, para que todos se possam ver e para que exista igualdade de estatuto;
  • para assembleias de turma, deve ser usada a disposição em círculo ou dar um lugar um pouco mais destacado aos alunos que constituem a “mesa”.
    Adaptado de Gerir o Trabalho de Projecto, de Lisete Barbosa de Castro e Maria Manuel Calvet Ricardo, Texto Editora.
    Escutar
    Uma atitude de escuta, que se pretende que seja de atenção e compreensão, começa, de um modo geral, pela atitude que se tem em relação a quem está a falar.
    Olhar para a pessoa que está a falar, adoptar uma postura descontraída enquanto se ouve o que o outro está a dizer, sentar-se calmamente com os braços assentes na secretária e o corpo inclinado para a frente.
    Também muito importante é o feedback que se vai sentindo por parte de quem escuta. Pequenos movimentos com a cabeça, uma ligeira inclinação para quem está a falar ou expressões de apoio ou aquiescências, como “hum”, “pois”, “continua”, são sinais de que o discurso está a ser ouvido e compreendido.
    Adaptado de Gerir o Trabalho de Projecto, de Lisete Barbosa de Castro e Maria Manuel Calvet Ricardo, Texto Editora.
    Exprimir-se
    Eis algumas dicas para o professor se fazer ouvir:
  • fale pouco e com voz clara;
  • utilize frases na primeira pessoa;
  • tenha atenção às palavras ou expressões que tenha tendência a repetir muito;
  • dê indicações pela positiva;
  • peça feedback sobre o que vai dizendo;
  • utilize expressões que traduzam o poder de decisão que tem, mais do que uma atitude passiva;
  • seja uma pessoa e não apenas um professor.
    Adaptado de Gerir o Trabalho de Projecto, de Lisete Barbosa de Castro e Maria Manuel Calvet Ricardo, Texto Editora.
    Sugestões de trabalho
    1.º Período

    É indubitável que determinadas alturas do ano lectivo são mais propensas a determinadas actividades do que outros.
    Tal sucede, quer seja pela posição que ocupam no calendário quer pelo ambiente que lhes está, geralmente, associado. Vamos ver alguns exemplos.
    Setembro é o mês do regresso às aulas, logo, uma excelente oportunidade para promover actividades que proporcionem um melhor conhecimento entre os alunos de uma turma. Experimente:
    Desarrumar a sala para arrumar o grupo
    Peça aos seus alunos que disponham as carteiras em círculo e se sentem por ordem alfabética. Perca-se no meio da turma e assuma o papel de animador.
    Peça-lhes que se coloquem dois a dois e que partilhem algumas experiências, como, por exemplo, o que fizeram durante as férias de Verão. Depois, cada um deles deve contar à turma o que o colega lhe contou.
    Não só os colegas ficarão a conhecer-se melhor, como o professor terá uma ideia global de todos os seus alunos.
    Da imagem à pessoa
    Leve para a aula algumas imagens recortadas de jornais e revistas. Peça aos seus alunos para seleccionarem, cada um, uma imagem. Ponha-os em círculo e questione-os sobre a razão da sua escolha.
    Com esta actividade, ficará a conhecer os seus alunos, nomeadamente no que diz respeito aos seus centros de interesse, à sua sensibilidade, os seus anseios, etc.
    Os sons do silêncio
    Faça um desenho de um CD, fotocopie-o e leve-o para a aula. Distribua a fotocópia pelos seus alunos e peça-lhes para escolherem seis itens da seguinte lista (o item 10 é de escolha obrigatória):
    1 – O meu CD preferido
    2 – O sítio onde eu mais gosto de ir com os meus amigos
    3 – As minhas férias ideais
    4 – O filme de que mais gostei
    5 – O meu ídolo (de música ou cinema)
    6 – O meu passatempo preferido
    7 – O que é para mim o rapaz/rapariga ideal
    8 – O que eu gostava de fazer na vida
    9 – O meu programa de TV preferido
    10 – O que espero da minha turma
    Dê cinco minutos para a execução deste trabalho e depois peça aos alunos que façam par com o colega do lado de modo a partilharem o que fizeram. Depois, peça a cada aluno que apresente o CD do seu colega à turma.
    2.º Período
    No segundo período, em Janeiro, depois de dadas as notas do primeiro período, é altura de dar início de novo à aulas.
    Este primeiro momento de avaliação deve ser uma forma de diagnosticar a situação em que cada aluno se encontra para que os professores possam repensar a turma, as estratégias e a forma de relacionamento aluno/professor.
    O mais importante é que as diferenças de notas entre os alunos não se reflictam em diferenças de tratamento dentro da sala de aula. O que importa agora é trabalhar com os jovens no sentido de os fazer sentir que o mais importante foi o empenhamento e o contributo que cada um deu.
    Por outro lado, depois do primeiro momento de avaliação, estão criadas as condições para ajudar cada aluno de acordo com as dificuldades e necessidades detectadas. É preciso diagnosticar primeiro as causas das dificuldades e só depois encontrar, em conjunto, as melhores soluções.
    Em relação à turma, depois da paragem para as férias do Natal, é possível repensá-la em termos da sua organização. Reagrupar os alunos, propor outras actividades que os motivem de acordo com aquilo que os professores aprenderam da vida de cada um. Reflectir sobre as temáticas curriculares previstas para o segundo período e tentar arrumá-las de uma forma mais dinâmica, eficaz e adequada.
    Para que se possa “repensar a turma”, é preciso que se faça uma reunião de Conselho de Turma no início do 2.º período. Nesta reunião, tente reflectir com os seus colegas sobre as seguintes questões:
  • Quais foram os casos de dificuldade de integração detectados na turma? Que dificuldades sentiram?
  • E os professores? Que potencialidades encontraram na turma? Que dificuldades sentiram?
  • Como potencializar aquilo que a turma revelou de positivo de modo a ultrapassar as dificuldades?
  • De que forma estão os grupos de alunos formados? Será que é necessário negociar com eles a composição de cada grupo?
  • A família tem correspondido às expectativas?
  • Que projecto para a turma durante o 2.º período?
    Como é que vai isso hoje?
    Numa das primeiras aulas do 2.º período, distribua pelos seus alunos uma folha de papel com três desenhos: uma cara a rir, uma cara triste e uma cara séria. Coloque os alunos em círculo e peça-lhes para escolherem aquela com a qual se identificam naquele momento. Depois, incentive-os a explicarem a razão da sua escolha.
    Com este jogo, pode atingir três objectivos:
  • treinar os jovens a exprimirem e verbalizarem os seus sentimentos;
  • proporcionar um espaço de diálogo;
  • divertir-se.
    Adaptado de Projectos de Turma, de Alfredo Dias e Isabel Hapetian, Texto

    3.º Período
    No mês de Maio a Primavera traz consigo os “amores” próprios da juventude. O professor facilmente se apercebe disso quando vê os seus alunos aos “parzinhos” ou com as atitudes próprias de quem está apaixonado.
    Esta é uma altura propícia a que desenvolvam temas relacionados com a sexualidade. Por exemplo:
    1 . Busca de informação sobre SIDA
    O que é? Como se transmite? Como pode ser evitada? São temas que podem ser debatidos e analisados dentro da sala de aula.
    2. Caixa de perguntas
    Convide os seus alunos a escreverem as perguntas sobre sexualidade ou temas a ela ligados que gostariam de ver respondidas num papelinho anónimo que introduzem numa caixa. Leve as perguntas para casa e prepare as respostas que serão depois discutidas numa aula ou sessão a combinar.
    3. Masculino/Feminino
    Organize grupos de rapazes e raparigas e convide-os a falar sobre as alegrias, problemas e dificuldades advindos da sua sexualidade específica. Depois, convide-os a formularem perguntas aos grupos do sexo oposto.
    Com o fim do ano lectivo, em Junho, surge uma das actividades mais desejadas pelos alunos: as visitas de estudo.
    A visita de estudo tem dois objectivos fundamentais:
  • “premiar” todo o trabalho desenvolvido ao longo do ano;
  • criar um momento especial no clima relacional que se foi desenvolvendo ao longo do ano entre os alunos e os professores, de forma a potenciar a continuidade do projecto no ano lectivo seguinte.
    Assim, a viagem deve estar centrada na contínua descoberta de pessoas, pois é uma ocasião única para juntar alunos e professores num ambiente descontraído. Para que isso aconteça, é importante que os professores se misturem com os alunos de modo a fortalecer as suas relações.
    Adaptado de Projectos de Turma, de Alfredo Dias e Isabel Hapetian, Texto Editora.

    Exemplos

    Apresentam-se por último alguns modelos de textos que podem ser utilizados no decurso de um Trabalho de Projecto.


    As fases do trabalho

    Primeiro, é preciso escolher o tema a tratar. Segue-se a investigação para se saber mais sobre o tema.
    As fases do trabalho irão ser as seguintes:

    1. Escolha do tema
    2. Definição pormenorizada dos aspectos do tema que queremos trabalhar
    3. Planeamento do trabalho
    4. Recolha de documentos, investigação, tomada de notas
    5. Elaboração do ponto da situação
    6. Preparação da apresentação do trabalho à turma
    7. Apresentação do trabalho e participação na apresentação dos trabalhos dos outros grupos
    8. Realização do balanço


    Trabalho de campo

    A recolha de dados e informações pode ser feita de muitas e diferentes maneiras, dependendo do que se quer saber. Pode-se:

  • fazer fotografias, gravações, desenhos, esquemas;
  • procurar documentos escritos, fotografias, dados quantificados;
  • conversar com as pessoas e fazer-lhes entrevistas mais ou menos formais;
  • fazer observações dos locais, da organização do espaço, da disposição dos móveis;
  • observar o comportamento das pessoas, os gestos, anotar falas, movimentos, contar as vezes que determinados acontecimentos se dão num determinado espaço de tempo.


  • As etapas do trabalho de projecto

    1. Escolha do problema.
    2. Escolha e definição dos subproblemas.
    3. Organização e planificação do trabalho.
    4. Recolha da informação.
    5. Ponto da situação.
    6. Tratamento da informação e preparação do relatório e da apresentação dos trabalhos.
    7. Apresentação dos trabalhos.
    8. Balanço.